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Antiguidade Bíblica

Salmos (Tehillim) — Artigo Enciclopédico

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Você não precisa ler tudo. Escolha um degrau — cada um é um estado final satisfatório, não um fragmento de curso. A ordem abaixo não é a ordem das seções: o texto vem antes do comentário, de propósito.

  1. 01

    Ler o texto15–30 min

    A passagem inteira, em duas traduções de tradições diferentes, sem comentário. Comparar as duas é o exercício que mais rende: mostra onde o original é ambíguo.

  2. 02

    O contexto20–40 min

    O mundo em que o texto surgiu: geografia, arqueologia, paralelos do Antigo Oriente Próximo.

    §2 §9

  3. 03

    O debate30–60 min

    As posições em disputa, com quem as sustenta, onde publicou e qual é a réplica.

    §4 §10

  4. 04

    A recepção30–60 min

    O que se fez do texto: Padres, medievo, tradições confessionais.

    §6 §11

  5. 05

    As quatro camadas40–90 min

    Comparação com a mitologia, as perguntas filosóficas, os debates teológicos e o que a ciência diz — e onde não tem competência.

    §9 §10 §11 §12

  6. 06

    O dossiê integral1,5–3 h

    Tudo, na ordem, mais bibliografia com selo de acesso e as lacunas assumidas.

Outras portas de entrada
  • Quero só a resposta. Pare no degrau 0 — ele é completo em si.
  • Quero conferir se é verdade. Vá ao degrau 3 (o debate) e olhe as fontes de cada afirmação, com o selo de acesso.
  • Quero ler o texto com calma. Degrau 1, com o glossário ao lado.
  • Vim da fé e quero entender. Comece pelo degrau 4 (a recepção) — reconhecer a tradição primeiro ajuda a receber a crítica sem se sentir emboscado.
  • Vim do ceticismo. Comece pelo degrau 2 (contexto e arqueologia), pelo motivo simétrico: começa pelo verificável.
Como saber se você entendeu

Ao fim de cada degrau, tente responder às três. Se as três não saem, o degrau seguinte vai confundir — volte um.

  1. Compreensão. Consigo dizer o que o texto diz, com minhas palavras?
  2. Análise. Consigo dizer qual problema este texto levanta, e por quê?
  3. Debate. Consigo dizer quem discorda de quem, e sobre o quê?

1. Lead e Ficha

O Livro dos Salmos (hebr. תְּהִלִּים, Tehillim, “louvores”, do radical hll, “louvar”; gr. da LXX Ψαλμοί, Psalmoi, de psallein, “tocar a corda”; lat. Psalmi, Liber Psalmorum) é a primeira das três grandes divisões dos Ketuvim (Escritos) no cânon hebraico, depois da Torá e dos Nevi’im, e o livro poético-sapiencial por excelência do Antigo Testamento cristão [W]. O nome latino Psalterium designa o instrumento de cordas e, por extensão, o livro que se canta: em português, Saltério [W].

O Saltério compõe-se de 150 composições agrupadas em cinco livros internos (1–41; 42–72; 73–89; 90–106; 107–150), cada um dos quatro primeiros encerrado por uma doxologia, e o último pela doxologia final do Salmo 150 [V — bookofhours.org; estrutura didática do Wesley Center]. É, na tradição judaica e cristã, o manual de oração por excelência: dá as palavras do louvor, do lamento, da ação de graças e do pedido [W].

O recorte deste dossiê. Cento e cinquenta é demasiado para uma ficha por salmo, e uma lista de 150 fichas não é um artigo enciclopédico: seria um índice. Este dossiê trata, por isso, o Saltério como obra — a sua formação, a sua arquitetura em cinco livros, os seus gêneros, os seus títulos hebraicos, a sua teologia e a sua recepção — e traz salmos individuais apenas como exemplos analisados em profundidade quando o argumento o exige: o 1 (o justo e o ímpio), o 2 (o rei entronizado), o 8 (a dignidade humana), o 19 (a criação e a Torá), o 22 (o justo abandonado), o 23 (o pastor), o 51 (o pecado e a confissão), o 73 (a crise do justo), o 90 (o tempo e a mortalidade), o 104 (o hino ao Criador), o 110 (o rei-sacerdote), o 119 (o grande acróstico), o 137 (a Babilônia) e o 150 (o louvor final). O leitor que procura um salmo específico encontrará aqui o quadro que o torna legível, não uma ficha por ficha [W — critério editorial desta página].

O tratamento próprio do Salmo 151 virá no hub do Lote 6 (ortodoxos), onde está previsto; aqui trata-se apenas o seu lugar no Saltério da Septuaginta e nos rolos de Qumran [—].

CampoDadoMarcador
Nome hebraicoTehillim (תְּהִלִּים, “louvores”)[V] taxonomia do site
Nome grego/latinoPsalmoi / Psalmi, Saltério[W]
Posição no cânon1.º dos Ketuvim (Escritos); poético-sapiencial cristão[W]
Composições150 na numeração massorética (151 na LXX, com o Salmo 151 “fora do número”)[V]
Divisão internacinco livros, com doxologia em 41,13; 72,18–19; 89,52; 106,48 e 150[V]
Idiomahebraico bíblico (poesia; aramaico em pontos isolados)[W]
Atribuição tradicionalmajoritariamente a Davi; coleções de Asafe, dos filhos de Corá, de Salomão e de Moisés[W]
Datação do textocomposições do séc. X–II a.C.; redação final do Saltério no período persa-helenístico[W]
Maior testemunho textual11QPs(a), o Grande Rolo dos Salmos de Qumran (41 salmos bíblicos)[V]
Frase-chave“Louvado seja o Senhor” (Hallelu-Yah), que fecha o livro no Salmo 150,6[W]

2. Contexto e Autoria

O problema davídico. A tradição atribui a Davi a maior parte do Saltério, e o Novo Testamento o pressupõe (“Davi… diz no livro dos Salmos”, At 1,20; cf. 2,25; 4,25) [W]. O próprio texto massorético distribui as atribuições por várias mãos: os filhos de Corá (cantores levíticos, Salmos 42–49 e 84–88), Asafe (50 e 73–83), Salomão (72 e 127) e Moisés (90) [W]. A tradição rabínica e a crítica partilham a leitura de que os títulos são atribuições de coleção e de uso, não assinaturas autógrafas [W].

A revolução de Gunkel. Hermann Gunkel transferiu a pergunta da autoria para a do gênero (Gattung) e do ambiente vital (Sitz im Leben). Em Einleitung in die Psalmen: die Gattungen der religiösen Lyrik Israels (Göttingen: Vandenhoeck & Ruprecht, 1933, concluída postumamente por Joachim Begrich), obra que fundou a crítica das formas no Saltério, ele agrupou os salmos por tipos literários reconhecíveis em vez de os ler como biografia de Davi [V — catálogo HathiTrust (ISBN 3525516525); registro Mercer University Press da tradução Introduction to Psalms, ISBN 0865545790]. A sua contribuição continua a ser o ponto de partida padrão dos estudos do Saltério [V — three-things.ca].

A leitura cultual de Mowinckel. Sigmund Mowinckel, em Psalmenstudien (Kristiania, 1921–1924, seis estudos em dois volumes), deslocou a questão de vez: os salmos não são livro devocional privado, mas libreto de culto do templo de Jerusalém, com um grupo de “Salmos de Entronização” (47; 93; 95–100) que celebrava a realeza de YHWH — tese desenvolvida em §4.4 [V — SBL Bookstore, Psalm Studies; exegeticaltools.com].

A formação do Saltério. Depois de Gunkel e Mowinckel, a terceira grande virada foi o estudo da edição do livro. Gerald H. Wilson, em The Editing of the Hebrew Psalter (SBL Dissertation Series 78; Chico: Scholars Press, 1985), mostrou que o Saltério é uma antologia editada com programa teológico próprio, e não um mero arquivo de cânticos [V — ISBN 0891307281; Open Library OL2839464M; Internet Archive]. Sobre essa base, Frank-Lothar Hossfeld e Erich Zenger, no comentário Psalms da coleção Hermeneia (Minneapolis: Fortress, vols. 1–3 a partir de 2005; o vol. 3, Psalms 101–150, em 2011, ISBN 9780800607623), leram o livro como obra de redação em camadas, com grupos de salmos formando pequenos “saltérios” internos [V — Fortress Press; resenha em Interpretation 2013].

Datação e camadas. A crítica distingue, em geral: (i) composições da época monárquica, ligadas ao culto de Jerusalém e à corte davídica; (ii) a reorganização e a produção levítica do Segundo Templo; (iii) a redação final do Saltério, no período persa-helenístico, que ordenou as coleções e inseriu as doxologias e as molduras sapienciais [W]. O Salmo 1, que abre o livro, é amplamente lido como prefácio sapiencial redacional, que põe o dois-caminhos do justo e do ímpio à entrada do Saltério [W].


3. Estrutura (150 salmos em cinco livros)

O Saltério massorético divide-se em cinco livros, cada um fechado por uma fórmula de louvor (doxologia) com duplo “Amém”:

  • Livro I — Salmos 1–41. A coleção davídica mais antiga; abre com o Salmo 1 (os dois caminhos) e o 2 (o rei ungido), e encerra na doxologia de 41,13 (“Bendito seja o Senhor… Amém, amém”) [V].
  • Livro II — Salmos 42–72. Dominam os filhos de Corá (42–49) e a primeira série de Asafe (50); fecha na doxologia de 72,18–19 e na nota “acabaram as orações de Davi” (72,20) [V].
  • Livro III — Salmos 73–89. A série de Asafe (73–83) e os salmos de Corá (84–85, 87–88); culmina no Salmo 89, o lamento da promessa davídica quebrada, e na doxologia de 89,52 [V].
  • Livro IV — Salmos 90–106. Abre com o Salmo 90 (Moisés) e concentra os salmos da realeza de YHWH (93, 96–99); fecha na doxologia de 106,48 [V].
  • Livro V — Salmos 107–150. O maior; contém os Cânticos dos Degraus (120–134), o Hallel (113–118), o acróstico 119, os Salmos de Aleluia (146–150) e a doxologia final de 150,1–6 [W].

A questão da quinta divisão. A moldura em cinco livros imita, na leitura tradicional, os cinco livros de Moisés [W]. A crítica histórica perguntou se a divisão é artefato literário antigo ou organização litúrgica posterior. Wilson (1985) sustentou que as doxologias e a costura dos livros refletem um programa editorial deliberado, com o Salmo 89 (colapso davídico) respondido pelos salmos de YHWH-rei do Livro IV e pela restauração do Livro V [V — Wilson]. A hipótese inversa — a de que a quinta divisão seria sobretudo uma arrumação litúrgica posterior ao fecho da coleção, e não uma estrutura compositiva — tem defensores e permanece em aberto [W]. O ponto firme é material: as doxologias são marcas de costura visíveis, e o Saltério é uma coleção editada, não um livro composto de uma vez [V].


4. Conteúdos-chave com Debate

4.1 A formação da coleção (fontes davídicas, Corá, Asafe, Degraus, Hallel)

O Saltério reúne coleções pré-existentes que a redação final costurou: a matéria davídica, a série dos filhos de Corá, a série de Asafe, os quinze Cânticos dos Degraus (shir hama’alot, Salmos 120–134), os salmos do Hallel egípcio (113–118, cantados nas grandes festas e na ceia pascal) e os Salmos de Aleluia que fecham o livro [V — Oxford Research Archive, “The Egyptian Hallel”; hallel.info]. A repetição interna é a prova da colagem: o Salmo 14 reaparece como Salmo 53 com variações mínimas, e o Salmo 108 é uma junção de partes dos Salmos 57 e 60 [W]. Essas duplicações não são erro de copista, e sim rastro do trabalho editorial que rearranjou material de coleções anteriores [W].

4.2 Os títulos hebraicos: número, atribuição e instrumento

Quase dois terços dos salmos trazem títulos (superscrições), que o Massorá conta junto dos versículos — o que explica a numeração de versículos divergente entre edições [V — Themelios/Gospel Coalition, “Reading Psalm Superscriptions through the Centuries”; eBible]. Os termos distribuem-se por três famílias [W]: género/formamizmor (“melodia”), shir (“cântico”), maskil (“poema artístico”), miktam, shiggaion (Sl 7), tephillah (“oração”); execução/músicalamnatseach (“mestre do coro”), selah (pausa ou interlúdio, ~71 vezes no Saltério), sheminith, alamoth, higgaion; atribuiçãoleDavid, leAsaf, liVnei Qorach, liShlomoh, leMosheh [V — Themelios; eBible]. Para a liturgia histórica, são de primeira ordem: mostram que os salmos eram executados, com coro, instrumentos e um “mestre do coro” — o que sustenta a leitura cultual de Mowinckel ainda que a hipótese do festival caia [W]. A crítica textual nota, contudo, que os títulos são acréscimos secundários em muitos casos, e que a LXX e Qumran divergem na sua forma (§12) [W].

4.3 Os gêneros segundo Gunkel

Gunkel isolou os tipos literários do Saltério [V — three-things.ca, classificação form-crítica]: hino (Sl 8; 19; 104; 145–150); lamento individual — o género mais numeroso, com estrutura de invocação, queixa, súplica, confiança e voto de louvor (Sl 3; 22; 51; 88; 143); lamento coletivo (Sl 44; 74; 89; 137); ação de graças (Sl 18; 30; 116; 118); salmo real (Sl 2; 20; 45; 72; 110; 132); sapiencial (Sl 1; 37; 73; 139); e de confiança (Sl 16; 23; 27; 91; 121) [W]. A revisão de Begrich chegou a seis tipos maiores — hinos, entronização, lamentos coletivos, salmos reais, lamentos individuais, ações de graças — além de géneros menores e formas mistas [V — three-things.ca]. A crítica ao método é dupla: as fronteiras entre géneros são porosas, e o Sitz im Leben reconstruído nem sempre se prova pelos textos [W].

4.4 Mowinckel e a festa de entronização de YHWH

A tese central de Mowinckel (1921–1924) é que os salmos da realeza de YHWH derivam de uma festa de outono em que se celebrava ritualmente a entronização de YHWH como rei de Israel; ele inferiu o festival de dentro dos próprios textos — o grito “YHWH reina!” (Sl 93,1; 96,10; 97,1; 99,1) — e comparou-o às festas do Ano Novo do Oriente Próximo [V — Mowinckel, Psalm Studies; BYU ScholarsArchive]. A hipótese forte foi contestada: nada na legislação de Levítico e Deuteronômio descreve tal festa, e a inferência circular (deduzir a festa dos salmos para explicar os salmos) é o flanco principal [W]. A pesquisa recente conserva o grupo textual (“kingship of YHWH psalms”) e a leitura de que celebram a soberania cósmica de YHWH, mas separa-o da reconstrução especulativa do rito [V — BYU ScholarsArchive, “King of Kings”].

4.5 Os salmos reais e a sua recepção messiânica

Os salmos reais — 2; 18; 20; 21; 45; 72; 89; 110; 132 — nasceram ligados à entronização, ao casamento e à oração do rei davídico [W]. Neles o rei é filho adotivo de YHWH (“Tu és meu filho, eu hoje te gerei”, Sl 2,7), recebe domínio sobre as nações e a promessa de uma dinastia eterna (Sl 89; 132) [W]. A recepção messiânica é o eixo: lidos como profecia do Ungido (Mashiach), o 2, o 110 e o 72 tornaram-se textos régios do Novo Testamento [W]. A crítica adverte contra a retroatividade: os salmos falavam primeiro de um rei histórico; a releitura messiânica é uma segunda vida do texto, não o seu sentido original [W].

4.6 Os salmos imprecatórios (12, 35, 58, 69, 109, 137)

Um grupo de salmos pede a vingança divina sobre os inimigos: 12; 35; 58; 69; 109; 137 [V — “Praying the Imprecatory Psalms” (IJST, 2022), que propõe a designação “salmos do inimigo”, enemy psalms]. O caso extremo é 137,9 (“feliz quem pegar e esmagar teus filhos contra a rocha”), e o Salmo 69 é citado no NT (Jo 15,25; At 1,20) precisamente na sua parte de maldição [W]. O tratamento ético — honesto e sem anestesia: as posições são incompatíveis e todas devem ser ditas [W]. Walter Brueggemann, em The Costly Loss of Lament (JSOT 36, 1986, pp. 57–71), sustenta que a supressão do lamento empobrece a fé: sem queixa e raiva dirigidas a Deus, o orante perde a interlocução da aliança [V — Sage, DOI 10.1177/030908928601103605; reimpressão PDF]. Erich Zenger, em A God of Vengeance? (Louisville: Westminster John Knox, 1996), defende que nesses salmos a vingança é devolvida a Deus — o orante renuncia à retaliação privada e entrega o juízo ao divino, ato de fé e não de ódio [V — citado em Cursing with God (dokumen.pub)]. Há ainda os autores que não podem rezar esses textos e propõem omiti-los na liturgia [W]. Uso e supressão: o lecionário católico romano não usa os versículos de maldição; vários salmos são truncados onde a imprecação aparece, e o Salmo 137, quando usado, entra sem o último verso [V — reception history of Psalm 137:9, Brill]. O Salmo completo permanece no Ofício, criando a tensão entre o cânone cantado e o lecionário lido [W].

4.7 O Salmo 137 e a sua recepção — o “rio da Babilônia”

O Salmo 137 (“Junto aos rios da Babilônia, ali nos sentámos e chorámos, ao recordar-nos de Sião… como cantar o cântico do Senhor em terra estranha?”) é ao mesmo tempo o mais belo lamento do exílio e o mais chocante dos textos imprecatórios [W]. A sua recepção é um capítulo à parte [V]: o tema tornou-se clássico moderno em “Rivers of Babylon”, gravada em 1970 por Brent Dowe e Trevor McNaughton, do grupo the Melodians, sobre os versículos 137,1–4, e popularizada na versão de Boney M. (1978) [V — en.wikipedia, “Rivers of Babylon”]. A canção não trata os versículos de maldição: corta no “como cantar”. Em língua portuguesa, o salmo foi retomado pelo poeta paraibano Romério Lopes no poema “Salmo 137”, do livro Sistema Babilônico, que desloca o exílio para o sertão — o violão pendurado “no galho da oiticica” [V — divulgação e leitura pública do poema; [W] quanto à paginação]. A distância entre o cântico de Sião (137,3) e a oração de vingança (137,8–9) é o objeto por excelência do problema ético de §4.6 [W].

4.8 Os salmos messiânicos e o uso no Novo Testamento

O Saltério é, segundo os levantamentos de citações, o livro mais citado no Novo Testamento [W]. Os pontos de maior densidade [W]: Sl 110,1 (“Disse o Senhor ao meu Senhor: senta-te à minha direita”) é, no parecer amplamente repetido, o versículo do AT mais citado no NT (Mt 22,44; Mc 12,36; Lc 20,42–43; At 2,34–35; Hb 1,13) [V — The Gospel Coalition, “The New Testament’s Most Quoted Psalm”; [W] quanto ao número exato]; Sl 22,1 (“Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?”) na cruz (Mt 27,46; Mc 15,34); Sl 2,7 (“Tu és meu filho”) no batismo e na transfiguração (Mc 1,11; At 13,33; Hb 1,5); Sl 8,6 (tudo sujeito sob os pés) em Hb 2,6–8 e 1 Cor 15,27; e Sl 118,22–23 (a pedra rejeitada que se torna pedra angular) em Mt 21,42 [W]. A hermenêutica: o NT cita o Saltério como Escritura profética cujo autor último é o Espírito (At 1,16; 4,25), e o ressuscitado é o seu intérprete (Lc 24,44–47) [W]. A leitura crítica descreve o procedimento como pesher cristológico e o dossiê declara a distância entre sentido histórico e aplicação neotestamentária em vez de a resolver [W].

4.9 A numeração divergente entre o TM e a LXX/Vulgata

Ponto prático para quem lê traduções diferentes [V — churchmotherofgod.org, tabela LXX/Vulgata contra hebraico; St. Paul Center, “Why Are There Different Numbering Systems for the Psalms?”]: Sl 9 e 10 hebraicos = Salmo 9 da LXX/Vulgata (o acróstico partido em dois); Sl 114 e 115 hebraicos = Salmo 113; Sl 116 hebraico = Salmos 114 e 115; Sl 147 hebraico = Salmos 146 e 147; e, no resto, a numeração grega atrasa um relativamente à hebraica (Sl 11–113 hebraicos = 10–112 gregos) [V]. Consequência prática: o Salmo 23 (“O Senhor é meu pastor”) é o Salmo 22 na Bíblia grega, na Vulgata e nos livros litúrgicos ortodoxos [V]. Edições católicas tradicionais em português tendem à numeração grega, e a Bíblia de Jerusalém e outras modernas usam a hebraica, às vezes com a grega entre parênteses [W]. Quando alguém diz “Salmo 22” ou “Salmo 23”, a primeira pergunta é qual numeração [W].

4.10 Qumran, 11QPs(a) e os salmos extra-canônicos

Entre os Manuscritos do Mar Morto há cerca de quarenta rolos de salmos; o mais importante é o 11QPs(a), o Grande Rolo dos Salmos da caverna 11, publicado por James A. Sanders em The Psalms Scroll of Qumrân Cave 11 (11QPsa), DJD IV (Oxford: Clarendon, 1965) [V — Brill; JSTOR 1585719 (Flint); DJD IV]. O rolo dá evidência de primeira ordem sobre a história do Saltério [V]: contém cerca de 41 salmos bíblicos e mais peças não canónicas em ordem divergente da massorética — prova de que, no séc. I, a ordem e o conteúdo do Saltério ainda não estavam fixados [V — Library of Congress, “Scrolls from the Dead Sea”; three-things.ca]. Nele figuram o Salmo 151 (em duas partes) e os salmos 154 e 155, que não estão no TM nem na LXX, mas se preservam em manuscritos siríacos; o 154 aparece também em 4Q448 [V — Bible Odyssey; dssenglishbible.com, 11Q5]. A consequência é clara: o “livro dos 150” é o produto final de um processo documentável, e o Salmo 151, recebido pela Igreja ortodoxa e posto “fora do número”, é a ponta visível desse processo — com tratamento próprio no hub do Lote 6 [V — en.wikipedia, “Psalm 151”; — hub previsto].

4.11 Os manuscritos e a crítica textual

O texto dos Salmos chegou-nos por três vias que divergem em títulos e leituras: o Texto Massorético, a Septuaginta (com o Salmo 151 e um Saltério grego próprio) e os rolos de Qumran [W]. A Rahlfs, Septuaginta (1931) é a edição portátil do Saltério grego; a Göttingen Septuaginta (editio maior), preparada desde 1908, cria uma nova edição crítica dos Salmos e das Odes que substituirá a de Rahlfs [V — septuaginta.uni-goettingen.de; IOSCS]. A questão central é a dos títulos: muitos são provavelmente acréscimos secundários, e a LXX por vezes traduz os títulos de modo diferente do TM, o que mostra que a sua transmissão foi tão fluida quanto a do corpo [W].

4.12 O Salmo 119 e o acróstico monstruoso

O Salmo 119 é o capítulo mais longo da Bíblia176 versículos — e um acróstico alfabético de vinte e duas estâncias de oito versículos, uma por cada letra do alfabeto hebraico (alef a tav) [V — thirdmill.org, “What are the Acrostic Psalms?”; Biola, “Psalm 119 as an English Acrostic”]. Cada oito versículos começam pela mesma letra hebraica, e o vocabulário gira obsessivamente em torno da Torá (torah, edut, piqqudim, chuqqim, mitzvot, mishpatim, davar, imrah) [W]. A técnica é deliberada: forma e tema dizem o mesmo — a totalidade do alfabeto expressa a totalidade da obediência [W]. O Salmo 119 não é devocionário ingénuo, mas exercício poético de virtuosismo canónico [W].

4.13 A estrutura poética hebraica e o paralelismo de Lowth

O eixo da poesia dos Salmos é o paralelismo, formulado por Robert Lowth nas De Sacra Poesi Hebraeorum: Praelectiones Academiae Oxonii Habitae (Oxford: Clarendon, 1753) [V — Internet Archive, exemplar de 1753; PALNI, Elements of Biblical Poetry]. Lowth descreveu três relações entre as linhas [V — PALNI]: sinonímico (a segunda repete a primeira com variação: “Diz o insensato no seu coração… / Não há Deus”, Sl 14,1); antitético (a segunda contrasta: “YHWH conhece o caminho dos justos, / mas o caminho dos ímpios se perde”, Sl 1,6); e sintético (a segunda completa a primeira sem a repetir nem a contradizer) [V]. Lowth usou o Salmo 114 como exemplo inaugural [V]. A gramática de Lowth foi depois complexificada — Robert Alter e Adele Berlin discutiram a poesia bíblica em termos de ritmo, imagens e leitura intensiva —, mas o paralelismo continua a ser a sua unidade descritiva elementar [W].

Salmo 1 (Beatus vir) no Saltério de Eleanor de Aquitânia
Salmo 1 (Beatus vir) no Saltério de Eleanor de Aquitânia · Sl 1,1-6Folha 29r do Saltério de Eleanor de Aquitânia (c. 1185, Biblioteca Nacional dos Países Baixos, KB 76 F 13): a letra inicial do Salmo 1, 'Beatus vir', contém Davi com a harpa e, na margem, cenas do ciclo davídico. A imagem mostra a organização do Saltério medieval, no qual cada salmo se abre por uma inicial figurada — o modo como o livro foi lido e cantado na liturgia das horas.anônimo · between circa 1180 and circa 1185 · iluminura sobre pergaminho · Koninklijke Bibliotheek, Haia (KB 76 F 13, fol. 29r)Fonte: Wikimedia Commons · Licença: Public domain

5. Temas

  • O louvor como razão de ser do humano: o Salmo 150 fecha o livro num crescendo de instrumentos e fôlego (“todo ser que respira louve a YHWH”) [W].
  • O lamento e a súplica: o género mais numeroso; a fé inclui a queixa e o protesto diante de Deus, não só a gratidão [W — Brueggemann].
  • Confiança e presença: o Salmo 23 (o pastor) e o 91 (o abrigo) são as duas faces da confiança [W].
  • A crise do justo (teodiceia): o Salmo 73 declara o escândalo da prosperidade dos ímpios e resolve-o no santuário, não por argumento [W].
  • Realeza de YHWH e realeza davídica: o duplo eixo — YHWH reina, e o seu ungido media a justiça [W].
  • A Torá: o Salmo 1 e o 119 põem a lei no centro; meditação (hagah) é o gesto-tema do livro [W].
  • Sião, criação e tempo: a cidade santa (Sl 46; 48; 84; 122), a dignidade humana (Sl 8), o cuidado de toda criatura (Sl 104) e a fugacidade humana contra a eternidade (Sl 90) [W].
  • Justiça social e o pobre: o “pobre” (ani, evyon) é sujeito recorrente, e Deus é seu defensor (Sl 9–10; 72; 82) [W].

O Senhor é o meu pastor
O Senhor é o meu pastor · Sl 23,1-6Pintura de Bernhard Plockhorst sobre o Salmo 23 — 'o Senhor é o meu pastor, nada me falta' —, o salmo mais citado da recepção cristã e aquele que a liturgia usa nas exéquias e na unção dos enfermos. A imagem liga o vocabulário pastoral do salmo à figura do bom pastor, leitura que o dossiê registra como a mais difundida do Saltério na arte moderna.Bernhard Plockhorst · 16 July 2011 · Reprodução de obra publicada antes de 1923 (domínio público)Fonte: Wikimedia Commons · Licença: Public domain

6. Recepção

Recepção litúrgica. O Saltério é o livro de orações da sinagoga e de todas as liturgias cristãs [W]. No rito romano, os salmos estruturam a Liturgia das Horas — o Ofício reparte o Saltério por quatro semanas [W]. O Salmo 95 (Venite) abre a oração do Ofício de cada dia; o Salmo 23 (ou 22 grego) e o 91 (ou 90) são os salmos das exéquias e da unção dos enfermos; e o Salmo 130 (De profundis) é a oração dos mortos [W]. No ofício ortodoxo, o Salmo 118 grego (divisão do 119 hebraico) é rezado junto ao corpo nos funerais de sacerdotes, e o ciclo segue a numeração da LXX [W].

Recepção musical. O Saltério é o livreto mais musicado da história ocidental [W]:

  • Martinho Lutero fez do saltério cantado pedra da reforma litúrgica; a sua tradução de salmos integra hinos que fixaram a “igreja cantante” (o Aus tiefer Not, do Salmo 130, remonta aos anos 1520) [W].
  • João Calvino mandou metrificar os salmos: o Saltério de Genebra (versos de Marot e Béza, música de Bourgeois e outros; edições de 1542 à forma completa de 1562) fez da salmodia o culto por excelência do calvinismo [V — Genevan Psalter, introdução; Cambridge, Plainsong and Medieval Music].
  • Heinrich Schütz, Psalmen Davids (SWV 22–47, op. 2), coleção de 26 salmos em alemão para coro e concerto instrumental, publicada em 1619 [V — Carus-Verlag; IMSLP, op. 2, 1619].
  • Georg Friedrich Händel compôs os Chandos Anthems sobre salmos (1717–1718); o Chandos Anthem No. 6 (HWV 251b), “As pants the hart”, é o Salmo 42 em inglês [V — IMSLP, HWV 251; JSTOR, “The Text Selection Process in Handel’s Chandos Anthems”].
  • O cântico congregacional moderno em português reutiliza amplamente paráfrases de salmos (por exemplo, “Como a corça anseia por águas”, sobre o Salmo 42); trato-o como uso de texto padrão, sem atribuir autoria que não confirmei [W / — atribuição de cada hino brasileiro não reconferida].

Recepção na arte. O Salmo 137 (“os rios da Babilônia”), o 42 (“como a corça”) e o 22 (o “Deus meu, Deus meu” da Crucificação) estão entre os temas mais representados do Ocidente [W]. Não arrolo telas com número de inventário sem o ter conferido em catálogo de museu — a rastreabilidade aplica-se também à arte [—].


Davi compõe os salmos no Saltério de Paris
Davi compõe os salmos no Saltério de Paris · Sl 108,1-4 (título davídico; cf. referência do frontispício ao Saltério)Folha 1v do Saltério de Paris (c. 960, Biblioteca Nacional da França, MS. gr. 139), em que Davi aparece tocando a lira e uma figura feminina — personificação da Melodia — o acompanha. É a miniatura bizantina mais célebre do livro e o testemunho de como o Saltério foi recebido como obra do rei-poeta no Oriente grego.Gennadii Saus i Segura · original image painted circa 960 A.D. uploaded 2022-12-22 · iluminura sobre pergaminho · Bibliothèque nationale de France, Paris (MS. gr. 139, fol. 1v); fotografia de Gennadii Saus i Segura (domínio público)Fonte: Wikimedia Commons · Licença: Public domain

7. Traduções PT e Comentários PT

Traduções bíblicas em português que incluem os Salmos:

  • Almeida — a tradição de João Ferreira de Almeida, com as revisões correntes no Brasil (ARC, ARA, ACF), é a via protestante mais difundida para os Salmos [W].
  • Bíblia de Jerusalém (edição brasileira Paulus/Paulinas, da Bible de Jérusalem da École Biblique) e TEB — Tradução Ecumênica da Bíblia (edição brasileira da TOB francesa; Edições Loyola; nova edição de 2010, ISBN 9788515030163) são as vias católicas de estudo [W — TEB, registro Loyola].
  • Bíblia Pastoral (Paulinas) e a tradução da CNBB fazem o registo litúrgico [W].
  • A numeração divergente (§4.9) é aqui o ponto prático: as traduções de estudo usam em geral a numeração hebraica, e as tradicionais, ligadas à Vulgata, a grega [W].

Comentário PT com ISBN conferido:

  • Luís I. J. Stadelmann, Os Salmos da Bíblia, São Paulo: Paulinas; Loyola, 2015, 687 páginas, ISBN 9788515042067 [V — registro catalogal (Pergamum, acervo online) com editora, ano, páginas e ISBN]. Stadelmann é o autor de referência em língua portuguesa para a leitura histórica e espiritual do Saltério, e a obra cobre o conjnto dos 150 salmos num só volume de estudo — o que a torna a âncora PT deste dossiê [V — registro catalogal].
Crucificação com iconoclastas no Saltério de Chludov
Crucificação com iconoclastas no Saltério de Chludov · Sl 68,22 (citado na disputa sobre as imagens)Folha 67r do Saltério de Chludov (Moscou, Museu Histórico Estatal, MS. D.129; c. 850-875), o mais importante saltério ilustrado bizantino e documento central da crise iconoclasta: a cena da cruz aparece acompanhada dos que oferecem vinagre a Cristo, imagem que a crítica lê como ataque aos que reprovavam os ícones. O dossiê cita-o para mostrar que o Saltério não foi só cantado, mas também usado como arma na disputa sobre a imagem.Unknown author Unknown author · 2015-12-31 · iluminura sobre pergaminho · Museu Histórico Estatal, Moscou (MS. D.129, fol. 67r)Fonte: Wikimedia Commons · Licença: Public domain

Comentários/auxílios PT (marcadores conservadores):

  • Myer Pearlman, Comentário Bíblico — Salmos (edição brasileira, CPAD) — comentário pentecostal clássico, devocional [W — ISBN e ano não reconferidos].
  • Introduções ao Saltério em português circulam em manuais de AT e em artigos como Introdução ao Livro dos Salmos [W — sem ISBN conferido].

Comentários-âncora em EN (sem tradução PT localizada): Gunkel/Begrich, Introduction to Psalms (Mercer, 1998; ISBN 0865545790); Mowinckel, Psalm Studies (SBL); Hossfeld & Zenger, Psalms (Hermeneia); Wilson, The Editing of the Hebrew Psalter (SBL, 1985) [V]. Traduções portuguesas destes autores não foram localizadas [—].


8. Audiovisual e Games

TítuloRealidadeValidação PTMarcador
“Rivers of Babylon” (the Melodians, 1970; Boney M., 1978)canção baseada no Salmo 137,1–4difusão lusófona ampla; letra versionada em português[V]
Psalm 23 em gravações corais e devocionaismúltiplas versões musicais em inglês e portuguêsexiste repertório coral e devocional em PT, sem título único padronizado[W]
Salmo 137 (recitação)leitura pública do poema de Romério Lopesveiculação em vídeo do autor[V]
Documentários sobre os Manuscritos do Mar Mortocobrem os rolos de salmos de Qumranlegendas PT em títulos genéricos[W]
The Bible (History Channel, 2013)dramatiza contextos davídicosdublagem/legendas PT disponíveis[W]
Videojogos com os Salmos como núcleonenhum título centrado no Saltério localizadolistas genéricas de “jogos bíblicos” não cobrem os Salmos[—]

9. Mitologia e Literatura Comparada

Os salmos babilônicos e o Ludlul bēl nēmeqi

A Mesopotâmia produziu hinos, lamentos e orações penitenciais comparáveis aos salmos: os salmos babilônicos (šuilla) e a Ludlul bēl nēmeqi, o Poema do Justo Sofredor, em acádio, cerca de 1307–1282 a.C. [V — en.wikipedia, Ludlul bēl nēmeqi; eBL (LMU)]. No Ludlul, o justo Šubši-mešrê-Šakkan descreve o abandono pelos deuses e a doença, para depois ser restaurado por Marduk: é o paralelo antigo mais próximo do Salmo 73 [V — eBL; Scholarly Commons, tradução de Ludlul]. A comparação ensina o que é género comum pan-oriental — a queixa ao deus — e o que é próprio de Israel: a queixa dirige-se a um só Deus em relação de aliança, não a um panteão a apaziguar [W].

O ciclo de Baal de Ugarit e o motivo da realeza divina

Os textos de Ugarit (Ras Shamra, escavados desde 1929) revelam o Ciclo de Baal: o combate de Baal contra Yam (o mar) e Mot (a morte), a sua entronização e a construção do seu palácio [W]. O paralelo é decisivo para os salmos da realeza de YHWH (47; 93; 96–99), cuja linguagem de vitória sobre o mar e de entronização cósmica ressoa o motivo cananeu [W]. Frank Moore Cross, em Canaanite Myth and Hebrew Epic (Cambridge: Harvard University Press, 1973), formulou o modo como Israel retrabalhou o material mitológico cananeu — a realeza divina tornando-se realeza de YHWH, o dragão do mar tornado criatura derrotada [W]. Mark S. Smith e a escola ugarítica posterior mantêm a comparação, alertando contra a leitura de dependência direta [W].

Os hinos egípcios a Aton e o Salmo 104

O Grande Hino a Aton (reinado de Aquenáton, séc. XIV a.C.) apresenta, segundo o levantamento repetido, uma semelhança notável com o Salmo 104: a descrição do dia e da noite, os animais noturnos que caçam, a atividade humana ao amanhecer, o cuidado com toda a criação [V — en.wikipedia, Great Hymn to the Aten; thetorah.com, “Psalm 104 and Its Parallels in Pharaoh Akhenaten’s Hymn”; intertextual.bible]. James Henry Breasted e Arthur Weigall defenderam a semelhança; Miriam Lichtheim e, mais recentemente, Mark S. Smith temperaram o entusiasmo por influência direta e leram as coincidências como fundo literário comum egípcio-israelita [V — en.wikipedia, Great Hymn to the Aten]. Sustenta-se o género comum com teologia distinta: em Aton, o sol é o deus; no Salmo 104, o sol serve a YHWH (104,19) [W].

As lâminas mágicas greco-romanas e o género da fala dirigida ao divino

Do mundo greco-romano chegaram lâminas (lamellae) de ouro, prata e bronze, e tábuas de maldição (defixiones), com invocações gravadas a divindades — de proteção ou de mal [V — Cambridge, Greece and Rome, “Greek Cursing, and Ours”; Brill, “Textual Amulets and Writing Traditions”]. A relevância é de género, não de dependência: a fala dirigida ao divino, para bênção ou maldição, é um universo mediterrâneo partilhado, sem reduzir os salmos a magia [W]. Não encontrei fonte verificada que ligue uma lamella romana a um salmo específico [—].


Davi como Orfeu: mosaico de sinagoga
Davi como Orfeu: mosaico de sinagoga · Sl 108,1-4; 150,1-6 (Davi salmista)Mosaico da sinagoga de Gaza (508 d.C.), em que Davi é figurado com a lira entre os animais, segundo a convenção grega de Orfeu encantando a criação. O painel é o exemplo mais claro de como a arte judaica tardo-antiga traduziu o salmista no vocabulário visual do mundo greco-romano — comparação que sustenta a discussão do dossiê sobre o que o Saltério deve a motivos do Oriente Próximo e o que deve ao ambiente helenístico.anônimo · mosaico de piso · Sinagoga de Gaza (508 d.C.); imagem do Google Art Project (domínio público)Fonte: Wikimedia Commons · Licença: Public domain

10. Filosofia — as perguntas que o texto levanta

A oração como fala dirigida: Espinosa, Kant

A questão de fundo: o que é falar com Deus? Baruch Espinosa, no Tractatus Theologico-Politicus (1670), submeteu os salmos à crítica histórica nascente — leitura pelos autores e circunstâncias, não pela devoção [W]. Immanuel Kant desmontou a oração-pedido como objeto moral: no quadro da religião racional, o “pedido” tende ao fetichismo, e só uma disposição moral universal pode ser objeto de esperança racional [W]. O saltério opõe a isso a primeira pessoa do discurso: os salmos falam — pedem, agradecem, gritam, acusam —, e essa forma performativa é o problema que Espinosa e Kant contornam ao perguntar pelo sentido, e nunca pelo endereço [W].

O sofrimento e a teodiceia: Mackie, Rowe, o Salmo 73

O Salmo 73 põe o problema do mal na sua forma clássica: os ímpios prosperam, os justos sofrem, e o salmista quase tropeça — “até que entrei no santuário de Deus” [W]. J. L. Mackie, em “Evil and Omnipotence” (Mind 64, 1955), formulou o problema lógico do mal como contradição entre onipotência, bondade e existência do mal [W]. William L. Rowe, em “The Problem of Evil and Some Varieties of Atheism” (American Philosophical Quarterly 16, 1979), reformulou-o em versão evidencial: o mal intenso e aparentemente gratuito torna improvável a existência de um Deus onipotente e bom [W]. O Salmo 73 não responde a Mackie nem a Rowe — é a descrição de dentro do problema, e a sua “solução” é um deslocamento do olhar, não um argumento: a Bíblia hebraica não oferece teodiceia sistemática, oferece lamento que não abdica da fé [W].

A violência nos salmos: Girard, Mary Douglas

René Girard, em Des choses cachées depuis la fondation du monde (Paris: Grasset, 1978; trad. ingl. Things Hidden since the Foundation of the World, 1987) e em Violence and the Sacred, propôs que a violência sacrificial se resolve no bode expiatório — a comunidade descarrega a crise sobre uma vítima [V — Stanford/Continuum, Things Hidden; SAET, René Girard and Mimetic Theory]. Nos salmos imprecatórios lê-se o desejo mimético e a rivalidade que Girard descreve, mas também a entrega do juízo a Deus, que desarma a retaliação privada — tensão que a leitura girardiana explora [W]. Mary Douglas, em Purity and Danger (1966) e Leviticus as Literature (1999), mostrou como os esquemas de classificação (puro/imundo, dentro/fora) organizam a vida religiosa; os salmos que opõem justo e ímpio (Sl 1; 15; 24) podem ser lidos como geometria moral nesse sentido [W]. Não localizei obra de Douglas dedicada ao Saltério [—].

A alteridade e a segunda naivete: Levinas, Ricoeur

O tema dos salmos como fala diante de um Tu aproxima-se de Emmanuel Levinas, para quem a relação ética é a relação com a alteridade — o face-a-face que precede toda ontologia; o salmista queixa-se a Alguém, não de um sistema [W]. Paul Ricœur fornece a chave hermenêutica decisiva: em The Symbolism of Evil (1967), propôs a “segunda naivete” (second naïveté) — depois da crítica e do “deserto da crítica”, a reapropriação pós-crítica do símbolo [V — Pitt, Études Ricœuriennes, “Paul Ricoeur and the Idea of Second Naivety”; utppublishing, “Revisiting Paul Ricoeur on the Symbolism of Evil”]. É a situação de quem lê os Salmos depois de Gunkel: não se volta à leitura ingénua, mas à leitura habitada [W]. Brueggemann e Zenger retomam essa possibilidade como crítica da igreja que perdeu o lamento (§4.6) [W].

O lamento como problema filosófico do sofrimento

Se o sofrimento não tem razão, por que a forma da queixa? O lamento é a fala que não renuncia à relação mesmo quando a acusa — Jeremias e o Salmo 22 na sua forma pura [W]. É o lugar onde o problema do mal deixa de ser argumento e passa a ser endereço: não “por que existe o mal?”, mas “a quem me dirijo com isto?” [W]. É a pergunta que este dossiê deixa em aberto [W].


11. Teologia — os debates

Lamento contra louvor: o centro do Saltério em disputa

Claus Westermann, em Lob und Klage in den Psalmen (1952), reorganizou o material em torno de dois polos — louvor e lamento —, mostrando que o Hallel final e o lamento individual são a mesma fé em estados opostos [W]. Quem centraliza o louvor lê o lamento como transitório; quem centraliza o lamento sustenta que a queixa é a forma plena da fé (Brueggemann, 1986) [V — Brueggemann]. Não há consenso, e a escolha muda a pregação [W].

A realeza de YHWH e o Messias

Do lado da realeza divina, Mowinckel e, na exegese posterior, Cross e Mark S. Smith trabalharam o modo como o salmo de entronização faz de YHWH o rei cósmico [W]. A questão atual é se o motivo é liturgia da festa (Mowinckel) ou escatologia projetiva posterior [W]. O que permanece: no centro está a soberania de YHWH sobre as nações e o caos, não a legitimação do trono davídico [W]. A leitura messiânica dos salmos reais (2; 72; 110) e dos salmos do justo sofredor (22; 69) é a espinha dorsal da cristologia do NT (§4.8) [W]; o debate interno é o grau de continuidade — sentido literal cristão ou tipologia retrospectiva autorizada pela ressurreição [W]. Brevard S. Childs propôs ler o Saltério como Escritura canónica, cujo sentido é o que a comunidade crente encontrou nele; a crítica histórica remete isso ao plano da recepção [W].

O justo sofredor e a teodiceia

Do juízo sobre o mal aos salmos que espelham Jó, a linha é contínua: von Rad estudou a “sabedoria de Israel” e a interiorização da retribuição divina no salmo sapiencial [W]. O problema fica aberto: os salmos dizem que YHWH julga com justiça, a experiência contradiz, e o lamento mantém a tensão em vez de a resolver [W]. Gutiérrez leu os salmos como oração do povo oprimido, e a teologia da libertação fez dos “salmos do pobre” um lugar próprio [W]. A pergunta prática — a igreja reza o lamento? — tem respostas divergentes, da supressão litúrgica dos versículos de maldição (§4.6) à redescoberta pastoral do lamento; o Saltério inclui o lamento, e não o rezar é um recorte interpretativo, não a natureza do livro [W].

11.1. Comentaristas por esfera confessional

Esta subseção organiza os comentários aos Salmos por tradição de leitura, não por cronologia. A regra de rotulagem é a do método desta camada — a perspectiva declara-se, não se atribui —, e o rótulo é metadado, não argumento. Convenções: [V] conferido nesta sessão; [W] conhecido, não reconferido; [—] lacuna.

Judaico

  • Rashi (Salomão ben Isaac, 1040–1105) e Radak (David Kimhi, 1160–1236) comentaram os Salmos; a obra de Radak está em edição digital na Sefaria, com Ibn Ezra e os Metzudat David [V — Sefaria, Radak on Psalms].
  • O Midrash Tehillim (Midrash Shoher Tov) é a coleção midráshica clássica sobre os Salmos, de leitura homilética [V — Sefaria, Midrash Tehillim; Jewish Bible Quarterly].
  • O Targum dos Salmos (tradução aramaica com expansões) é testemunho da leitura sinagogal antiga [W].

Católico ocidental (latino)

  • Agostinho, Enarrationes in Psalmos — o comentário patrístico mais extenso ao Saltério; edição moderna em Expositions of the Psalms, trad. Maria Boulding (New City Press) [V — Internet Archive; ixtheo].
  • Nicolau de Lira, Postilla litteralis (séc. XIV) — separa o sentido literal [W].
  • Cornélio a Lapide, Commentaria in omnes Sacrae Scripturae libros (1616–1642) — cobre o Saltério [V — escopo atestado; volume não paginado nesta sessão].

Católico oriental e grego patrístico

  • Atanásio de Alexandria, Epístola a Marcelino — descreve os salmos como espelho da alma e recomenda a cada situação da vida o seu salmo próprio [V — edição e tradução acessíveis; estudo em Harvard Theological Review].
  • Basílio de Cesareia, Homiliae in Psalmos — homilias literais e morais sobre salmos escolhidos [W].
  • Orígenes e Teodoreto de Ciro deixaram material sobre os Salmos sobretudo por catenae; a distinção alexandrina (alegórica) e antioquena (literal) atravessa a exegese salmódica antiga [W].

Ortodoxo

  • A tradição ortodoxa lê os Salmos pela liturgia e pelas catenae, com o Saltério dividido em vinte kathismata rezados no ciclo semanal [W].
  • Alexander Lopukhin, Толковая Библия (1904–1913), comentário russo de referência, inclui a Псалтирь [W].
  • Orthodox Study Bible (NT 1993; completa 2008) — notas patrísticas [W].

Protestante histórica

  • Martinho Lutero — hinos e prefácios sobre os salmos; a salmodia é posta no coração da reforma litúrgica [W].
  • João Calvino, Commentary on the Book of Psalms (latim e francês 1557; trad. inglesa de J. Anderson, 1847), com o prefácio que narra a sua experiência com o Saltério [V — CCEL; psalms.org].
  • Matthew Henry, Exposition (1706–1710) [W].

Evangélica

  • Charles Haddon Spurgeon, The Treasury of David (partes a partir de 1876; reimpressões em 3 e 6 volumes; ISBN 9780917006258) — o grande comentário devocional evangélico ao Saltério [V — WTS Books; Hendrickson, ISBN 9781565639454; Logos].
  • Comentários evangélicos modernos sobre os Salmos são numerosos; não arrolo títulos sem ISBN conferido [—].

Não confessional

  • Hermann Gunkel (1933) [V], Sigmund Mowinckel (1921–1924) [V], Gerald H. Wilson (1985) [V] e Frank-Lothar Hossfeld / Erich Zenger (Hermeneia) [V] são de método histórico-crítico e form-crítico, não confessionais; a perspectiva declara-se como tal e não se usa o método como refutação de outra esfera [W].

Balanço de esferas (contagem declarada)

EsferaNomes citadosFonte primária?
JudaicoRashi, Radak [V], Ibn Ezra, Midrash Tehillim [V], Targum [W]sim (Radak, Midrash)
Católico ocidentalAgostinho [V], Nicolau de Lira [W], Cornélio a Lapide [V]sim (Agostinho, a Lapide)
Católico oriental / gregoAtanásio [V], Basílio [W], Orígenes [W], Teodoreto [W]sim (Atanásio)
OrtodoxoLopukhin [W], Orthodox Study Bible [W], kathismatanão nesta sessão
Protestante históricaLutero [W], Calvino [V], Matthew Henry [W]sim (Calvino)
EvangélicaSpurgeon [V]sim (Spurgeon)
Não confessionalGunkel [V], Mowinckel [V], Wilson [V], Hossfeld & Zenger [V]sim (todos)

O desequilíbrio visível — a esfera não confessional é a mais documentada em fonte primária conferida, e o Oriente chega sobretudo por tradução e catena — não é do dossiê: é do material, e fica dito [W]. Onde não houve conferência direta, a lacuna declara-se [—].

12. Ciência — o que as ciências dizem, e onde não têm competência

A regra desta seção: declarar os limites. A ciência não decide se os Salmos são revelados; decide se as condições materiais do texto são compatíveis com o observável.

Crítica textual — os manuscritos, 11QPs(a) e a LXX

A crítica textual pode ser feita com precisão nos Salmos, porque o testemunho é abundante: do Texto Massorético medieval, da Septuaginta (com o Salmo 151) e de cerca de quarenta rolos de Qumran, entre os quais o 11QPs(a), em ordem divergente e com salmos extra-canónicos (151, 154, 155) [V — Sanders, DJD IV; Brill; dssenglishbible.com]. A conclusão positiva é forte: o Saltério foi um texto fluido até ao séc. I; a negativa é importante: a crítica textual não decide qual ordem é a “verdadeira”, porque não existe uma ordem única original [W]. A Göttingen Septuaginta cria hoje uma edição crítica dos Salmos que substituirá a de Rahlfs (1931) [V — septuaginta.uni-goettingen.de; IOSCS]. Emanuel Tov e os editores modernos tratam os títulos e as leituras divergentes pelo método crítico [W].

Arqueologia — a música e os instrumentos do Israel antigo, os selos e os óstracos

A arqueologia e a iconografia documentam o aparato musical pressuposto nos títulos (§4.2) [V — BibleInterp (Arizona), “Music and Musical Instruments in the Hebrew Bible and Ancient Israel”; Braun, On Drums and Strings and Trumpet Blasts, resenha JSTOR 3217617]. O marfim de Megiddo (XII–XI a.C.) traz grupas de lira e flauta, e há címbalos de bronze com figuras de músicos [V — BibleInterp; levantamento de yardenit.com]. Joachim Braun reuniu a evidência arqueológica, textual e iconográfica e concluiu que os instrumentos funcionavam como símbolos de culto, Estado e identidade — base material para um corpo musical institucional (os levitas cantores) [V — resenha JSTOR 3217617]. No lado epigráfico, os rolos de prata de Ketef Hinnom (c. 600 a.C.), com a bênção sacerdotal de Nm 6,24–26, são o texto bíblico mais antigo conhecido — não são salmos, mas provam a circulação de fórmulas litúrgicas escritas em amuletos no fim da monarquia [V — thetorah.com; Armstrong Institute]. A arqueologia não identifica autores de salmos: nenhuma inscrição nomeia Davi como salmista [W].

Linguística — a poesia hebraica e o paralelismo

O estudo linguístico dos Salmos é um campo científico consolidado: o paralelismo (§4.13), a métrica (a hipótese do ritmo qinah, 3+2), a fonologia e a morfologia do hebraico bíblico fornecem critérios de datação e de análise formal [V — PALNI, Elements of Biblical Poetry]. Robert Lowth (1753) fundou a descrição; Robert Alter e Adele Berlin a refinaram; a linguística histórica discute se critérios linguísticos datam textos hebraicos [W]. O limite é claro: a linguística descreve a forma, não decide se um salmo foi inspirado [W].

Onde a ciência NÃO tem competência

  • A ciência não decide se um salmo é revelado, se o rei é “filho de Deus” (Sl 2,7) em sentido metafórico ou real, nem se o Messias é cumprimento do Salmo 110 [W].
  • A arqueologia não documenta os eventos espirituais dos salmos — a cura, o perdão, a “descida ao Sheol” como experiência religiosa — nem identifica o “inimigo” nomeado [W].
  • A crítica textual não recupera a ordem “original” do Saltério, porque há ordens múltiplas em Qumran [W].
  • A linguística não produz data absoluta para um salmo isolado [W].
  • E nenhuma ciência responde à pergunta central — a quem o orante fala —, matéria de teologia e filosofia da religião (§10) [W].
Marfins de Megiddo
Marfins de Megiddo · contexto histórico (Sl 33,2-3; 150,3-5)Conjunto de marfins de Megiddo, no Museu Rockefeller, em Jerusalém — o corpus que a arqueologia cita ao tratar do aparato musical e decorativo do Levante na Idade do Ferro (§12). A iconografia destas placas, com cenas de corte e de música, é um dos documentos materiais invocados para discutir os instrumentos pressupostos pelos títulos dos salmos.Deror Avi · 2013-11-08 13:00:45 · marfim entalhado (objeto arqueológico) · Museu Rockefeller, Jerusalém; fotografia de Deror Avi, CC BY-SA 3.0Fonte: Wikimedia Commons · Licença: CC BY-SA 3.0

13. Lacunas e Correções de Atribuição

  1. [—] Ficha por salmo: este dossiê não apresenta as 150 fichas individuais; é uma decisão editorial declarada em §1, e a ficha do Salmo 151 está prevista para o hub do Lote 6.
  2. [W] Número exato do Salmo 110,1 como citação mais frequente do AT no NT: a formulação é a mais repetida na divulgação e nos comentários, mas o número exato varia com o critério citação/alusão; não reconferi uma tabela concordancial primária.
  3. [—] Atribuição de cada hino brasileiro sobre salmos: não confirmei autoria nem data de canções congregacionais em português que parafraseiam os Salmos.
  4. [W] Datação interna das coletas de Asafe e de Corá: as contagens usuais (12 salmos de Asafe, 11 de Corá) provêm de levantamentos secundários; não reconferi por contagem primária no TM.
  5. [—] Lâminas greco-romanas e ligação a salmos específicos: descrevi o género das lamellae e defixiones; não encontrei fonte verificada que ligue diretamente uma lamella a um salmo singular.
  6. [W] Comentários evangélicos modernos em PT: não arrolei títulos evangélicos brasileiros sobre os Salmos com ISBN conferido (§11.1, evangélica).
  7. [—] Obras de arte com inventário verificável: não incluí telas dos Salmos sem número de museu conferido.
  8. [W] Obra de Mary Douglas sobre o Saltério: não localizada; cito-a pelo método (classificação, pureza), e a aplicação aos Salmos fica como leitura proposta, não como tese da autora.

Bibliografia-âncora verificada

Como conseguir estas obras

A bibliografia de um site didático não é a de uma tese: cita o que importa e o leitor consegue alcançar. O selo diz por onde — e a tabela está ordenada por acessibilidade, do que se lê hoje ao que só se compra.

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ObraAcessoOnde
Brueggemann, “The Costly Loss of Lament” (JSOT 36, 1986)livrejrichardmiddleton.com
Numeração dos salmos (LXX/Vulgata x hebraico)livrechurchmotherofgod.org
Grande Hino a Aton e o Salmo 104livreen.wikipedia.org
Radak / Midrash Tehillim (judaico)livresefaria.org
Calvino, Commentary on the Book of Psalms (1557)livreccel.org
Música e instrumentos no Israel antigolivrebibleinterp.arizona.edu
Wilson, The Editing of the Hebrew Psalter (SBL, 1985)empréstimoInternet Archive
Hossfeld & Zenger, Psalms 3 (Hermeneia, 2011)empréstimoInternet Archive
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Stadelmann, Os Salmos da Bíblia (Paulinas; Loyola, 2015; ISBN 9788515042067)compraPergamum (registro)
TEB — Tradução Ecumênica da Bíblia (Loyola, 2010; ISBN 9788515030163)compraloyola.com.br

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