Antiguidade Bíblica
Obadias (Ovadyah) — Artigo Enciclopédico
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1. Lead e Ficha
Obadias — em hebraico עֹבַדְיָה, Ovadyah, “servo de YHWH”; na Septuaginta Αβδιου, na Vulgata Abdias; nas Bíblias católicas em português Abdias — tem um único capítulo, 21 versículos e 440 palavras hebraicas: é o livro mais curto do Antigo Testamento [W — en.wikipedia, Book of Obadiah, com a contagem tradicional]. É o quarto dos Doze Profetas no cânon hebraico (depois de Amós, antes de Jonas) e o 31.º livro da ordem protestante; neste site, ordem: 38 [W — taxonomia do próprio site]. Católicos, ortodoxos e etíopes (Tewahedo) recebem o livro sem alteração [W].
O texto é uma visão (ḥazon, v. 1) contra Edom — a nação irmã, descendente de Esaú — por causa da sua conduta no dia da queda de Jerusalém; segue-se o anúncio do dia de YHWH sobre todas as nações (vv. 15–16) e a restauração de Sião com a posse da terra (vv. 17–21), fechando com a fórmula “e o reino será de YHWH” (v. 21) [W].
| Campo | Dado | Marcador |
|---|---|---|
| Nome hebraico | Ovadyah (עֹבַדְיָה, “servo de YHWH”) | [V] texto |
| Nome grego/latino | Abdiou / Abdias | [W] |
| Posição no cânon | 4.º dos Doze (Nevi’im); 31.º da ordem protestante | [W] |
| Capítulos | 1 (21 versículos) | [V] texto |
| Extensão | 440 palavras hebraicas — o livro mais curto do Tanakh | [W] |
| Gênero | oráculo de juízo contra nação estrangeira (massa’), com apêndice de restauração | [W] |
| Autoria | anônima quanto à identidade; o título nomeia “Obadias” | [W] |
| Datação | “quase consenso” no séc. VI a.C. (pós-587); há teses pré-exílicas e persas | [W] |
| Marco histórico narrado | o saque de Jerusalém e a cumplicidade edomita | [W] |
| Núcleo comparativo | paralelo quase verbatim com Jeremias 49,7–22 | [V] |
| Povo visado | Edom (Seir, Teman, Bozra, Sela) | [W] |
2. Contexto e Autoria
O nome não identifica o autor. “Obadias” é um nome teofórico comum (“servo de YHWH”) e a Bíblia hebraica conhece mais de uma dezena de personagens assim chamados [W]. A tradição rabínica fez uma identificação explícita: o Talmude, em Sanhedrin 39b, identifica o profeta com Obadias, o mordomo de Acab (1 Reis 18,3), que era “prosélito edomita” — e explica a escolha por uma medida de justiça: ele profetizou contra Edom porque conviveu com dois ímpios (Acab e Jezabel) sem aprender com eles [V — Sefaria, Sanhedrin 39b]. É recepção, não informação histórica: o livro não diz nada sobre o profeta [W].
O contexto histórico: Edom. Edom ocupa a cadeia montanhosa a leste da Arabá (Seir), com os centros de Bozra (Buṣayrah), Teman e **Sela/**Petra; a lista de reis de Edom já aparece em Gênesis 36 [W]. Na narrativa bíblica, Edom é vassalo de Judá até a revolta registrada em 2 Reis 8,20–22 (e 2 Crônicas 21,8–20), sob Jeorão [W], e depois aparece como cúmplice dos invasores no desastre de Jerusalém: o Salmo 137,7 pede a YHWH que “se lembre dos filhos de Edom no dia de Jerusalém”; Lamentações 4,21–22 e Ezequiel 25,12–14 e 35 descrevem a mesma hostilidade [W]. É essa a cena pressuposta por Obadias 10–14 [W].
As quatro posições sobre a data. (i) Antes da queda (845/853–841 a.C.): o “dia de Jerusalém” seria o saque filisteu-arábico sob Jeorão (2 Crônicas 21,16–17), e Obadias seria o mais antigo dos profetas escritores [W]. (ii) Pouco depois de 587 a.C.: o saque é o babilônico, e Edom teria colaborado na pilhagem — é a posição de “quase consenso” entre especialistas [W — en.wikipedia, Book of Obadiah, com a literatura referida]. (iii) Período persa (séc. V–IV): o livro seria produto de uma redação longa, formada no conflito entre Yehud e a população idumeia do sul [W]. (iv) Tese em duas etapas: um oráculo antigo (vv. 1–14/15) ampliado por redação exílica (vv. 15–21), posição clássica de Hans Walter Wolff [W]. A escolha entre (i) e (ii) muda quem é o inimigo: se é 587, Edom é o colaborador do império neobabilônico; se é 845, é o vizinho que se aproveita da fraqueza de Judá atacada por filisteus e árabes [W].
O problema crítico central: Obadias e Jeremias 49. Os vv. 1–9 de Obadias coincidem, em grande parte palavra por palavra, com Jeremias 49,7–22 (na Septuaginta, Jeremias 29,7–22) [V — intertextual.bible, Jeremiah 49:9 / Obadiah 1:5]. O exemplo mais claro: Obadias 5 e Jeremias 49,9 usam as mesmas imagens do ladrão noturno e do rebuscador de uvas — mas na ordem inversa [V]. Não é coincidência de tema: há correspondências verbais estreitas (o mensageiro enviado entre as nações, a águia que sobe, o ninho entre as estrelas, o orgulho do coração, os aliados que enganam, a queda dos sábios de Teman) [W]. A consequência é imediata: a datação de Obadias não pode ser discutida sem resolver a direção da dependência — e é exatamente o que se discute em §4.8 [W].
Edom depois de Edom. Com o colapso do reino edomita, população edomita migra para o Negueve oriental e forma o que as fontes helenísticas chamarão Idumeia (Maresha), com idumeus governando a Judeia com Herodes o Grande séculos depois [W] — continuidade decisiva para a recepção (§6) [W].
3. Estrutura (1 capítulo, 21 versículos)
O livro divide-se em três blocos claros [W]:
- Juízo sobre Edom (vv. 1–14). V. 1: o mensageiro enviado às nações; vv. 2–4: o orgulho dos que moram nas fendas da rocha e o ninho posto entre as estrelas; vv. 5–7: a pilhagem total, mais completa que a do ladrão ou do vindimador, e a traição dos aliados; vv. 8–9: a ruína da sabedoria de Teman; vv. 10–14: a série de acusações — “não devias ter olhado”, “não devias ter entrado pela porta”, “não devias ter cortado os que escapavam” [W].
- O dia de YHWH sobre as nações (vv. 15–18). O juízo passa de Edom ao mundo: “o dia de YHWH está próximo sobre todas as nações”; o cálice que Edom bebeu voltará à sua mão; “na montanha de Sião haverá livramento”; a casa de Jacó será fogo e a casa de José chama, e a casa de Esaú, palha [W].
- A restauração de Sião e a posse da terra (vv. 19–21). O Negueve, a Sefelá, o território de Efraim, Samaria e Gilead são repartidos; os “exilados deste exército” e os “exilados de Sefarad” habitam as cidades do Negueve; “salvadores” (moshi’im) sobem à montanha de Sião para julgar a montanha de Esaú — “e o reino será de YHWH” [W].
A arquitetura teológica é construída sobre um jogo de pares: monte Sião contra monte de Esaú; casa de Jacó contra casa de Esaú; o “dia” do desastre de Jerusalém contra o “dia de YHWH” [W]. O fecho (v. 21) não é um remate nacionalista, mas uma declaração de realeza divina: o reino não é de Israel, mas de YHWH [W]. Note-se que os “salvadores” (particípio moshia’) ecoam o vocabulário dos “juízes” libertadores (§ vide dossiê de Juízes) e são lidos pela exegese cristã como prenúncio do Salvador [W].
A notação de referência varia: como o texto hebraico tem um só capítulo, “Obadias 15” e “Obadias 1,15” designam o mesmo versículo, e as edições cristãs numeram o livro como Abdias 1,1–21 [W].
4. Conteúdos-chave com Debate
4.1 O mensageiro e a coalizão das nações (v. 1)
Abrem-se dois planos: o profeta recebe “notícia de YHWH” e, no mesmo movimento, “um embaixador é enviado entre as nações” contra Edom [W]. O recurso reaparece em Jeremias 49,14 [V]. O debate está em saber se o quadro é uma coalizão histórica (arábios, nabateus, tribos do deserto) ou uma cena literária de tribunal cósmico [W].
4.2 O orgulho dos que moram nas fendas da rocha (vv. 2–4)
“Tu que moras nas fendas da pedra, cuja habitação é alta” — a geografia edomita (Seir, Petra, Umm el-Biyara) é interiorizada como arrogância: “quem me fará descer à terra?” [W]. O v. 4 acrescenta a imagem mais famosa do livro: “ainda que ponhas o teu ninho entre as estrelas, de lá te farei descer” [W]. A crítica costuma ver aqui o topos da subida e da queda do soberano, com parentesco formal com Isaías 14,13–14 e com a iconografia do ninho e da águia na realeza do Antigo Oriente (§9) [W].
4.3 A pilhagem total e a traição dos aliados (vv. 5–7)
O argumento é comparativo: o ladrão deixa algo, o vindimador deixa restos de uva — mas de Esaú nada restará; os tesouros escondidos serão revistados; os próprios aliados, “os que comiam o teu pão”, porão uma armadilha [W]. Jeremias usa as mesmas duas imagens e a ordem inversa [V]. A crítica discute se Obadias radicaliza uma tradição que Jeremias conservou (destruição com resto) ou se Jeremias moderou a tradição que Obadias fixou [V — intertextual.bible, comentário de Nogalski, 2011, p. 373].
4.4 A sabedoria de Teman desfeita (vv. 8–9)
“Naquele dia farei perecer os sábios de Edom, e o entendimento do monte de Esaú” [W]. Teman — região edomita — é o emblema da sabedoria oriental; Jeremias 49,7 faz dela a pergunta retórica: “já não há sabedoria em Teman?” [V]. O ponto teológico: a sabedoria sem fraternidade não salva [W]. A sabedoria edomita é também o elo com o material sapiencial do livro de Jó, cujo amigo Elifaz, o temanita, vem de Edom (Jó 2,11) [W].
4.5 As oito acusações: “não devias ter olhado” (vv. 10–14)
É o coração moral do livro. A acusação formal é violência contra o próprio irmão (v. 10) [W]. Segue-se uma cadeia de proibições retrospectivas ao “dia” do desastre: não devias ter ficado de longe; não devias ter olhado (com satisfação) o dia do teu irmão; não devias ter entrado pela porta do meu povo; não devias ter cortado os fugitivos [W]. O verbo hebraico do v. 12 traz a ideia de alegrar-se com o infortúnio alheio — o pólo conceitual que a leitura moderna chama Schadenfreude (§10) [W]. A culpa não é só do ato: é também da omissão e do prazer à distância [W].
4.6 O dia de YHWH e o cálice (vv. 15–16)
O horizonte se universaliza: “o dia de YHWH está próximo sobre todas as nações; como fizeste, assim se fará contigo” [W]. O cálice — imagem da ira divina que embriaga as nações — aproxima Obadias 16 de Jeremias 25,15–29 e de Isaías 51,17–23 [W]. A questão discutida é a extensão: o v. 15 generaliza o juízo sobre Edom para todas as nações, e o v. 16 retorna ao monte santo (“sobre o meu monte santo beberão”) [W].
4.7 A casa de Jacó como fogo e a posse da terra (vv. 17–21)
“Mas na montanha de Sião haverá livramento” (pelêṭah) [W]. Os vv. 19–21 distribuem o território: Negueve, Sefelá, Efraim, Samaria, Gilead — e as cidades do Negueve habitadas pelos exilados [W]. O v. 21 fecha com os “salvadores”. Duas leituras competem: (a) repartição territorial concreta de um horizonte pós-exílico; (b) geografia simbólica da restauração do povo inteiro, com as doze tribos representadas [W].
4.8 O problema crítico central: Jeremias 49 × Obadias
Os dados são claros e verificáveis: Obadias 1–9 e Jeremias 49,7–22 têm paralelos muito próximos, com trechos praticamente idênticos e outros reordenados [V — intertextual.bible]. As três posições na literatura:
- Obadias depende de Jeremias. Se Jeremias 49 é do séc. VI (a datação habitual do oráculo), Obadias seria pós-exílico [W].
- Jeremias depende de Obadias (ou de uma tradição já fixada por Obadias). Então o oráculo de Obadias é anterior, e Jeremias o retoma; nesse caso a data pré-exílica (845/841) volta a ser possível [W].
- Ambos dependem de uma tradição comum (uma “fonte” de oráculos contra Edom, circulando no corpus profético), hipótese que dispensa a dependência direta e explica as divergências de ordem e de vocabulário [V — de Gruyter Brill, The Relationship between Obad 1–7 and Jer 49:7–22, capítulo 10.1515/9783110809633.99, na monografia de Ben Zvi, 1996, que conclui que os dados não obrigam a dependência direta de Obadias em relação a Jeremias].
O ponto não é resolvido pelos dados: as coincidências são fortes, mas a direção não é declarada por nenhum dos dois livros [V — intertextual.bible]. A consequência prática é que a datação de Obadias vive numa dependência mútua com a datação de Jeremias 49 — um caso-modelo de circularidade na crítica literária profética [W]. Comparações de reordenação interna (por exemplo, a hipótese de que Obadias 5 realinhe Jeremias 49,9 com Amós 9,7–10) foram propostas, e são plausíveis mas não conclusivas [V — Nogalski, 2011, p. 373].
4.9 Sefarad (v. 20) e a geografia do exílio
Os “exilados de Sefarad” (סְפָרַד) são os únicos no livro cuja localização ninguém sabe [W]. As identificações propostas: (i) Sardes (a Sparda persa, capital da Lídia); (ii) a península Ibérica — leitura medieval dos judeus espanhóis, que deram ao país o nome Sefarad e a si mesmos o nome sefarditas; (iii) uma localidade da Média ou da Babilônia; (iv) hipóteses sobre a Ásia Menor ou a Cilícia [W — artigo de M. V. Pons, “The Origin of the Name Sepharad: A New Interpretation”, Journal of Semitic Studies 59/2, 2014, pp. 297–313, DOI 10.1093/jss/fgu002]. Pons parte exatamente do problema: o topônimo bíblico tem localização incerta, e é a tradição judaico-espanhola que fixa o nome na Ibéria [V]. Nenhuma das identificações pode ser afirmada como certa [W].
4.10 Os “salvadores” (vv. 20–21)
O substantivo moshi’im (particípio plural, “os que salvam”) é raro; o paralelo direto está em Neemias 9,27 [W]. O debate: são líderes da restauração, ou o termo prepara a expectativa messiânica? A recepção cristã leu neles tipos de Cristo [W]; a crítica literária prefere a primeira leitura [W].

5. Temas
- Fraternidade violada. Edom é “teu irmão Jacó” (v. 10) — o crime não é de inimigo estrangeiro, é de irmão [W].
- Orgulho e queda. A altura física (Seir) torna-se metáfora moral: quem se eleva é derrubado (vv. 2–4) [W].
- Omissão e malícia à distância. “No dia em que te puseste de longe” e a alegria com o infortúnio alheio (vv. 11–13) [W].
- O dia de YHWH como universal. O juízo sobre Edom é sinal do juízo sobre todas as nações (v. 15) [W].
- Remanescente e posse da terra. Sião com livramento; as cidades do Negueve repovoadas (vv. 17–20) [W].
- Realeza de YHWH. “E o reino será de YHWH” (v. 21) — o remate não glorifica o povo, mas o trono [W].
- Sabedoria sem justiça. A de Teman perece (vv. 8–9) [W].
- Solidariedade. Chave pastoral mais explorada em português: o livro como “profeta da solidariedade” (§7) [V].
6. Recepção
Judaísmo. No ciclo litúrgico, o livro inteiro (Obadias 1,1–21) é a haftará de Vayishlach — a parashá que narra o reencontro e a separação de Jacó e Esaú (Gênesis 32–36) — o que costura Obadias diretamente à história dos dois irmãos [V — Chabad.org, Haftarah in a Nutshell; Sefaria, folha do rito sefardita]. O Talmude, em Sanhedrin 39b, identifica o profeta com o mordomo de Acab, “prosélito edomita”, com a explicação moral já vista [V — Sefaria]. Os comentaristas medievais judeus comentaram o livro: Rashi (1040–1105), Ibn Ezra (1089–1167), Radak — David Kimhi (1160–1236) — e, mais tarde, Abravanel e Malbim [W]. A recepção judaica mais duradoura é onomástica: os judeus da península Ibérica tomaram de Obadias 20 o nome Sefarad para a Espanha e sefarditas para si mesmos — o que transformou um topônimo incerto num marcador identitário de mil anos [W, com base em Pons, 2014].
Cristianismo antigo. Jerônimo comentou o livro nas suas Commentaries on the Twelve Prophets (c. 392–406), hoje na tradução de Thomas P. Scheck (IVP Academic, 2016, ISBN 9780830829163) [V]. Cyril de Alexandria tem seção sobre Obadias no Commentary on the Twelve Prophets, vol. 2 (Fathers of the Church, CUA Press) [V — catálogo da State Library of Victoria]; Efrem o Sírio também comentou o livro, reunido na compilação The Twelve Prophets de Alberto Ferreiro (Ancient Christian Commentary on Scripture) [V, conforme Anderson, 2014]. Teodoreto de Ciro e Teodoro de Mopsuéstia leram-no pelo método antioqueno, literal-histórico [W]. A exegese cristã tendeu a alegorizar Edom como a carne ou o perseguidor — e, em leituras mais duras, a sinagoga: essa leitura precisa ser declarada como o que é, não confundida com o sentido do texto [W]. Ler os “salvadores” do v. 21 como prefiguração de Cristo é a chave tipológica dominante [W].
Reforma e modernidade. Lutero pregou sobre os Profetas Menores e Calvino comentou os Doze (séc. XVI) [W]; Matthew Henry (1706–1710) e John Wesley difundiram o livro no uso doméstico anglófono [W]. Um levantamento acadêmico da recepção — histórico, ideológico e visual — é Anderson, “The reception of Obadiah”, Proceedings of the Irish Biblical Association 36–37 (2014) [V — repositório DORAS, DCU; prenome não conferido, ver §13].
Recepção latino-americana e brasileira. O livro virou “profeta da solidariedade” na coleção “Como ler” da Paulus, por Luiz Alexandre Solano Rossi (1998) [V — registo no Scholar]: a denúncia não é étnica, é ética — o pecado de Edom é não ter socorrido o irmão [V]. Na divulgação, o vídeo-visão geral do Bible Project tem versão em português [V]. Na arte, o motivo de Obadias 17 aparece em ciclos de profetas, como o fresco da igreja de Santa Maria, em Bergen [V — en.wikipedia]. O cânone visual mais difundido (a Capela Sistina, as séries de gravuras do séc. XVII) não inclui Obadias [W].
Islã. Não localizei nesta sessão exegese islâmica dedicada ao livro, que não pertence ao cânon islâmico [—].


7. Traduções PT e Comentários PT
Traduções brasileiras que incluem Obadias/Abdias. O livro circula dentro das Bíblias completas: a tradição Almeida (com as revisões ARC, ARA, ACF, e a NVI em outra linhagem) [W]; a Bíblia de Jerusalém (edição brasileira da Paulus, traduzida da Bible de Jérusalem da École Biblique), onde o livro aparece sob o título Abdias [W]; a TEB — Tradução Ecumênica da Bíblia (Edições Loyola; a edição brasileira de 1994 traz Abdias na p. 921) [V — referência registrada no verbete em língua portuguesa da enciclopédia]; a Bíblia Ave Maria e a Matos Soares (1956), ambas com o livro como “Abdias” em edições católicas digitalizadas [V — bibliacatolica.com.br]; e as edições Pastoral e CNBB [W]. Em português europeu, não localizei nesta sessão o volume da Bíblia Grega de Frederico Lourenço (Quetzal) que abranja os Doze Profetas [—].
Comentários e auxílios em português (obra dedicada).
- Luiz Alexandre Solano Rossi, Como ler o livro de Abdias: profeta da solidariedade, São Paulo: Paulus, coleção “Como ler a Bíblia”, 1998 [V — registo no Google Scholar do autor e registo comercial]. É a única monografia brasileira dedicada ao livro que localizei nesta sessão [V].
- David W. Baker, T. Desmond Alexander e Richard J. Sturz, Obadias, Jonas, Miqueias, Naum, Habacuque e Sofonias: introdução e comentário, São Paulo: Vida Nova (Série Cultura Bíblica), 416 páginas, ISBN 9788527502108 [V — página do produto Edições Vida Nova].
- Comentário Bíblico Latinoamericano: Obadias ou Abdias, São Paulo: Fonte Editorial, 2013, 62 páginas, ISBN 6586671922 [V — registo comercial brasileiro]. É a tradução do material latino-americano sobre o livro.
- TEB — Tradução Ecumênica da Bíblia (Edições Loyola, nova edição 2010; ISBN 9788515030163) [V — página da editora], que traz introdução e notas ao livro [W].
Comentários-âncora em inglês e alemão, sem tradução PT localizada [—]. Paul R. Raabe, Obadiah (Anchor Bible 24D; Doubleday, 1996; ISBN 9780300139716) [V — record na Open Library]; Hans Walter Wolff, Obadiah and Jonah (Hermeneia; Fortress) [W — não reconferido nesta sessão]; John Barton, Joel and Obadiah (Old Testament Library; Westminster John Knox, 2001; ISBN 9780664237264, 272 pp.) [V — Open Library]; Ehud Ben Zvi, A Historical-Critical Study of the Book of Obadiah (BZAW 242; de Gruyter, 1996; ISBN 9783110152258) [V]; Daniel I. Block, Obadiah (Zondervan Exegetical Commentary; 2013; ISBN 9780310571537) [V]; Johan Renkema, Obadiah (Historical Commentary on the Old Testament; Peeters, 2003; ISBN 9789042913455) [V]; Marvin A. Sweeney, The Twelve Prophets, vol. 1 (Berit Olam; Liturgical Press, 2000; ISBN 9780814650950) [V]; James Nogalski, Hosea–Jonah (Smyth & Helwys Bible Commentary, 2011; ISBN 9781573120753) [V]; Robert Alter, The Hebrew Bible: A Translation with Commentary (Norton, 2018; ISBN 9780393292497), que inclui Obadias [V — Open Library].

8. Audiovisual e Games
| Título | Realidade | Validação PT | Marcador |
|---|---|---|---|
| Bible Project — “Obadias” (visão geral) | vídeo-síntese animado, com versão em português (“Obadias || Bible Project Português”) | legendas/dublagem PT disponíveis | [V] |
| A Bíblia (The Bible, History Channel, 2013) | minissérie sobre a narrativa bíblica geral; não dramatiza Obadias nem o oráculo contra Edom | disponibilidade PT ampla | [W] |
| Produção brasileira dedicada a Obadias | nenhuma localizada nesta sessão — nem filme, nem minissérie, nem dramatização | — | [—] |
| Áudio-bíblia em PT | o livro circula em gravações integrais (por exemplo, aplicativos de áudio-bíblia) | existe, sem tratamento crítico | [W] |
| Videojogos com enredo de Obadias | nenhum título dedicado localizado; listas genéricas de “jogos bíblicos” não cobrem o livro | — | [—] |
A explicação do vazio audiovisual é estrutural, não editorial: 21 versículos sem personagens (à exceção do próprio profeta), sem milagres e sem narrativa de viagem oferecem pouco material dramatúrgico. O livro entra em cena na recepção, não na narração [W].
9. Mitologia e Literatura Comparada
O gênero do “oráculo contra a nação” no Antigo Oriente. Obadias pertence a um gênero bem atestado. Em Mari (séc. XVIII a.C.), as cartas proféticas comunicam mensagens divinas à corte de Zimri-Lim; no corpus neo-assírio (SAA 9) há 29 oráculos, muitos de profetisas — a instituição profética não é invenção israelita [W — Nissinen, Prophets and Prophecy in the Ancient Near East]. O Egito tem os textos de execração, e a literatura real maldiz os adversários do faraó [W]. A diferença israelita: o oráculo contra a nação é acusação ética, não propaganda do rei — Edom é julgado por violar a fraternidade [W].
O “deus guerreiro” e o dia de YHWH. A cena do juízo universal (v. 15) insere-se no tipo-scene do divine warrior analisado por Frank Moore Cross em Canaanite Myth and Hebrew Epic (1973): a teofania em que YHWH vem com a tempestade e as hostes celestes contra as nações, com paralelos ugaríticos e egípcios [W]. Obadias usa o esquema e desloca o inimigo: não é o mar nem o caos primordial, é uma nação irmã [W].
A águia, o ninho entre as estrelas e a subida ao céu. Obadias 4 pertence ao campo dos motivos de ascensão e queda: a torre de Babel (Gn 11), o rei da Babilônia que diz “subirei ao céu, acima das estrelas de Deus porei o meu trono” (Is 14,13–14) [W]. No Antigo Oriente a águia é imagem de realeza, e a Epopeia de Etana — poema acádio em que uma águia leva o rei aos céus e o deixa cair — documenta o motivo da subida que não se sustenta [W]. A comparação não deriva Obadias de Etana: mostra que a queda do que subiu é linguagem comum do antigo Oriente Próximo, usada aqui para dizer que a altura de Seir é falsa segurança [W].
A “nação-irmã” e o irmão inimigo. Dois irmãos gémeos que se tornam rivais reaparecem em Caim e Abel, Set e Osíris, Rómulo e Remo, Atreu e Tiestes [W]. A especificidade de Obadias: o mito não é narrado — é juridicamente cobrado, e o crime é medido contra a obrigação da fraternidade [W]; é o que estudam Bert Dicou, Edom, Israel’s Brother and Antagonist (JSOTSup 173; Sheffield, 1994; ISBN 9781850754589) [V], e Elie Assis, “Why Edom?” (Vetus Testamentum, 2006; DOI 10.1163/156853306775465144) [V].
Edom na literatura do Segundo Templo. A animosidade edomita foi reescrita em Jubileus e na historiografia de Flávio Josefo, já em contexto idumeu [W]: não é comentário a Obadias, mas documenta o ambiente em que o livro era lido [W].
A religião de Edom e o deus Qos. A epigrafia edomita é dominada pelos nomes teóforos do deus nacional Qos (קוֹס) — presentes em selos e óstracos edomitas, e.g. em Horvat Uza [V — en.wikipedia, Horvat Uza; Beit-Arieh, BAR 14:02, 1988]. E num sítio do Negev/Sinai, Kuntillet Ajrud, a inscrição benze “por YHWH de Teman e pela sua Asherata” — o que liga a região edomita de Teman (a mesma que Obadias 9 abate) ao culto de YHWH no sul [V — en.wikipedia, Kuntillet Ajrud inscriptions]. O dado é importante e mal usado: ele não “explica” Obadias, mas mostra que o nome de YHWH circulava com epíteto temanita numa zona de contato entre Judá, Edom e o deserto [W]. Seria erro derivar daí a autoria ou a data do livro [W].
Literatura edomita propriamente dita. O material disponível é epigráfico e administrativo, não um corpus narrativo comparável [W]. Não localizei fonte verificada de mito ou épico edomita que funcione como paralelo textual de Obadias [—].

10. Filosofia — as perguntas que o texto levanta
Schadenfreude: o prazer pela desgraça do outro. Obadias 12 usa o vocabulário da alegria com o dia alheio, e os vv. 12–14 proíbem o espectador de se comprazer. A questão não é bíblica apenas: Aristóteles descreve a epichairekakia (a alegria com o mal alheio) como o vício oposto à nemesis (a dor justa pelo sucesso imerecido), no livro II da Retórica e no livro II da Ética a Nicómaco [W]. A literatura moderna, de Nietzsche ao debate contemporâneo, continua a discutir o fenômeno; uma bibliografia acadêmica da Schadenfreude está catalogada no PhilPapers [V — philpapers.org, verbete “Schadenfreude”]. A pergunta que o texto levanta: é a alegria com o mal do inimigo um vício neutro ou um crime? Obadias responde: crime de irmão [W].
Espinosa: o que é a “visão” de um profeta? No Tractatus Theologico-Politicus (1670), Spinoza define a profecia como conhecimento por imaginação, e não por raciocínio: os profetas percebem por imagens, com estilos e temperamentos distintos [W]. Um livro de 21 versículos inteiramente construído sobre uma “visão” (ḥazon) é o caso-limite do problema espinosano: o que resta de verdadeiro num conhecimento dado por imagens e adaptado à capacidade de quem o recebe? [W]
Kant: a teodiceia e a vingança. No ensaio de 1791 sobre o malogro de toda teodiceia filosófica, Kant sustenta que a razão não justifica os caminhos de Deus perante o tribunal dos homens [W]. O pedido edomita — que a destruição de uma nação seja o troco justo do seu delito — é o inverso: uma teodiceia retrospectiva em que o sofrimento do inimigo serve de prova da justiça divina [W]. Está em causa a licitude de fazer da punição alheia uma evidência moral [W].
Mackie e Rowe: o mal e o “castigo coletivo”. J. L. Mackie, em “Evil and Omnipotence” (Mind, 1955), formulou o argumento lógico contra a coexistência de um Deus onipotente e bom com o mal; William L. Rowe, em “The Problem of Evil and Some Varieties of Atheism” (American Philosophical Quarterly, 1979), reformulou-o em versão evidencial [W]. Obadias levanta um problema adjacente: se a destruição de Edom é medida pelo sofrimento de Jerusalém, como se justifica que a geração seguinte pague pelo ato dos pais? O livro não enfrenta o problema; a leitura crítica, sim [W].
Girard: o desejo mimético e a violência entre irmãos. René Girard (1972, 1978, 1999) faz do desejo mimético e do mecanismo do bode expiatório a chave da cultura, e vê no relato bíblico o desmonte desses mecanismos [W]; a rivalidade de Jacó e Esaú é, na sua leitura, o arquétipo do conflito mimético entre irmãos [W]. A pergunta que Obadias lhe impõe: o oráculo denuncia a violência coletiva ou a consagra, fazendo do inimigo derrotado vítima expiatória de uma vingança santa? Girard não comenta Obadias de modo dedicado — o que se pode afirmar é que a estrutura do livro é um caso-teste da sua tese [W].
Douglas: pureza, fronteira e o “irmão que não é igual”. Mary Douglas (Pureza e Perigo, 1966) mostrou que as taxonomias culturais produzem o “impuro” como aquilo que atravessa fronteiras [W]. Edom é a categoria instável: genealogicamente idêntico (irmão), politicamente estrangeiro (inimigo) — e a gravidade da acusação depende do parentesco: só o irmão pode ser culpado de falta de fraternidade [W].
A questão política da neutralidade. Se se subtrair a moldura teológica, resta um dilema ético contemporâneo e não resolvido: quem assiste à destruição do vizinho sem intervir é cúmplice? Obadias condena explicitamente a posição do espectador (“te puseste de longe”, v. 11) [W]. É a razão pela qual o livro é constantemente relido em contextos de violência civil e de refugiados [W].
11. Teologia — os debates
A teologia da fraternidade e da eleição
Obadias funda a culpa numa obrigação mútua: o juízo vem por quebra de fraternidade (v. 10) [W]. O debate: se a eleição de Israel é absoluta, por que o texto opera com a memória da irmandade contra o teologúmeno do exclusivismo? [W]
O dia de YHWH: universal ou particular?
Os vv. 15–16 universalizam o juízo (“sobre todas as nações”) e depois retornam ao monte santo [W]. A questão: Obadias é o testemunho mais antigo da universalização do dia de YHWH, ou a universalização é acréscimo redacional? Lido com Amós 5,18–20 e Sofonias 1,14–18, o “dia” deixa de ser a vitória de Israel para se tornar juízo sobre o mundo [W].
A realeza de YHWH (v. 21)
“E o reino será de YHWH” é um dos raros fechos proféticos que não glorifica o povo restaurado, mas a realeza de Deus [W]. A exegese cristã aproxima o versículo de Apocalipse 11,15 (“os reinos do mundo se tornaram de nosso Senhor e do seu Cristo”) [W].
O anti-edomitismo e o antissemitismo: o risco hermenêutico
Edom foi lido na tradição cristã como figura do “outro” (a carne, o perseguidor, o povo rejeitado) [W]. A crítica moderna sublinha o risco: a transposição de um oráculo histórico contra um Estado do séc. VI a.C. para uma condenação permanente de um povo opera uma substituição que o texto não autoriza [W]. Anderson (2014) localiza exatamente aí a história da recepção do livro [V].
A leitura latino-americana
A chave “profeta da solidariedade” (Rossi, 1998) lê Obadias como denúncia da omissão do vizinho que lucra com o desastre do irmão — nas ditaduras, nas migrações forçadas, nas desigualdades regionais [V]. É leitura explicitamente contextual, e deve ser apresentada como tal [W].
A pergunta sobre a “verdade histórica” de Edom
A teologia do livro supõe um Edom histórico culpado. A arqueologia de Edom (§12) descreve um reino tardio, pequeno e instável — o que reabre a pergunta se o Edom de Obadias é memória histórica ou figura construída da alteridade [W].
11.1. Comentaristas por esfera confessional
Esta subseção organiza os comentários a Obadias por tradição de leitura, não por cronologia: o leitor procura por esfera. A regra de rotulagem é a do método desta camada — a perspectiva se declara, não se atribui; e o rótulo é metadado, não argumento. Convenções: [V] conferido nesta sessão; [W] conhecido, não reconferido; [—] lacuna.
Judaica
- Talmude, Sanhedrin 39b — identifica o profeta com Obadias, mordomo de Acab, “prosélito edomita”; documenta a leitura rabínica da justiça do oráculo [V — Sefaria].
- Rashi (1040–1105), Ibn Ezra (1089–1167) e Radak (David Kimhi, 1160–1236) comentaram os Doze, Obadias incluído [W].
- Haftará de Vayishlach: o livro inteiro é lido com a parashá de Jacó e Esaú — a mais importante chave de leitura judaica [V — Chabad.org; Sefaria].
- Abravanel (1437–1508) e Malbim (1809–1879) [W].
Católica — ocidental (latina)
- Jerônimo, Commentaries on the Twelve Prophets (c. 392–406), com introdução e tradução de Thomas P. Scheck (Ancient Christian Texts; IVP Academic, 2016; ISBN 9780830829163) [V — Open Library].
- Beda e Nicolau de Lira, Postilla litteralis (séc. XIV), tratam os Profetas Menores [W].
- Cornélio a Lapide, Commentaria in omnes Sacrae Scripturae libros (1616–1642), cobre todos os livros do cânon [W].
- No Brasil, a leitura católica do livro passa pela Bíblia de Jerusalém, pela TEB e pela coleção “Como ler” da Paulus (Rossi, 1998) [V].
Católica — oriental e grega patrística
- Cyril de Alexandria, Commentary on the Twelve Prophets, vol. 2, com seção “Commentary on the Prophet Obadiah” (Fathers of the Church; CUA Press) [V — catálogo da State Library of Victoria].
- Efrem o Sírio, comentário a Obadias, transmitido e citado em Alberto Ferreiro (ed.), The Twelve Prophets (Ancient Christian Commentary on Scripture) [V, conforme citação em Anderson, 2014].
- Teodoro de Mopsuéstia e Teodoreto de Ciro leram o livro pelo método antioqueno, literal-histórico [W]. A distinção alexandrina (alegórica) / antioquena (literal) é o eixo que explica por que a mesma passagem — “salvadores”, “casa de Esaú” — produz leituras incompatíveis [W].
Ortodoxa
- Alexander Lopukhin, Толковая Библия (Bíblia Comentada, 1904–1913), com seção própria sobre o livro do profeta Авдий (Obadias) [V — azbyka.ru, texto do comentário].
- Orthodox Study Bible (NT 1993; completa 2008) — notas patrísticas, com os Doze incluídos [W].
- A tradição ortodoxa recorre sobretudo à catena (compilação de fragmentos dos Padres) e à liturgia, não a comentário crítico moderno [W].
Protestante histórica
- João Calvino, comentário aos Doze Profetas (séc. XVI), que inclui Obadias [W — não paginado nesta sessão].
- Lutero, preleções sobre os Profetas Menores [W].
- Matthew Henry (1706–1710) e John Wesley (Explanatory Notes) — a linhagem devocional [W].
- Keil e Delitzsch, Commentary on the Old Testament (séc. XIX) — a linhagem crítico-conservadora alemã [W].
Evangélica
- Paul R. Raabe, Obadiah (Anchor Bible 24D; Doubleday, 1996; ISBN 9780300139716) [V].
- Daniel I. Block, Obadiah (Zondervan Exegetical Commentary, 2013; ISBN 9780310571537) [V].
- David W. Baker e colaboradores, comentário do livro na Série Cultura Bíblica em português (Vida Nova; ISBN 9788527502108) [V].
- Marvin A. Sweeney, The Twelve Prophets, vol. 1 (Berit Olam, 2000) [V]; James Nogalski, Hosea–Jonah (Smyth & Helwys, 2011) [V].
- Observação de assimetria: a esfera evangélica anglófona domina o mercado por fato de mercado, não de mérito; um dossiê que só a cite fez um recorte, não uma pesquisa comparada [W].
Não confessional (método histórico-crítico e arqueológico)
- Ehud Ben Zvi, A Historical-Critical Study of the Book of Obadiah (BZAW 242; de Gruyter, 1996) — leitura histórico-crítica de método secular, com o tratamento decisivo do problema Obadias/Jeremias 49 [V].
- John Barton, Joel and Obadiah (OTL, 2001) — comentário crítico [V].
- Israel Finkelstein e Piotr Bienkowski — arqueologia de Edom (§12) [V]; Brad Crowell, Edom at the Edge of Empire (SBL Press, 2021) [V].
- Divulgação polêmica ou ateísta militante não é crítica bíblica: separar as duas categorias e dizer qual é qual, sob pena de desacreditar a camada [W].
Balanço de esferas (contagem declarada)
| Esfera | Nomes citados | Fonte primária? |
|---|---|---|
| Judaica | Talmude (Sanhedrin 39b) [V], Rashi, Ibn Ezra, Radak, Abravanel, Malbim | sim (Talmude) |
| Católica ocidental | Jerônimo [V], Beda [W], Nicolau de Lira [W], Cornélio a Lapide [W] | sim (Jerônimo) |
| Católica oriental / grega | Cyril [V], Efrem [V], Teodoro [W], Teodoreto [W] | sim (Cyril, Efrem) |
| Ortodoxa | Lopukhin [V], Orthodox Study Bible [W], catena [W] | sim (Lopukhin) |
| Protestante histórica | Calvino, Lutero, Henry, Wesley, Keil-Delitzsch [W] | não nesta sessão |
| Evangélica | Raabe, Block, Baker, Sweeney, Nogalski [V] | sim (todos) |
| Não confessional | Ben Zvi, Barton, Finkelstein, Bienkowski, Crowell [V] | sim (Ben Zvi, Barton) |
O desequilíbrio visível — o Oriente grego com comentário preservado por século, a esfera protestante histórica sem edição crítica reconferida — não é do dossiê: é do material, e por isso fica dito. Onde não há comentário corrido localizado, a lacuna se declara [—], em vez de preencher-se com nomes que não comentaram o livro.
12. Ciência — o que as ciências dizem, e onde não têm competência
A regra desta seção: declarar os limites. A ciência não decide se Obadias é revelado; decide se uma afirmação factual do texto é compatível com o observável.
A arqueologia de Edom: de Glueck a Crowell
A arqueologia edomita nasceu com Nelson Glueck, que nas suas prospecções dos anos 1930 propôs um Edom sedentário e próspero já no Ferro I, e foi ele quem primeiro identificou a “cerâmica edomita” [V — Beit-Arieh, BAR 22:06, 1996]. As escavações de Crystal Bennett em Umm el-Biyara (Petra, 1960–1965) — sítio identificado com a Sela bíblica — e em Tawilan (1971 e 1981–82) trouxeram a estratigrafia que deslocou a cronologia para o Ferro II tardio [V — BAS Library, New Light on the Edomites, nota 9]. Piotr Bienkowski organizou o balanço de referência em Early Edom and Moab (Sheffield Archaeological Monographs 7; 1992; ISBN 9780906090459) [V — Open Library]. Brad Crowell, Edom at the Edge of Empire (SBL Press, 2021; ISBN 9781628373066), é a síntese mais recente da história social e política edomita [V].
O debate da “cerâmica edomita” e a cronologia
Israel Finkelstein, “Edom in the Iron I” (Levant 24, 1992, pp. 159–166; DOI 10.1179/007589192790220874), sustentou que Edom não era um Estado no Ferro I e que a datação alta da ocupação edomita deriva de leitura circular da cerâmica [V]. Piotr Bienkowski, “The Beginning of the Iron Age in Edom: A Reply to Finkelstein” (Levant 24, 1992, pp. 167–169; DOI 10.1179/007589192790220919), respondeu ponto por ponto [V]. Yifat Thareani, “The Spirit of Clay: ‘Edomite Pottery’ and Social Awareness in the Late Iron Age” (BASOR 359, 2010, pp. 35–55; DOI 10.1086/basor25741827), desmonta o uso da cerâmica como marcador étnico: o repertório “edomita” circula numa zona de contato (Negueve, Arabá, sul da Transjordânia), e a sua distribuição mede redes de troca e interação, não fronteiras de povo [V]. É a contribuição metodológica mais forte da última geração: cultura material não é etnia [V].
A evidência egípcia: Anastasi VI
O documento egípcio mais citado para Edom é o Papiro Anastasi VI, datado do 8.º ano de Merneptah (c. 1205 a.C.), que registra a autorização para os “shasu de Edom” passarem a fortaleza de Merneptah, em Tjeku, para se revigorarem com os seus rebanhos — provavelmente a mais antiga menção egípcia conhecida da terra de Edom [V — tradução em COS 3.5, conforme reprodução em bible.ca; a datação em 1205 a.C. e o número de inventário do Museu Britânico constam do mesmo registo]. A informação é preciosa e limitada: atesta população pastoril com nome territorial na região, e não um Estado, nem uma capital, nem a cidade pressuposta por Obadias [W].
O cobre de Faynan e Timna
Thomas E. Levy, Thomas Higham e colegas, “High-precision radiocarbon dating and historical biblical archaeology in southern Jordan” (PNAS 105/43, 2008, pp. 16460–16465; DOI 10.1073/pnas.0804950105), dataram por radiocarbono a produção de cobre em Khirbat en-Nahas (Faynan) e mostraram escala industrial já nos séc. XI–X a.C., alimentando a tese de um Edom “escondido” no registro material, organizado pelo cobre antes de qualquer Estado [V]. Erez Ben-Yosef, Ron Shaar, Lisa Tauxe e Hagai Ron, “A New Chronological Framework for Iron Age Copper Production at Timna (Israel)” (BASOR 367, 2012, pp. 31–71; DOI 10.5615/bullamerschoorie.367.0031), fixaram a cronologia do vale de Timna entre os séc. XI e IX a.C. por 11 novas datações [V]. A leitura integradora — Edom como formação política sem urbanização centralizada — é hoje a hipótese mais discutida [W].
A epigrafia edomita e Kuntillet Ajrud
No plano dos manuscritos, os Doze circulam unidos: o rolo dos Profetas Menores de Wadi Murabba’at (MurXII) preserva Obadias entre Joel e Jonas [V — arquivo dos Rolos do Mar Morto, MUR88].
O corpus edomita é epigráfico: óstracos e selos com nomes teóforos do deus Qos (por exemplo em Horvat Uza, no Negueve oriental) [V — en.wikipedia, Horvat Uza; Beit-Arieh, BAR 14:02, 1988]. Em Kuntillet Ajrud (Negev/Sinai, c. 800 a.C.), a inscrição benze “por YHWH de Teman e pela sua Asherata” — ligando um epíteto do sul edomita ao culto de YHWH [V — en.wikipedia, Kuntillet Ajrud inscriptions]. O uso desta evidência requer disciplina: ela documenta onomástica e culto regional, e não o oráculo de Obadias [W]. Sem apoio, e por isso marcado: não localizei inscrição edomita que nomeie Obadias, Teman como pessoa, ou qualquer personagem do livro [—].
Linguística
O edomita é atestado sobretudo por onomástica (com destaque para os nomes com Qos) e por poucos óstracos; a sua classificação situa-o entre os dialetos cananeus da Transjordânia (com moabita e amonita) e registra pressões do aramaico e, depois, do árabe [W]. No livro, a língua é hebraico bíblico de tipo tardio, sem rasgos edomitas [W]. A identificação de “Sefarad” (v. 20) é o único problema linguístico-geográfico aberto do texto; Pons (2014) examina as cadeias de transmissão do nome e conclui que o topônimo bíblico tem localização incerta, e é a tradição judaica ibérica que o fixa na Hispânia [V — DOI 10.1093/jss/fgu002].
Onde a ciência NÃO tem competência
- A ciência não decide se YHWH julgou Edom nem se o oráculo é palavra divina: é questão de sentido teológico [W].
- A arqueologia não data a composição literária de Obadias: ela data a cultura material de Edom; a conclusão de que o oráculo é de 587, de 845 ou do período persa não sai de escavação [W].
- A arqueologia não identifica o autor, nem confirma que os “sábios de Teman” ou os “aliados” (v. 7) correspondam a qualquer configuração histórica específica [W].
- A epigrafia não nomeia nenhum personagem do livro [V, pelo silêncio do corpus].
- A linguística não resolve a identificação de “Sefarad” nem serve para datar o livro com precisão [W, com base em Pons, 2014].
- E a ciência não responde à pergunta ética central — se o castigo coletivo de uma nação é justo — porque a pergunta não é empírica [W].

13. Lacunas e Correções de Atribuição
- [W] Comentários de Calvino e Lutero sobre os Doze: ISBN e ano não conferidos em catálogo primário.
Bibliografia-âncora verificada
- Raabe, Obadiah: A New Translation with Introduction and Commentary (Anchor Bible 24D; Doubleday, 1996; ISBN 9780300139716). [V] Open Library: https://openlibrary.org/books/OL26123623M.
- Barton, Joel and Obadiah: A Commentary (Old Testament Library; Westminster John Knox, 2001; ISBN 9780664237264, 272 pp.). [V] Open Library: https://openlibrary.org/books/OL37746593M.
- Ben Zvi, A Historical-Critical Study of the Book of Obadiah (BZAW 242; de Gruyter, 1996; ISBN 9783110152258). [V] OL search: https://openlibrary.org/search?q=Historical-Critical+Study+of+the+Book+of+Obadiah.
- Ben Zvi, “The Relationship between Obad 1–7 and Jer 49:7–22”, capítulo da monografia acima — DOI 10.1515/9783110809633.99. [V].
- Block, Obadiah (Zondervan Exegetical Commentary on the Old Testament; Zondervan, 2013; ISBN 9780310571537). [V] OL search: https://openlibrary.org/search?q=Obadiah+Block+Zondervan.
- Renkema, Obadiah (Historical Commentary on the Old Testament; Peeters, 2003; ISBN 9789042913455). [V] OL search: https://openlibrary.org/search?q=Renkema+Obadiah.
- Sweeney, The Twelve Prophets, vol. 1 (Berit Olam; Liturgical Press, 2000; ISBN 9780814650950). [V] OL search: https://openlibrary.org/search?q=Sweeney+Twelve+Prophets.
- Nogalski, Hosea–Jonah (Smyth & Helwys Bible Commentary, 2011; ISBN 9781573120753). [V] OL search: https://openlibrary.org/search?q=Smyth+Helwys+Hosea+Jonah+Nogalski. — Citação da p. 373 em: intertextual.bible, https://intertextual.bible/text/jeremiah-49.9/obadiah-1.5. [V].
- Alter, The Hebrew Bible: A Translation with Commentary (W. W. Norton, 2018; ISBN 9780393292497). [V] Open Library: https://openlibrary.org/books/OL27366989M.
- Bartlett, Edom and the Edomites (JSOTSup 77; Sheffield Academic Press, 1989/1990; ISBN 9781850752059). [V] OL search: https://openlibrary.org/search?q=Edom+and+the+Edomites+Bartlett.
- Dicou, Edom, Israel’s Brother and Antagonist (JSOTSup 173; JSOT Press, 1994; ISBN 9781850754589). [V] OL search: https://openlibrary.org/search?title=Edom%2C+Israel%27s+Brother+and+Antagonist.
- Assis, “Why Edom? On the hostility towards Jacob’s brother in prophetic sources”, Vetus Testamentum, 2006 — DOI 10.1163/156853306775465144. [V].
- Pons, “The Origin of the Name Sepharad: A New Interpretation”, Journal of Semitic Studies 59/2 (2014), pp. 297–313 — DOI 10.1093/jss/fgu002. [V].
- Bienkowski (ed.), Early Edom and Moab (Sheffield Archaeological Monographs 7; 1992; ISBN 9780906090459). [V] OL search: https://openlibrary.org/search?q=Early+Edom+and+Moab+Bienkowski.
- Finkelstein, “Edom in the Iron I”, Levant 24 (1992), pp. 159–166 — DOI 10.1179/007589192790220874. [V].
- Bienkowski, “The Beginning of the Iron Age in Edom: A Reply to Finkelstein”, Levant 24 (1992), pp. 167–169 — DOI 10.1179/007589192790220919. [V].
- Thareani, “The Spirit of Clay: ‘Edomite Pottery’ and Social Awareness in the Late Iron Age”, BASOR 359 (2010), pp. 35–55 — DOI 10.1086/basor25741827. [V].
- Levy, Higham et al., “High-precision radiocarbon dating and historical biblical archaeology in southern Jordan”, PNAS 105/43 (2008), pp. 16460–16465 — DOI 10.1073/pnas.0804950105. [V].
- Ben-Yosef, Shaar, Tauxe e Ron, “A New Chronological Framework for Iron Age Copper Production at Timna (Israel)”, BASOR 367 (2012), pp. 31–71 — DOI 10.5615/bullamerschoorie.367.0031. [V].
- Crowell, Edom at the Edge of Empire: A Social and Political History (Archaeology and Biblical Studies; SBL Press, 2021; ISBN 9781628373066). [V] JSTOR: https://www.jstor.org/stable/j.ctv1zm2trh.
- Jerônimo, Commentaries on the Twelve Prophets, vol. 1 (trad. Thomas P. Scheck; Ancient Christian Texts; IVP Academic, 2016; ISBN 9780830829163). [V] OL search: https://openlibrary.org/search?q=Commentary+on+the+Twelve+Prophets+Jerome.
- Cyril de Alexandria, Commentary on the Twelve Prophets, vol. 2 (Fathers of the Church; CUA Press) — com seção sobre Obadias. [V] catálogo: https://find.slv.vic.gov.au/discovery/fulldisplay?docid=alma9940329479107636.
- Lopukhin, Толкование на книгу пророка Авдия (Bíblia Comentada, 1904–1913). [V] azbyka.ru: https://azbyka.ru/otechnik/Lopuhin/tolkovaja_biblija_38/.
- Anderson, “The reception of Obadiah: some historical, ideological, and visual considerations”, Proceedings of the Irish Biblical Association 36–37 (2014). [V] DORAS/DCU: https://doras.dcu.ie/25249/.
- Rossi, Como ler o livro de Abdias: profeta da solidariedade (Coleção “Como ler a Bíblia”; Paulus, 1998). [V] registo Scholar: https://scholar.google.com/citations?user=Ql-l6VoAAAAJ.
- Baker, Alexander e Sturz, Obadias, Jonas, Miqueias, Naum, Habacuque e Sofonias: introdução e comentário (Série Cultura Bíblica; Vida Nova; ISBN 9788527502108, 416 pp.). [V] Vida Nova: https://www.vidanova.com.br/livros/obadias-jonas-miqueias-naum-habacuque-sofonias-introducao-comentario.
- Comentário Bíblico Latinoamericano: Obadias ou Abdias (Fonte Editorial, 2013; ISBN 6586671922, 62 pp.). [V] registo comercial: https://www.amazon.com.br/dp/6586671922.
- TEB — Tradução Ecumênica da Bíblia (Edições Loyola, nova edição 2010; ISBN 9788515030163). [V] Loyola: https://www.loyola.com.br/produto/biblia-teb-nova-edicao-2392.
- Talmude, Sanhedrin 39b (Obadias, prosélito edomita). [V] Sefaria: https://www.sefaria.org/Sanhedrin.39b.
- Haftará de Vayishlach (Obadias 1,1–21). [V] Chabad.org: https://www.chabad.org/parshah/article_cdo/aid/596328/jewish/Haftorah-in-a-Nutshell.htm.
- MurXII — Rolo dos Profetas Menores de Wadi Murabba’at, com Obadias. [V] Arquivo dos Rolos do Mar Morto: https://www.deadseascrolls.org.il/explore-the-archive/manuscript/MUR88-1.
Como conseguir estas obras
A bibliografia de um site didático não é a de uma tese: cita o que importa e o leitor consegue alcançar. O selo diz por onde — e a tabela está ordenada por acessibilidade, do que se lê hoje ao que só se compra.
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| Obra | Acesso | Onde |
|---|---|---|
| intertextual.bible — Jeremias 49,9 / Obadias 1,5 (paralelo com comentário de Nogalski, p. 373) | livre | intertextual.bible |
| Anderson, “The reception of Obadiah”, PIBA 36–37 (2014) | livre | doras.dcu.ie |
| Talmude, Sanhedrin 39b (Obadias, prosélito edomita) | livre | sefaria.org |
| Haftará de Vayishlach (Obadias 1,1–21) | livre | chabad.org |
| MurXII — Profetas Menores de Wadi Murabba’at (com Obadias) | livre | deadseascrolls.org.il |
| Lopukhin, Толкование на книгу пророка Авдия | livre | azbyka.ru |
| Rossi, Como ler o livro de Abdias (Paulus, 1998) — registo Scholar | livre | scholar.google.com |
| Baker, Alexander e Sturz, Obadias, Jonas, Miqueias, Naum… (Vida Nova) — ficha e trecho | livre | vidanova.com.br |
| Raabe, Obadiah (Anchor Bible 24D, 1996) | empréstimo | Open Library |
| Barton, Joel and Obadiah (OTL, 2001) | empréstimo | Open Library |
| Alter, The Hebrew Bible: A Translation with Commentary (Norton, 2018) | empréstimo | Open Library |
| Ben Zvi, “Obad 1–7 e Jer 49:7–22” (BZAW 242) | biblioteca | doi.org |
| Assis, “Why Edom?”, Vetus Testamentum (2006) | biblioteca | doi.org |
| Pons, “The Origin of the Name Sepharad”, JSS 59/2 (2014) | biblioteca | doi.org |
| Finkelstein, “Edom in the Iron I”, Levant 24 (1992) | biblioteca | doi.org |
| Bienkowski, “A Reply to Finkelstein”, Levant 24 (1992) | biblioteca | doi.org |
| Thareani, “The Spirit of Clay”, BASOR 359 (2010) | biblioteca | doi.org |
| Levy, Higham et al., PNAS 105/43 (2008) | biblioteca | doi.org |
| Ben-Yosef et al., BASOR 367 (2012) | biblioteca | doi.org |
| Crowell, Edom at the Edge of Empire (SBL Press, 2021) | biblioteca | jstor.org |
| Block, Obadiah (ZECOT; Zondervan, 2013) | compra | openlibrary.org |
| Renkema, Obadiah (HCOT; Peeters, 2003) | compra | openlibrary.org |
| Sweeney, The Twelve Prophets, vol. 1 (Berit Olam, 2000) | compra | openlibrary.org |
| Nogalski, Hosea–Jonah (Smyth & Helwys, 2011) | compra | openlibrary.org |
| Bartlett, Edom and the Edomites (JSOTSup 77, 1989) | compra | openlibrary.org |
| Dicou, Edom, Israel’s Brother and Antagonist (JSOTSup 173, 1994) | compra | openlibrary.org |
| Bienkowski (ed.), Early Edom and Moab (1992) | compra | openlibrary.org |
| Jerônimo, Commentaries on the Twelve Prophets, vol. 1 (IVP, 2016) | compra | openlibrary.org |
| Cyril de Alexandria, Commentary on the Twelve Prophets, vol. 2 (CUA) | compra | find.slv.vic.gov.au |
| Comentário Bíblico Latinoamericano: Obadias ou Abdias (Fonte Editorial, 2013) | compra | amazon.com.br |
| TEB — Tradução Ecumênica da Bíblia (Loyola, 2010) | compra | loyola.com.br |
Selo [esgotado] não aparece aqui: quando a obra não é alcançável de nenhuma forma, o texto aponta o substituto acessível ao lado dela.