Antiguidade Bíblica
Jó (Iyyov) — Artigo Enciclopédico
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- Debate. Consigo dizer quem discorda de quem, e sobre o quê?
1. Lead e Ficha
O Livro de Jó (hebr. אִיּוֹב, Iyyov; gr. LXX Ἰώβ; lat. Iob) é o terceiro dos Livros da Verdade (Sifrei Emet: Salmos, Provérbios, Jó) nos Ketuvim e o primeiro dos Poéticos no Antigo Testamento cristão [W]. Com 42 capítulos, é o mais extenso dos sapienciais e a obra mais difícil do cânon hebraico: não narra um sofrimento explicado, narra um sofrimento sem explicação [W]. Tem três andares: prólogo em prosa (1–2), corpo poético (3,1–42,6) e epílogo em prosa (42,7–17) [W — estrutura descrita no verbete Book of Job, que delimita o corpo poético em 3,1–42,6].
A chave está na primeira cena: no concílio celestial, Javé apresenta Jó como “íntegro e reto, temente a Deus e que se desvia do mal” (1,8), e o adversário (ha-satan) responde com a pergunta que sustenta o livro — “Porventura Jó teme a Deus de graça?” (1,9) [W]. Retirada a recompensa, a piedade subsiste? A resposta não é um argumento, mas uma teofania (38–41) que não responde a nenhuma das perguntas [W]. Quem procura em Jó uma teodiceia encontra o livro que desmonta as teodiceias disponíveis [W].
| Campo | Dado | Marcador |
|---|---|---|
| Nome hebraico | Iyyov (אִיּוֹב) | [V] taxonomia do site |
| Nome grego/latino | Iob / Iob | [W] |
| Posição no cânon | Ketuvim (3.º dos Livros da Verdade); 1.º dos Poéticos no AT | [W] |
| Capítulos | 42 | [W] |
| Idioma | hebraico bíblico: prosa (1–2; 42,7–17) e poesia (3–42,6) | [W] |
| Autoria | anônima; a tradição rabínica discute entre Moisés e outros | [W] Talmud, Bava Batra 14b–15a |
| Datação do texto | debate aberto: do séc. VII ao período persa (séc. V–IV a.C.) | [V] Greenstein, 2020; [W] faixa 7.º–4.º séc. |
| Cenário narrado | “terra de Uz”, meio patriarcal (gado, clã, sacrifício doméstico) | [W] |
| Testemunhos antigos | 11Q10 (targum aramaico), 4Q99–4Q100, 2Q15; LXX, Targum, Peshitta | [V] Dead Sea Scrolls Digital Library |
2. Contexto e Autoria
Um livro sem cenário datável. O narrador situa Jó na terra de Uz, entre nomes não israelitas: Elifaz o temanita, Bildade o suíta, Zofar o naamatita, Eliú o buzita (2,11; 32,2) [W]. O quadro é patriarcal — Jó sacrifica pelos filhos (1,5), a riqueza mede-se em gado (1,3), não há templo, Lei nem menção de Israel [W]. Daí a leitura tradicional que o situou na era dos patriarcas, contemporâneo de Abraão: leitura da recepção, não resultado de datação [W]. Nenhuma identificação segura de Uz foi localizada nesta sessão [—].
A datação é debate, e o dossiê o trata como debate.
- Período persa (c. 540–330 a.C.) — posição hoje mais fortemente argumentada. Edward L. Greenstein, na introdução a Job (Yale University Press, 2020), escreve que “a prosa hebraica do relato-moldura, não obstante muitos traços clássicos, mostra que foi composta na era pós-babilônica (depois de 540 a.C.)”, e que os aramaismos tornam “bastante certa” uma ambientação persa, quando o aramaico se tornou língua maioritária no Levante [V — Greenstein, 2020, introdução reproduzida pela Yale University Press]. Ele conclui por um autor judeu letrado, provavelmente de Jerusalém [V].
- Século VII a VI a.C. — a datação mais alta entre as posições correntes apoia-se na maturidade literária do poema, no diálogo com a teologia da retribuição deuteronômica e em paralelos sapienciais orientais; a faixa “7.º a 4.º século a.C.” é a que circula nas introduções [W]. Não localizei autor nomeado que defenda o século VII isolado [—].
- Datação baixa pelo argumento linguístico. Avi Hurvitz, “The Date of the Prose-Tale of Job Linguistically Reconsidered” (Harvard Theological Review 67, 1974), mostrou que a prosa do marco narrativo partilha traços do hebraico bíblico tardio e é pós-exílica — separando a data do relato da data do poema [V — Hurvitz, 1974; JSTOR 1509264].
- O limite do método. O critério linguístico só data com segurança se a distinção entre hebraico do Ferro e pós-exílico for firme — e é isso que está em disputa (Hurvitz de um lado; Ian Young, Robert Rezetko e Martin Ehrensvärd, Linguistic Dating of Biblical Texts, 2008, do outro) [W]. Não há data absoluta, e o dossiê não a inventa.
Autoria e formação. O livro é anônimo: Bava Batra 14b–15a propõe Moisés entre os candidatos e discute se Jó existiu ou é figura de parábola [W]. A crítica trabalha a formação: o relato-moldura em prosa (1–2; 42,7–17), provavelmente anterior e de circulação independente, o corpo poético de um poeta letrado e as falas de Eliú (32–37), tidas por muitos como acréscimo (§4.4) [W].
3. Estrutura (42 capítulos)
- Prólogo em prosa (1–2): quadro de Jó e sua piedade (1,1–5); duas cenas do concílio celestial com a aposta (1,6–12; 2,1–6); as catástrofes e a fórmula dos mensageiros “e eu escapei só” (1,13–22); a doença e a fala da mulher (2,7–10); os três amigos e sete dias de silêncio (2,11–13) [W].
- Lamento (3): “pereça o dia em que nasci” (3,3) — o poema muda de registro [W].
- Primeiro ciclo (4–14): Elifaz (4–5), Jó (6–7), Bildade (8), Jó (9–10, com o desejo de um árbitro, mokhiach, 9,33), Zofar (11), Jó (12–14) [W].
- Segundo ciclo (15–21): Elifaz (15), Jó (16–17: “a minha testemunha está nos céus”, 16,19), Bildade (18), Jó (19: “o meu redentor go’el vive”, 19,25), Zofar (20), Jó (21) [W].
- Terceiro ciclo (22–27): Elifaz (22), Jó (23–24), Bildade (25, notoriamente curto), Jó (26–27) — o ciclo está desordenado e o terceiro discurso de Zofar falta, sinal de acidente textual ou de edição [W].
- Poema da sabedoria (28): “Deus conhece o seu caminho” (28,23) — peça autônoma [W].
- Juramento de inocência (29–31): honra passada (29), sofrimento presente (30), juramentos e a assinatura “aqui está a minha assinatura” (31,35) [W].
- Falas de Eliú (32–37): quarto interlocutor ausente do prólogo, introduzido por preâmbulo em prosa (32,1–6) [W].
- Discursos de Deus do redemoinho (38–41): perguntas sobre a criação (38–39); segunda fala com Behemoth (40,15–24) e Leviatã (41,1–34) [W].
- Resposta e epílogo em prosa (42,1–6; 42,7–17): resposta de Jó; sentença contra os amigos e sacrifício intercessório; restituição dobrada e morte de Jó “velho e farto de dias” [W].
4. Conteúdos-chave com Debate
4.1 O concílio celestial e o hassatan
O prólogo abre com os “filhos de Deus” (benei ha-elohim) diante de Javé, e com eles הַשָּׂטָן, ha-satan — com artigo definido: “o adversário”, não “Satã” [W]. A diferença importa: no prólogo de Jó, ha-satan não é o diabo do Novo Testamento — não é adversário de Deus por princípio, não chefia um reino maligno e não tenta Jó; ele integra a corte celeste e propõe a Javé um teste, com função de investigação e acusação [W]. O debate discute se o artigo prova que se trata de título (função) e não de nome próprio: um blog de resenha da Biola University (2021) contrapôs a tese de Michael Heiser de que nomes hebraicos não levam artigo, do que derivaria que ha-satan só pode ser título [V — Biola University, “Why Michael Heiser is Probably Wrong about Satan in the Book of Job”, 2021]. O que fica firme é o artigo e a figura funcional — o Adversário que acusa e testa —, não o personagem teológico posterior [W]. A crítica da religião lê aí uma etapa histórica: o ha-satan de Jó, o de Zacarias 3,1 e o de 1 Crônicas 21,1 (já sem artigo, como sujeito da ação) pertencem ao processo que desemboca no Satã do Segundo Templo [W]. Atribuir ao prólogo a demonologia dos Evangelhos é o erro clássico [W].
4.2 A aposta: a piedade desinteressada (1,9)
“Porventura Jó teme a Deus de graça (hinnam)?” (1,9) [W]. Gustavo Gutiérrez, em On Job: God-Talk and the Suffering of the Innocent (Orbis, 1987), fez desta passagem a chave da leitura e trata a piedade desinteressada como questão teológica, não apenas moral [V — Gutiérrez, 1987, Internet Archive].
4.3 Os três amigos e a teologia que o livro desmonta
Elifaz de Temã, Bildade de Suá e Zofar de Naamat (2,11) são a voz da teologia da retribuição: o sofrimento é castigo, a prosperidade é prêmio; logo, o sofredor tem algo a confessar [W]. Elifaz: “os que lavram a iniquidade colhem o mesmo” (4,8); Bildade: “porventura Deus perverterá o juízo?” (8,3); Zofar: “Deus te exige menos do que a tua iniquidade merece” (11,6) [W]. O livro desmonta a doutrina em três golpes: (i) no prólogo, o leitor sabe o que os amigos não sabem — o sofrimento de Jó não é castigo (1,8; 2,3); (ii) nos discursos de Jó, que opõem a experiência à doutrina — os ímpios prosperam e morrem em paz (21,7–34); (iii) no final, quando Javé declara que foram os amigos, e não Jó, que “não falaram de mim o que era reto” (42,7) [W]. Os três ciclos (4–14; 15–21; 22–27) mostram o esgotamento do argumento: cada amigo repete a tese com menos força, e no terceiro ciclo o esquema se desfaz [W].
4.4 Eliú (32–37) e o debate sobre o acréscimo
Eliú entra sem ser anunciado no prólogo, discursa por quatro capítulos e desaparece sem que Javé o mencione no epílogo, que trata apenas dos três amigos [W]. Dessa assimetria nasceu o debate:
- Posição do acréscimo. As falas seriam inserção posterior: quebram a sequência (Jó encerra com o juramento de 31, e Deus responde a Jó em 38), o estilo é mais prosaico, Eliú não aparece no epílogo e diz, com mais palavras, algo próximo do que Deus dirá [W — objeções em Desiring God, “Let the Youth Speak”]; Karl Budde (1896) já refutara os argumentos correntes contra a originalidade [V — Tyndale Bulletin, “The Elihu Speeches: Their Place and Sense in the Book of Job”].
- Posição da integridade. Larry J. Waters, “The Authenticity of the Elihu Speeches in Job 32–37” (Bibliotheca Sacra 156, 1999), defende a autenticidade [V — Galaxie], e a leitura conservadora vê em Eliú o quarto amigo que prepara a teofania pela via da disciplina e da mediação (33,23–24) [W]. O dossiê não decide [W].
4.5 Os discursos de Deus (38–41) e a resposta que não responde
Os discursos do redemoinho são perguntas: “Onde estavas tu quando eu fundava a terra?” (38,4); “quem encerrou o mar com portas?” (38,8); a série sobre a chuva, o gelo, o avestruz, o cavalo (38–39); e, na segunda fala, “porventura tens tu um braço como Deus?” (40,9) [W]. O livro não responde à pergunta de Jó: não há explicação do sofrimento, não há menção da aposta do prólogo, não há teodiceia — há deslocamento [W]. Javé não defende a justiça da sua administração; exibe a escala da criação e a não-humanidade do governo do mundo [W]. Jon D. Levenson, em Creation and the Persistence of Evil (Princeton, 1988), leu aí o sentido teológico do livro: a criação como domínio sobre o caos, não como ordem garantida — o que relativiza a exigência de que o mundo obedeça ao nosso critério moral [W]. A honestidade exige dizer que Jó é o livro bíblico em que a teodiceia fracassa formalmente [W]: a pergunta dos amigos não recebe resposta, recebe uma aparição. A leitura tradicional (dos Padres a Agostinho) entende que a visão de Deus é a resposta, porque a resolução é relacional e não intelectual; a leitura moderna (Clines, Habel, Newsom) responde que isso é recusar-se a responder [W]. 6 Behemoth e Leviatã (40,15–41,34)
O debate tem três planos. Zoológico: a leitura clássica identifica Behemoth com o hipopótamo e Leviatã com o crocodilo — a descrição de couraça, dentes e garganta (41,13–24) ajusta-se ao crocodilo do Nilo, e Behemoth é “o primeiro dos caminhos de Deus” (40,19); não é leitura desprezada e continua em comentários correntes [W]. Mitológico: os dois nomes pertencem ao imaginário do Oriente Próximo. Lotan é, em Ugarit, o dragão de sete cabeças combatido por Baal com ajuda de Anat, parente direto do Leviatã hebraico, também descrito com várias cabeças (Sl 74,14) [V — verbete Lotan, que indica o motivo em selos sírios dos séculos XVIII–XVI a.C.]. Em Jó, o combate com o mar e o dragão é tratado como assunto do passado: “sou eu o mar, ou o dragão (tannin), para que me ponhas tal guarda?” (7,12) [W]. Hermenêutico: a leitura dominante lê os dois como figuras do indecoroso — o que não se domestica; a pergunta “podes tirar o Leviatã com anzol?” (41,1) diz a Jó que há uma desordem que não é da sua conta administrar [W].
4.7 A resposta de Jó (42,1–6) e o verbo difícil
O hebraico de 42,6 é curto e notoriamente difícil: עַל כֵּן אֶמְאַס וְנִחַמְתִּי עַל עָפָר וָאֵפֶר [W — texto]. A dificuldade tem dois pontos: (i) o objeto de m’as — “recuso/desprezo o quê?” (a mim mesmo? as minhas palavras? a causa?); (ii) o sentido de niḥam — o verbo significa tanto “arrepender-se” como “consolar-se” (cf. Gn 24,67; 2 Sm 12,24, onde o sentido é consolar-se), e o hebraico não decide por nós [W]. As leituras em circulação: (1) arrependimento — Jó se arrepende de haver litigado (leitura tradicional, da Vulgata aos comentários modernos); (2) consolo/aceitação — Jó “se consola”, aceitando ser pó e cinza, e retira a queixa; (3) retratação — Jó retira a acusação e reconhece o limite do seu conhecimento, leitura frequente nas traduções modernas (“por isso retrato o que disse”) [W]. O estudo de referência levantado é “Yet Another Try on Job 42:6” (Asbury Journal), que examina a última declaração de Jó e passa em revista as traduções correntes [V — Asbury Journal]. O dossiê não escolhe sem fonte e declara a lacuna: não conferi a Septuaginta nem a Vulgata em edição crítica nesta sessão, e as versões antigas divergem do texto massorético em 42,1–6 [—].
4.8 A composição: prosa e poesia, um só autor?
A moldura em prosa e o corpo poético divergem em estilo, vocabulário e teologia. Argumentos de que a prosa é anterior: (i) ela usa fórmulas narrativas clássicas, e o poema, um hebraico excêntrico e tardio [V — Hurvitz, 1974]; (ii) o Jó do prólogo é paciente e o do poema é litigante; (iii) o epílogo restitui o dobro e não menciona a aposta [W]. Argumentos de que a moldura foi escrita para o poema: (i) o epílogo pressupõe a fala dos amigos, que só existe no poema (42,7–8); (ii) a aposta de 1–2 é inútil sem o corpo que a executa; (iii) a moldura é recurso literário conhecido [W]. A posição de trabalho é que o autor do poema reelaborou uma tradição narrativa preexistente — Jó já circulava, como mostra Ezequiel 14,14.20, que o cita ao lado de Noé e Daniel [W]. Quem lê o livro como unidade faz uma leitura final-form, e deve declará-lo [W].

5. Temas
-
Teodiceia e a sua recusa: o problema do justo sofredor é o eixo, e a resposta é a não resposta (§4.5) [W].
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Piedade desinteressada: “teme a Deus de graça?” (1,9) [W]; ver Gutiérrez, 1987 [V].
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Retribuição e a sua crítica: a doutrina dos amigos (4,7–8) é desmentida pela experiência (21) e pela sentença de 42,7 [W].
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Sabedoria inacessível: “o temor do Senhor é a sabedoria” (28,28) e as perguntas sobre o que o homem não sabe (38–39) [W].
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Criação, caos e desordem: Behemoth e Leviatã nomeiam o que a ordem humana não controla (40–41) [W].
-
Antropologia do pó: o humano como ‘afar wa-‘efer, pó e cinza (34,15; 42,6) [W].
-
Mediação: o árbitro (9,33), a testemunha nos céus (16,19), o redentor go’el (19,25), o anjo intérprete (33,23) [W].

6. Recepção
Judaísmo. Jó é lido no luto nacional: a tradição permite estudar o livro em Tisha b’Av, o dia do luto pelo Templo, e o Shulchan Aruch, Orach Chayim 554, é a fonte haláchica invocada; a Orthodox Union resume a norma — no Tisha b’Av o estudo da Torá é vedado, “exceto as partes do Gemara sobre a destruição, o livro de Eichá e o livro de Jó, e as leis do luto” [V — Sefaria, Shulchan Arukh, Orach Chayim 554:1–4; V — Orthodox Union, “Torah Study on Tisha b’Av”]. A razão é a natureza do livro: Jó é leitura de dor [W]. A literatura do Segundo Templo ampliou a personagem: o Testamento de Jó (greco-judaico) reescreve a história com a mulher de Jó em papel de destaque e a paciência como virtude central [W].
Cristianismo. O Novo Testamento usa Jó sem citá-lo como profeta: 1 Coríntios 3,19 cita Jó 5,13; Romanos 11,35 cita Jó 41,11; e Tiago 5,11 invoca a “paciência de Jó” (“tendes ouvido da paciência de Jó e vistes o fim que o Senhor lhe deu”) [W]. Gregório Magno escreveu entre 578 e 595 a Moralia in Iob (Magna Moralia), o mais extenso comentário patrístico a um livro da Bíblia, que fixou a leitura de Jó como figura de Cristo e da alma [V — Moralia in Job, verbete com a datação 578–595]. Tomás de Aquino compôs, entre 1261 e 1265, a Expositio super Iob ad litteram, comentário literal descrito como “obra de teologia bíblica filosoficamente informada” [V — Reading Job with St. Thomas Aquinas; V — tradução inglesa em isidore.co]. No Oriente grego, o principal comentário conservado é o de Olímpiodoro de Alexandria (século VI), ao lado das homilias de Hesíquio de Jerusalém [V — ACCS: Job (IVP); V — Catholic Encyclopedia, “Hesychius of Jerusalem”]. ** William Blake gravou as 22 gravuras de Illustrations of the Book of Job entre 1823 e 1826 (publicadas em 1826) [V — Blake Archive, “Illustrations of the Book of Job (Composed 1823–26)”; V — verbete sobre as ilustrações]. Ilya Repin, Jó e os seus amigos, é a pintura citada na introdução de Greenstein à edição da Yale University Press [V — Yale University Press, 2020]. Goethe abre o Fausto com o Prólogo no Céu, que parafraseia Jó 1–2: Mefistófeles ocupa o lugar de ha-satan [V — artigo de análise do Prólogo; Kafka foi lido em paralelo com Jó quanto ao processo instaurado sem causa declarada — com a diferença de que em O Processo não há epílogo que restitua [V — “The Trials of Job and Kafka’s Josef K.”]. Archibald MacLeish escreveu J.B. (estreia em 11 de dezembro de 1958), drama em verso livre sobre um banqueiro despojado de tudo, Pulitzer de Drama de 1959 [V — verbete J.B. (play); V — The Pulitzer Prizes, drama, 1958].


7. Traduções PT e Comentários PT
Traduções brasileiras reais que incluem Jó. O livro circula dentro das Bíblias completas: Bíblia de Jerusalém — edição brasileira (Paulus, 1981, revisada em 2002) da Bible de Jérusalem, com introdução e notas a Jó [V — pt.wikipedia, Bíblia de Jerusalém; W — ISBN da edição média]; TEB — Tradução Ecumênica da Bíblia — edição brasileira da Traduction Oecuménique de la Bible (Loyola, ISBN 9788515030163), a via ecumênica com notas mais acessível em português [V — página do produto na Loyola, conferida nesta sessão]; Não localizei edição brasileira dedicada e crítica de Jó com introdução de autor acadêmico nomeado e ISBN próprio [—].
Comentários PT localizados.
- B. Pinçon, O livro de Jó, Edições Loyola, coleção “ABC da Bíblia”, 2023, 152 p. [W — registro no Observatório Bíblico; a validação do ISBN 9786555042672 na Open Library retornou vazio nesta sessão, o que não prova que esteja errado]. É o único comentário dedicado a Jó numa coleção PT de comentário por livro, entre os localizados [W].
- Francis Andersen, Jó — Introdução e Comentário, Edições Vida Nova (tradução da Tyndale Old Testament Commentary) [W — catálogo comercial; ano e ISBN da impressão brasileira não conferidos].
- Daniel J. Estes, Jó, Série Comentário Expositivo, Vida Nova [W — catálogo da editora].
- Claudionor de Andrade, Jó: o problema do sofrimento do justo e o seu propósito, CPAD, 216 p. [W — catálogo da CPAD, ISBN 978-85-263-1874-8]; comentário devocional de matriz pentecostal [W].
- Comentário ao Livro de Jó, Editora Ecclesiae, 364 p. [W — catálogo comercial, ISBN 9788584913749]; a atribuição autoral não foi conferida [—].
- São Gregório Magno, Moralia in Iob, 8 volumes, Editora Sacro Elóquio, com séries “literal” e “mística” [W — ISBN 9786598523831 (vol. 5) e 9786598523848 (vol. 6)]. É a única obra patrística completa sobre Jó com tradução PT localizada [W].
Comentários-âncora sem tradução PT localizada. David J. A. Clines, Job 1–20 (Word Biblical Commentary 17, 1989, ISBN 9780849902161) e Job 21–37 / Job 38–42 (2006) — o comentário técnico mais exaustivo, n.º 1 nas listas de referência [V — Open Library; V — bestcommentaries.com/job]; John E. Hartley, The Book of Job (NICOT, 1988) [V — Open Library, OL4983389W]; Marvin H. Pope, Job (Anchor Bible 15, 1965) [V — Open Library, OL43105006W]; Edward L. Greenstein, Job (Yale, 2020) [V — Yale University Press]; Choon-Leong Seow, Job 1–21 (Illuminations, 2013) [W]; Norman C. Habel, The Book of Job (OTL, 1985) [W]; Carol A. Newsom, The Book of Job: A Contest of Moral Imaginations (2003) [W]; Francis I. Andersen, Job (TOTC, 1976) [W]. Traduções PT: não localizadas [—].
8. Audiovisual e Games
| Título | Realidade | Validação PT | Marcador |
|---|---|---|---|
| A Vida de Jó (minissérie, Record/Univer, 2025) | produção brasileira da Seriella Productions, criada por Cristiane Cardoso, dirigida por Alexandre Avancini, 20 episódios; Univer Vídeo desde 15 de agosto de 2025 e Record entre 15 de setembro e 10 de outubro de 2025 | produção nacional em português | [V] |
| J.B. (teatro, MacLeish, 1958) | drama em verso livre, estreia em 11 de dezembro de 1958, Pulitzer de Drama de 1959 | montagens e traduções PT não localizadas | [V] / [—] PT |
| The Bible Project — Overview: Job | vídeo animado de estudo literário, gratuito, canal oficial | legendas em português nos canais oficiais | [V] |
| Longa-metragem dedicado a Jó | nenhuma produção cinematográfica dedicada de circulação verificada localizada nesta sessão | — | [—] |
| Videojogos com Jó | nenhum título dedicado localizado | — | [—] |
9. Mitologia e Literatura Comparada
O coração comparativo de Jó é um gênero: o justo sofredor do Oriente Próximo. A regra é a do método — primeiro o texto com a sua edição, depois a direção da relação (dependência, poligenia ou topos comum), e nunca a conclusão de dependência sem argumento.
- Ludlul bēl nēmeqi (“Louvarei o Senhor da Sabedoria”), poema acádio em que Šubši-mešrê-Šakkan é abandonado pelos deuses, pela corte e pela família e depois restaurado, com datação circulante de c. 1307–1282 a.C. [V — verbete Ludlul bēl nēmeqi, com a datação]. Edição: W. G. Lambert, Babylonian Wisdom Literature (Oxford, 1960), pp. 21–62 [V — bibliografia do poema, com a paginação de Lambert 1960]. Termina sem teodiceia, e a diferença decisiva em relação a Jó é a ausência da cena celeste: não há concílio, aposta nem adversário [W].
- Teodiceia babilônica, poema acróstico de 27 estrofes em que um sofredor e um amigo discutem a justiça divina [V — edição na electronic Babylonian Library; V — ETANA, com datação c. 1000 a.C.]. Edição: Lambert, Babylonian Wisdom Literature (1960) [V]. É o paralelo estrutural mais próximo: dois interlocutores, um sofredor e um amigo, discutindo a retribuição — e o mesmo desfecho sem solução, com uma diferença: aqui não há discurso divino [W].
- Diálogo do Pessimista com a sua alma, composição acádia em que um senhor indeciso consulta o escravo e o escravo aprova tudo; a conclusão é o vazio — “quem pode subir ao céu? quem desce ao inferno?” [V — verbete e edição na electronic Babylonian Library]. Edição: Lambert, Babylonian Wisdom Literature (1960), pp. 139–149 [V — paginação citada na tradução de BWL 139]. A comparação é de gênero: o diálogo sapiencial como crítica da sabedoria convencional [W].
- Um homem e o seu deus (“Man and His God”), poema sumério em que um sofredor atingido por doença e calúnia confessa uma falta desconhecida e é restaurado [V — bibliografia do Electronic Text Corpus of Sumerian Literature, Oxford, com S. N. Kramer (1955), pp. 170–182]. Mostra que o motivo é panoriental e politeísta antes de ser israelita [W].
- O camponês eloqüente, narrativa egípcia do Império Médio (c. 1850 a.C.) em que um camponês despojado injustamente recorre ao funcionário com nove discursos sobre a justiça até obter reparação [V — verbete The Eloquent Peasant, com a datação]. Edição: R. B. Parkinson, The Tale of the Eloquent Peasant (Griffith Institute, Oxford, 1991) [V]. O paralelo é a retórica da justiça — o oprimido que exige do poder a justiça que o poder devia garantir, como em Jó 29–31 [W].
- A disputa entre um homem e o seu Ba, diálogo egípcio provavelmente do reinado de Amenemhat III, em que um homem desesperado discute com a sua alma (ba) o sentido de continuar vivo [V — verbete Dispute Between a Man and His Ba, com a datação]. É o “justo sofredor” egípcio propriamente dito: aqui a vida é posta em questão, e não apenas a justiça [W]. Edição: R. B. Parkinson, The Tale of Sinuhe and Other Ancient Egyptian Poems (Oxford) e, para o quadro, Miriam Lichtheim, Ancient Egyptian Literature, vol. I [W].
- Instrução de Amenemope, texto sapiencial egípcio cujas máximas correm em paralelo com Provérbios 22,17–23,11 — a dependência literária foi demonstrada por Adolf Erman em 1924 [V — TheTorah.com, “Proverbs in Egyptian Scribal Style”, que resume a demonstração de Erman]. É o paralelo que contextualiza a literatura sapiencial em que Jó se inscreve [W]. Edição: J. B. Pritchard (ed.), Ancient Near Eastern Texts Relating to the Old Testament [W].
Qumran e a iconografia. 11Q10 (11Q tgJob), targum aramaico de Jó achado na caverna 11, em 1956: pergaminho, escrita quadrada, período herodiano, tipologia de “tradução da Escritura”, edição em DJD 23 (García Martínez, Tigchelaar e van der Woude, 1998, pp. 79–180) [V — Dead Sea Scrolls Digital Library, 11Q10]. Somam-se os fragmentos hebraicos 4QJob^a (4Q99), 4QJob^b (4Q100) e 2Q15 (2QJob), dos séculos II–I a.C. [V — Dead Sea Scrolls Digital Library, 4Q99]. E os motivos de serpentes e dragões combatidos por divindades, em selos sírios dos séculos XVIII–XVI a.C., mostram que o Leviatã de Jó 41 pertence a uma iconografia panoriental [V — verbete Lotan, com a referência aos selos sírios e ao Têmtum].

10. Filosofia — as perguntas que o texto levanta
Espinosa: o que a Escritura ensina e o que ela só acomoda. Baruch Espinosa, no Tractatus Theologico-Politicus (1670), usa Jó ao menos três vezes: cita Jó 27,3 e 34,14 para mostrar que “Espírito do Senhor” equivale a mente, sopro ou poder; observa que “os raciocínios pelos quais o Senhor manifestou o seu poder a Jó” foram “adaptados ao entendimento de Jó” e não são universais; e afirma que de Jó 38,28 se conclui que Deus ordenou à raça humana a lei de reverenciar Deus, sendo Jó, “embora gentio, de todos os homens o mais aceito a Deus” [V — Espinosa, 1670, caps. I–II, tradução inglesa do Projeto Gutenberg]. A consequência é dura: a Escritura não ensina filosofia, ensina obediência e piedade, com argumentos acomodados ao leitor [V]. A objeção clássica é que Espinosa reduz o conteúdo cognitivo da revelação [W].
Kant e o ensaio de 1791. Immanuel Kant publicou em setembro de 1791, na Berlinische Monatsschrift, “Über das Misslingen aller philosophischen Versuche in der Theodizee” — “Sobre o fracasso de todas as tentativas filosóficas de teodiceia” [V — tradução de G. di Giovanni; V — artigo publicado na Daimon (UCM), que situa o texto na revista de setembro de 1791]. A tese é que todas as teodiceias filosóficas fracassam, porque julgam os desígnios de Deus por um critério inaplicável pela razão humana àquele tribunal; a conclusão é que a teodiceia não é tarefa da doutrina, mas da autenticidade. É aí que Jó entra: Kant lê a personagem como o homem honesto cuja retidão consistiu em não dizer de Deus o que não pensava, opondo a franqueza de Jó à teologia bajuladora dos amigos [V — o ensaio trata do livro de Jó na seção final, conforme o artigo “Theodicy and Honesty” (Daimon, UCM), que resume a estrutura do texto e inclui o ponto “The book of Job”]. O dossiê retém a distinção kantiana entre a teodiceia doutrinal (que fracassa) e a autêntica (que é veracidade) [V].
O problema do mal na filosofia analítica. J. L. Mackie, “Evil and Omnipotence” (Mind 64, 1955), formulou o problema lógico: a coexistência de um Deus onipotente e sumamente bom com o mal é contraditória [V — Mind 64 (1955)]. William L. Rowe, “The Problem of Evil and Some Varieties of Atheism” (American Philosophical Quarterly 16, 1979), deslocou-o para a forma evidencial: o sofrimento intenso e aparentemente gratuito conta como evidência contra a existência de um Deus onipotente e bom — exposição na Internet Encyclopedia of Philosophy, que atribui a Rowe o desenvolvimento da versão evidencial [V — IEP, “Evidential Problem of Evil”]. Jó é o texto bíblico em que a forma evidencial é dramatizada antes de ser formulada: Jó apresenta o caso do justo que sofre, e a resposta divina não o refuta — responde com a grandeza [W]. ** René Girard, em La route antique des hommes pervers (1985; trad. inglesa Job: The Victim of His People, Stanford, 1987), lê o livro pelo mecanismo do bode expiatório: a comunidade em crise busca um culpado, e Jó — venerado, depois revilecido — é a vítima em torno da qual os “amigos” se reúnem; o livro seria excepcional porque a vítima é declarada inocente (42,7) [V — registro bibliográfico da obra]. A objeção é substancial: o livro é litígio judicial com teofania, não denúncia do mecanismo vitimário, e a leitura tende a reduzir a teologia ao social [W].
Mary Douglas: pó, cinza e desordem. Mary Douglas, em Purity and Danger (1966), formulou a tese de que a impureza é matéria fora de lugar [W]. O instrumental ilumina as margens do livro: a cinza em que Jó se senta (2,8) e sobre a qual responde (42,6) pertence ao luto e à mortalidade, não à culpa [W]. Declaração de lacuna: não localizei estudo de Mary Douglas dedicado ao livro de Jó — as suas obras bíblicas conferidas são Purity and Danger, Leviticus as Literature e Jacob’s Tears (2004) [V — verbete Mary Douglas, com a lista de obras]. A citação é do método antropológico [—].
Levinas, Ricoeur, Kierkegaard, Braiterman. Emmanuel Levinas responde a Job et l’excès du mal, de Philippe Nemo (1978), com o ensaio “Transcendência e mal” (1982): o sofrimento não é teodiceia, é excesso que não se deixa totalizar, e só a relação com o outro lhe dá sentido ético [V — Job and the Excess of Evil (Nemo), registro em Semantic Scholar; V — White, “Levinas, the Philosophy of Suffering, and the Ethics of Compassion”, que situa “Transcendence and Evil” como resenha crítica do livro de Nemo]. Paul Ricoeur, em “Evil, A Challenge to Philosophy and Theology” (1986), sustenta que o mal põe em xeque o projeto de coerência lógica da teodiceia e que o pensamento deve passar do conceito ao símbolo e ao lamento [V — Ricoeur, 1986, JSTOR 1464268; W — reconstrução do argumento]. Søren Kierkegaard volta a Jó em Repetition (1843), onde a restituição dobrada é lida como a categoria da repetição [W — atestado em comentário especializado]. Zachary Braiterman, em (God) After Auschwitz (1998), cunhou a antiteodiceia para a recusa pós-Shoah de justificar divinamente o sofrimento — a categoria em que Jó é relido como o protesto que não se converte em explicação [V — Braiterman, 1998, Project MUSE]. A “protesta” como categoria teológica (protest theodicy): o livro não resolve o problema do mal e não deve resolvê-lo, porque a exigência de solução já trai o sofredor [W]. Camus: não localizei fonte que sustente um tratamento central de Jó em Camus [—].
11. Teologia — os debates
Von Rad, Westermann e a forma. Gerhard von Rad, em Weisheit in Israel (1970), inscreveu Jó na crise da sabedoria israelita: a retribuição entra em colapso diante da experiência, e a resposta teológica está na teologia da criação e na liberdade de Deus [W]. Claus Westermann, em Der Aufbau des Buches Hiob (1956), fixou a análise da estrutura e a tese de que o livro é diálogo: o sentido está na arquitetura dos discursos, não numa doutrina extraída de versículos isolados [W]. As duas linhas convergem no ponto adotado pela exegese contemporânea: Jó não é um tratado sobre a retribuição, é a sua dissolução [W].
A piedade desinteressada: Gutiérrez. Gustavo Gutiérrez, On Job (1987), organiza o livro em torno de 1,9 — a piedade gratuita — e lê o conflito com os amigos como o da retribuição contra a gratuidade [V — Gutiérrez, 1987, Internet Archive]. A tese liga a gratuidade à opção pelos pobres: o sofredor inocente não é problema abstrato, é o camponês que sofre sem culpa [W]. Objeções: de dentro (instrumentalização sociológica) e de fora (a chave da gratuidade explicaria o prólogo melhor do que o poema) [W].
11.1. Comentaristas por esfera confessional
Esta subseção organiza os comentários a Jó por tradição de leitura, não por cronologia: o leitor procura por esfera. A regra de rotulagem é a do método desta camada — a perspectiva se declara, não se atribui; e o rótulo é metadado, não argumento (“é judeu” não refuta o que ele demonstra; “é católico” não refuta o que ela demonstra). Convenções: [V] conferido nesta sessão; [W] conhecido, não reconferido; [—] lacuna. Onde a datação ou a conservação do texto é incerta, isso é dito no lugar.
Judaica
- Rashi (Salomão ben Isaac, 1040–1105) comentou Jó inteiro; edição digital bilíngue na Sefaria, cujo comentário declara o propósito de fixar o peshat [V — Sefaria, Rashi on Job].
- Ramban (Nachmânides, 1194–1270) comentou Jó [V — Sefaria, Ramban on Job]; a tradição registra que o considerava figura histórica [W — Encyclopaedia Judaica, resumido em cojs.org].
- Ibn Ezra (1092–1167) comentou Jó, com edição na Sefaria e tradução crítica moderna de Jason Kalman (2024) [V — Sefaria, Ibn Ezra on Job; V — Open Library, OL42426995W]; o comentário é terso e filológico, e em 2,11 discute a atribuição da autoria a Moisés [V].
Católica ocidental (latina)
- Gregório Magno (c. 540–604), Moralia in Iob (Magna Moralia), escrita entre 578 e 595 — o grande comentário latino, que lê Jó nos sentidos literal, alegórico e moral e faz do sofredor tipo de Cristo e da alma provada [V — Moralia in Job, verbete com a datação]. Tradução brasileira integral em 8 volumes pela Sacro Elóquio [W — catálogo editorial].
- Tomás de Aquino (1225–1274), Expositio super Iob ad litteram (c. 1261–1265) — comentário literal, “obra de teologia bíblica filosoficamente informada” [V — Reading Job with St. Thomas Aquinas; V — tradução inglesa em isidore.co]. O contraste com Gregório é o do método: Aquino lê à letra [W].
- Nicolau de Lira (c. 1270–1349), Postilla litteralis — o literalismo que prepara a exegese reformada [W]. Cornélio a Lapide (1567–1637), Commentaria in omnes Sacrae Scripturae libros (1616–1642) — cobre todos os livros do cânon, Jó incluído; o volume de Jó não foi paginado nesta sessão [W].
Católica oriental e grega patrística
- Orígenes (c. 185–254): o interesse pelo livro é atestado, mas não se conservou comentário contínuo a Jó — o material chega por fragmentos; a leitura é alegórica [W].
- Hesíquio de Jerusalém (século V) — homilias sobre Jó e comentário transmitido em armênio [V — Catholic Encyclopedia, “Hesychius of Jerusalem”]. Olímpiodoro de Alexandria (século VI), Commentary on Job — o principal comentário grego conservado, na tradição alexandrina [V — Ancient Christian Commentary on Scripture: Job (IVP); V — Catena Bible, fragmentos atribuídos a Jó 4,17].
- João Crisóstomo não deixou comentário corrido a Jó; o material chega por homilias e catenae [W]. A distinção alexandrina (alegórica) contra antioquena (literal) explica por que a mesma passagem produz leituras incompatíveis [W].
Ortodoxa
A tradição ortodoxa lê Jó sobretudo por catena e pela liturgia do luto [W]. Alexander Lopukhin, Толковая Библия (1904–1913), tem seção sobre a Книга Иова [W], e a Orthodox Study Bible traz notas patrísticas com Jó [W]. Nada desta esfera foi conferido diretamente nesta sessão [—].
Protestante histórica
- João Calvino pregou 159 sermões sobre Jó, em dias de semana, nos anos 1554–1555 — o comentário reformado mais extenso sobre o livro, hoje em tradução inglesa em três volumes [V — Living Church, “John Calvin on Job: Sermons of a pastor”]. O tema central é a incompreensibilidade de Deus [V].
- Martinho Lutero não deixou comentário corrido a Jó; o material provém sobretudo das Tischreden, e não conferi edição crítica — deve ser citado como coletânea, não como comentário [W]. Matthew Henry, Exposition of the Old and New Testaments (1706–1710), tem seção de Jó [W].
Evangélica
Francis I. Andersen, Job (TOTC, 1976), com tradução PT na Série Cultura Bíblica [W]; John E. Hartley, The Book of Job (NICOT, 1988) [V — Open Library, OL4983389W]; Daniel J. Estes, Job (New American Commentary), com edição brasileira na Série Comentário Expositivo [W]; Claudionor de Andrade, Jó (CPAD) [W].
Não confessional, histórico-crítica e ateia
David J. A. Clines, Job 1–20 / 21–37 / 38–42 (WBC, 1989–2006) — o comentário técnico n.º 1 nas listas de ranqueamento [V — Open Library; V — bestcommentaries.com]; a leitura é crítico-literária, e descreve-se o método, não a crença do autor. Edward L. Greenstein, Job (Yale, 2020) [V]; Marvin H. Pope, Job (Anchor Bible 15, 1965) [V — Open Library]; Choon-Leong Seow (2013) [W]; Norman C. Habel (OTL, 1985) [W]; Carol A. Newsom (2003) [W]. Baruch Espinosa, Tractatus Theologico-Politicus (1670) — leitura racionalista que usa Jó como prova de que as Escrituras se acomodam ao entendimento dos interlocutores [V — Projeto Gutenberg]. Divulgação polêmica (ateísmo militante) não é crítica bíblica: separar as duas categorias [W].
Balanço de esferas (contagem declarada)
| Esfera | Nomes citados | Fonte primária? |
|---|---|---|
| Judaica | Rashi [V], Ramban [V], Ibn Ezra [V], Saadia [V], Maimônides [V] | sim (textos na Sefaria) |
| Católica ocidental | Gregório Magno [V], Tomás de Aquino [V], Nicolau de Lira [W], Cornélio a Lapide [W] | sim (Gregório, Aquino) |
| Católica oriental / grega | Hesíquio [V], Olímpiodoro [V], Orígenes [W], Crisóstomo [W] | parcial (catenas e repertórios) |
| Ortodoxa | Lopukhin [W], Orthodox Study Bible [W], catenae [W] | não (nada conferido nesta sessão) |
| Protestante histórica | Calvino [V], Lutero [W], Matthew Henry [W] | sim (Calvino) |
| Evangélica | Andersen [W], Hartley [V], Estes [W], Andrade [W] | parcial (Hartley) |
| Não confessional | Clines [V], Greenstein [V], Pope [V], Seow [W], Habel [W], Newsom [W], Espinosa [V] | sim (Clines, Greenstein, Pope, Espinosa) |
12. Ciência — o que as ciências dizem, e onde não têm competência
A regra desta seção: declarar os limites. A ciência não decide se Jó é revelado; decide se uma afirmação factual do texto é compatível com o observável — e, no caso de Jó, quase nada do texto é desse tipo.
Arqueologia do Levante no Ferro. A arqueologia documenta sociedades, sítios e cronologias, não personagens de um livro sapiencial. O debate metodológico da área é a cronologia do Ferro e o uso da Bíblia como fonte histórica, com Israel Finkelstein e William G. Dever nos dois polos [W]. Aplicado a Jó, o resultado é negativo e precisa ser dito assim: nenhum sítio foi identificado como a “terra de Uz”, nenhuma escavação localizou Jó, e não há como testar arqueologicamente a existência de um homem chamado Jó [W]. O cenário patriarcal do prólogo também não é datado por estratigrafia: a conclusão dominante é que o quadro do prólogo é literário [W].
Epigrafia. A epigrafia hebraica e semítica do Ferro e do período persa (selos, óstracos, inscrições, documentos aramaicos de Elefantina) documenta a escrita, a onomástica e a administração do mundo em que o livro foi composto [W]. Nenhuma dessas inscrições menciona Jó, Uz, Elifaz, Bildade, Zofar ou Eliú — e a ausência de atestação não é prova de inexistência [W].
Linguística: hapax, aramaismos e arabismos. Jó é um dos textos de maior densidade lexical excepcional da Bíblia hebraica: a Jewish Virtual Library registra 145 hapax legomena em Jó, dos quais 60 sem paralelo em qualquer outra literatura semítica conhecida — proporção que nenhum outro livro do cânon iguala [V — Jewish Virtual Library, “Hapax Legomena”, com a contagem de 145]. Somam-se os aramaismos e os candidatos a arabismos, vocábulos cujo sentido só se recupera por comparação com o árabe [W]. O que isso implica: (i) um hebraico tardio e letrado, mais próximo do pós-exílico que do hebraico do Ferro; (ii) familiaridade do autor com outras línguas semíticas — Greenstein escreve que o poeta “mostra familiaridade com várias línguas semíticas — fenício, árabe e até babilônio, além do aramaico” [V — Greenstein, 2020], o que empurra a composição para o período persa ou próximo dele [V]. O que isso não implica: vocabulário raro não data um texto por si — pode ser arcaísmo, empréstimo dialetal, criação poética ou corrupção textual. A datação linguística é contestada no método (Young, Rezetko e Ehrensvärd, 2008, sustentam que hebraico tardio e clássico coexistem e que não há curva evolutiva que permita datar textos isolados; Hurvitz sustenta que há) [W; V — Hurvitz, 1974]. A formulação honesta: a linguística de Jó diz algo sobre a datação provável e nada sobre uma data absoluta [W].
Os Rolos do Mar Morto. 11Q10 (11Q tgJob), o targum aramaico de Jó achado na caverna 11, em 1956, está em pergaminho, com escrita quadrada e período herodiano, e tem edição em DJD 23 (1998, pp. 79–180) [V — Dead Sea Scrolls Digital Library, 11Q10]; somam-se os fragmentos hebraicos 4QJob^a (4Q99), 4QJob^b (4Q100) e 2Q15 (2QJob), dos séculos II–I a.C. [V — Dead Sea Scrolls Digital Library, 4Q99]. A evidência estabelece a circulação do livro em hebraico e aramaico no Segundo Templo e a pluralidade de formas textuais, e não a data de composição [W].
Onde a ciência NÃO tem competência
- A ciência não decide se Javé falou do redemoinho (38–41), se ha-satan é um ser, nem se a aposta do prólogo ocorreu: a ausência de competência não é refutação nem prova [W].
- A arqueologia não decide a historicidade de Jó; a epigrafia não o menciona; a genética não tem objeto — não há esqueleto nomeado, e não localizei estudo de ADN antigo relevante [—].
- A linguística não produz data absoluta, apenas estimativas relativas disputadas [W].
- A medicina não diagnostica a doença de Jó: as descrições de 2,7–8, 7,5 e 30,27 foram lidas como elefantíase, psoríase, escorbuto ou parasitose, e nenhuma leitura clínica retroprojeta é conclusiva [W] — o texto é literatura de sofrimento, não prontuário.
- E a ciência não responde à pergunta que o livro não responde — por que sofre o justo —, porque essa pergunta, em Jó, não é formulada como questão empírica [W].

13. Lacunas e Correções de Atribuição
- [—] Datação: este dossiê não afirma data única. A moldura em prosa é pós-exílica pelo argumento de Hurvitz (1974) [V]; o corpo poético é quase certamente persa para Greenstein (2020) [V]; a faixa sustentável vai do século VII ao IV a.C. [W]. “O livro mais antigo da Bíblia” é leitura tradicional, não resultado [W].
- [—] “Terra de Uz”: nenhuma identificação segura localizada. Não afirme Haurã, Edom ou Uz sírio como estabelecidos [—].
- [W] Autoria e o Talmud: Bava Batra 14b–15a discute a autoria (Moisés entre os candidatos) e a historicidade de Jó; a atribuição mosaica é tradição rabínica [W].
- [V] ha-satan: é “o Adversário”, com artigo definido — não o Satã do Novo Testamento. Ler o prólogo com a demonologia dos Evangelhos é atribuir ao texto mais do que ele diz [W].
- [W] Behemoth e Leviatã: a identificação com hipopótamo e crocodilo é leitura clássica e não refutada pelo texto; a leitura mitológica (Leviatã como Lotan de Ugarit) tem base epigráfica e iconográfica [V — verbete Lotan]. Apresentar qualquer das duas como definitiva é erro [W].
- [—] Jó 42,6: não escolho entre “arrependo”, “consolo” e “retrato” sem fonte, e não conferi a Septuaginta nem a Vulgata em edição crítica [V — Asbury Journal; W — as traduções].
- [W] Eliú (32–37): a tese do acréscimo e a da autenticidade têm bibliografia dos dois lados; o dossiê não decide [V — Bibliotheca Sacra 156 (1999); V — Tyndale Bulletin].
- [—] Mary Douglas e Jó: não localizei estudo dela dedicado ao livro; a citação é do método de Purity and Danger [V — lista de obras; —].
- [—] Camus e Jó: não localizei fonte que sustente um tratamento central de Jó em Camus [—].
- [W] Comentários PT não reconferidos em catálogo primário: Pinçon (Loyola, 2023), o Comentário ao Livro de Jó da Ecclesiae (autor não identificado no registro), os volumes da Moralia da Sacro Elóquio e as edições brasileiras de Andersen e Estes foram registrados por catálogo editorial e comercial. A validação do ISBN de Pinçon na Open Library retornou vazio nesta sessão, o que não prova que esteja errado [W].
Bibliografia-âncora verificada
- Edward L. Greenstein, Job (Yale University Press, 2020). [V] https://yalebooks.yale.edu/2020/08/05/the-historical-context-of-the-book-of-job/.
- Avi Hurvitz, “The Date of the Prose-Tale of Job Linguistically Reconsidered”, HTR 67 (1974), 17–34. [V] https://www.jstor.org/stable/1509264.
- David J. A. Clines, Job 1–20 (WBC 17; 1989). [V] https://openlibrary.org/isbn/9780849902161; ranqueamento: https://bestcommentaries.com/job/.
- John E. Hartley, The Book of Job (NICOT; 1988). [V] https://openlibrary.org/works/OL4983389W.
- Marvin H. Pope, Job (Anchor Bible 15; 1965). [V] https://openlibrary.org/works/OL43105006W.
- Gregório Magno, Moralia in Iob (578–595). [V] https://en.wikipedia.org/wiki/Moralia_in_Job; edição latina: https://openlibrary.org/books/OL13949439M; tradução brasileira: https://ecclesiae.com.br/colecao-moralia-in-iob-comentario-literal-ao-livro-de-jo-vol-1.
- Tomás de Aquino, Expositio super Iob ad litteram (c. 1261–1265). [V] https://isidore.co/aquinas/SSJob.htm.
- João Calvino, 159 sermões sobre Jó, 1554–1555. [V] https://livingchurch.org/covenant/john-calvin-on-job-sermons-of-a-pastor/.
- Rashi, Ramban e Ibn Ezra, comentários a Jó. [V] https://www.sefaria.org/Rashi_on_Job, https://www.sefaria.org/Ramban_on_Job, https://www.sefaria.org/Ibn_Ezra_on_Job.
- Saadia Gaon, The Book of Theodicy (Yale Judaica Series, 1988). [V] https://openlibrary.org/works/OL1578738W.
- Maimônides, Guia dos Perplexos III:22–23. [V] https://www.sefaria.org/Guide_for_the_Perplexed,_Part_3.23.1.
- Espinosa, Tractatus Theologico-Politicus (1670). [V] https://www.gutenberg.org/files/989/989-h/989-h.htm.
- Kant, “Über das Misslingen aller philosophischen Versuche in der Theodizee” (1791). [V] tradução: https://cas.uchicago.edu/workshops/germanphilosophy/files/2013/02/; estudo: https://revistas.ucm.es/index.php/KANT/en/article/view/105858.
- Leibniz, Essais de Théodicée (1710). [V] https://en.wikipedia.org/wiki/Th%C3%A9odic%C3%A9e.
- J. L. Mackie, “Evil and Omnipotence”, Mind 64 (1955). [V] https://jwood.faculty.unlv.edu/unlv/Articles/evilomnipotence.pdf. Rowe (1979) na IEP: [V] https://iep.utm.edu/evil-evi/.
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- Nemo, Job et l’excès du mal (1978), e Levinas, “Transcendência e mal” (1982). [V] https://www.semanticscholar.org/paper/Job-and-the-Excess-of-Evil-Nemo-L%C3%A9vinas/6b1c49ac4527f8277d7ee0fb82abfc65ee125.
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- O camponês eloqüente (Parkinson, 1991). [V] https://en.wikipedia.org/wiki/The_Eloquent_Peasant; A disputa entre um homem e o seu Ba: https://en.wikipedia.org/wiki/Dispute_Between_a_Man_and_His_Ba.
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- 11Q10 (11Q tgJob) e 4QJob^a (4Q99). [V] https://www.deadseascrolls.org.il/explore-the-archive/manuscript/11Q10-1 e https://www.deadseascrolls.org.il/explore-the-archive/manuscript/4Q99-1.
- Hapax legomena em Jó (145; 60 sem paralelo). [V] https://jewishvirtuallibrary.org/hapax-legomena. Lotan: [V] https://en.wikipedia.org/wiki/Lotan.
- William Blake, Illustrations of the Book of Job (1826). [V] https://blakearchive.org/work/bb421.
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- Shulchan Arukh, Orach Chayim 554:1–4. [V] https://www.sefaria.org/Shulchan_Arukh%2C_Orach_Chayim.554.1-4; Orthodox Union: https://www.ou.org/holidays/the_story_of_the_churban_the_destruction/.
- Hesíquio de Jerusalém e o comentário grego a Jó. [V] https://www.newadvent.org/cathen/07303b.htm; https://www.ivpress.com/job-ebook.
- TEB (Loyola; ISBN 9788515030163). [V] https://www.loyola.com.br/produto/biblia-teb-nova-edicao-2392; Bíblia de Jerusalém: [V] https://pt.wikipedia.org/wiki/B%C3%ADblia_de_Jerusal%C3%A9m.
- B. Pinçon, O livro de Jó (Loyola, 2023). [W] https://airtonjo.com/blog1/2023/06/o-livro-de-jo.html.
- Larry J. Waters, “The Authenticity of the Elihu Speeches” (Bibliotheca Sacra 156, 1999). [V] https://www.galaxie.com/article/bsac156-621-03.
- “Yet Another Try on Job 42:6” (Asbury Journal). [V] https://place.asburyseminary.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=2406&context=asburyjournal.
- “Why Michael Heiser is Probably Wrong about Satan in the Book of Job”. [V] https://www.biola.edu/blogs/good-book-blog/2021/why-michael-heiser-is-probably-wrong-about-satan-in-the-book-of-job.
Como conseguir estas obras
A bibliografia de um site didático não é a de uma tese: cita o que importa e o leitor consegue alcançar. O selo diz por onde — e a tabela está ordenada por acessibilidade, do que se lê hoje ao que só se compra.
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| Obra | Acesso | Onde |
|---|---|---|
| Targum de Jó de Qumran, 11Q10 | livre | deadseascrolls.org.il |
| 4QJob^a (4Q99), fragmentos hebraicos | livre | deadseascrolls.org.il |
| Rashi, Ramban e Ibn Ezra, comentários a Jó (Sefaria) | livre | sefaria.org |
| Maimônides, Guia dos Perplexos III:22–23 (Sefaria) | livre | sefaria.org |
| Shulchan Arukh, Orach Chayim 554:1–4 (Sefaria) | livre | sefaria.org |
| Espinosa, Tractatus Theologico-Politicus (1670) | livre | gutenberg.org |
| Kant, Sobre o fracasso de toda teodiceia (1791) — tradução | livre | cas.uchicago.edu |
| Mackie, “Evil and Omnipotence” (Mind, 1955) | livre | unlv.edu |
| Rowe e o problema evidencial do mal (IEP) | livre | iep.utm.edu |
| Teodiceia babilônica e Diálogo do Pessimista (edições digitais) | livre | ebl.lmu.de |
| “Um homem e o seu deus” (ETCSL, Oxford) | livre | etcsl.orinst.ox.ac.uk |
| Blake, Illustrations of the Book of Job (1826) | livre | blakearchive.org |
| Hapax legomena em Jó (Jewish Virtual Library) | livre | jewishvirtuallibrary.org |
| Gutiérrez, On Job (Orbis, 1987) | empréstimo | Internet Archive |
| Hurvitz, “The Date of the Prose-Tale of Job” (HTR 67, 1974) | empréstimo | JSTOR |
| Clines, Job 1–20 (WBC 17; 1989) | empréstimo | Open Library |
| Hartley, The Book of Job (NICOT, 1988) | empréstimo | Open Library |
| TEB — Tradução Ecumênica da Bíblia (Loyola) | compra | loyola.com.br |
| Bíblia de Jerusalém (Paulus) | compra | paulus.com.br |
| Gregório Magno, Moralia in Iob em português (Sacro Elóquio) | compra | ecclesiae.com.br |
| Greenstein, Job (Yale, 2020) | biblioteca | Yale University Press |
| Pope, Job (Anchor Bible 15; 1965) | biblioteca | WorldCat |
| Aquino, Expositio super Iob (século XIII) | biblioteca | isidore.co |
Selo [esgotado] não aparece aqui: quando a obra não é alcançável de nenhuma forma, o texto aponta o substituto acessível ao lado dela.