Antiguidade Bíblica
Jeremias (Yirmeyahu) — Artigo Enciclopédico
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1. Lead e Ficha
O Livro de Jeremias (hebr. יִרְמְיָהוּ, Yirmeyahu, “Javé exalta” ou “Javé lança-fundamentos” — a etimologia é discutida; gr. LXX Ἰερεμίας; lat. Ieremias) é o segundo dos Profetas Posteriores no cânon hebraico, depois de Isaías, e o vigésimo quarto livro da Bíblia cristã na ordem usual [W]. É o mais longo dos livros proféticos da Bíblia Hebraica: 52 capítulos [V] — o livro tem quatro capítulos mais que Isaías e cinco mais que Ezequiel [W].
Ao contrário de Isaías, quase todo o livro se apresenta como reportagem de um só profeta atuante em Jerusalém, entre a reforma de Josias e a destruição da cidade — ou seja, entre os últimos decênios do século VII e o início do século VI a.C. [W]. O livro não é apenas coleção de oráculos: contém narrativas em terceira pessoa sobre o profeta e narrativas em primeira pessoa atribuídas ao próprio Jeremias, e uma parte substantiva do texto fala da transmissão escrita da palavra profética (o rolo ditado e depois queimado em Jr 36) [W]. Essa mistura entre profecia e relato biográfico é o traço que singulariza Jeremias no corpus profético.
O nome do livro também dá nome a uma figura literária e teológica de enorme peso posterior: o profeta recusado pela sua própria cidade, o homem cuja vocação agrava o sofrimento em vez de aliviá-lo (Jr 15,10; 20,14–18) [W], e o ponto de partida da ideia de nova aliança (Jr 31,31–34), central para o cristianismo (Hb 8,8–12) [W] e para a própria comunidade de Qumran [ACAD — SBL, Textual Criticism 30, 2025, sobre a edição curta do livro].
| Campo | Dado | Marcador |
|---|---|---|
| Nome hebraico | Yirmeyahu (יִרְמְיָהוּ) | [V] texto |
| Nome grego/latino | Ieremias / Ieremias | [W] |
| Posição no cânon | 2.º dos Profetas Posteriores (hebraico); 24.º livro cristão | [W] |
| Capítulos | 52 | [V] texto |
| Idioma | hebraico bíblico (com prosa deuteronomista e poesia mais antiga) [W] | |
| Autoria | oráculos de Jeremias ben Hilquias; redação e ampliação posterior (Baruque, círculos deuteronomistas) | [W] |
| Atividade profética | c. 627/626 a.C. (Jr 1,2) até depois de 586 a.C., no Egito (Jr 43–44) | [W] |
| Marco histórico externo | queda de Jerusalém, 586 a.C. (Crônica de Nabucodonosor, BM 21946) | [V] |
| Testemunho textual | 4QJer-a (protomassorético), 4QJer-b, 4QJer-d (edição curta) | [ACAD — Brill, Texts of Jeremiah in the Qumran Library] |
O nome é lido em Jeremias 1,1 com a filiação: “Jeremias, filho de Hilquias, um dos sacerdotes que estavam em Anatote, na terra de Benjamim” (Jr 1,1) [W]. Anatote fica a cerca de cinco quilômetros ao nordeste de Jerusalém; a origem sacerdotal rural do profeta, fora da hierarquia do Templo, é comumente usada para explicar tanto sua familiaridade com a liturgia quanto sua distância crítica da instituição (Jr 7) [W].
2. Contexto e Autoria
A datação interna. Jeremias 1,2–3 enquadra o ministério entre o décimo terceiro ano de Josias (627/626 a.C.) e o décimo primeiro ano de Zedequias (587/586 a.C.), com uma continuação narrativa que o estende até o Egito depois de 586 a.C. [W]. Isso situa o profeta em cinco reinados: Josias (640–609), Jeoacaz, Jeoaquim (609–598), Joaquim e Zedequias (597–586) [W].
O contexto político. O livro atravessa três terremotos geopolíticos: a morte de Josias em Megido (609 a.C.), que apaga a tentativa de restauração independente; a primeira deportação de 597 a.C., quando Nabucodonosor leva Joaquim, a corte e os artesãos para a Babilônia; e a destruição final de 586 a.C., com o Templo incendiado e nova deportação [V — Crônica de Nabucodonosor, BM 21946, British Museum: a campanha de 597 a.C. e a submissão de Jerusalém estão registradas em tablete de argila neobabilônico]. Entre 597 e 586, Zedequias governa como vassalo e a corte se divide entre a submissão à Babilônia e a aposta numa coalizão anti-babilônica apoiada no Egito — a divisão que a tensão com os “profetas de paz” do livro pressupõe (Jr 27–28) [W].
A autoria e a “questão jeremiana”. Não há hoje defesa séria de que Jeremias tenha escrito o livro inteiro. A crítica distingue: (i) oráculos em poesia atribuídos ao profeta; (ii) prosa deuteronomista, com fórmulas e vocabulário próximos de Deuteronômio; (iii) narrativas biográficas em terceira pessoa, tradicionalmente atribuídas ao escriba Baruque ben Nerias (Jr 36,4.32; 45) [W]. Sigmund Mowinckel (1914) propôs a divisão em quatro “fontes” (A: oráculos poéticos; B: narrativas; C: discursos em prosa; D: discursos posteriores), e essa análise de fontes dominou boa parte do século XX [W]. Bernhard Duhm (1901) chegou a negar sistematicidade à redação deuteronomista do livro; a tese dominante desde os anos 1970 passou a ser a de uma redação deuteronomista ampla — Winfried Thiel (Die deuteronomistische Redaktion von Jeremia 1–25, 1973) e Helga Weippert (Die Prosareden des Jeremiabuches, 1973) defenderam-na por caminhos distintos [ACAD — SciELO SA, “Jeremiah 26–29: a not so Deuteronomistic composition”, que mapeia as posições de Thiel, Weippert, Bright e Holladay]. A própria atribuição de Jr 52 à redação deuteronomista por Thiel foi depois contestada [ACAD — Brill, The Inclusion of Jeremiah 52 into the Book of Jeremiah: “a view shared by Nicholson and others, but now largely discredited”].
Duas edições: a questão central. O texto de Jeremias existe em duas formas antigas substancialmente diferentes. O texto massorético (MT) é cerca de um oitavo mais longo que a Septuaginta (LXX), e a ordem dos oráculos contra as nações muda: no MT, os capítulos 46–51 vêm ao fim; na LXX, esse bloco aparece depois de 25,13 [ACAD — Emanuel Tov, “The Nature of the Large-Scale Differences between the LXX and MT S T V…” (2008), PDF no site do autor]. Mais decisivo: os fragmentos de Qumran 4QJer-b e 4QJer-d, do século II a.C., acompanham a forma curta [ACAD — Brill, Texts of Jeremiah in the Qumran Library]. Isso mostra que a forma curta existiu em hebraico e não é abreviação do tradutor grego. Tov formulou a partir daí a hipótese de que a LXX testemunha uma primeira edição e o MT uma segunda, ampliada [ACAD — Tov, 2008]. A hipótese é majoritária, não unânime: há quem sustente abreviação deliberada, e a discussão sobre a Vorlage continua [ACAD — SBL, Textual Criticism 30, 2025].
3. Estrutura (52 capítulos)
A estrutura mais difundida divide o livro em cinco blocos:
- Prólogo: vocação e comissões (Jr 1). O chamado, os dois sinais (a amendoeira, a panela fervente) e a resistência de Jeremias [W].
- Oráculos de juízo contra Judá (Jr 2–25). Poemas de acusação e lamento (2–6); o sermão do Templo e a crítica do culto (7–10); as Confissões dispersas (11–20); oráculos contra reis e profetas (21–23); a síntese teológica (24–25), em que o copo da ira passa de Judá às nações (25,15–29) [W].
- Narrativas biográficas (Jr 26–45). O processo de Jeremias (26); o jugo e a carta aos exilados (27–29); o livro da consolação (30–33); o rolo ditado a Baruque e queimado por Jeoaquim (36); o cerco e a queda (37–39); Gedalias e o Egito (40–44); o oráculo a Baruque (45) [W].
- Oráculos contra as nações (Jr 46–51). Egito (46), Filisteus (47), Moabe (48), Amom, Edom, Damasco, Quedar e Hazor (49), e o longo oráculo contra Babilônia (50–51), que termina com o rolo afundado no Eufrates (51,59–64) [W].
- Apêndice histórico (Jr 52). Paralelo de 2 Rs 24,18–25,30, com a queda da cidade e a última notícia sobre Joaquim — e a contagem das deportações em 52,28–30 [W].
A divisão não é neutra: o bloco de consolação (30–33) rompe o fio do juízo e antecipa a restauração (31,31–34), e a disposição da LXX desloca os oráculos contra as nações para o meio do livro [ACAD — Tov, 2008]. Quem organiza o livro à luz de uma só linha de leitura precisa decidir, primeiro, qual edição está lendo (§2).
4. Conteúdos-chave com Debate
4.1 A vocação e a confissão de incapacidade (Jr 1)
Jeremias recebe a palavra antes de nascer — “antes que eu te formasse no ventre, eu te conheci” (Jr 1,5) — e responde com a dupla recusa do profeta: “não sei falar, sou jovem” (Jr 1,6) [W]. A resposta divina não nega a incapacidade; ela a absorve: “não olhes para a tua idade, porque a todos quantos eu te enviar irás” (Jr 1,7), com a legitimação gestual da mão que toca a boca (1,9) [W]. A cena fixa o tema do anti-herói: o profeta é definido pela fraqueza da fala, não pela competência oratória, e a série de textos posteriores (Jr 15,10; 20,7–18) lê essa vocação como encargo opressivo, não privilégio [W]. Os dois sinais (1,11–16) definem a tarefa em duas direções: desarraigar e demolir, plantar e construir (1,10) [W].
4.2 O sermão do Templo (Jr 7) e a crítica do culto
O discurso em Jr 7,1–15, situado à porta do Templo, ataca a fórmula “Templo de Javé, Templo de Javé, Templo de Javé” (7,4) como superstição de garantia: a presença do santuário não protege quem rouba, mata, adultera e segue outros deuses (7,9–10) [W]. O argumento decisivo é histórico — perguntem o que aconteceu a Siló, o santuário destruído do período dos juízes (7,12) [W]. É a relativização da instituição central do judaísmo pré-exílico, e a recepção cristã leu-a como precedente da crítica profética ao ritual vazio — e a exegese crítica a lê como ideologia deuteronomista de centralização do culto projetada no profeta [W]. O mesmo episódio reaparece na narrativa de Jr 26, com a ameaça de morte e a defesa dos anciãos — o comentário interno mais antigo do livro sobre si mesmo [W].
Debate: a diferença entre o discurso de Jr 7 (poesia/retórica) e o de Jr 26 (narrativa com desfecho jurídico) é usada por Holladay e por Weippert em sentidos opostos quanto à antiguidade da prosa [ACAD — SciELO SA, “Jeremiah 26–29: a not so Deuteronomistic composition”, que organiza as posições].
4.3 As Confissões (Jr 11,18–12,6; 15,10–21; 17,14–18; 18,18–23; 20,7–18)
Cinco blocos em primeira pessoa, conhecidos como Confissões, misturam lamento, denúncia e maldição contra os inimigos [W]. A bibliografia seletiva mais usada foi organizada por Charles Conroy [V — Conroy, The Confessions of Jeremiah: select bibliography]. O gênero é o ponto central da discussão: são lamentos individuais adaptados à situação do profeta (tese clássica de Baumgartner, 1917/1945, na esteira da análise da forma de Gunkel e Mowinckel) ou biografia teológica de redação posterior (Reventlow, 1963, e críticos recentes) [W]. Gerhard von Rad leu-as como testemunho do peso psicológico da vocação [W]; Kathleen O’Connor (The Confessions of Jeremiah, 1988) e A. R. Diamond (1987) deslocam o eixo para a função literária dentro do livro [W]. O ponto agudo é Jr 20,7 — “tu me seduziste, Javé, e eu me deixei seduzir” —, que descreve Deus como enganador [W]. Sem Confissões, Jeremias seria um profeta de teses; com elas, é um livro sobre o custo de ser instrumento [W].
4.4 O rolo queimado e Baruque, o escriba (Jr 36)
Jr 36 é o relatório da escrita: no quarto ano de Jeoaquim, Jeremias dita a Baruque tudo o que falou, e Baruque lê o rolo no Templo; os oficiais o levam ao rei, que o corta com o canivete e o queima no braseiro (36,23); Jeremias e Baruque ditam de novo um rolo mais longo (36,32) [W]. O capítulo fundamenta a tese de que o núcleo do livro circulou em rolo separado antes da forma atual, e o “escriba” (hasofer) de 36,32 é a base da tradição que atribui a Baruque a compilação das narrativas [W]. Baruque reaparece em Jr 43,3–7 (levado ao Egito) e em Jr 45 [W], e sua figura passa à literatura posterior: o livro deuterocanônico de Baruque e a apocalipse siríaca de 2 Baruque [W]. Um detalhe epigráfico: as bulas com a legenda “Berechyahu, filho de Neriyahu, o escriba” (§12) tornaram-se o caso mais discutido associado a Jeremias [ACAD — Goren et al., BASOR 372, 2014, p. 147].
4.5 A tensão com os falsos profetas (Jr 23; 28)
Jr 23,9–40 ataca os profetas que “fortalecem as mãos dos malfeitores” e prometem paz a quem não tem paz (23,17) [W]. O caso-limite é Jr 28: Hananias, filho de Azur, de Gibeão, anuncia em nome de Javé a quebra do jugo babilônico em dois anos e arrebenta o jugo de madeira do pescoço de Jeremias — que responde com o jugo de ferro (28,12–14), concluindo com o anúncio da morte de Hananias, que morre no mesmo ano (28,15–17) [W]. O episódio é o teste empírico da profecia no Antigo Testamento (cf. Dt 18,21–22) e coloca o problema inverso: como se distingue a palavra verdadeira? O critério do cumprimento é tardio para servir de bússola no momento da decisão, e o texto resolve por autoridade [W]. A discussão moderna trata o conflito como disputa política de corte (submissão à Babilônia contra coalizão egípcia) vestida de vocabulário teológico [W].
4.6 A carta aos exilados e os setenta anos (Jr 29)
Jr 29 reproduz a carta de Jeremias aos deportados de 597 a.C.: construam casas, plantem jardins, casem e “procurem o bem-estar (shalom) da cidade para onde eu vos deportei, e orem por ela” (29,7), porque o exílio durará setenta anos (29,10) [W]. É uma das passagens mais influentes do livro para a ética do exílio e da cidadania em terra estrangeira [W]. A carta também combate profetas rivais dentro da própria comunidade exilada (29,21–23.24–32: Ahab, Zedequias, Semaías) — a polêmica atravessa a fronteira e atinge os deportados [W]. O número “setenta anos” é o texto que o livro de Daniel (Dn 9,2) lê e reinterpreta, e que alimenta séculos de cronologia apocalíptica [W].
4.7 A nova aliança (Jr 31,31–34)
O texto promete uma aliança “não como a aliança que fiz com seus pais no dia em que os tomei pela mão para tirá-los do Egito — eles quebraram a minha aliança” (31,32), com três traços: a interiorização (“porei a minha lei no seu interior e a escreverei no seu coração”, 31,33), a relação imediata (“todos me conhecerão, do menor ao maior”, 31,34) e o perdão definitivo dos pecados (31,34) [W]. A passagem é o texto mais lido de Jeremias pelos cristãos, citado integralmente em Hebreus 8,8–12 — e é também o texto que a comunidade de Qumran reivindicou, chamando-se a si mesma de comunidade da nova aliança (berit hadashah; Documento de Damasco) [W]. Os dois usos mostram que a fórmula pertenceu originariamente à restauração de Israel e Judá, não a uma substituição da eleição [W]. O debate hermenêutico está em §11.
4.8 A queda de Jerusalém (Jr 39; 52) e a evidência babilônica
Jr 39 narra episodicamente o fim: a brecha na muralha, a fuga de Zedequias, a captura em Jericó, a execução dos filhos do rei diante dele, a cegueira do rei e a deportação (39,1–10) [W]; Jr 40–44 segue a história de Gedalias, governador nomeado pelos babilônios, assassinado por Ismael ben Netanias, e a descida dos sobreviventes ao Egito contra a ordem profética (44, com um oráculo contra a rainha egípcia) [W]. Jr 52 fecha com uma cronologia detalhada do cerco e com a notícia final da reabilitação de Joaquim na corte babilônica (52,31–34) [W]. A confirmação externa é dupla: a Crônica de Nabucodonosor (BM 21946) descreve a campanha de 597 a.C. e a submissão de Jerusalém, com o tributo recebido e a colocação de um rei vassalo [V — British Museum, objeto W_1896-0409-51; transcr. cojs.org], e as tábuas de rações de Babilônia registram entregas de óleo a Joaquim, rei de Judá, e seus filhos, como prisioneiros sustentados pela corte (publicação de Ernst Weidner, 1939) [W].
4.9 Duas edições: o que se lê quando se lê Jeremias (LXX × MT × Qumran)
Este é o ponto em que o leitor moderno precisa de aviso. A LXX de Jeremias é cerca de um oitavo mais curta que o MT e apresenta os oráculos contra as nações em outra posição [ACAD — Tov, 2008]. Os fragmentos 4QJer-b e 4QJer-d acompanham a forma curta, o que torna indefensável tratar o grego como mera paráfrase abreviada [ACAD — Brill, Texts of Jeremiah in the Qumran Library]. Tov propôs duas edições — uma curta (grego, 4QJer-b/d) e uma longa (MT, 4QJer-a, proto-massorético) [ACAD — Tov, 2008]. Em português, a questão foi tratada por Francolino J. Gonçalves em Didaskalia [ACAD — Gonçalves, Didaskalia, UCP]. Sem essa moldura, qualquer afirmação sobre “o texto de Jeremias” é ambígua: as traduções modernas seguem quase sempre a forma longa [ACAD — SBL, Textual Criticism 30, 2025].


5. Temas
- Vocação contra a própria vontade: o profeta é constituído antes de nascer (Jr 1,5) e vive a eleição como carga (Jr 15,10; 20,7) [W].
- Crítica da religião de garantia: o culto sem ética é denunciado como falsa segurança (Jr 7,4.9–11) [W].
- Juízo histórico e responsabilidade: a catástrofe é lida como consequência da infidelidade à aliança, não como fracasso de Javé (Jr 11; 22) [W].
- Esperança no meio do colapso: o “livro da consolação” (30–33) e a nova aliança insistem na restauração (Jr 31) [W].
- Exílio e vida provisória: a carta aos deportados transforma a diáspora em tarefa (Jr 29,5–7) [W].
- Custódia da palavra: o rolo, a escrita, o ditar — o livro narra a própria transmissão (Jr 30,2; 36; 51,60) [W].
- Solidão e sinal público: o profeta é proibido de casar (Jr 16,2) e sua existência é sinal (Jr 16; 18) [W].
- Sofrimento do justo: as Confissões põem a justiça de Deus na boca de quem o serve (Jr 12,1) [W].
6. Recepção
Judaísmo. Jeremias é lido nas haftarot do ciclo anual (as parashiot de Matot e Masei usam Jr 1–2), e o Targum de Jonathan ben Uziel elabora o texto em aramaico [W]. A tradição rabínica o apresenta como precursor e, segundo uma tradição talmúdica, morto em terra de Israel [W]. Os grandes comentários medievais — Rashi (Salomão ben Isaac, 1040–1105) e Radak (David Kimhi, 1160–1236) — cobrem Jeremias; o de Radak está disponível em edição digital na Sefaria [V — Sefaria, Radak on Jeremiah]. A leitura judaica recusa a leitura substitucionista de Jr 31 (ver §11) e lê o livro como história interna de Israel [W].
Qumran. A comunidade de Qumran (séc. II–I a.C.) designou-se a si mesma como a nova aliança: o Documento de Damasco cita o “novo acordo”, e os fragmentos de Cave 4 mostram o livro em circulação nas duas formas, longa e curta [ACAD — Brill, Texts of Jeremiah in the Qumran Library]. É o primeiro caso documentado de recepção de Jr 31,31–34 fora da Bíblia [W].
Cristianismo. O Novo Testamento cita Jeremias em passagens estruturais: o choro de Raquel (Jr 31,15) aplicado ao massacre dos inocentes em Mateus 2,17–18; a nova aliança de Jr 31,31–34 citada integralmente em Hebreus 8,8–12 (e ecoada em 2 Cor 3,6) e antecipada na instituição da eucaristia (“esta é a nova aliança no meu sangue”, Lc 22,20) [W]. A patrística deixou dois comentários: Orígenes, Homiliae in Ieremiam, transmitidas em grego, e Jerônimo, Commentarii in Ieremiam (c. 414–417), o único comentário latino completo ao livro na Antiguidade [W].
Arte. Duas obras são incontornáveis: Michelangelo, o fresco do profeta Jeremias no teto da Capela Sistina, c. 1511 — o profeta pensativo, com o rosto inclinado, tradicionalmente lido como retrato do lamento de Jerusalém [V — Wikipedia, Prophet Jeremiah (Michelangelo), com localização e datação; leitura iconográfica em Art and the Bible]; e Rembrandt, Jeremias lamentando a destruição de Jerusalém, 1630, óleo sobre madeira, Rijksmuseum, Amsterdã, objeto SK-A-3276 [V — página da obra no Rijksmuseum].
Literatura. Stefan Zweig, Jeremias: Eine dramatische Dichtung in neun Bildern (Leipzig: Insel, 1917) — drama em nove quadros, escrito durante a Primeira Guerra, que converte o profeta em figura do pacifista derrotado; o texto de 1920 está digitalizado no Internet Archive [V — archive.org/details/jeremiaseinedram00zweiuoft].
Música. Leonard Bernstein, Symphony No. 1 “Jeremiah” (1942), em três movimentos — “Prophecy”, “Profanation”, “Lamentation” —, com texto hebraico das Lamentações no último movimento [V — leonardbernstein.com, página da obra].

7. Traduções PT e Comentários PT
Traduções bíblicas brasileiras que incluem Jeremias.
- Almeida (tradição de João Ferreira de Almeida, NT de 1681; Bíblia completa do século XVIII), com ARC (SBB), ARA, ACF e NAA — base de quase toda a leitura evangélica em PT-BR [W].
- Bíblia de Jerusalém — edição brasileira da Bible de Jérusalem da École Biblique, publicada por Paulus; a edição de capa média brochura registra ISBN 978-8534919777 (Paulus, 2002) [V — ficha comercial]; há edições posteriores em 2024–2025 [W].
- TEB — Tradução Ecumênica da Bíblia — edição brasileira da TOB francesa, Edições Loyola, nova edição de 2010, ISBN 9788515030163 [V — página do produto Loyola].
- Bíblia Pastoral (Paulus), as edições da CNBB e a NVI-PT circulam em uso litúrgico, catequético e de estudo [W].
Comentários e obras de estudo em português (verificados).
- Carlos Mesters, O profeta Jeremias: um homem apaixonado, São Paulo: Paulus / CEBI, 2016, 168 p., ISBN 9788534943048 — 4.ª edição revista e ampliada [V — resenha catalográfica em Ayrton’s Biblical Page, 2016, e release da PAULUS]. Mesters é frei carmelita e uma das vozes centrais da leitura popular da Bíblia no Brasil [W].

- Jacques Briend, O livro de Jeremias (trad. Nadyr de Salles Penteado), Edições Loyola, 1987 [W — catalogação em biblioteca conventual franciscana; sem ISBN conferido, edição pré-1990].
- Philip Graham Ryken, Estudos bíblicos expositivos em Jeremias e Lamentações, Editora Cultura Cristã, 2018/2019, 784 p. — comentário expositivo reformado, também em ebook [V — página da editora].
- Comentário Bíblico — Jeremias e Lamentações (Centro de Evangelismo Universal, digital) — devocional popular, não acadêmico [W].
Originais não traduzidos ao português (organização confessional). A coleção francesa Mon ABC de la Bible (Éditions du Cerf) tem volume próprio de Jeremias, de Erwan Chauty (jesuíta, doutor em teologia bíblica, professor no Centre Sèvres), ISBN 9782204151672 [V — ficha da obra em livraria religiosa e página das Facultés Loyola Paris]; não localizei tradução brasileira deste volume [—]. A coleção ABC da Bíblia (Loyola) traduz títulos do francês — O livro de Isaías, de Jacques Vermeylen, e O livro dos Juízes, de André Wénin —, mas não encontrei volume de Jeremias já traduzido [—].
8. Audiovisual e Games
| Título | Realidade | Validação PT | Marcador |
|---|---|---|---|
| Jeremiah (TV, TNT, 1998) | filme da série The Bible Collection, dir. e roteiro de Harry Winer, com Patrick Dempsey no papel do profeta, Oliver Reed e Klaus Maria Brandauer [V — IMDb tt0174792; en.wikipedia Jeremiah (film)] | circulação em DVD e streaming; dublagem PT-BR não confirmada nesta sessão | [V] / [—] dublagem |
| A Bíblia (The Bible, History Channel, 2013) | minissérie de dez horas que passa por Judá e pela queda de Jerusalém; Jeremias aparece de forma episódica [W] | legendas/dublagem PT amplamente disponíveis | [W] |
| Jeremiah (série TV, Showtime, 2002–2004) | série pós-apocalíptica de J. Michael Straczynski, com Luke Perry — não trata do profeta; o título é homônimo | — | [W] (correção de atribuição, §13) |
| Videojogos com Jeremias | nenhum título dedicado ao livro localizado; listas genéricas de “jogos bíblicos” não cobrem Jeremias | — | [—] |
9. Mitologia e Literatura Comparada
Os lamentos de cidade e o gênero do lamento sobre Jerusalém
Os lamentos mesopotâmicos pela destruição de cidades — sobretudo a Lamentação sobre a destruição de Ur (c. 2000 a.C.) e a Lamentação sobre a destruição de Sumer e Ur — partilham com Jr 8–10 e com Lamentações o repertório de cidade arrasada, deus que se retira do santuário e lamento de sobreviventes [W]. A comparação vale pelo contraste: no lamento sumério, a destruição se deve aplacar e não há culpa histórica articulada; em Jeremias, a catástrofe se explica pela infidelidade à aliança e a saída é a mudança de conduta [W]. Há gênero comum, não dependência textual [W].
O “justo sofredor” babilônico e as Confissões
O Ludlul bēl nēmeqi (“Louvarei o senhor da sabedoria”), poema acádio editado por W. G. Lambert (Babylonian Wisdom Literature, Oxford, 1960), e a Teodiceia babilônica apresentam o justo que sofre sem causa, interroga os deuses e é restaurado [W]. São os paralelos mais próximos das Confissões de Jeremias (Jr 12,1: “por que o caminho dos ímpios prospera?”) e do livro de Jó [W]. A diferença estrutural: no texto babilônico o sofredor é reabilitado e a dúvida se dissolve; em Jeremias, o profeta é reabilitado e a vocação continua a doer (Jr 20,7–18) — a comparação serve, portanto, para medir o que o texto hebraico recusa resolver [W].
A profecia fora de Israel: Mari e os oráculos neoassírios
A instituição profética em Jeremias tem paralelos documentados: as cartas de Mari (século XVIII a.C.) e, sobretudo, o corpus de oráculos neoassírios (século VII a.C.) publicados por Simo Parpola (Assyrian Prophecies, Helsinki, 1997) e estudados por Martti Nissinen (Prophets and Prophecy in the Ancient Near East, 2003), nos quais profetas — inclusive mulheres — transmitem mensagens divinas vinculadas à política de estado e à legitimação do rei [W]. O que separa: nos oráculos assírios, a palavra divina sustenta o poder; em Jeremias, ela o desmonta — caso raro no Antigo Oriente Próximo [W].
Os atos simbólicos e os gestos proféticos
Jr 13 (o cinto escondido), Jr 19 (a botija quebrada no vale de Ben-Hinom), Jr 27–28 (o jugo) e Jr 51,59–64 (o rolo afundado no Eufrates) são atos simbólicos: ações que funcionam como a própria mensagem [W]. Prática documentada no Antigo Oriente Próximo, com paralelo próximo em Ezequiel (Ez 4–5): o gesto profético é procedimento canônico de comunicação divina, não exotismo [W].
A aliança e os tratados de vassalagem
A forma “eu sou o teu Deus / não terás outros deuses” (Jr 7,22–23; 11,1–8) e a maldição pela quebra da aliança remetem aos tratados de suserania do Antigo Oriente Próximo — sobretudo os tratados hititas estudados por George E. Mendenhall, “Covenant Forms in Israelite Tradition” (Biblical Archaeologist 17, 1954) [W]. A discussão é antiga e não resolvida: a analogia com o tratado explica a estrutura de Deuteronômio melhor que a de Jeremias, mas o esquema de quebra de aliança → juízo → restauração é o esqueleto teológico do livro [W].
A profetisa não ouvida e a Cassandra grega
A comparação literária mais produtiva para a paixão de não ser acreditado é grega: Cassandra em Ésquilo, Agamêmnon (458 a.C.), profetiza a catástrofe diante de quem poderia agir e é tomada por louca [W]. Jeremias partilha o tipo — o portador da verdade impopular —, mas em Ésquilo a maldição impede a comunicação, enquanto em Jeremias o povo decide não crer (Jr 28,14). Comparar sem marcar a diferença produz o anacronismo de fazer de Jeremias um trágico grego [W].
10. Filosofia — as perguntas que o texto levanta
A profecia como imaginação: Espinosa
Baruch/Espinosa, no Tractatus Theologico-Politicus (1670), define os profetas pela imaginação e não pela inteligência: a profecia é conhecimento por imagens, adaptado ao temperamento de cada profeta, e sua certeza é moral, não matemática [W]. O texto de Jeremias é o caso-limite que Espinosa precisa: um profeta que empresta imagens do seu próprio mundo (o jugo, a amendoeira, a botija) e cuja “vocação” é narrada como incapacidade de falar [W]. A tese é a primeira despsicologização da profecia na filosofia moderna — e a objeção é que a imaginação, em Espinosa, não é inferior, apenas não universal [W].
Interiorizar a lei: a nova aliança e Kant
Jr 31,33 — “escreverei a lei no seu coração” — é a formulação bíblica mais próxima do problema que Kant trata na Fundamentação da Metafísica dos Costumes (1785) e na Religião dentro dos limites da simples razão (1793): a lei escrita fora constrange, a lei acolhida na vontade obriga [W]. O novo pacto é, assim, uma tese sobre a inutilidade da heteronomia: o problema que Espinosa resolve pela razão e Kant pela autonomia, Jeremias resolve pela transformação do sujeito [W]. A leitura teológica leu aí o Espírito Santo (§11); a filosófica aponta o ponto cego — o texto não explica como se dá essa mudança [W].
O mal e a queixa do justo: Mackie, Rowe, Girard
Se se lê as Confissões como teodiceia, o problema formulado por J. L. Mackie, “Evil and Omnipotence” (Mind 64, 1955) toca o texto no ponto em que o próprio profeta o toca: Jr 12,1 presume a justiça de Deus e pergunta pelo seu funcionamento [W]. A formulação evidencial de William L. Rowe, “The Problem of Evil and Some Varieties of Atheism” (American Philosophical Quarterly 16, 1979), é a que mais se aproxima: não o mal abstrato, mas o sofrimento intenso e injustificado de um indivíduo [W]. René Girard lê a violência sacrificial como mecanismo de coesão social e o profeta como desmascarador do sacrifício — Jr 7,31 é peça-chave da sua tese da desvalorização do sacrifício na Bíblia hebraica [W]. Mary Douglas, em Purity and Danger (1966), lê o “povo do Templo de Javé” (Jr 7) como sistema classificatório que o exílio desmonta [W]. Paul Ricoeur, em Symbolism of Evil (1960), enquadra o pecado e a confissão como símbolos a reinterpretar [W]. O limite se declara: nenhum argumento decidiu se a queixa de Jr 20,7 é blasfêmia ou fé [W].
A questão política
Jr 27 exige submissão ao império e Jr 23–22 julgam a monarquia [W]. Resulta uma teologia política da resistência sem rebelião — lealdade à palavra, não ao trono —, retomada por John Howard Yoder e por teólogos da libertação [W]. A objeção é que, assim, o texto legitima a acomodação; a resposta do livro é que a coexistência tem prazo e limites (Jr 29,10; 27,9–11) [W].
11. Teologia — os debates
A redação deuteronomista do livro
O debate estrutural é quanto do livro é Jeremias e quanto é escola. Bernhard Duhm (1901) negou sistematicidade ao trabalho redacional; Sigmund Mowinckel (1914) separou fontes A, B, C e D; Winfried Thiel (1973) e Helga Weippert (1973) defenderam uma redação deuteronomista ampla em Jeremias 1–25, com vocabulário, fórmulas e teologia afins de Deuteronômio [ACAD — SciELO SA, “Jeremiah 26–29: a not so Deuteronomistic composition”, que compara Thiel, Weippert, Holladay, Bright e Nicholson]. A posição inversa — defendida por Holladay e por parte da crítica recente — insiste na autenticidade de muitos discursos em prosa e na continuidade com o profeta [W]. A atribuição de Jr 52 à mesma redação foi depois abandonada por “largamente desacreditada” [ACAD — Brill, The Inclusion of Jeremiah 52 into the Book of Jeremiah].
Duas edições e a teologia do livro
A hipótese das duas edições (Tov) não é filológica por acidente: ela decide o cânone lido. A edição curta apresenta Judá e as nações em outra relação e encurta passagens de consolação; a edição longa, adotada pelo MT e pelas traduções modernas, amplia a esperança (30–33) e ordena os oráculos contra as nações ao fim [ACAD — Tov, 2008; SBL Textual Criticism 30, 2025]. Quem afirma “Jeremias prometeu a nova aliança a Israel e Judá” (Jr 31,31) está lendo a edição longa; a discussão de qual forma é mais antiga tem consequências teológicas, não apenas textuais [ACAD — Gonçalves, Didaskalia].
A nova aliança e a acusação de supersessionismo
Hebreus 8 cita Jr 31,31–34 e conclui que a primeira aliança “está envelhecendo” (Hb 8,13) [W]. A crítica judaica formulada por Jon D. Levenson (The Hebrew Bible, the Old Testament and Historical Criticism, 1993) sustenta que ler Jr 31 como cancelamento da eleição de Israel troca a restauração prometida (“casa de Israel e casa de Judá”, Jr 31,31) por uma substituição que o texto não enuncia [W]; a ela se junta a crítica exegética de que o Novo Testamento cita a LXX e recorta a passagem [W]. A leitura cristã majoritária (católica, ortodoxa e protestante) responde com a distinção entre pacto e eleição: a nova aliança amplia o acesso, não revoga a promessa a Israel; o Concílio Vaticano II (Nostra Aetate, 1965) evita a linguagem de substituição [W]. O desacordo permanece aberto e deve ser citado como desacordo [W].
Libertação, exílio e leitura latino-americana
Gustavo Gutiérrez (Teologia da Libertação, 1971) e a exegese latino-americana usam Jr como paradigma do profeta que desmascara a religião de legitimação da ordem injusta (Jr 7; 22) e do povo que vive a esperança no cativeiro (Jr 29; 31) [W]. No Brasil, a obra de Carlos Mesters e a produção do CEBI (Centro de Estudos Bíblicos) fizeram de Jeremias um livro leitura popular [V — Mesters, O profeta Jeremias: um homem apaixonado, Paulus/CEBI, 2016]. A objeção conservadora é que a leitura da libertação converte o texto em programa político; a objeção da própria esquerda exegética é que o profeta não propõe programa, propõe conversão [W].
A leitura canônica e a ambivalência
Brevard Childs (Introduction to the Old Testament as Scripture, 1979) propôs ler o livro na forma final, com o oráculo de esperança como fecho canônico do juízo; Robert Carroll (OTL, 1986) radicaliza no sentido oposto, lendo-o como produto de escola profética [W]. A oposição Carroll/Childs é hoje a mais citada no ensino do livro [W].
11.1. Comentaristas por esfera confessional
Esta subseção organiza os comentários a Jeremias por tradição de leitura, não por cronologia. A regra desta camada é a perspectiva se declara, não se atribui; o rótulo é metadado, não argumento (“é católico” não refuta o que ele demonstra; “é ateu” não refuta o que ela demonstra). Convenções: [V] conferido nesta sessão; [W] conhecido, não reconferido; [—] lacuna declarada.
Judaica
- Rashi (Salomão ben Isaac, 1040–1105) e Radak (David Kimhi, 1160–1236) comentaram Jeremias; o de Radak está em edição digital na Sefaria [V — Sefaria, Radak on Jeremiah]. A exegese é literal-histórica e polêmica contra a leitura cristã de Jr 31 [W].
- Targum Jonathan a Jeremias — paráfrase aramaica com atualizações litúrgicas [W].
- Abraham Joshua Heschel, The Prophets (1962) — leitura judaica moderna da profecia como patos divino compartilhado pelo profeta; capítulo substancial sobre Jeremias [W].
- Talmude — tradições sobre o profeta (tratado Meguilá e outros), hoje usadas na haftará [W].
Católica ocidental (latina)
- Jerônimo, Commentarii in Ieremiam (c. 414–417) — o comentário latino antigo completo ao livro [W].
- Orígenes, Homiliae in Ieremiam — conservadas em grego e na tradução de Jerônimo [W]; é o comentário patrístico mais importante, de método alegórico.
- Tomás de Aquino — as reportationes das lições de Nápoles (1272–1273) incluem Jeremias, mas a autoria do material transmitido é discutida: tratar como [W] até conferir edição crítica.
- Cornélio a Lapide, Commentaria in omnes Sacrae Scripturae libros (1616–1642) — o grande comentário jesuíta, com volume próprio de Jeremias [W].
- André Wénin e a coleção ABC da Bíblia (Loyola) — Wénin comentou Juízes, não Jeremias; em francês, Erwan Chauty assinou o volume de Jeremias na Mon ABC de la Bible (Cerf, ISBN 9782204151672) [V — fichas editoriais; tradução PT não localizada [—] ].
Católica oriental e grega
- Orígenes, Homiliae in Ieremiam, escritas em Cesareia a partir de 238 — o caso raro em que o comentário grego a um profeta subsiste substancialmente [W].
- A tradição grega posterior comenta Jeremias sobretudo por catena e por homilia; Cirilo de Alexandria e Teodoreto de Ciro tratam passagens específicas, não o livro inteiro [W]; não localizei comentário corrido grego completo a Jeremias além do de Orígenes [—].
- Theophylact of Ohrid — comentários aos profetas menores e a parte dos maiores; atribuição de comentário a Jeremias não confirmada nesta sessão [—].
Ortodoxa
- Alexander Lopukhin (ed.), Толковая Библия (Bíblia Comentada, 1904–1913) — coleção russa de referência com seção própria sobre a Книга пророка Иеремии (Jeremias) [W].
- Orthodox Study Bible — notas patrísticas; inclui Jeremias [W].
- A liturgia e a catena dominam o uso ortodoxo; comentário crítico moderno russo e grego existe, mas não o localizei com dados de edição nesta sessão [—].
Protestante histórica
- João Calvino, Praelecciones in librum Ieremiae — as preleções foram ditadas de 1559 a 1563 e publicadas na série dos Commentarii; comentário também a Lamentações [W].
- Matthew Henry, Exposition of the Old and New Testaments (1706–1710) — o comentário devocional de maior circulação em língua inglesa [W].
- John Bright, Jeremiah (Anchor Bible 21; Doubleday, 1965) — o comentário histórico de referência da geração seguinte à Segunda Guerra [W].
- William L. Holladay, Jeremiah 1 e Jeremiah 2 (Hermeneia; Fortress Press, 1986 e 1989) — o comentário crítico de referência em inglês; a editora apresenta a tradução como atenta às passagens paralelas do livro [V — página da obra na Fortress Press].
- Jack R. Lundbom, Jeremiah 1–20; 21–36; 37–52 (Anchor Yale Bible; 1999–2004) — comentário que substitui o de Bright na série [V — fichas dos volumes na Anchor Yale / OliveTree].
- William McKane, A Critical and Exegetical Commentary on Jeremiah (ICC; T. and T. Clark, 1986 e 1996) — o tratamento mais técnico do texto e da sua redação [W].
- Robert P. Carroll, Jeremiah (Old Testament Library; SCM/Westminster, 1986) — comentário de método histórico-crítico radical [W].
Evangélica
- J. A. Thompson, The Book of Jeremiah (New International Commentary on the Old Testament; Eerdmans, 1980) [W].
- Peter C. Craigie, Page H. Kelley e Joel F. Drinkard Jr. (autoria conjunta: Craigie faleceu antes de concluir), Jeremiah 1–25 e Jeremiah 26–52 (Word Biblical Commentary 26 e 27; 1991) [W].
- Philip Graham Ryken, Estudos bíblicos expositivos em Jeremias e Lamentações (Cultura Cristã, 2018/2019, 784 p.) — a exposição reformada de circulação em PT-BR [V — página da editora].
- Comentário Bíblico — Jeremias e Lamentações (Centro de Evangelismo Universal, edição digital) — obra devocional, não acadêmica; citada como registro de circulação popular [W].
Não confessional e leitura crítica
- Robert P. Carroll e William McKane, citados acima, entram aqui por método (história da redação, crítica do texto), independentemente da tradição pessoal dos autores [W].
- Emanuel Tov, Textual Criticism of the Hebrew Bible e os estudos sobre as duas edições de Jeremias [ACAD — Tov, 2008].
- Israel Finkelstein e a arqueologia da Judá do Ferro IIc / período babilônico [W].
- Divulgação polêmica sem aparelho crítico não é crítica bíblica e deve ser distinguida do trabalho de campo [W].
Balanço de esferas (contagem declarada)
| Esfera | Nomes citados | Fonte primária? |
|---|---|---|
| Judaica | Rashi, Radak [V], Targum [W], Heschel [W], Talmude [W] | sim (Radak) |
| Católica ocidental | Jerônimo, Orígenes, Tomás [W], Lapide, Chauty [V] | sim (Chauty) |
| Católica oriental / grega | Orígenes, Cirilo [W], Teodoreto [W] | parcial (Orígenes) |
| Ortodoxa | Lopukhin [W], Orthodox Study Bible [W] | não |
| Protestante histórica | Calvino, Henry, Bright, Holladay [V], Lundbom [V], McKane, Carroll | sim (Holladay, Lundbom) |
| Evangélica | Thompson, Craigie-Kelley-Drinkard, Ryken [V] | sim (Ryken) |
| Não confessional | Carroll, McKane, Tov [ACAD], Finkelstein [W] | sim (Tov) |
O desequilíbrio visível — a esfera ortodoxa sem comentário moderno localizado, a evangélica dominando o mercado — não é do dossiê, é do material, e fica dito. Onde não há comentário corrido, a lacuna se declara [—]. A esfera não confessional entra por método (crítica textual, arqueologia), com a perspectiva declarada como tal, nunca usada como refutação de outra esfera.
12. Ciência — o que as ciências dizem, e onde não têm competência
A regra desta seção: declarar os limites. A ciência não decide se Jeremias é palavra revelada; decide se uma afirmação factual do livro é compatível com o observável.
O selo de Baruque e o debate sobre a sua autenticidade
Duas bulas (impressões de selo em argila) com a legenda hebraica “Berechyahu, filho de Neriyahu, o escriba” — o nome de Baruque — apareceram sem proveniência de escavação e entraram no debate em 1975 e nos anos seguintes [W]. A análise mais rigorosa é a de Yuval Goren e colaboradores, “The Authenticity of the Bullae of Berekhyahu Son of Neriyahu the Scribe” (BASOR 372, 2014, p. 147), que submeteu as bulas a exames de materiais e concluiu pela inautenticidade [ACAD — DOI 10.5615/bullamerschoorie.372.0147]. A tese da falsificação foi desenvolvida por Christopher A. Rollston, “The Bullae of Baruch ben Neriah the Scribe and the Seal of Ma’adanah Daughter of the King: Epigraphic Forgeries of the 20th Century”, com argumentos epigráficos e tecnológicos [ACAD — JSTOR 26732500]. Há contestação: outros autores sustentam que as bulas merecem reconsideração [W]. Conclusão honesta: o caso está aberto, e nada no texto bíblico depende dele — bulas autênticas provariam um selo com esse nome, não a autoria do livro [W].
Epigrafia: bulas, selos e óstracos do período de Jeremias
Fora do caso Baruque, a epigrafia hebraica do Ferro IIc situa o mundo do livro: a bula do selo de Gemarias, filho de Safã, achada na escavação de Yigal Shiloh na Cidade de Davi (1982), traz um nome que aparece em Jr 36,10–12 [W], e os óstracos de Laquis registram comunicação militar dos últimos anos do reino [W]. A epigrafia confirma o ambiente — nomes, títulos, práticas de escrita — e não confirma os acontecimentos: nenhuma inscrição nomeia Jeremias, Baruque ou Hananias, além das bulas contestadas [W].
As crônicas babilônicas e as tábuas de rações
A Crônica de Nabucodonosor (BM 21946, British Museum) registra a campanha de 597 a.C.: o rei acampara diante de Jerusalém, a cidade se submeteu, recebeu-se tributo e um rei vassalo foi nomeado — o texto confirma a sequência de Jr 24 e 2 Rs 24 [V — British Museum, objeto W_1896-0409-51; transcrição em cojs.org]. As tábuas de rações de Babilônia registram óleo entregue a “Joaquim, rei de Judá” e seus filhos, como prisioneiros sustentados pela casa real, e foram publicadas por Ernst Weidner em 1939 [W]. Os dois testemunhos são documentação administrativa independente: não citam Javé, não citam a teologia do livro, mas datam a catástrofe e o destino do rei [W].
Arqueologia da destruição de Jerusalém (586 a.C.)
A estratigrafia de Jerusalém, de Laquis e de sítios judaicos da região documenta destruição generalizada por fogo em estratos do Ferro IIc final — cinza, tijolos e madeira carbonizada, interrupção abrupta da cultura material [W]; as escavações da Cidade de Davi e do Parque de Givati produziram achados dos últimos dias do reino, e segue aberta a distinção segura entre as destruições de 597 e de 586 [W]. Limite explícito: a arqueologia documenta a destruição, não o seu autor individual, e não decide se a catástrofe foi juízo de Deus [W].
Linguística e crítica textual
A linguística histórica contribui com a tipologia do hebraico bíblico tardio e a análise da prosa deuteronomista como registro datável (§2, §11) [ACAD — SciELO SA]. A crítica textual é a ciência mais produtiva aplicada ao livro: as duas formas atestadas por Qumran e pela LXX (§4.9) resultam de exame filológico, não de conjetura [ACAD — Tov, 2008]. Limite: a linguística dá datas relativas com margens amplas, e a crítica textual reconstrói formas do texto, não a história dos autores [W].
Genética, química e métodos físico-químicos
Nada na genética antiga se aplica a Jeremias de modo direto: os estudos de DNA antigo do Levante trabalham com populações dos sítios judaicos e não ligam linhagens a indivíduos bíblicos nomeados [W]. Aplicações físico-químicas existem, mas na epigrafia — a análise de materiais das bulas de Berechyahu é o exemplo (Goren et al., 2014) — e servem para datar e autenticar objetos, não para validar narrativas [ACAD — DOI 10.5615/bullamerschoorie.372.0147]. Limite: nenhum laudo de laboratório pode estabelecer que Jeremias ditou o rolo em Jr 36 [W].
Onde a ciência NÃO tem competência
- A ciência não decide se a palavra de Jr 1,5 é vocação divina ou construção literária — é questão de sentido, não de medida [W].
- A arqueologia não identifica Jeremias, Baruque, Hananias ou Gedalias: nenhuma inscrição os nomeia [W].
- A genética não liga o profeta, sua família sacerdotal de Anatote ou os deportados de 597 a linhagem detectável — trabalha com populações, não personagens [W].
- A linguística não produz datas absolutas: a cronologia do hebraico bíblico é disputada [W].
- E a ciência não responde se a queda de Jerusalém é juízo divino — isso pertence à teologia [W].

13. Lacunas e Correções de Atribuição
- [—] Volume de Jeremias na coleção ABC da Bíblia (Loyola) em português: não localizei tradução brasileira do volume francês de Erwan Chauty (Jérémie, Cerf, ISBN 9782204151672) [—].
- [—] Dublagem PT-BR do filme Jeremiah (TNT, 1998): não confirmada nesta sessão.
- [W] Comentário atribuído a Tomás de Aquino: as lições de Nápoles (1272–1273) existem em reportatio, mas não conferi edição crítica.
- [W] Bula de Baruque: discussão aberta; Goren et al. (2014) concluem pela falsificação e há contestação. Não afirmar como prova arqueológica.
- [W] MT e ordem da LXX: a afirmação do oitavo mais curto e da mudança de posição provém de bibliografia de crítica textual (Tov, 2008); não reconferi página a página.
- [—] Estatísticas textuais de Jeremias: não cito totais de palavras/letras do MT por não ter conferido a tabela.
- [W] Briend, O livro de Jeremias (Loyola, 1987): referência de catalogação de biblioteca conventual; sem ISBN conferido.
- [—] Produção audiovisual brasileira dedicada a Jeremias: não localizada.
- [W] Série Jeremiah (Showtime, 2002–2004): homônima e sem relação com o profeta — registro como correção de atribuição.
- [—] Traduções PT dos comentários técnicos: Holladay, Lundbom, Thompson, Craigie–Kelley–Drinkard, McKane e Carroll sem tradução brasileira localizada.
Bibliografia-âncora verificada
- Tov, “The Nature of the Large-Scale Differences between the LXX and MT S T V, Compared with Similar Evidence in Other Sources” (2008). [ACAD] PDF do autor: http://www.emanueltov.info/docs/papers/11.large-scalediffs.2008.pdf. — Discussão da edição curta de Jeremias e da teoria das duas edições.
- Goren, Arie et al., “The Authenticity of the Bullae of Berekhyahu Son of Neriyahu the Scribe”, BASOR 372 (2014), p. 147. [ACAD] DOI: https://doi.org/10.5615/bullamerschoorie.372.0147; PDF: https://www.jstor.org/stable/pdf/10.5615/bullamerschoorie.372.0147.pdf.
- Rollston, “The Bullae of Baruch ben Neriah the Scribe and the Seal of Ma’adanah Daughter of the King: Epigraphic Forgeries of the 20th Century”. [ACAD] JSTOR: https://www.jstor.org/stable/26732500; texto: https://www.academia.edu/7113499/.
- Reconsideração da autenticidade das bulas de Baruque — “Baruch ‘bullae’ may yet be worthy of some further consideration”. [W] https://www.academia.edu/44623890/.
- Gonçalves, “Baruc e Jeremias nas duas edições mais antigas do Livro de Jeremias”, Didaskalia (Universidade Católica Portuguesa). [ACAD] https://journals.ucp.pt/index.php/didaskalia/article/view/1687.
- Texts of Jeremiah in the Qumran Library, capítulo coletivo (Brill). [ACAD] https://brill.com/display/book/edcoll/9789004373273/BP000025.xml.
- “On Reconstructing the Shorter Edition of the Book of Jeremiah: A Review”, Textual Criticism 30 (2025), SBL Press. [ACAD] https://scholarlypublishingcollective.org/sblpress/tc/article/doi/10.15699/tc.30.2025.10/406127.
- “Jeremiah 26–29: a not so Deuteronomistic composition”, Verbum et Ecclesia / SciELO SA. [ACAD] https://scielo.org.za/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1010-99192014000300009. — Mapeia Thiel, Weippert, Bright, Holladay e Nicholson.
- The Inclusion of Jeremiah 52 into the Book of Jeremiah, capítulo Brill. [ACAD] https://brill.com/display/book/9789004423558/BP000012.xml.
- Conroy, The Confessions of Jeremiah: select bibliography. [V] https://www.cjconroy.net/bib/jer-conf.htm.
- Crônica de Nabucodonosor (BM 21946) — campanha de 597 a.C. [V] British Museum: https://www.britishmuseum.org/collection/object/W_1896-0409-51; transcrição: https://cojs.org/the_babylonian_chronicle_-chronicle_5-_nebuchadnezzar_besieges_jerusalem-_597_bce/.
- Holladay, Jeremiah 1 (Hermeneia; Fortress Press, 1986). [V] Fortress: https://www.fortresspress.com/store/product/9780800660178/Jeremiah-1-A-Commentary-on-the-Books-of-the-Prophet-Jeremiah.
- Lundbom, Jeremiah 1–20 (Anchor Yale Bible). [V] ficha comercial: https://www.olivetree.com/store/product/25308.
- Bright, Jeremiah (Anchor Bible 21, 1965); Thompson (NICOT, 1980); Craigie–Kelley–Drinkard (WBC 26–27, 1991); McKane (ICC, 1986/1996); Carroll (OTL, 1986). [W].
- Mesters, O profeta Jeremias: um homem apaixonado (Paulus/CEBI, 2016; ISBN 9788534943048). [V] resenha catalográfica: https://airtonjo.com/blog1/2016/04/carlos-mesters-jeremias-um-homem.html; editora: https://www.paulus.com.br/portal/releases/paulus-apresenta-o-profeta-jeremias-um-homem-apaixonado/.
- Ryken, Estudos bíblicos expositivos em Jeremias e Lamentações (Cultura Cristã, 2018/2019, 784 p.). [V] https://www.editoraculturacrista.com.br/estudos-biblicos-expositivos-em-jeremias-e-lamentacoes.
- Chauty, Jérémie (Mon ABC de la Bible; Éditions du Cerf; ISBN 9782204151672). [V] https://www.clcfrance.com/produit/jeremie-erwan-chauty-cerj180-9782204151672. — Tradução PT: [—].
- Briend, O livro de Jeremias (Loyola, 1987). [W] catalogação: https://www.biblioteca.bib.br/Biblivre5/cpfsa/.
- Michelangelo, Profeta Jeremias, teto da Capela Sistina (c. 1511). [V] https://en.wikipedia.org/wiki/Prophet_Jeremiah_(Michelangelo); leitura iconográfica: https://www.artbible.info/art/large/74.html.
- Rembrandt, Jeremias lamentando a destruição de Jerusalém (1630; Rijksmuseum, SK-A-3276). [V] https://www.rijksmuseum.nl/en/collection/object/Jeremiah-Lamenting-the-Destruction-of-Jerusalem—8e1adedeb8e339890121dc4228dce95d.
- Zweig, Jeremias: Eine dramatische Dichtung in neun Bildern (Leipzig: Insel, 1917; reimpr. 1936). [V] Internet Archive: https://archive.org/details/jeremiaseinedram00zweiuoft.
- Bernstein, Symphony No. 1 “Jeremiah” (1942). [V] https://leonardbernstein.com/works/view/4/symphony-no-1-jeremiah.
- Radak, Comentário a Jeremias. [V] Sefaria: https://www.sefaria.org/Radak_on_Jeremiah.
- Winer (dir.), Jeremiah (The Bible Collection; TNT, 1998). [V] IMDb: https://m.imdb.com/title/tt0174792/; en.wikipedia: https://en.wikipedia.org/wiki/Jeremiah_(film).
Como conseguir estas obras
A bibliografia de um site didático não é a de uma tese: cita o que importa e o leitor consegue alcançar. O selo diz por onde — e a tabela está ordenada por acessibilidade, do que se lê hoje ao que só se compra.
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| Obra | Acesso | Onde |
|---|---|---|
| Tov, “The Nature of the Large-Scale Differences between the LXX and MT S T V…” (2008) | livre | emanueltov.info |
| Conroy, The Confessions of Jeremiah: select bibliography | livre | cjconroy.net |
| Rollston, “The Bullae of Baruch ben Neriah…” (texto) | livre | academia.edu |
| “Baruch ‘bullae’ may yet be worthy of some further consideration” | livre | academia.edu |
| Crônica de Nabucodonosor (BM 21946) — transcrição | livre | cojs.org |
| Radak, Comentário a Jeremias | livre | sefaria.org |
| Goren, Arie et al., “The Authenticity of the Bullae of Berekhyahu…” (BASOR 372, 2014) | empréstimo | Internet Archive |
| Zweig, Jeremias: Eine dramatische Dichtung in neun Bildern (1917) | empréstimo | Internet Archive |
| Gonçalves, “Baruc e Jeremias nas duas edições…” (Didaskalia) | biblioteca | journals.ucp.pt |
| “Texts of Jeremiah in the Qumran Library” (Brill) | biblioteca | brill.com |
| Mesters, O profeta Jeremias: um homem apaixonado (Paulus/CEBI, 2016; ISBN 9788534943048) | compra | paulus.com.br |
| Ryken, Estudos bíblicos expositivos em Jeremias e Lamentações (Cultura Cristã) | compra | editoraculturacrista.com.br |
| Chauty, Jérémie (Mon ABC de la Bible; Cerf; ISBN 9782204151672) | compra | clcfrance.com |
| Holladay, Jeremiah 1 (Hermeneia; Fortress Press, 1986) | compra | fortresspress.com |
| Lundbom, Jeremiah 1–20 (Anchor Yale Bible) | compra | olivetree.com |
Selo [esgotado] não aparece aqui: quando a obra não é alcançável de nenhuma forma, o texto aponta o substituto acessível ao lado dela.