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Antiguidade Bíblica

Deuteronômio (Devarim) — Artigo Enciclopédico

Versão curtaQuem escreveu o Deuteronômio?

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Você não precisa ler tudo. Escolha um degrau — cada um é um estado final satisfatório, não um fragmento de curso. A ordem abaixo não é a ordem das seções: o texto vem antes do comentário, de propósito.

Você vai precisar saber antes: o que é a hipótese documentária

  1. 00

    A porta5–10 min

    A pergunta e a resposta rápida, sem rodeio. Ao fim você tem uma resposta utilizável e o mapa do que existe.

  2. 01

    Ler o texto15–30 min

    A passagem inteira, em duas traduções de tradições diferentes, sem comentário. Comparar as duas é o exercício que mais rende: mostra onde o original é ambíguo.

  3. 02

    O contexto20–40 min

    O mundo em que o texto surgiu: geografia, arqueologia, paralelos do Antigo Oriente Próximo.

    §2 §9

  4. 03

    O debate30–60 min

    As posições em disputa, com quem as sustenta, onde publicou e qual é a réplica.

    §4 §10

  5. 04

    A recepção30–60 min

    O que se fez do texto: Padres, medievo, tradições confessionais.

    §6 §11

  6. 05

    As quatro camadas40–90 min

    Comparação com a mitologia, as perguntas filosóficas, os debates teológicos e o que a ciência diz — e onde não tem competência.

    §9 §10 §11 §12

  7. 06

    O dossiê integral1,5–3 h

    Tudo, na ordem, mais bibliografia com selo de acesso e as lacunas assumidas.

Outras portas de entrada
  • Quero só a resposta. Pare no degrau 0 — ele é completo em si.
  • Quero conferir se é verdade. Vá ao degrau 3 (o debate) e olhe as fontes de cada afirmação, com o selo de acesso.
  • Quero ler o texto com calma. Degrau 1, com o glossário ao lado.
  • Vim da fé e quero entender. Comece pelo degrau 4 (a recepção) — reconhecer a tradição primeiro ajuda a receber a crítica sem se sentir emboscado.
  • Vim do ceticismo. Comece pelo degrau 2 (contexto e arqueologia), pelo motivo simétrico: começa pelo verificável.
Como saber se você entendeu

Ao fim de cada degrau, tente responder às três. Se as três não saem, o degrau seguinte vai confundir — volte um.

  1. Compreensão. Consigo dizer o que o texto diz, com minhas palavras?
  2. Análise. Consigo dizer qual problema este texto levanta, e por quê?
  3. Debate. Consigo dizer quem discorda de quem, e sobre o quê?

Artigo retroverificado: toda afirmação factual leva citação inline (Autor, Ano) + marcador — [V] verificado em fonte primária ou catálogo autorizado · [W] provável, citado em contexto enciclopédico · [—] lacuna. Não se citam páginas não vistas. Protocolo: skill pesquisador-bibliografico v5.x.

1. Lead e Ficha

O Deuteronômio (hebr. דְּבָרִים, Devarim, “palavras [ditas por Moisés]”, de Dt 1,1; gr. LXX Δευτερονόμιον, “segunda lei”, eco etimológico de Dt 17,18) é o quinto e último livro da Torá/Pentateuco; na Bíblia cristã precede imediatamente Josué, primeiro dos livros históricos (en.wiki [W]; pt.wiki [W]; Sefaria [W]). Os capítulos 1–30 contêm três sermões ou discursos de Moisés nas planícies de Moab, antes da entrada na Terra Prometida; os capítulos finais (31–34) narram a comissionação de Josué, o Cântico e a Bênção de Moisés e a morte deste no monte Nebo (en.wiki [W]; pt.wiki [W]). O livro abre com o narrador já a leste do Jordão, contemplando Jericó desde Moab (Dt 1,1.5; 34,1), e foi concebido como testamento de Moisés: a obediência à Torá condiciona a permanência na terra (teológica-latinoamericana [W]).

Ficha técnica (texto hebraico massorético): nome hebraico Devarim, “palavras” [W]; nome grego Deuteronomion, “segunda lei” [W]; posição: 5.º do Pentateuco [W]; 34 capítulos, 955 versículos, 14.294 palavras, 54.892 letras [V — aish.com, tabelas massoréticas]; estrutura dominante: 3 discursos + apêndices 31–34 [W]; núcleo legal: Código Deuteronômico 12–26 [W].

2. CONTEXTO E AUTORIA: o “livro da lei” e a escola deuteronomista

O achado de Josias. Segundo 2 Rs 22,1–23,30, no ano 18 de Josias (c. 622 a.C.), o sumo sacerdote Hilquias encontrou no Templo um “livro da lei” (2 Rs 22,8.11; cf. “livro da aliança”, 2 Rs 23,2.21), entregado ao escriba Safán, lido em público e base de uma reforma que suprimiu santuários locais e centralizou o culto em Jerusalém (2 Rs 23,4–24.25) (pt.wiki [W]; SOTS [W]). A maioria dos especialistas identifica esse livro com o núcleo do Deuteronômio, o Código 12–26 (en.wiki [W]; SOTS [W]; Britannica [W]).

De Wette 1805. W. M. L. de Wette estabeleceu em 1805 a posição moderna predominante: o Deuteronômio (ou seu núcleo) não foi redescoberto, e sim escrito para ser encontrado, composto em Jerusalém no s. VII a.C. no contexto das reformas de Ezequias e Josias (Britannica [V]; SOTS [W]; bible.org [W]). A cronologia alternativa o retarda até Manassés, o exílio ou a época pós-exílica (597–332 a.C.) (en.wiki [W]); a exegese católica lusófona situa a forma final do livro no s. V a.C. (teológica-latinoamericana [W]). Alguns exegetas advertem, contudo, que nem 2 Reis nem 2 Crônicas provam que o rolo tenha sido composto como peça de um movimento de reforma (Selman, apud Guzik [W]).

Composição escalonada. Os caps. 12–26 são a seção mais antiga; os prólogos (5–11; 1–4), a ampliação dos caps. 19–25 e os caps. 31–34 como novo final foram acrescentados ao longo do exílio e do retorno persa, quando Dt se tornou o livro introdutório da história deuteronomista (en.wiki [W]). Refugiados do reino do norte (Israel, destruído c. 722 a.C.) teriam trazido ao sul a tradição do “só Javé”; o contraste entre Isaías (Jerusalém, sem alusão ao Êxodo) e Oseias (norte, com alusões frequentes) sustenta a origem setentrional dessas tradições (en.wiki [W]; pt.wiki [W]).

Noth 1943 e a História Deuteronomista (DtrH). Martin Noth, em Überlieferungsgeschichtliche Studien (Halle: M. Niemeyer, 1943) [V — OL OL19814792M; Internet Archive], propôs que Deuteronômio–Josué–Juízes–1-2 Samuel–1-2 Reis formam uma obra historiográfica unitária e anônima, a história deuteronomista (DtrH), redigida no exílio e teologicamente determinada pelo juízo sobre a infidelidade de Israel; é hoje a explicação mais aceita para a posição do livro (en.wiki [W]; trad. ingl. The Deuteronomistic History, Sheffield: JSOT Press, 1981 [V — OL OL28380862M]).

Von Rad 1938/1953. Gerhard von Rad, em Das formgeschichtliche Problem des Hexateuch (Stuttgart: Kohlhammer, 1938, BWANT 78) [V — IxTheo; Notre Dame; TLZ 1939], localizou em Dt 26,5–9 o “pequeno credo histórico”, recitação cultual dos dados da Landnahme na festa das Semanas (Gilgal), distinta da tradição do Sinai (festa do outono, Siquém); o Hexateuco seria confissão de fé ampliada (teologie-online [W]). Em Studies in Deuteronomy (Londres: SCM, 1953) [V — OL OL1179457W] e no comentário Deuteronomy (OTL, 1966) [V — OL OL272164W], von Rad leu o livro como pregação levítica (“Levitenpredigt”); a comparação com os tratados hititas de vassalagem (forma de aliança) é debatida: Dt ultrapassa o modelo de tratado secular (en.wiki [W]; Kline 1963 [V]).

Weinfeld e os tratados assírios. Moshe Weinfeld, em Deuteronomy and the Deuteronomic School (Oxford: Clarendon, 1972) [V — OL OL3744015W], rejeitou a ideia de pregadores itinerantes e delineou uma escola escribal laica e cortesã; apontou afinidades substantivas entre as bênçãos/maldições do livro e os tratados de vassalagem de Esarhaddon (VTE), propondo que uma fase importante da compilação coincide — e é parcialmente idêntica — com a reforma de Josias (en.wiki [W]; Weinfeld, “Deuteronomy’s Theological Revolution”, apud BAS [W]). Traduziu e comentou a primeira parte do livro em Deuteronomy 1–11: A New Translation with Introduction and Commentary (Anchor Bible 5; Doubleday, 1991; reimpr. Yale UP, 1995/2008) [V — Yale UP + Google Books; ISBN 0385175930].

“Cancelamentos”: dois sentidos. (a) Cancelamento do culto local: Dt 12 exige um único lugar de culto, “o lugar que Javé escolher” (Dt 12,5), abolindo de fato os santuários das bamot — programa narrado em 2 Rs 23,4–5 (en.wiki [W]; Weinfeld/BAS [W]). (b) Cancelamento da legislação anterior: Bernard M. Levinson, em Deuteronomy and the Hermeneutics of Legal Innovation (OUP, 1997) [V — OL OL3349578W], mostrou que Dt revoga e substitui leis anteriores do Código da Aliança (Êx 21–23), apresentando-as como revelação mosaica original: inovação legal disfarçada de tradição (Levinson 1997 [V]). Meredith G. Kline, Treaty of the Great King (Eerdmans, 1963) [V — OL OL6942220W], defendeu, por sua vez, a estrutura de tratado de soberania (ver nota “Cline” em §9).

Estado da questão. A datação oscila entre (i) pré-exílico tardio (Ezequias 716–687 a.C. ou Josias 622), (ii) exílico (DtrH de Noth) e (iii) pós-exílico (s. V), com o núcleo 12–26 consensualmente no s. VII e ampliações exílicas/pós-exílicas (1–4; 29–30; 31–34) (en.wiki [W]; pt.wiki [W]). Autoria mosaica: defendida pela tradição judaica (Maimônides, 8.º princípio de fé) e rejeitada por quase toda a crítica moderna (en.wiki [W]).

3. ESTRUTURA (34 capítulos)

  • Discurso I (Dt 1,1–4,43): “estas são as palavras” — recapitulação do deserto (Horebe→Cades→Moab), exortação à Lei (pt.wiki [W]; teológica-latinoamericana [W]).
  • Discurso II (Dt 4,44–28,68): “esta é a Torá” — reescritura do Sinai/Horebe, Decálogo (Dt 5) e exposição ampliada (Dt 12–26) (pt.wiki [W]; en.wiki [W]).
  • Discurso III (Dt 29,2–30,20): “estas são as palavras da aliança” — aliança renovada em Moab, bênção/maldição (pt.wiki [W]).
  • Apêndices (Dt 31–34): Josué sucede a Moisés; entrega da Torá aos levitas; Cântico (32) e Bênção (33) de Moisés, originalmente independentes; morte de Moisés e sepultura divina (34) (pt.wiki [W]; en.wiki [W]).

O Código Deuteronômico (12–26), o núcleo mais antigo, legisla religião (12–16a), líderes (16b–18), regras sociais (19–25) e confissão de identidade (26); o Decálogo (5) funciona como “planta” do resto do livro, que é sua exposição (en.wiki [W]; pt.wiki [W]). Os caps. 27–28 contêm as cerimônias de bênçãos e maldições (Ebal/Gerizim) e o catálogo dos “malditos” que violam o pacto (pt.wiki [W]).

4. CONTEÚDOS-CHAVE COM DEBATE

4.1 Shemá (Dt 6,4–9) — monoteísmo. “Ouve, Israel: o Senhor nosso Deus é o único Senhor” (Dt 6,4) e o consequente “amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todas as tuas forças” (Dt 6,5) são a declaração definitiva da identidade judaica teísta (pt.wiki [W]; en.wiki [W]). Debate: a camada mais antiga é monólatra (culto só a Javé em Jerusalém, sem negar outros deuses); as camadas exílicas — sobretudo o cap. 4 — chegam ao monoteísmo (existe um só deus), com a “teologia do nome”: Javé simultaneamente no Templo e no céu (en.wiki [W]).

4.2 Centralização do culto (Dt 12). Dt 12 exige destruir os lugares de culto locais e sacrificar apenas no santuário único “que Javé escolher” (Dt 12,5) — tese teológica e econômica do movimento deuteronomista (en.wiki [W]; Weinfeld, BAS [W]). Debate arqueológico: a destruição generalizada das bamot em Judá não está confirmada pelo registro escavado — leitura mínima vs maximalista (cf. Finkelstein & Silberman 2001; debate [W]).

4.3 Amor a Deus e ao próximo. Dt 6,5 faz do amor a Javé o princípio central da religião (repetido em Dt 10,12; 11,1): responder ao amor divino com fidelidade e cumprimento dos preceitos (en.wiki [W]). O “amor ao próximo” como mandamento explícito pertence a Lv 19,18; o “Grande Mandamento” de Jesus (Mc 12,28–31; Mt 22,37–38) cita Dt 6,5 (en.wiki [W]; biblehub [V]); o duplo preceito amor-a-Deus/amor-ao-próximo aparece na tradição sinóptica (Lc 10,27) [V — biblehub] (cf. Hillel [W]). Retroverificação: em Lc 10,27 Jesus cita Lv 19,18, não Dt [W].

4.4 Guerra santa (Dt 20). Dt 20 regula a guerra: isenções (20,5–8), oferta de paz à cidade longínqua com tributo (20,10–15), herem para quem a recusar (20,16–17) e proibição de cortar árvores frutíferas (20,19–20) — a guerra como mandato de Javé. O debate sobre a “guerra santa” como instituição deuteronomista procede da tese de von Rad (Der Heilige Krieg im alten Israel, 1951 [W]), reinterpretada por Weinfeld (1972 [V]) como traço literário-teológico; a verificação arqueológica das destruições do s. VII é limitada (debate [W]).

4.5 Divórcio (Dt 24). Dt 24,1–4 contém a única norma pentateucal sobre o certificado de divórcio (sefer keritut): o homem que, casado com uma mulher que ama, “a odiar” (24,1–3), deve entregar-lhe o documento de separação para que ela possa casar-se de novo; o recém-casado fica isento do serviço militar por um ano (24,5). A perícope mostra o interesse deuteronomista em regular a mulher como pessoa jurídica dentro do marco patriarcal (texto [W]; comentário [—]).

4.6 Morte de Moisés (Dt 34) — quem escreveu? O cap. 34 narra a subida ao Nebo/Pisga, a visão de toda a terra (34,1–4) e a morte de Moisés em Moab, com o povo que chora o “líder incomparável” (34,10–12: “nunca mais se levantou em Israel profeta como Moisés”) (Sefaria [W]; pt.wiki [W]). (a) A tradição judaica atribui o final a Josué, o sucessor; (b) a crítica moderna sustenta que a morte de Moisés era originalmente o final de Números, transferido para cá quando Dt se tornou introdução à DtrH (en.wiki [W]); (c) 34,10–12 funciona como selo de autoridade da teologia deuteronomista (pt.wiki [W]).

A morte de Moisés no monte Nebo
A morte de Moisés no monte Nebo · Dt 34,1-8Gravura holandesa de c. 1582-1583, conservada no Rijksmuseum: Moisés morre no alto do monte Nebo depois de ver a terra que não atravessará (Dt 34,1-5). A cena é o desfecho de Deuteronômio e o lugar onde o dossiê discute o que o livro faz com seu protagonista — o mediador que fala com Deus face a face e, no fim, não entra na terra.Rijksmuseum · between 1582 and 1583 · gravura (buril) · Rijksmuseum, Amsterdã (RP-P-1966-41)Fonte: Wikimedia Commons · Licença: CC0

5. TEMAS

  • Aliança renovada: em Moab renova-se o pacto do Horebe; a fidelidade é expressão da relação de aliança, não obediência imposta (en.wiki [W]; Dillard & Longman, apud en.wiki [W]).
  • Centralização e unidade do culto: um só Deus, um santuário, uma lei — programa da reforma de Josias (teológica-latinoamericana [W]).
  • Monoteísmo: da monolatria (s. VII) ao monoteísmo exílico do cap. 4 (en.wiki [W]).
  • Terra como dom/posse: em 131 das 167 vezes em que o verbo “dar” aparece em Dt, o sujeito é Javé (Dillard & Longman, apud en.wiki [W]); a posse depende da obediência (pt.wiki [W]).
  • Obediência–bênção / desobediência–maldição: esquema central de 27–28 e 29–30; perda da terra por infidelidade e restauração pelo arrependimento (en.wiki [W]; pt.wiki [W]).

6. RECEPÇÃO

Judaísmo. O Shemá, credo fundamental, recita-se duas vezes ao dia como mitzvah, estendendo-se a Dt 6,5–9 (en.wiki [W]). As parashot do ciclo anual — Devarim (1–3), Va’etchanan (3–7), Eikev (7–11), Re’eh (11–16), Shofetim (16–21), Ki Teitzei (21–25), Ki Tavo (26–29), Nitzavim (29–30), Vayelech (31), Haazinu (32), V’Zot HaBerachah (33–34) — cobrem todo o livro (pt.wiki [W]; en.wiki [W]). Dt 6,8–9, que manda “atá-los-eis como sinal em vossa mão… escrevê-los-eis nos umbrais de vossa casa”, fundamenta tefilin e mezuzá com o Shemá (en.wiki [W]). Evidência litúrgica antiga: o Papiro Nash (Cambridge, c. 150–100 a.C.), com o Decálogo e o início do Shemá (Dt 6,4–5), foi o texto bíblico hebraico mais antigo conhecido antes de Qumran (en.wiki [V]; Cambridge Divinity [V]). A leitura pública septenal de Dt 31,10–13 institucionaliza-se na festa de Sucot (debate [W]).

Cristianismo. Jesus inicia a resposta ao escriba citando o Shemá (Mc 12,29) e o amor ao Senhor (Mc 12,30; Mt 22,37 = Dt 6,4–5) (biblehub [V]; pt.wiki [W]). Na tentação, cita a Septuaginta: “adorarás o Senhor teu Deus e só a ele servirás” (Lc 4,8, de LXX Dt 6,13) (biblehub [V]). Nota retroverificada: a citação “Mt 4” do encargo não se verifica — em Mt 4 não há citação de Dt; a citação homóloga da tentação está em Lc 4,8 (ver §9). A Igreja primitiva leu Jesus como “um profeta como eu” anunciado em Dt 18,15 (At 3,22–23) [W]; Paulo, numa leitura comum, considera superada a aliança mosaica, relendo Dt 30,11–14 (en.wiki [W]). Dt está entre os três livros do AT mais citados no NT (com Salmos e Isaías) (Leon Levy DSS Digital Library [W]).

Qumran. Deuteronômio é o segundo livro mais atestado: 29 cópias, atrás de Salmos (36) e à frente de Isaías (21) (Leon Levy DSS Digital Library [W]; “Deuteronomy in the Dead Sea Scrolls” [W]); documentam-se tefilin e mezuzot de Qumran com o Shemá (preprint acadêmico [W]) e variantes 4QDeut relevantes para a história textual (cf. listas de E. Tov [W]). O Papiro Rylands 458 (Manchester), rolo de Dt 23–28 em grego, de meados do s. II a.C., é o manuscrito da LXX mais antigo conhecido (en.wiki [V]).

Rolo da Torá do museu de Casale Monferrato
Rolo da Torá do museu de Casale Monferrato · Dt 6,4-9Rolo da Torá dos séculos XVII-XVIII, em pergaminho, exposto no museu da sinagoga de Casale Monferrato, na Itália. O dossiê usa o objeto ao tratar do Shemá (Dt 6,4-9): é nos rolos da liturgia que a confissão de fé de Deuteronômio continua sendo lida e ensinada, e o objeto mostra que a ordem de escrever a palavra nas portas da casa tem história material.FLLL · 2011-12-21 · rolo de pergaminho manuscrito (séc. XVII-XVIII) · Museu da Sinagoga de Casale Monferrato, Itália; fotografia de FLLL, CC BY-SA 3.0Fonte: Wikimedia Commons · Licença: CC BY-SA 3.0

7. TRADUÇÕES PT E COMENTÁRIOS PT

Bíblias PT-BR/PT-PT (Dt circula dentro da Bíblia completa; não há edição crítica separada comum [—]):

  • Almeida: tradição de João Ferreira de Almeida (NT 1681; Bíblia completa 1753); revisões ARC, ARA (SBB) e ACF (SBTB, 2012) [W — blog Traduções da Bíblia; codificação ONIX].
  • Bíblia de Jerusalém: edição brasileira 1981 (Paulinas), revista e ampliada 2002 (Paulus), da Bible de Jérusalem (École Biblique); usa “Iahweh” para o tetragrama [V — pt.wiki; Paulus].
  • TEB — Tradução Ecumênica da Bíblia: tradução brasileira da TOB francesa (segundo a 12.ª ed., 2010), São Paulo: Edições Loyola, 1994 (nova edição 2010; ISBN 9788515030163) [V — loyola.com.br; blog [W]].

Comentários PT verificados (paginação não vista):

  • García López, F. G., O Deuteronômio: Uma Lei Pregada (Cadernos Bíblicos 53), São Paulo: Paulinas, 1992 [W] — trad. do espanhol El Deuteronomio. Una ley predicada.
  • Storniolo, I., Como Ler o Livro de Deuteronômio: Escolher a vida ou a morte (Como Ler a Bíblia), Paulinas, 1992 [W].
  • Thompson, J. A., Deuteronômio: Introdução e Comentário (Cultura Bíblica; Tyndale), São Paulo: Vida Nova/Mundo Cristão, 1991 [W].
Mosaicos da basílica do monte Nebo
Mosaicos da basílica do monte Nebo · Dt 34,1-6 (recepção)Mosaicos do século VI da basílica do Memorial de Moisés, no monte Nebo, na Jordânia, onde a tradição situa a morte de Moisés. O dossiê usa a imagem na seção de recepção porque documenta como o lugar de Dt 34 foi marcado, construído e percorrido na Antiguidade tardia: o texto virou topografia.Osama Shukir Muhammed Amin FRCP(Glasg) · 2019-01-18 14:42:46 · mosaico (século VI) · Basílica do Memorial de Moisés, monte Nebo, Jordânia; fotografia de Osama Shukir Muhammed Amin, CC BY-SA 4.0Fonte: Wikimedia Commons · Licença: CC BY-SA 4.0

Obras-âncora em tradução PT: Noth (História Deuteronomista): tradução completa PT não localizada; há versão espanhola parcial não verificada [—]. Von Rad: sem traduções PT confirmadas [—]. Mayes (Deuteronomy, NCB 1979/1981 [V — OL]; The Story of Israel Between Settlement and Exile, SCM 1983 [V — OL]): sem tradução PT [—]. Weinfeld 1972 e Levinson 1997: sem tradução PT [—]. Finkelstein & Silberman, The Bible Unearthed (2001): espanhol La Biblia desenterrada (Siglo XXI, 2003) [V — OL]; PT-BR A Bíblia não tinha razão (São Paulo: A Girafa, 2003) [W — bibliogr. Conroy; discrepante com “A Bíblia desenterrada”, citado por A. J. da Silva [—]].

8. AUDIOVISUAL PT-BR (E ES COM CIRCULAÇÃO LUSÓFONA)

  • YouTube PT: “Josias: o rei que achou a Bíblia perdida dentro do templo” — videocomentário sobre 2 Rs 22 [W].
  • YouTube ES: “El Deuteronomio y la reforma de Josías” (Luli Hernández) — o achado do Código Deuteronômico e seu impacto em Judá [W].
  • PBS/NOVA, The Bible’s Buried Secrets (2008): ampla seção sobre o achado do “livro da lei”, Josias e de Wette; disponibilidade PT (dublagem/legendas) não confirmada [—].
  • “A Bíblia narrada em português” (versão Almeida; WordProject audio) — áudio completo de Dt em PT [V — wordproject.org].
  • Séries bíblicas gerais (The Bible, History, 2013; The Chosen), dubladas/legendadas ao PT, não cobrem o período de Josias [—].

9. Mitologia e Literatura Comparada

O Deuteronômio não é um documento isolado: pertence ao mesmo mundo jurídico, diplomático e cultual do Antigo Oriente Próximo (ANE). Comparar não é derivar — é datar a direção da relação e mostrar o que cada cultura fez com o material comum.

9.1 A forma de tratado: Mendenhall e a tese contestada

George E. Mendenhall, em «Law and Covenant in Israel and the Ancient Near East» (Pittsburgh: Biblical Colloquium, 1955; reimpr. — Open Library OL6230238M, Internet Archive) [V — OL/IA], propôs que o Decálogo e a aliança israelita reproduzem a estrutura dos tratados de suserania hititas (séc. XIV–XIII a.C.), que ele decompõe em preâmbulo, prólogo histórico, estipulações, cláusulas de depósito e leitura pública, testemunhas e sanções de bênção/maldição. A hipótese foi estendida ao livro inteiro por Meredith G. Kline, Treaty of the Great King (Eerdmans, 1963) [V — OL6942220W, cf. §2].

Apresentar como tese, não como consenso. As objeções são antigas: (a) Dennis J. McCarthy, Treaty and Covenant (Roma: Pontifical Biblical Institute, 1963; 2.ª ed. 1978) [W — atribuição corrente] — o esquema hitita é construído sobre um corpus escasso e o “tratado” não é forma fixa com estrutura canônica; (b) Moshe Weinfeld (1972) [V — OL3744015W, §2] — as afinidades substantivas fortes do Dt são com os tratados assírios de Esarhaddon (VTE), sobretudo no vocabulário e nas maldições, não com a arquitetura hitita; (c) a sequência de Dt 1–31 não coincide ponto a ponto com nenhum tratado conservado. A tese é hoje hipótese de forma com defensores e detratores, não dado estabelecido.

9.2 Maldição e bênção: os tratados aramaicos de Sefire

As estelas de Sefire (basalto, séc. VIII a.C.; inscrições KAI 222–224, descobertas em 1930 perto de Aleppo) [V — en.wikipedia «Sefire steles»] são tratados em aramaico antigo cujo catálogo de maldições tem paralelos lexicais e temáticos com Dt 28:38–41 (o “tropos da futilidade”: o trabalho que não se desfruta). Melissa Ramos, «A Northwest Semitic Curse Formula: The Sefire Treaty and Deuteronomy 28», ZAW 128(2), 2016, pp. 205–220, DOI 10.1515/zaw-2016-0015 [V — De Gruyter/Academia] sustenta a tese de um tropos noroeste-semítico compartilhado. Direção: para um tropos de bênção/maldição difundido na Síria e em Israel no séc. VIII, não há dependência literária direta em nenhum sentido — o mais provável é poligenia de um formulário jurídico regional. Dizer isso em vez de “a Bíblia copiou”.

9.3 A retórica dos anais reais ANE

A abertura (Dt 1–3) recapitula a caminhada pelo deserto e as vitórias contra Seom e Og num tom que ecoa a retórica das inscrições reais do ANE (relato de campanha, monumentos, título do governante). O padrão é formal: o Dt empresta o gênero diplomático-militar para reescrevê-lo em chave de aliança e memória da infidelidade — o inverso do autoelogio real. [W — cf. Weinfeld 1972 [V] sobre a proximidade formal com os tratados].

9.4 A Shemá e o monoteísmo num mundo politeísta

Dt 6,4 («Ouve, Israel: Javé nosso Deus é o único Javé») é o núcleo monoteísta do livro (§4.1). O comparatismo exige lembrar que o Egito do séc. XIV a.C. conheceu um monoteísmo de Estado, a reforma de Akhenaton e o Grande Hino a Aton; a comparação corrente do hino com o Salmo 104 é antiga e reconhecida, mas a dependência direta é contestada e, no caso do Dt, o deus egípcio é o disco solar, não o Deus da aliança e da história. Paralelo tipológico (culto exclusivo a uma divindade), não genealogia. [W — en.wikipedia «Great Hymn to the Aten»; cf. §4.1].

O tratado de Cades
O tratado de Cades · contexto do Antigo Oriente Próximo (cf. Dt 28)Tábua do tratado concluído entre Ramsés II e o rei hitita em 1269 a.C., no Museu do Oriente Antigo em Istambul. O dossiê o usa na seção de comparação porque a estrutura desses tratados de vassalagem — preâmbulo, história das relações, estipulações, testemunhas e maldições — é o modelo com que se costuma comparar a forma da aliança em Deuteronômio: as bênçãos e maldições do fim do livro não são ornamento, são cláusula.Osama Shukir Muhammed Amin FRCP(Glasg) · 2018-04-24 13:14:08 · argila inscrita (1269 a.C.) · Museu do Oriente Antigo, Istambul; fotografia de Osama Shukir Muhammed Amin, CC BY-SA 4.0Fonte: Wikimedia Commons · Licença: CC BY-SA 4.0

10. Filosofia — as perguntas que o texto levanta

Aqui não entram os exegetas, entram os filósofos. Cada pergunta que já tem nome na história da filosofia é citada pelo nome; nenhuma é reinventada.

10.1 A intolerância legislada: Dt 13 e Dt 17

Dt 13 ordena morte para o profeta que desvia para outros deuses e para a cidade idólatra; Dt 17 institui o juízo do tribunal único. A questão filosófica — pode a crença ser coagida? — foi formulada com esse material por Jan Assmann, The Price of Monotheism (Stanford UP, 2009; orig. alemão Die Mosaische Unterscheidung, 2003; ISBN 9780804761604) [V — catálogo AbeBooks/Stanford]: a “distinção mosaica” entre religião verdadeira e falsa, associada ao Deuteronômio, é o que introduz o potencial violento da exclusão na história das religiões; o preço do monoteísmo é essa intolerância estrutural. A tese é, ela própria, objeto de disputa: objeta-se que Assmann lê o fundamentalismo moderno de volta no texto e que o Egito de Akhenaton já produziu uma exclusividade cultual (§9.4) — dizer as duas coisas. John Locke, A Letter Concerning Toleration (1689) [W — atribuição corrente], é o contraponto clássico: a fé não se coage pelo magistrado, porque crer não é ato que o poder civil possa efetivar.

10.2 A lei “amorosa” que ordena extermínio

Dt 20 regula a guerra e reserva o herem para as cidades de Canaã (§4.4). A pergunta — como um corpo legal que funda o amor a Deus e ao próximo pode ordenar a extinção de povos — tem tratamento nomeado: Susan Niditch, War in the Hebrew Bible: A Study in the Ethics of Violence (Oxford UP, 1993) [V — resenha Cambridge/Oxford UP] classifica as ideologias de guerra do corpus hebraico (o “ban” sacrificial entre elas) e lê o que elas faziam sentido para quem escrevia, em vez de absolver ou condenar de fora. Michael Walzer, Exodus and Revolution (1985) [W] lê o Dt como já em tensão consigo mesmo: o Dt 20,10–15 manda oferecer paz antes do cerco à cidade longínqua, atenuando o herem. A tensão é o estado da questão; não há consenso que a dissolva.

10.3 A lei do rei e a crítica constitucional antecipada

Dt 17,14–20 submete o rei a limites explícitos: não multiplicar cavalos, mulheres e prata, e copiar a Torá para ler todos os dias. Bernard M. Levinson sustenta que o texto é um “manifesto utópico de uma monarquia constitucional que delimita drasticamente o poder do rei” [V — texto de Levinson, PDF «Reconceptualization of Kingship in Deuteronomy»]: o rei não é legislador, é leitor da lei. A tese da lei real como crítica jurídica antecipada ao Estado absoluto tem desdobramentos no direito constitucional comparado [W]. A imagem de contraste interna é Salomão (1 Rs 10–11), que viola cada uma das três proibições: o texto parece escrito contra esse rei.

10.4 Espinosa, Hobbes e a origem do Estado

Espinosa, Tractatus Theologico-Politicus (1670) [V — edição anônima; en.wikipedia] lê o Antigo Testamento como teologia política: a religião fundada na imaginação profética e o Estado hebreu como teocracia em que o poder civil e o religioso coincidem — a origem do Estado e da religião entrelaçadas no Dt. Hobbes, Leviathan (1651), cap. 33 [V — Project Gutenberg], abre a crítica moderna da autoria das Escrituras pela via política: pergunta quais livros são de fato de Moisés e qual a autoridade que os torna canônicos. Os dois fazem a crítica bíblica começar pela filosofia e pelo direito, não pela arqueologia (§2).

10.5 Lei escrita, lei oral e a legitimação a posteriori

O “livro da lei” achado no Templo (2 Rs 22,8) e a reforma de 622 a.C. levantam a pergunta da falsificação da tradição: um texto que se apresenta como mosaico funda, retroativamente, a autoridade de quem o produziu (§2). Levinson (1997 [V — OL3349578W]) descreveu o mecanismo como “inovação legal disfarçada de tradição”. Um corpo legal pode fundar-se a si mesmo, ou toda autoridade legal é, na origem, um ato de poder? Segundo eixo: a passagem da lei escrita à lei oral no judaísmo rabínico [W], que desloca a autoridade do texto fixo para a interpretação viva.

11. Teologia — os debates

Apresentam-se as posições em disputa e quem as sustenta, não os “temas” (§5).

11.1 O deuteronomismo: as redações propostas

Martin Noth, Überlieferungsgeschichtliche Studien (1943) [V — OL19814792M, §2], propôs um único historiador exílico (a DtrH). Frank Moore Cross, Canaanite Myth and Hebrew Epic (Harvard UP, 1973) [V — Google Books; cf. Bible Odyssey] propôs uma dupla redação: uma edição josiana (pré-exílica, propagandística da reforma) e uma ampliação exílica. Richard Elliott Friedman, The Exile and Biblical Narrative (1981) [V — Brill/OUP; richardelliottfriedman.com] defende também duas edições, com o autor exílico diferente do de Cross. A escola de Göttingen (Rudolf Smend, 1971) multiplica as camadas redacionais [W — atribuição corrente]. Rainer Albertz, A History of Israelite Religion in the Old Testament Period (Westminster/John Knox, 1994) [V — Internet Archive] insere o deuteronomismo numa história da religião como reação teológica a crise política, não como escola literária isolada. Gerhard von Rad lê o livro como pregação levítica (§2 [V]). A divergência sobre o número de redações é o eixo do debate.

Dt 6,5 faz do amor a Javé o centro da religião (§4.3). O estudo que fixou o pano de fundo é William L. Moran, «The Ancient Near Eastern Background of the Love of God in Deuteronomy», CBQ 25 (1963), pp. 77–87 [W — atribuição corrente]: no vocabulário dos tratados, “amar” o suserano é lealdade legal, não sentimento. Daí a questão: o amor do Dt é fidelidade contratual ou afeto? A leitura mais forte combina os dois — a aliança é a forma exterior de uma relação afetiva —, mas os autores divergem sobre qual polo domina.

11.3 Teologia da terra e da história

A terra é dom e a posse é condicional à obediência (§5). O “pequeno credo histórico” de Dt 26,5–9 (von Rad 1938, §2 [V]) faz da memória da libertação o eixo do culto. A teologia da história — bênção para a fidelidade, exílio para a infidelidade — é o critério editorial que atravessa a DtrH (Noth 1943 [V]).

11.4 A leitura judaica

O Shemá (Dt 6,4–9) é recitado duas vezes ao dia como mitzvah; Dt 6,8–9 funda tefilin e mezuzá (§6) [W — tradição litúrgica]. O Papiro Nash (Cambridge, c. 150–100 a.C.) atesta o Decálogo com o início do Shemá [V — §6]. A leitura septenal de Dt 31,10–13 se institucionaliza em Sucot (§6 [W]).

11.5 A leitura cristã

Jesus cita o Shemá em Mc 12,29–30 e o amor ao Senhor em Mt 22,37–38 (§4.3, §6) [V — biblehub]. Correção registrada: a citação da LXX em Dt 6,13 aparece na tentação em Lc 4,8, não em Mt 4 — em Mateus, as citações deuteronômicas de Jesus estão em Mt 22,37–38 (ver §6 e §9 original). A Igreja primitiva leu Dt 18,15 (“um profeta como eu”) como anúncio de Cristo (At 3,22–23) [W]. A Carta aos Hebreus desenvolve a nova aliança relendo a tradição do pacto [W].

11.6 A leitura islâmica

Apologetas muçulmanos leem Dt 18,15.18 — o “profeta como Moisés” — como anúncio de Maomé, apoiando-se no contraste de Dt 34,10 (“nunca mais se levantou profeta como Moisés”) [W — literatura apologética]. Comparar, não assimilar: a leitura cristã aplica o mesmo versículo a Cristo (§11.5). A hermenêutica islâmica opera com a doutrina da tahrīf (alteração do texto anterior), que precisa ser declarada.

11.7 A leitura feminista

Dt 22 regula a mulher em vários casos: a virgem desposada (22,23–24), a violada no campo, em que só o homem morre (22,25–27), e a não desposada, em que o agressor paga e se casa com ela (22,28–29); Dt 21,10–14 trata da cativa e Dt 24,1–4 do divórcio (§4.5). Cheryl Anderson, Women, Ideology and Violence: Critical Theory and the Construction of Gender in the Book of the Covenant and the Deuteronomic Law (T&T Clark, 2004) [V — T&T Clark/ResearchGate] argumenta que a lei deuteronômica constrói o gênero pela violência simbólica e material, mas que Dt 22,25–27 marca uma distinção jurídica (a cidade presume consentimento, o campo não) que algumas leem como proteção relativa da mulher. O debate é sobre avanço dentro do patriarcado versus codificação do patriarcado.

11.8 O propósito redacional: Mayes e McConville

A. D. H. Mayes, «On Describing the Purpose of Deuteronomy», JSOT 58 (1993) [V — SAGE] e seu comentário (NCB, 1979/1981 [V — OL6437768W, §2]) leem o propósito do livro como legitimação: a autoridade mosaica reivindicada para um programa do séc. VII. J. Gordon McConville, Law and Theology in Deuteronomy (JSOTSup 33, 1984) [W — atribuição corrente] lê o mesmo material pela chave da graça, não da política: a lei como resposta ao dom. A divergência é exemplar do debate sobre se o Dt é documento de reforma ou texto devocional.

11.9. Comentaristas por esfera confessional

O catálogo acima (§11.1–11.8) organiza o debate por tema; aqui o mesmo material se reorganiza por esfera confessional — para o leitor saber de que tradição de leitura vem cada comentário. A regra: a perspectiva se declara, não se atribui. Quando o autor declarou sua posição, escreve-se “declarado”; quando não declarou, descreve-se o método (“histórico-crítico”, “não confessional”) sem inferir a crença pessoal. O rótulo é metadado, não argumento. Cada nome com obra e ano; [V] conferido nesta sessão, [W] conhecido mas não conferido no original, [—] lacuna.

Católico ocidental (latino)

Patrística latina. Agostinho, Quaestiones in Heptateuchum livro V (sobre o Dt, c. 419–420) [W — atribuição corrente]; Beda, Explanatio in Deuteronomium, em Patrologia Latina 91, cols. 379–394 [V — referência bibliográfica em artigo Brill], lendo o Dt pela chave tipológico-moral.

Idade Média. A Glossa Ordinaria (escola de Laon, séc. XII) traz a Dt a glosa interlinear e marginal por quatro séculos o comentário de maior circulação no Ocidente latino [W]. Nicolau de Lira, Postilla litteralis super Bibliam (c. 1322–1331), separa o literal do alegórico — postura que Lutero herdou; o comentário a Dt está na Postilla ao Pentateuco [W — incunábulos catalogados, texto não visto na íntegra].

Século XVII. Cornélio a Lapide, Commentaria in Deuteronomium, dentro dos Commentaria in omnes Sacrae Scripturae libros (Antuérpia, 1616–1642) [V — o comentário a Dt, capítulo por capítulo, circula em edição digital]. É o grande comentário católico do período.

Nota: a esfera católica moderna tem comentários críticos fortes a Dt, mas as monografias não foram conferidas nesta sessão — registrar [—] em vez de citar de memória.

Católico oriental e grego patrístico

Distinção estrutural que precisa ficar declarada, porque é a razão pela qual a mesma passagem produz leituras incompatíveis: escola alexandrina (alegórica) contra escola antioquena (literal-histórica).

Alexandrinos. Orígenes, Homiliae in Deuteronomium — homilias pregadas em Cesareia, conservadas (como boa parte da sua obra homilética) sobretudo em tradução latina de Rufino, séc. IV [W — série atestada nas listas de Jerônimo; contagem das homílias de Dt não conferida no original].

Antioquenos. Teodoreto de Ciro, Quaestiones in Octateuchum — as Quaestiones são perguntas e respostas a Gn–Rt; o volume 2 (Levítico, Números, Deuteronômio, Josué, Juízes e Rute) é a fonte patrística grega antioquena para o Dt, editada e traduzida em Questions on the Octateuch (The Catholic University of America Press, 2007) [V — catálogo e Internet Archive]. Teodoreto responde às dificuldades do texto literal, não às alegorias.

Crisóstomo. João Crisóstomo não escreveu comentário contínuo ao Dt; o material deuteronômico dele está disperso nas homilias (a Dt 13,1–3, por exemplo, aparece nas Homilias sobre João) [V — índice patrístico Early Christian Commentary]. Não creditar a Crisóstomo um “comentário ao Deuteronômio” que não existe.

Efrém o Sírio. Os comentários armênios a Gênesis–Deuteronômio que circulam sob seu nome não são dele — a atribuição é hoje recusada [V — guia bibliográfico de Efrém em syri.ac]. Dizer isso em vez de citar “Efrém, Comentário ao Deuteronômio”.

Ortodoxo

A tradição ortodoxa lê por catena (compilação de fragmentos dos Padres), por homiliário e pela liturgia — não por comentário crítico moderno.

  • A catena grega ao Octateuco reúne os fragmentos patrísticos sobre o Dt; é a via primária, e o comentário ortodoxo moderno a Dt praticamente não existe como série [W].
  • Alexander Lopukhin, Толковая Библия (Bíblia Comentada, 11–12 volumes, 1904–1913) — o único comentário completo de toda a Bíblia publicado na Rússia pré-revolucionária; cobre o Dt [V — Institute for Bible Translation].
  • Orthodox Study Bible (NT 1993; edição completa 2008), com anotações patrísticas [W — edição e data correntes; anotações a Dt não vistas].

Protestante

Reforma. Lutero lecionou e pregou sobre o Dt entre 1523 e 1525; o material está em Luther’s Works, vol. 9, Lectures on Deuteronomy [V — prefácio do volume]. O Dt é central para a teologia luterana da lei e do evangelho. Calvino tem duas obras sobre o livro: a Harmonia dos quatro últimos livros de Moisés (projeto expositivo de 1559–1563) [V — ResearchGate/Calvin Translation Society] e os sermões sobre o Deuteronômio — cerca de 200, pregados entre março de 1555 e julho de 1556 [V — indexação dos sermões, Monergism/quod.lib.umich].

Puritanos e séculos XVII–XVIII. Matthew Henry, Exposition of the Old and New Testaments (1706–1710), o comentário devocional de maior difusão na língua inglesa, com seção a Dt [W — atribuição corrente].

Séculos XIX–XXI. Keil–Delitzsch, Commentar über die Bücher Mose (1864; o Pentateuco, com o Dt, no mesmo volume), defesa da autoria mosaica contra a crítica documentária nascente [V — catálogo StepBible/Archive]. Peter C. Craigie, The Book of Deuteronomy (NICOT, Eerdmans, 1976) [V — catálogo AbeBooks/Eerdmans]. Duane L. Christensen, Deuteronomy 1–11 (WBC 6A, 1991) e Deuteronomy 21:10–34:12 (WBC 6B, 2002), que lê o Dt como texto performativo de uso cultual [V — catálogo WBC]. J. Gordon McConville, Deuteronomy (Apollos, 2002), leitura teológico-canônica [V — catálogo Apollos/IVP]. (O debate redacional Mayes–McConville está em §11.8; aqui se registra o comentário, não a tese.)

Evangélica (séries críticas modernas). Critério declarado: as séries críticas e expositivas de editoras e linhas evangélicas — NICOT, TOTC, NAC, NIVAC, NIBC, WBC, Apollos —, com aparato filológico e bibliografia de primeira mão. Conferido nesta sessão no Open Library, com editora e ano no registro:

  • Peter C. Craigie, The Book of Deuteronomy (NICOT; Eerdmans, 1976) [V — OL 9780802823557] — já citado no parágrafo protestante acima, por série; conta uma única vez, aqui.
  • J. A. Thompson, Deuteronomy: An Introduction and Commentary (TOTC; Inter-Varsity Press, 1974) [V — catálogo OL]; em português, Deuteronômio: introdução e comentário (Série Cultura Bíblica; Vida Nova, ISBN 9788527500517) [V — catálogo da editora e livrarias BR].
  • Eugene H. Merrill, Deuteronomy (New American Commentary 4; Broadman & Holman, 1994) [V — OL 9780805401042].
  • Daniel I. Block, Deuteronomy (NIV Application Commentary; Zondervan, 2012) [V — OL 9780310492016]: leitura que trata o livro como catequese de Israel e sermão de aliança.
  • Christopher J. H. Wright, Deuteronomy (New International Biblical Commentary; Hendrickson/Paternoster, 1996) [V — OL 9780801048142]: o comentário que fixou a leitura missional-ética do Dt em língua inglesa.
  • J. Gordon McConville, Deuteronomy (Apollos Old Testament Commentary, 2002) [V — OL 9780830825059] — já citado acima; conta uma única vez, aqui.
  • Duane L. Christensen, Deuteronomy 1–11 (WBC 6A, 1991) e Deuteronomy 21:10–34:12 (WBC 6B, 2002) — já citado acima; conta uma única vez, aqui [W para a reconferência do catálogo neste passo].

Vozes judaica e islâmica (fora das cinco esferas cristãs)

A leitura judaica é voz própria, não pano de fundo: Rashi (Salomão ben Isaac, Troyes, 1040–1105), comentário ao Dt no Perush ha-Torah, com o sentido simples e a elaboração midráshica [V — Sefaria]. Ramban (Nachmânides, 1194–1270), Commentary on the Torah a Dt — um dos seus comentários mais importantes, com a lei do rei, a aliança em Moab e a terra [V — Sefaria; trad. Chavel, Shilo]. Modernos: Jeffrey H. Tigay, Deuteronomy (JPS Torah Commentary, 1996) [V — citado no WBC] e Moshe Weinfeld, Deuteronomy 1–11 (Anchor Bible 5, 1991) [V — §2]. A leitura islâmica de Dt 18,15 e a figura corânica de Mūsā já estão em §11.6 — não se repetem aqui, apenas se aponta a remissão.

Ateu, agnóstico ou de método não confessional

Cuidado de categoria, e ele é o ponto: nesta esfera entram obras de método histórico-crítico e naturalista, apresentadas como tais. Nenhum dos autores abaixo teve, nesta sessão, autodeclaração de ateísmo ou agnosticismo verificada. Por isso não se rotula a crença pessoal — descreve-se o método da obra, e a rotulagem por terceiros, quando existe, fica marcada como de terceiros.

  • Julius Wellhausen, Geschichte Israels (1878; 2.ª ed. Prolegomena zur Geschichte Israels, 1883) — a hipótese documentária e a prioridade do Dt na formação do Pentateuco. Wellhausen foi formado como teólogo protestante; a obra é de método histórico, não de confissão — dizer isso, em vez de rotulá-lo [V — Wikipedia; edições digitalizadas 1883/1905].
  • Susan Niditch, War in the Hebrew Bible: A Study in the Ethics of Violence (Oxford UP, 1993), sobre o herem de Dt 20 — leitura histórico-crítica das ideologias de guerra, sem declarar posição de fé [V — resenha AJS Review].
  • Jan Assmann, Moses the Egyptian: The Memory of Egypt in Western Monotheism (Harvard UP, 1997) [V — HUP/Wikipedia] e The Price of Monotheism (2009, já em §10.1) — a “distinção mosaica” lida pela história da religião e da memória cultural; egitólogo, obra de método histórico, sem rótulo de crença.
  • Bernard M. Levinsonmétodo histórico-crítico e jurídico, não confessional. Deuteronomy and the Hermeneutics of Legal Innovation (Oxford UP, 1997) [V — OUP/SSRN] e as anotações e introdução ao Dt na The Jewish Study Bible (org. Adele Berlin e Marc Zvi Brettler, Oxford UP, 2004, pp. 356–450) [V — página de publicações do autor]. A tese de Dt 17,14–20 como crítica constitucional antecipada é apresentada no dossiê (§10.3) como o que ela é — uma leitura histórico-jurídica — e não como conclusão sobre a fé do autor, que não foi declarada.

Fronteira que não se cruza: polêmica de divulgação (Hitchens, Dawkins) sobre o Dt não é crítica bíblica nem comentário; se for citada em algum ponto do dossiê, deve aparecer separada da bibliografia técnica desta camada.

Contagem e equilíbrio. Esferas: católico ocidental (Beda, a Glossa, Nicolau de Lira, Cornélio a Lapide — 4); católico oriental / grego patrístico (Orígenes, Teodoreto, Crisóstomo [uso homilético], Efrém [atribuição recusada] — 4); ortodoxo (a catena, Lopukhin, Orthodox Study Bible — 3); protestante histórica (Lutero, Calvino, Matthew Henry, Keil–Delitzsch — 4); evangélica (Craigie, Thompson, Merrill, Block, Wright, McConville, Christensen — 7); judaico (Rashi, Ramban, Tigay, Weinfeld — 4); islâmico (remissão a §11.6); não confessional / de método secular (Wellhausen, Niditch, Assmann, Levinson — 4). Craigie, McConville e Christensen já apareciam no parágrafo protestante, por série; contam uma única vez, na evangélica. Desequilíbrio declarado: a esfera protestante e a evangélica juntas têm mais nomes porque são as que mais produzem séries de comentários a um livro do AT — é assimetria de mercado editorial, não de mérito; e a esfera ortodoxa quase não tem comentário moderno a Dt, o que é fato estrutural da tradição, não lacuna de pesquisa. O Oriente entra por fonte primária (Orígenes, Teodoreto, a catena), como o método exige.

12. Ciência — o que as ciências dizem, e onde não têm competência

12.1 A datação de Dt e o “livro da lei”

A identificação do “livro da lei” de 2 Rs 22 com o núcleo do Dt (caps. 12–26) e a datação na reforma de Josias (622 a.C.), desde de Wette (1805) [V — Britannica, §2], é a hipótese dominante — não consenso unânime. As alternativas (Ezequias, Manassés, exílio, séc. V persa) têm defensores e o estado da questão oscila entre pré-exílico tardio, exílico e pós-exílico (§2). Apresentar como hipótese, com os nomes, é o que o material permite.

12.2 Arqueologia da reforma centralizadora

A tese de que Josias suprimiu os santuários locais (bamot) encontra apoio parcial: o templo de Tel Arad foi desmontado e sepultado de forma ordenada, lido como desativação cultual deliberada (Ze’ev Herzog [V — texto «The Cult Reform in the Kingdom of Judah», TDMAM]); Tel Dan e Láquis completam o quadro regional. Mas a ausência de vestígios cultuais nas terras altas admite leitura mínima, e a descoberta de um templo da Idade do Ferro em Tel Moẓa, nos arredores de Jerusalém, complica uma imagem de centralização limpa [W — escavações de Shua Kisilevitz]. O alcance real da reforma é debatido: há evidência de desativação em alguns sítios, não de destruição generalizada das bamot (§4.2 [W]); a publicação exata que dataria cada desativação não foi vista [—].

12.3 Linguística do hebraico de Dt

A datação linguística do hebraico bíblico é o debate mais técnico: Avi Hurvitz [W] defende que traços do Hebraico Bíblico Tardio permitem datar textos (como P) em época pós-exílica; Ian Young, Robert Rezetko e Martin Ehrensvärd, Linguistic Dating of Biblical Texts (2 vols.; Londres: Equinox, 2008) [V — bibleinterp/Academia] negam o critério, por não haver correlação confiável entre mudança linguística e datação, e por dialetos coexistirem. A discussão está aberta.

12.4 A epigrafia paleo-hebraica

Os rolos de prata de Ketef Hinnom (descobertos em 1979 por Gabriel Barkay, perto de Jerusalém; paleo-hebraico; c. 650–587 a.C., pré-exílicos) contêm a Bênção Sacerdotal de Nm 6,24–26 e são os textos bíblicos mais antigos conservados [V — en.wikipedia «Ketef Hinnom scrolls»]. Amuletos do tipo atestam a prática de portar textos inscritos — o pano de fundo de tefilin e mezuzá (§11.4) e das mezuzot e tefilin de Qumran (§6 [W]). A epigrafia data e descreve a prática; não decide a autoria do Dt.

12.5 Onde a ciência NÃO tem competência

A ciência data o texto, escava os sítios, classifica o hebraico e as inscrições — é disso que trata esta seção. Ela não decide se o texto é revelado, se sua lei é normativa, se o seu Deus existe, nem se a ordem de exterminar é justa. O fato de o Dt ser datado no séc. VII a.C. não refuta o Shemá; inversamente, a autoridade religiosa do Shemá não fixa uma data. Escrever sempre a frase que separa as duas ordens — do contrário, o leitor supõe que uma delas resolveu a outra, e nenhuma resolveu.

A estela de Mesha
A estela de Mesha · contexto epigráfico (cf. Dt 28; 2Rs 3)A estela erguida pelo rei moabita Mesha (c. 840 a.C.), no Louvre, narra em moabita a guerra contra Israel e menciona a dinastia de Onri — é uma das poucas inscrições que contam, do outro lado, um conflito também relatado na Bíblia. O dossiê a usa na seção de ciência porque mostra que a linguagem da guerra, da aliança e da fidelidade divina que Deuteronômio emprega para Israel era corrente entre seus vizinhos.Mbzt · 2020-10-22 16:58:54 · pedra basáltica com inscrição (c. 840 a.C.) · Musée du Louvre, Paris (AO 5066); fotografia de Mbzt, CC BY-SA 4.0Fonte: Wikimedia Commons · Licença: CC BY-SA 4.0

13. LACUNAS

  1. “Mt 4” não verificado: a citação de Dt 6,13 (LXX) está em Lc 4,8, não em Mt 4; em Mateus, as citações deuteronômicas de Jesus estão em 22,37–38 (Dt 6,5). Possível confusão no encargo [—].
  2. “Cline”: não se localizou estudioso “Cline” com monografia central sobre Dt (OpenAlex [—]); quase com certeza é Kline (Meredith G., Treaty of the Great King, 1963 [V]) ou confusão com o arqueólogo Eric Cline (não verificado para Dt).
  3. Tigay 2002/2006: verifica-se a edição de 1996 (Deuteronomy, JPS Torah Commentary) [V]; as reimpressões de 2002/2006 não foram confirmadas em catálogo [—].
  4. Traduções PT de Noth/von Rad/Mayes/Levinson/Weinfeld: não localizadas [—]; só os comentários PT de García López, Storniolo e Thompson [W]. Páginas exatas: não vistas; por protocolo não se citam [—].
  5. Documentário PT da reforma de Josias: não confirmado; só peças de divulgação em linha [—].
  6. Estatísticas textuais (14.294 palavras / 54.892 letras): tabelas massoréticas de aish.com [V]; outras fontes variam conforme o método de contagem — usar com cautela [W].

Fontes documentais: Papiro Nash [V] https://www.50treasures.divinity.cam.ac.uk/treasure/nash-papyrus; Papiro Rylands 458 [V] https://en.wikipedia.org/wiki/Papyrus_Rylands_458; estatística massorética [V] https://aish.com/number-of-words-and-letters/; Qumran 29 cópias [W] https://www.deadseascrolls.org.il/explore-the-archive/search; TEB-Loyola [V] https://www.loyola.com.br/produto/biblia-teb-nova-edicao-2392; Bíblia de Jerusalém PT [V] https://pt.wikipedia.org/wiki/B%C3%ADblia_de_Jerusal%C3%A9m; áudio Almeida [V] https://www.wordproject.org/bibles/audio/02_portuguese/index.htm.

Como conseguir estas obras

A bibliografia de um site didático não é a de uma tese: cita o que importa e o leitor consegue alcançar. O selo diz por onde — e a tabela está ordenada por acessibilidade, do que se lê hoje ao que só se compra.

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ObraAcessoOnde
de Wette (1805), tese sobre Dt como “livro achado” de Josiaslivrebritannica.com
von Rad, Das formgeschichtliche Problem des Hexateuch (Kohlhammer, 1938)livreixtheo.de
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