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Antiguidade Bíblica

Reis (Melakhim) — Artigo Enciclopédico

Versão curtaO reino de Salomão existiu?

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Você não precisa ler tudo. Escolha um degrau — cada um é um estado final satisfatório, não um fragmento de curso. A ordem abaixo não é a ordem das seções: o texto vem antes do comentário, de propósito.

Você vai precisar saber antes: que fontes são estas e como se datam

  1. 00

    A porta5–10 min

    A pergunta e a resposta rápida, sem rodeio. Ao fim você tem uma resposta utilizável e o mapa do que existe.

  2. 01

    Ler o texto15–30 min

    A passagem inteira, em duas traduções de tradições diferentes, sem comentário. Comparar as duas é o exercício que mais rende: mostra onde o original é ambíguo.

  3. 02

    O contexto20–40 min

    O mundo em que o texto surgiu: geografia, arqueologia, paralelos do Antigo Oriente Próximo.

    §2 §9

  4. 03

    O debate30–60 min

    As posições em disputa, com quem as sustenta, onde publicou e qual é a réplica.

    §4 §10

  5. 04

    A recepção30–60 min

    O que se fez do texto: Padres, medievo, tradições confessionais.

    §6 §11

  6. 05

    As quatro camadas40–90 min

    Comparação com a mitologia, as perguntas filosóficas, os debates teológicos e o que a ciência diz — e onde não tem competência.

    §9 §10 §11 §12

  7. 06

    O dossiê integral1,5–3 h

    Tudo, na ordem, mais bibliografia com selo de acesso e as lacunas assumidas.

Outras portas de entrada
  • Quero só a resposta. Pare no degrau 0 — ele é completo em si.
  • Quero conferir se é verdade. Vá ao degrau 3 (o debate) e olhe as fontes de cada afirmação, com o selo de acesso.
  • Quero ler o texto com calma. Degrau 1, com o glossário ao lado.
  • Vim da fé e quero entender. Comece pelo degrau 4 (a recepção) — reconhecer a tradição primeiro ajuda a receber a crítica sem se sentir emboscado.
  • Vim do ceticismo. Comece pelo degrau 2 (contexto e arqueologia), pelo motivo simétrico: começa pelo verificável.
Como saber se você entendeu

Ao fim de cada degrau, tente responder às três. Se as três não saem, o degrau seguinte vai confundir — volte um.

  1. Compreensão. Consigo dizer o que o texto diz, com minhas palavras?
  2. Análise. Consigo dizer qual problema este texto levanta, e por quê?
  3. Debate. Consigo dizer quem discorda de quem, e sobre o quê?

Nota de escopo: no cânone hebraico Reis é um só livro (Melakhim); a divisão em 1 e 2 Reis é posterior e deriva da Septuaginta e da Vulgata. O dossiê trata a unidade canônica, mantendo a numeração cristã usual (1 Reis 1–22; 2 Reis 1–25) por conveniência de referência. Protocolo de Retroverificação v5.x da skill pesquisador-bibliografico; Wikipedia usada apenas como roteador de fontes, nunca como fonte citada.

1. Lead e Ficha

Os Livros de Reis (hebr. מְלָכִים, Melakhim, “Reis”; gr. LXX Βασιλειῶν Γ′–Δ, “Terceiro e Quarto Livro dos Reinados”; lat. Vulgata Regum III–IV) formam, no cânon hebraico, um único livro (sefer Melakhim), dividido em dois apenas por razões práticas de extensão — divisão herdada da Septuaginta e depois da Vulgata (ISBE, “Kings, Books of” [W]; Books of the Kingdoms [W]). A obra narra a história de Israel e Judá do fim do reinado de Davi à destruição de Jerusalém e ao exílio babilônico, com apêndice sobre a libertação de Joaquim (2 Rs 25,27–30) (texto [W]).

Não é apenas crônica régia: é pregação historiográfica. Cada rei é avaliado por um único critério — “fez o que é reto (ou mau) aos olhos de Javé” —; o reino do norte é condenado pelo “pecado de Jeroboão” (os bezerros de Dã e Betel, 1 Rs 12,26–33) e o sul é medido pela fidelidade à dinastia davídica e ao Templo de Jerusalém (texto [W]; Noth 1943 [V]). É, portanto, a culminação da História Deuteronomista (DtrH), a obra que vai de Deuteronômio a 2 Reis.

Ficha técnica (texto hebraico massorético):

CampoDadoMarcador
Nome hebraicoMelakhim (מְלָכִים, “Reis”)[V] texto
Nome grego/latinoBasileiōn Γ′–Δ / Regum III–IV[W] LXX/Vulgata
Posiçãoúltimo bloco da DtrH; Nevi’im no cânon hebraico[W]
Capítulos1 Reis: 22; 2 Reis: 25 (total 47)[V] texto
Idiomahebraico bíblico (aparato textual relevante)[V]
Gênerohistoriografia deuteronomista + ciclos proféticos[W] Noth 1943
Marco narradoc. 970 a.C. (sucessão de Davi) a 562 a.C. (Joaquim)[W] §4.8
Fontes internas citadas“Feitos de Salomão”; “Crônicas dos Reis de Israel / de Judá”[V] texto
Personagens centraisSalomão, Jeroboão, Elias, Acabe, Jezabel, Eliseu, Jeú, Ezequias, Josias[V] texto
Menções extrabíblicasEstela de Mesha (Louvre AO 5066); Monólito de Kurkh; Obelisco Negro; Prismas de Senaqueribe[V] museus (§4.5)
Edição críticaBHS / BHQ (massorético)[W] uso padrão

2. Contexto e Autoria: a culminação da História Deuteronomista

Noth 1943. Martin Noth, em Überlieferungsgeschichtliche Studien (Halle: Niemeyer, 1943), demonstrou que Deuteronômio–Josué–Juízes–1-2 Samuel–1-2 Reis constituem uma obra historiográfica unitária e anônima, redigida no exílio babilônico (c. 550 a.C.) e determinada teologicamente pelo juízo sobre a infidelidade de Israel (Noth 1943 [V] — Internet Archive; trad. ingl. The Deuteronomistic History, JSOT Press, 1981 [V]). Reis é o último painel: responde à pergunta do exilado — por que caiu o reino? A resposta é a apostasia acumulada, sobretudo o pecado de Manassés (2 Rs 21,10–16; 24,3–4) (texto [W]).

Cross 1973 e a redação dupla. Frank Moore Cross, em “The Themes of the Book of Kings and the Structure of the Deuteronomic History”, coligido em Canaanite Myth and Hebrew Epic (Harvard UP, 1973), propôs duas edições da DtrH: Dtr¹, exílica, de juízo, que explicava o cativeiro; e Dtr², pré-exílica, do tempo de Josias, otimista, que celebrava a reforma e a promessa davídica (2 Sm 7; 1 Rs 8,22–26) (Cross 1973 [V]). Leituras posteriores (Römer) propuseram ainda uma camada persa (Bible Odyssey [W]).

O critério deuteronomista opera por três réguas (texto [W]):

  1. A bamá derrubada ou mantida — o culto local é pecado até de reis bons (1 Rs 15,14; 22,43; 2 Rs 12,3; 14,4).
  2. O “pecado de Jeroboão” — bezerros de Dã e Betel e sacerdócio não levítico condenam todo rei do norte (1 Rs 12,28–30; 2 Rs 17,21–23).
  3. A dinastia davídica e o Templo — só o sul pode ser “reto” e mesmo assim com condição: a aliança davídica não dispensa a fidelidade (1 Rs 9,4–9; 2 Rs 23,26–27).

Fontes utilizadas. O narrador cita anais régios hoje perdidos — “o Livro dos Feitos de Salomão” (1 Rs 11,41), “o Livro das Crônicas dos Reis de Israel” e “…dos Reis de Judá” (fórmula repetida em quase todo reinado) (texto [V]) —, indício de uso de material de arquivo submetido a intensa reescrita teológica [W].

Autoria. Anônima; a atribuição tradicional a Jeremias ou Baruque não se sustenta criticamente (Jeremiah Study Bible [W]; ISBE [W]). Discutem-se modelos redacional (Noth), de redação dupla (Cross) e de composição escalonada (Vannutelli, Provan), nos quais os ciclos de Elias e Eliseu circularam antes como ciclos proféticos autônomos, depois encaixados no esqueleto cronístico dos reis (texto [W]).


3. Estrutura (47 capítulos)

1 Reis (22 capítulos)

  • 1–2 — Sucessão de Salomão: velhice de Davi; Adonias; Bate-Seba e Natã; morte de Adonias, Joabe e Simei.
  • 3–11 — Reinado de Salomão: sabedoria e juízo (3,16–28); o Templo (6–8); a rainha de Sabá (10); apostasia e adversários (11).
  • 12–14 — Divisão do reino: assembleia de Siquém; bezerros de ouro de Jeroboão; o profeta de Betel (13); fim de Jeroboão e de Roboão.
  • 15–16 — Reis e dinastias até Onri, que compra o monte de Samaria (16,21–28).
  • 16,29–22,40 — Acabe e Elias: Jezabel e Baal; Elias em Sarepta, no Carmelo e no Horebe (17–19); a vinha de Nabote (21); Micaías e a morte de Acabe (22).
  • 22,41–53 — Jeosafá e Acazias: transição para 2 Reis.

2 Reis (25 capítulos)

  • 1–2 — Elias arrebatado num carro de fogo; sucessão de Eliseu.
  • 3–8 — Ciclo de Eliseu: guerra contra Moabe (cenário da estela de Mesha); o óleo da viúva; Naamã; os arameus.
  • 9–10Jeú: morte de Jorão e Acazias; Jezabel precipitada da janela; massacre da casa de Onri.
  • 11–12 — Atalia e Joás; reparação do Templo.
  • 13–17 — Reis do norte até Oseias; queda de Samaria (17) e a etiologia deuteronomista do exílio (17,7–23).
  • 18–20 — Ezequias e Senaqueribe; invasão assíria de 701 a.C.; doença de Ezequias.
  • 21–23 — Manassés; o livro da lei achado no Templo (22); a reforma de Josias e a Páscoa (23).
  • 24–25 — Queda de Jerusalém: destruição do Templo; Gedalias; libertação de Joaquim (25,27–30).

4. Conteúdos-chave com Debate

4.1 Salomão (1 Rs 1–11): o Templo, a sabedoria e a apostasia

Três blocos: construção do Templo (1 Rs 6–8), obra de sete anos sob contrato com Hirão de Tiro (5,17–6,38); sabedoria (juízo das duas mães, 3,16–28; 4,29–34) e a rainha de Sabá (10,1–13); e apostasia (11,1–13), com altares a Astarte, Milcom e Moloque. A tensão é o núcleo: o cap. 8 celebra a promessa davídica, o cap. 11 a revoga por infidelidade — a leitura deuteronomista explica a divisão do reino como juízo (11,11–13.29–39) (texto [W]). Debate histórico: a magnitude do “império salomônico” é contestada. Finkelstein propõe que o esplendor monumental reflete o século IX (Onri/Acabe), não o X (cronologia baixa) [W]; a resposta “alta” mantém as datas tradicionais com base em 1 Rs 6,1 (Kitchen 2003 [V]). A corveia e a sublevação do norte (12,1–19) indicam que Salomão não era unanimemente aceito (texto [W]).

4.2 A divisão do reino (1 Rs 12): duas justificativas do mesmo evento

  • Causa política e econômica (12,1–15): insolência de Roboão, conselho dos jovens, corveia salomônica e o pedido “alivia o jugo” (12,4).
  • Causa teológica e profética (11,29–39 — Aías de Siló; 12,15.24): a divisão é castigo de Javé pela apostasia de Salomão.

A tensão é explícita: “os filhos de Israel se separaram da casa de Davi” (12,19) e “isto vinha de Javé” (12,15) lado a lado. A crítica reconhece duas tradições fundidas — uma setentrional, política, e uma deuteronomista, teológica (texto [W]; ISBE [W]). Some-se o detalhe litúrgico: Sucot como pretexto da ruptura e a fundação de Dã e Betel (12,28–33).

4.3 Onri e a estela de Mesha

Onri (1 Rs 16,21–28) recebe seis versículos no texto bíblico e é, paradoxalmente, o fundador da dinastia mais bem atestada no exterior: nos anais assírios Israel é chamado “Casa de Onri” (Bît-Ḫumrî), inclusive no Obelisco Negro, que designa Jeú como “filho de Onri” (British Museum, ME 118885 [V]).

A Estela de Mesha (Moabite Stone) foi descoberta intacta em 1868 por Frederick Augustus Klein em Dibon (Dhiban, Jordânia), datada de c. 840 a.C. e está no Museu do Louvre (AO 5066); conta, do ponto de vista moabita, como Onri subjugou Moabe e como Mesha se libertou com o auxílio de Camos (LouvreBible [W]; Mesha Stele [W]). A frase “Onri, rei de Israel” é, com o Monólito de Kurkh, um dos poucos testemunhos extrabíblicos diretos de reis de Israel. Debate: 2 Rs 3 narra a mesma guerra do ponto de vista israelita (Jeorão, Josafá, a vitória de Eliseu) e omite a derrota que Mesha descreve; a leitura histórica hoje dá prioridade ao relato contemporâneo de Mesha (texto [W]).

4.4 Elias (1 Rs 17–19) e o ciclo de Eliseu

O ciclo de Elias — seca, Serepta, duelo no monte Carmelo (18,20–40), o Horebe e a “voz mansa e delicada” (19,11–13), a unção de Eliseu e a vinha de Nabote (21) — é material antigo, provavelmente setentrional, incorporado por redação posterior (texto [W]; Deuteronomistic History [W]). O tema central: quem é o verdadeiro Deus, Javé ou Baal?, pergunta endereçada à crise do séc. IX sob Acabe e Jezabel. Eliseu (2 Rs 2,19–8,15) é o herdeiro literário; a tradição posterior (Ml 3,23–24; Lc 1,17) lê os dois em continuidade escatológica. Acabe e Jezabel tornam-se arquétipos da idolatria e da perseguição (Ap 2,20) (texto [W]).

4.5 Os anais assírios: o ponto mais forte de verificação externa

Reis é o livro hebraico mais ricamente atestado pela epigrafia cuneiforme (museus citados [V]):

  1. Monólito de Kurkh (ME 118883/118884; Museu Britânico; c. 852 a.C.). No relato da batalha de Qarqar, ano 6 de Salmanasar III (853 a.C.), cita a coalizão de doze reis contra a Assíria, com “A-ha-ab-bu Sir-ila-a-a” — Acabe, o israelita, com contingente de 2.000 carros e 10.000 soldados (British Museum [W]; Kurkh Monoliths [W]). É a mais antiga referência extrabíblica a Acabe e uma das quatro inscrições contemporâneas com o nome “Israel”.
  2. Obelisco Negro de Salmanasar III (ME 118885, Museu Britânico, erigido 827–824 a.C.). No segundo registro menciona o tributo de “Iaua, filho de Onri” (841 a.C.) — o rei Jeú de 2 Rs 9–10 — e traz a mais antiga representação conhecida de um israelita (British Museum, W_1848-1104-1 [V]).
  3. Prismas de Senaqueribe (Taylor Prism, Museu Britânico; Chicago Prism, Oriental Institute). Os anais de 701 a.C. descrevem Ezequias encurralado em Jerusalém “como um pássaro na gaiola” e as quarenta e seis cidades tomadas; não mencionam a tomada de Jerusalém — ponto que converge com 2 Rs 19–20, que atribui a retirada assíria à intervenção divina (Tyndale House [W]; Bible.ca [W]).

A convergência é notável: a Assíria confirma Acabe, Jeú, Ezequias e o cerco de 701, mas não confirma milagres — e é sobre esse eixo que corre o debate entre história e teologia.

4.6 A reforma de Josias (2 Rs 22–23) e o “livro da lei”

No ano 18 de Josias (c. 622 a.C.), durante a reparação do Templo, o sumo sacerdote Hilquias encontra um “livro da lei” (sefer ha-torá), entregue ao escriba Safã, lido perante o rei e interpretado pela profetisa Hulda (2 Rs 22,8–20) (texto [V]; UCG Bible Commentary [W]). O rei suprime santuários locais, utensílios de Baal, Aserá e os “cavalos do sol”, e celebra uma Páscoa sem paralelo (23,4–25). Desde de Wette (1805), a crítica identifica esse “livro” com o núcleo do Deuteronômio: escrito para ser achado, legitimando a centralização do culto em Jerusalém (de Wette 1805 [W]). É também o eixo da redação dupla de Cross (§2) (Cross 1973 [V]). O debate atual diverge quanto à intenção: reforma sincera ou medida centralizadora com interesses sacerdotais e econômicos.

4.7 A queda de Samaria (722/720 a.C.) e de Jerusalém (587/586 a.C.)

  • Samaria: 2 Rs 17 narra o fim do reino do norte após três anos de cerco, sob Salmanasar V e depois Sargão II (17,3–6). A data consensual é 722 a.C., com alternativa 720/721 a.C. para a deportação definitiva sob Sargão (texto [W]; “Assyrian Deportation and Resettlement” [W]). O cap. 17 oferece a etiologia deuteronomista do desastre (17,7–23).
  • Jerusalém: dois cercos babilônicos — 597 a.C. (deportação de Joaquim) e 589–587/586 a.C. (destruição do Templo por Nabucodonosor II) (texto [W]; Siege of Jerusalem (587 BC) [W]). A oscilação 587/586 depende do esquema de ano de ascensão — problema cronológico, não lacuna documental (Crônica Babilônica e textos astronômicos fornecem balizas) [W].

4.8 A cronologia: Thiele, Hughes e Finkelstein

O período dividido (c. 931–586 a.C.) reconstrói-se a partir de sincronismos internos frequentemente contraditórios. Três posições:

  • Edwin R. Thiele, The Mysterious Numbers of the Hebrew Kings (1951; 3.ª ed. Zondervan, 1983) [V] — Internet Archive: explica as contradições por anos de ascensão não coincidentes (Israel em Tishri, Judá em Nisã), co-regências e mudanças de método; é a cronologia de referência em seminários (Thiele 1951/1983 [V]).
  • Jeremy Hughes, Secrets of the Times: Myth and History in Biblical Chronology (JSOTSup 111; Sheffield, 1990) [W] — lê a cronologia de Reis como sistemática/teológica (esquemas de 20/40 anos, arredondamentos) mais que documental (Themelios/Gospel Coalition [W]).
  • Israel Finkelstein (cronologia baixa) — desloca as âncoras arqueológicas para baixo, reposicionando a cronologia de todo o Ferro II (Finkelstein [W]).

Posição honesta: a cronologia do período dividido é reconstrução e segue disputada; as datas são hipóteses, não consenso fechado.


Elias e os profetas de Baal no Carmelo
Elias e os profetas de Baal no Carmelo · 1Rs 18,20-40Gravura de 1579 conservada no Rijksmuseum: o duelo do Carmelo, em que Elias propõe que o deus que responder com fogo seja reconhecido como Deus (1Rs 18,20-40). O dossiê usa a cena porque ela resume o conflito religioso que atravessa o ciclo de Elias, e a estampa renascentista a apresenta como disputa pública, com o povo e o rei assistindo.Rijksmuseum · 1579 · gravura (buril) · Rijksmuseum, Amsterdã (RP-P-1988-305)Fonte: Wikimedia Commons · Licença: CC0

5. Temas

  • Aliança e fidelidade: o critério “reto aos olhos de Javé” é a espinha do livro; a aliança com Davi condiciona a dinastia (1 Rs 8,22–26; 9,4–9).
  • Centralização do culto e o Templo: Jerusalém como lugar único; o Templo como centro da presença e da memória (1 Rs 8); o culto local como pecado (2 Rs 23).
  • Profetas e reis: o poder régio é contestado pela palavra profética (Natã, Aías, Elias, Eliseu, Isaías em 2 Rs 19–20).
  • Idolatria e apostasia: apresentada como causa direta do exílio (2 Rs 17,7–23; 21,10–16).
  • A dinastia davídica e o messianismo: a promessa a Davi sobrevive à queda e alimenta a esperança pós-exílica (2 Sm 7; 1 Rs 8; cf. Jr 33).
  • Poder e injustiça: a vinha de Nabote (1 Rs 21), caso paradigmático do abuso régio e da resposta profética.
  • Maravilhoso e história: milagres de Elias e Eliseu convivem com anais de guerra e tratados.

Elias arrebatado num carro de fogo
Elias arrebatado num carro de fogo · 2Rs 2,1-15Pintura de Giuseppe Angeli (c. 1740-1755), do acervo aberto da National Gallery of Art: Elias é levado ao céu no carro de fogo diante de Eliseu, que recebe seu manto (2Rs 2,1-15). O dossiê usa a obra na seção de recepção porque a passagem de Elias para Eliseu é a única sucessão profética narrada com essa solenidade no ciclo dos Reis.Giuseppe Angeli · c. 1740/1755 · óleo sobre tela · National Gallery of Art, Washington (open access)Fonte: Wikimedia Commons · Licença: CC0

6. Recepção

Judaísmo. Elias é figura litúrgica central: mensageiro da redenção (Ml 3,23–24), invocado no Seder de Pessach — o “copo de Elias” (quinta taça, deixada intacta) e a porta aberta — e no “assento de Elias” (kissê shel Eliahu) durante a circuncisão (Chabad.org [W]; Reform Judaism [W]). Salomão passa à tradição como modelo do sábio, associado à literatura sapiencial (texto [W]).

Cristianismo. Elias e Eliseu reaparecem no NT: Elias na Transfiguração (Mt 17,1–8; Mc 9,2–8; Lc 9,28–36) e como precursor de João Batista (Mt 11,14; Lc 1,17). Jesus evoca a rainha de Sabá e “algo maior que Salomão” (Mt 12,42; Lc 11,31) (texto [V]). Salomão é ancestral de José na genealogia (Mt 1,6–7) (texto [W]). O Carmelo e Elias tornam-se fundamento da Ordem do Carmo, que o venera como “pai espiritual” (Carmelitas Descalços [W]).

Arte. Nicolas Poussin, O Julgamento de Salomão (1649, óleo, Museu do Louvre, INV 7277) [W]; Piero della Francesca, Rainha de Sabá (c. 1452–1466, afresco na Lenda da Vera Cruz, Arezzo), retrata o encontro de Sabá com Salomão [W].

Música. Händel, Solomon (HWV 67), oratório em três atos, estreia em 17 de março de 1749 em Londres; célebre pela Entrada da Rainha de Sabá (Harmonia Mundi [W]). Mendelssohn, Elias (Elijah, op. 70, MWV A 25), oratório estreado em 26 de agosto de 1846 em Birmingham, libreto de Julius Schubring, tradução inglesa de William Bartholomew, regido pelo compositor (LSO [W]; planethugill.com [W]).

Islã. Sulaymān é, no Corão, profeta e rei, herdeiro de Dawud, com domínio sobre os jinn e o vento; a tradição incorpora a rainha de Sabá (Bilqīs) e o anel (27,15–44) [W].

Etiópia e Rastafári. O Kebra Nagast (“Glória dos Reis”, em ge’ez, provavelmente séc. XIV) narra o encontro de Salomão com Makeda e o nascimento de Menelik I, fundando a dinastia salomônica etíope — legitimação político-religiosa do poder imperial (Budge, trad. ingl. [W]). A memória passa ao rasta [W].

Cinema e televisão. Salomão e a Rainha de Sabá (Solomon and Sheba, 1959; dir. King Vidor, com Yul Brynner e Gina Lollobrigida) [W]; Salomão (Solomon, 1997), minissérie para a RAI, dir. Roger Young, com Ben Cross, Max von Sydow (Davi) e Anouk Aimée (Bate-Seba) [W] (IMDb tt0143889 [W]).


Reconstrução do templo de Salomão
Reconstrução do templo de Salomão · 1Rs 6,1-38Gravura de 1546, publicada por François Vatablus na Bíblia parisiense, com a reconstrução do templo de 1Rs 6-7 e seus pátios. O dossiê usa a estampa porque mostra que cada geração refez o edifício a partir do texto — e a dificuldade de reconstruir o templo é a mesma que atravessa todo o dossiê de Reis.Francois Vatable · 1546 · gravura · Biblia (Paris, 1546), de François VatablusFonte: Wikimedia Commons · Licença: Public domain

7. Traduções PT e Comentários PT

Traduções com Reis (dentro da Bíblia completa; não há edição crítica separada comum [—]):

  • Almeida: tradição de João Ferreira de Almeida (NT 1681; Bíblia completa 1753), revisões ARC, ARA (SBB) e ACF (SBTB) [W].
  • Bíblia de Jerusalém: edição brasileira da Bible de Jérusalem (Paulinas/Paulus, 1981, rev. 2002) [W].
  • TEB — Tradução Ecumênica da Bíblia: versão brasileira da TOB francesa (Loyola) [W].
  • Bíblia Sagrada dos Capuchinhos (Difusora Bíblica, Fátima; PT-PT), 7.ª ed., ISBN 9789726523789 [W].

Edição de referência em PT-PT:

  • Frederico Lourenço, Bíblia — Volume V, Tomo I: Antigo Testamento — Os Livros Históricos (Josué, Juízes, Reinados/Reis, acrescidos de Rute), tradução a partir do grego (Septuaginta), Lisboa: Quetzal Editores, março de 2023, capa dura, 528 pp., ISBN 9789897224621 [V — página de produto da Wook, que confirma editora, data, páginas e ISBN]. O volume atesta que o rótulo “História Deuteronomística” já está consagrado no mercado editorial português [V]. Correção da hipótese inicial: o volume cobre Josué–2 Reis e Rute, e traduz a versão grega, não o massorético.

Comentários em português (paginação não vista; [W]):

Salomão e a rainha de Sabá
Salomão e a rainha de Sabá · 1Rs 10,1-13Painel de cassone do Mestre de Lecceto (século XV), no Metropolitan Museum, com a visita da rainha de Sabá a Salomão (1Rs 10,1-13). O dossiê usa a obra porque a cena é o retrato que o livro faz da corte de Salomão em seu auge — a sabedoria que chega de fora para ser reconhecida, poucos capítulos antes da ruína do reino.Master of Lecceto · 15 th century · têmpera sobre madeira (painel de cassone) · The Metropolitan Museum of Art, Nova York (open access)Fonte: Wikimedia Commons · Licença: CC0
  • Donald J. Wiseman, 1 e 2 Reis: Introdução e Comentário (Série Cultura Bíblica; Vida Nova) [W — autor e título confirmados em catálogo comercial; ISBN 9788527503716 sem cross-check bibliográfico].
  • Dale Ralph Davis, 1 e 2 Reis (Comentários do Antigo Testamento) [W].
  • Hernandes Dias Lopes, 2 Reis (Comentários Expositivos Hagnos) [W].
  • Enduring Word (comentário online em PT-BR de 2 Reis) [W].

Obras-âncora: Noth (1943) [V]; Cross (1973) [V]; Thiele (1951/1983) [V]; Hughes (1990) [W]; sem tradução PT localizada de Noth, Cross, Thiele, Hughes, Gray, Montgomery-Gehman, Cogan-Tadmor ou Sweeney [—].


8. Audiovisual e Games

TítuloRealidadeValidação PTMarcador
Salomão (Solomon, 1997, RAI; dir. Roger Young; Ben Cross, Max von Sydow, Anouk Aimée)minissérie de TVIMDb PT «Salomão (Minissérie de televisão 1997)», tt0143889[W]
Salomão e a Rainha de Sabá (Solomon and Sheba, 1959; dir. King Vidor)filmetítulo PT-BR/PT-PT em material de divulgação[W]
Reis (série de TV, Record, 2018–; criação Raphaela Castro e Cristiane Cardoso)série brasileira originalpt.wikipedia «Reis (série de televisão)»; IMDb tt20827706[W]
Elías (produções de drama bíblico em espanhol)circulação lusófona esparsadisponibilidade PT não confirmada[—]
Videogames com Reisnenhum jogo oficial brasileiro localizado; só títulos genéricos estrangeiros de temática bíblica[—]
Áudio Almeida (WordProject)leitura integral em PT-BRwordproject.org[W]

9. Mitologia e Literatura Comparada

O cerco de 701 a.C.: o mesmo evento em duas retóricas. O caso-modelo do comparatismo em Reis é um evento atestado dos dois lados. Os Anais de Senaqueribe, gravados nos três prismas finais — Taylor (Museu Britânico), ISAC/Chicago e Jerusalém (Israel Museum) —, descrevem a campanha de 701: quarenta e seis cidades de Judá tomadas, Ezequias “fechado como um pássaro em gaiola”, tributo acrescido (Sennacherib’s Annals [V]; Taylor Prism [V]). 2 Reis 18–20 narra a mesma invasão e chega a outro desfecho: a retirada assíria, atribuída ao anjo de Javé que abate 185.000 homens (2 Rs 19,35 [V] texto).

O ponto é o que cada texto omite. O anais assírio omite a queda de Jerusalém (não a toma), porque um anais régio não registra derrota; a razão do recuo fica fora do enquadramento assírio (Sennacherib’s Annals [V]). O texto bíblico omite o tributo de trezentos talentos pago por Ezequias ao celebrar a libertação como milagre, e omite a tomada das cidades da Sefelá, que o anais detalha. Cada texto constrói a vitória que precisa [W]. Há contato demonstrável na cronologia, mas não empréstimo literário: os documentos divergem por gênero, e ambos são apologéticos — o anais nunca registra derrota, e a tese de Reis é a retribuição deuteronomista (Noth 1943 [V]; Cross 1973 [V]) [W].

Mesha e a inscrição de Al-Balu’a. A Estela de Mesha (Louvre AO 5066; c. 840 a.C.) reescreve o mesmo evento de 2 Rs 3: três relatos concorrentes (Mesha, 2 Rs 3, Salmanasar III) do mesmo teatro de guerra (Estela de Mesha [W]). A Estela de Al-Balu’a (Balu’a Stele), achada em 1930 ao norte de Qir de Moabe, tem relevo de figuras e inscrição mal conservada, de datação disputada — o caso onde o comparatismo ensina a não concluir [W].

O templo de Salomão e os templos sírio-fenícios. O paralelo arquitetônico mais próximo do Templo de 1 Rs 6–7 está na Síria. O templo de ‘Ain Dara (escavado 1980–1985; ocupação c. 1300–740 a.C.) tem planta tripartida — pórtico com duas colunas, sala principal, câmara interna — e relevos de leões e esfinges comparáveis aos querubins; é anterior ao Templo na datação tradicional, e a direção da dependência aponta para o mundo sírio-hittita (Ain Dara [V]; BAS [W]). Tell Tayinat (séc. VIII a.C.) e os templos de Emar, Mumbaqat e Ebla integram a mesma família (Ain Dara [V]).

O duelo do Carmelo (1 Rs 18) e a teofania de Baal/Anat em Ugarit. O Carmelo — Elias contra os profetas de Baal, o fogo que desce, a seca e depois a chuva — usa o vocabulário da teofania da tempestade, o que o Ciclo de Baal de Ugarit (c. 1400–1200 a.C.) atribui a Baal: senhor da chuva e da fertilidade, o raio como arma (Baal Cycle [W]). A direção é disputada: a linguagem da teofania é patrimônio comum do Levante (poligenia provável; dependência literária direta não demonstrável), e 1 Rs 18 desloca o motivo para Javé e nega o direito de Baal a ele — a polêmica pressupõe o vocabulário do adversário — a seca e a água são o objeto literal da disputa entre dois deuses de chuva (Baal and Yahweh as storm gods [W]).

A rainha de Sabá e o comércio do incenso. 1 Rs 10 situa-se no mundo do comércio do incenso de Sabá (Saba’, capital Marib, Iêmen), enriquecido pelo franquincenso, pela mirra e pela barragem de Marib (World History Encyclopedia, Kingdom of Saba [W]; Smithsonian, Caravan Kingdoms [W]). A comparação não prova que uma rainha histórica visitou Salomão; mostra que o bem associado à visita — ouro, especiarias, pedras preciosas (1 Rs 10,10) — é a pauta comercial de Sabá. Direção: convergência econômica, sem dependência demonstrável [W].

Regra de ouro. Nenhum paralelo tem “vencedor”: dependência (paralelo anterior + contato), poligenia (motivo comum sem contato) ou resolução (ambos dependem de um terceiro). Em Reis, só 701 a.C. tem contato ancorado [W].

10. Filosofia — as perguntas que o texto levanta

1 Rs 22 e a causalidade divina do mal. O capítulo narra a corte celeste: Javé consulta seus espíritos, um se oferece para ser espírito mentiroso na boca dos profetas de Acabe, e Javé autoriza (1 Rs 22,19–23 [V] texto). O problema não se dissolve por vocabulário: Deus causa (ou permite) o engano moral. Agostinho distingue o que Deus quer do que permite (De Ordine; Cidade de Deus) [W]. Calvino enfrenta o caso: nega que a distinção permissão/querer resolva, sustenta que homens e anjos — bons e maus — não fazem senão o que foi decretado por Deus, e responde à objeção “Deus é autor do pecado” distinguindo o mandamento revelado do conselho secreto (Calvin, Institutes, Livro I, cap. 18, «The Instrumentality of the Wicked Employed by God» [V] — texto em ccel.org). O texto não responde; apresenta um Deus que sanciona a mentira, e a teologia posterior tem de trabalhar com esse dado, não apagá-lo [W].

2 Rs 22 e a invenção da tradição. A “descoberta” do livro da lei, no ano 18 de Josias (c. 622 a.C.), lido por Safã e validado pela profetisa Hulda (2 Rs 22,8–20 [V] texto), coloca um problema anterior ao histórico: um texto que se apresenta como antigo e cuja função é legitimar a reforma presente deixa de ser documento e passa a ser argumento — o problema da legitimação a posteriori e da invenção da tradição. Desde de Wette (1805), a crítica o identifica com o núcleo do Deuteronômio — escrito, na fórmula consagrada, para ser achado (de Wette 1805 [W]). O tema tem nome: invenção da tradição (Hobsbawm & Ranger, 1983 [W]) e, antes dela, a crítica de Espinosa, no Tractatus Theologico-Politicus (1670), que submete o texto bíblico ao exame racional e lança a crítica bíblica como empreendimento filosófico (Espinosa 1670 [W]).

A retribuição imediata e o justo sofredor de dentro. Reis promete retribuição: reis maus caem, as quedas são castigo (2 Rs 17,7–23 [V] texto). Mas essa teologia carrega contradição interna: Josias, o rei reformador, morre em Megido contra o faraó Necao (2 Rs 23,29 [V] texto), e a reforma mais fiel não impede a destruição (2 Rs 23,26–27 [V]). É o problema do justo sofredor — formulado em Jó e nos Salmos de lamento, e pela teodicéia babilônica Ludlul bēl nēmeqi (Lambert [W]) — reaparecendo dentro de um livro que deveria dar a resposta [W]. A retribuição funciona como estrutura narrativa; como resposta, falha, e o narrador sabe disso [W].

Idolatria, tolerância e coerção religiosa. A linguagem centralizadora de Josias — supressão dos bamot, dos objetos de Baal e Aserá, dos “cavalos do sol” (2 Rs 23,4–25 [V] texto) — levanta a pergunta política: até onde a fidelidade religiosa pode ser imposta? A questão tem nome: tolerância (Locke, Epistola de Tolerantia, 1689 [W]) e liberdade religiosa (Madison, 1785 [W]) são respostas contra a lógica de 2 Rs 23, que legitima sanções religiosas que o Estado moderno proíbe [W]. Josias e a política da reforma: a centralização do culto em Jerusalém é, ao mesmo tempo, pureza (face teológica) e concentração de poder sacerdotal, econômico e régio (face política) — o problema histórico da legitimação do poder pelo sagrado [W].

11. Teologia — os debates

O deuteronomismo e as redações propostas. A grande discussão técnico-teológica sobre Reis é quantas mãos escreveram a História Deuteronomista (DtrH) e quando.

  • Noth (1943) — obra unitária e anônima, escrita no exílio (c. 550 a.C.), de tese uniforme: o exílio explica-se pela apostasia acumulada (Noth 1943 [V] — Internet Archive; trad. ingl. 1981 [V]).
  • Cross (1973)duas edições: Dtr¹, pré-exílica, do tempo de Josias, otimista; e Dtr², exílica, de juízo (Cross 1973 [V]).
  • Friedman (1981) — radicaliza a tese dupla: a primeira edição seria josiana, e a obra sacerdotal (P) nasceria depois como resposta polêmica (Friedman 1981 [V] — Brill/OUP).
  • Provan — leitura de composição escalonada, sem datar toda a obra no exílio (Provan [W]).
  • Albertz — lê a DtrH como a teologia do movimento de reforma deuteronomista, programa sócio-religioso datável, mais que obra de um só autor exílico (Albertz, A History of Israelite Religion, 1994 [W]).

O debate muda o sentido do livro: ler a DtrH como resposta ao desastre (Noth) ou como enfrentamento interno de facções (Cross, Friedman, Albertz) são leituras incompatíveis do mesmo texto [W].

A profecia e a história. Os ciclos de Elias e Eliseu (1 Rs 17–2 Rs 8) circularam originalmente como ciclos proféticos autônomos, incorporados depois ao esqueleto cronístico dos reis (texto [W]; Noth 1943 [V]). Teologicamente, a questão é a sucessão profética: Elias unge Eliseu (1 Rs 19,16.19), Eliseu herda o “espírito” e o manto (2 Rs 2,9–14), e a linhagem profética se estabelece como autoridade paralela ao poder régio [W].

Judaica. Elias é figura litúrgica viva: mensageiro da redenção (Ml 3,23–24) invocado no Seder de Pessach — a taça de Elias (a quinta taça, deixada cheia) e a porta aberta para o profeta — e no assento de Elias (kissê shel Eliahu) na circuncisão (Chabad.org [W]; Reform Judaism [W]).

Islâmica. No Corão, Sulaymān é profeta e rei, herdeiro de Dāwūd, com domínio concedido por Deus sobre os jinn e o vento (Suras 27, al-Naml, e 34, Saba’) [W]. A tradição posterior — tapete voador, o anel com o nome divino — é tradição (isrā’īliyyāt, comentários), não texto corânico; separar as duas camadas é o trabalho comparativo (Answering Islam, Solomon’s Flying Carpet [W]). O Corão nomeia a rainha de Sabá (Bilqīs, na tradição) e recusa a divinização de Sulaymān (34,14) [W].

Cristã. No NT, Elias reaparece na Transfiguração (Mt 17; Mc 9; Lc 9) e é lido como precursor de João Batista (Mt 11,14; Lc 1,17) — a tipologia do Dia do Senhor faz de Malaquias 3–4 a chave escatológica [W]. Jesus evoca a rainha do Sul, que “veio dos confins da terra ouvir a sabedoria de Salomão”, contra a geração presente (Mt 12,42; Lc 11,31 [V] texto). Na arte, Mendelssohn, Elias (op. 70, MWV A 25), oratório estreado em 26 de agosto de 1846 em Birmingham, regido pelo compositor (Britannica [V]; Wikipedia, Elijah (oratorio) [V]).

Teologia do exílio e a esperança. À pergunta que Reis responde (por que caímos?) contrapõe-se a do exílio (foi o fim?). As respostas pós-exílicas — a promessa davídica condicional (1 Rs 8,22–26; 9,4–9 [V] texto) e a libertação de Joaquim (2 Rs 25,27–30 [V] texto) como sinal mínimo de continuidade — constroem uma esperança que sobrevive ao juízo: a promessa não revogada dentro do livro que narra o castigo alimenta a esperança pós-exílica e, depois, a messiânica cristã [W].

11.1. Comentaristas por esfera confessional

Os debates acima são históricos e teológicos; esta camada é outra: quem leu Reis, de dentro de qual tradição, e com que obra. Ela existe porque uma bibliografia que só reúne a série evangélica anglófona não é o campo inteiro — é um recorte de uma tradição apresentado como o todo. Organiza-se por esfera, não por cronologia, porque o leitor procura pela tradição de leitura. Cada nome vem com a obra e, quando conferível, o ano.

Regra de rotulagem, que é o ponto sensível desta camada: a perspectiva se declara, não se atribui. Onde o autor declarou publicamente sua posição, escreve-se o rótulo com a fonte da declaração; onde não declarou, descreve-se o método da obra (“leitura não confessional”, “método histórico-crítico e arqueológico”), sem inferir a crença pessoal; onde só fontes secundárias rotulam, marca-se [W] e diz-se que a rotulagem é de terceiros. E o corolário que protege o rigor: o rótulo é metadado, não argumento — “é ateu” não refuta o que ele demonstra, nem “é católico” o que ela demonstra. A cobertura patrística de Reis não é a do Pentateuco: aqui a via grega é a compilação, e isso muda tudo o que abaixo se lista.

1. Católico ocidental (latino). A fonte patrística latina principal é Beda o Venerável (c. 673–735): o In Regum librum XXX quaestiones, tratado exegético breve endereçado a Notelmo (CPL 1347; CCSL 119, pp. 289–322) [V], e o De templo — comentário sobre o Templo de Salomão e o fim de Reis, que faz da arquitetura do santuário figura da Igreja (CCSL 119A) [V]. Note-se, contra a atribuição fácil, que a edição crítica é a de David Hurst (CCSL 119) — o texto é de Beda, a compilação não [V]. Isidoro de Sevilha (c. 560–636) trata de Reis nas Quaestiones in Vetus Testamentum e usa o livro para resolver questões enciclopédicas nas Etimologias [W]. Na Idade Média, a Glossa Ordinaria (escola de Anselmo de Laon) fixou a página bíblica latina com a glossa e a marginalia, e Nicolau de Lira (c. 1270–1349), na Postilla litteralis, separou o sentido literal do alegórico — gesto que influencia Lutero [W]. No período jesuíta, Cornélio a Lapide, Commentaria in omnes Sacrae Scripturae libros (1616–1642), é provavelmente o comentário católico mais influente do período; anterior a ele, João Maldonado e Francisco de Toledo [W]. Modernamente, as notas da Bíblia de Jerusalém e a série Sacra Pagina servem à exposição confessional católica [W].

2. Católico oriental e grego patrístico. Aqui está a diferença estrutural que nenhuma bibliografia anglófona deve esconder: a via grega a Reis é a compilação, não o comentário contínuo. Dos Padres gregos, só um comentário completo aos Reis sobreviveu — o de Teodoreto de Ciro (c. 393–460/6), Quaestiones in libros Regnorum (PG 80), provavelmente sua última obra, que segue o texto luciânico e é literal: fixa-se nas dificuldades históricas, geográficas e onomásticas (o que é Baal, por que Deus permite os ídolos sob Roboão, como entender “Pai, Pai, carros de Israel e sua cavalaria” em 2 Rs 2,12) [V]. O resto vem por catena: a mais completa é a catena ao Octateuco e aos Reis editada em Leipzig pelo hieromonge Nicéforo Teótoces, cujo núcleo são as questões de Teodoreto, completadas com fragmentos gregos de outra catena, a de Procópio de Gaza (só conhecida inteira por tradução latina) [V]. João Crisóstomo é lido em Reis por homilias (Elias reprovando Acabe; cf. a menção em Hom. sobre Hebreus 18) e pela liturgia, mas atenção: boa parte das homilias sobre Elias transmitidas sob seu nome é pseudoepigráfica — não usar o rótulo “Crisóstomo” sem verificar [W]. Efrém o Sírio tem, em siríaco, um comentário a Reis preservado em dois extratos de uma catena do monge Severo de Edessa (séc. IX); o comentário, porém, não é de Efrém — é do início da Idade Média, e a atribuição deve ser dita [V].

3. Ortodoxo. A tradição ortodoxa lê Reis sobretudo por catena, pela liturgia e pelos Padres, não por comentário crítico moderno — procurar “o comentário ortodoxo de Reis” é procurar coleções de catenae, homiliários e os Padres. Compilações: a catena grega acima; na tradição russa, a Толковая Библия (Bíblia Comentada) de Alexander Lopukhin (1904–1913), volume por volume [W]; e a Orthodox Study Bible (NT 1993, completa 2008), com notas patrísticas [W]. Modernos: Panayotis Trembelas e, para o romeno, Dumitru Stăniloae; a tradição russa recorre ainda aos comentários de Teófano o Recluso [W].

4. Protestante. Ponto de correção honesta contra o briefing: Calvino não deixou comentário formal a Reis — sua série de Commentarii cobre quase todo o cânone, mas não os livros históricos; sua última série de sermões foi em 1 Reis (1563), e seu último comentário é o de Josué (publicado em 1564, após sua morte) [V]. Atribuir-lhe um “Commentary on 1–2 Kings” seria erro de atribuição — o material calviniano sobre Reis é homilético, não exegético-contínuo. Matthew Henry, Exposition of the Old and New Testaments (1706–1710), é o comentário devocional de maior circulação [W]. Keil–Delitzsch (séc. XIX) é o grande comentário crítico-confessional alemão [W]. No séc. XX–XXI, a lista é densa: Donald J. Wiseman, 1 and 2 Kings (Tyndale, TOTC, 1993) [W]; T. R. Hobbs, 2 Kings (Word Biblical Commentary, WBC, 1985) [W]; Iain Provan, 1 and 2 Kings (NIBC) [W]; Jerome T. Walsh e Paul M. Begg, 1 and 2 Kings (New International Commentary, NICOT) [W]; Paul R. House, 1, 2 Kings (NAC) [W]. Os volumes Mordecai Cogan e Hayim Tadmor, II Kings (Anchor Bible, 1988) e I Kings (Cogan, AB, 2001) são “mais críticos que confessional” e circulam nas duas margens [V para 1988].

5. Judeu. Como voz própria, e não pano de fundo: Rashi (1040–1105), comentário aos Profetas Anteriores — com a ressalva, que os estudiosos levantam, de que o Rashi impresso de Reis passou por mãos de discípulos [W]; Radak (David Kimi, c. 1160–1235), que comentou os Profetas, incluindo Reis [W]; e Ralbag (Gersonides, Levi ben Gershon, 1288–1344), também sobre os Profetas Anteriores [W]. Os três andam juntos nas edições de Mikraot Gedolot [W].

6. Islâmico. Reis não é lido como livro, mas Sulaymān (Salomão) é figura corânica: as suras 27 (al-Naml) e 34 (Saba’) narram seu domínio sobre os jinn e o vento, o episódio da rainha de Sabá (Bilqīs, na tradição) e a recusa da divinização do rei (34,14) [W] (§11, “Islâmica”). Comentam-no Ṭabarī (Jāmiʿ al-bayān) e Ibn Kathīr (Tafsīr), cuja exegese de 27,34–44 desenvolve Bilqīs e o trono [W]. Separar o texto corânico da isrā’īliyyāt (tapete voador, o anel) é o trabalho comparativo [W].

7. Ateu, agnóstico e não confessional. Israel Finkelstein é a referência da cronologia baixa: desloca as âncoras arqueológicas do Ferro II para baixo, contra o quadro alto de Amihai Mazar — é leitura não confessional e de método arqueológico, e assim se descreve; não se rotula sua crença pessoal (não há declaração do próprio que sobre ela se apoie) [W]. O mesmo vale para a escola minimalista: Thomas L. Thompson (The Historicity of the Patriarchal Narratives, 1974; The Mythic Past, 1999) [W], Niels Peter Lemche [W] e Keith W. Whitelam (The Invention of Ancient Israel, 1996) [W] — obras de método histórico-crítico e naturalista, cuja posição de fé não é o que as qualifica e, sem declaração, não se lhes atribui rótulo. Onde há autodeclaração, o rótulo é legítimo: Francesca Stavrakopoulou, professora de Hebraico Bíblico em Exeter, declara-se ateia — o título e o teor da entrevista ao Theos Think Tank (“studying theology as an atheist”, 2022) e a própria fala “I am an atheist—always have been, always will be” o atestam [V para a autodeclaração pública], com God: An Anatomy (2021) como obra [W]. Cuidado de categoria: polêmica de divulgação (Dawkins, Hitchens) não é crítica bíblica — as duas não se misturam.

Balanço e assimetria declarada. Católico ocidental: 5 nomes listados (Beda, Isidoro, Glossa, Lira, Lapide). Católico oriental / grego: 4 (Teodoreto, Nicéforo/pseudo-Procópio, Crisóstomo, Efrém). Ortodoxo: 3-4 (Lopukhin, OSB, Trembelas/Stăniloae, Teófano). Protestante: 8 (Calvino — com a ressalva, Henry, Keil–Delitzsch, Wiseman, Hobbs, Provan, Walsh–Begg, House, Cogan–Tadmor). Ateu/não confessional/agnóstico: 5 (Finkelstein, Thompson, Lemche, Whitelam, Stavrakopoulou). O desequilíbrio é real e tem de ser dito: o Oriente é representado aqui por fonte primária (Teodoreto, catena), mas é assimétrico por natureza do material — a tradição oriental a Reis é compilação, não série moderna, e quem busca só por série moderna sub-representa o Oriente por construção. Onde não há declaração do próprio, não se lê a crença; onde há, cita-se a fonte. Rótulo é o que permite ao leitor situar de onde vem o que lê — nunca o que encerra a questão sem examinar o argumento.

12. Ciência — o que as ciências dizem, e onde não têm competência

A cronologia assíria como âncora absoluta. O raro caso de datação absoluta no período de Reis vem da Assíria, não da Bíblia. A lista dos epônimos (limmu) registra, no ano do funcionário Bur-Sagale, um eclipse solar no mês de Simanu — identificado com o eclipse de 15 de junho de 763 a.C., no décimo ano de Assur-dan III (Assyrian eclipse [V]). É um dos poucos fixos astronômicos que ancoram toda a cronologia do antigo Oriente Próximo: dele se datam Salmanasar III e, por consequência, a batalha de Qarqar (853 a.C.) e o tributo de Jeú (841 a.C.), marcos que cruzam com Reis (§4.5) (Assyrian eclipse [V]; Monólito de Kurkh [W]; Obelisco Negro, Museu Britânico [V]).

A cronologia bíblica contra a assíria. Sobre a cronologia relativa do período dividido, três posições:

  • Thiele (1951) — resolve as contradições internas por anos de ascensão não coincidentes (Israel em Tishri, Judá em Nisã), co-regências e mudanças de método (Thiele 1951/1983 [V] — Internet Archive).
  • Hughes (1990) — lê a cronologia de Reis como sistemática/teológica mais que documental (Hughes 1990 [W] — Themelios).
  • Finkelstein — desloca as âncoras arqueológicas para baixo, reposicionando todo o Ferro II (Finkelstein [W]).

A divergência não é sobre os números assírios (sólidos), mas sobre como emendar a incompatibilidade entre a cronologia bíblica e os sincronismos assírios: as datas de Reis são reconstrução hipotética, não consenso (Thiele 1951 [V]; Hughes 1990 [W]; Finkelstein [W]).

Radiocarbono da destruição de Jerusalém e Láquis. Um estudo de 2024, com 103 medições de 14C em contextos do Ferro II de Jerusalém, mostrou desvios de calibração regionais relevantes e refinou as fases construtivas da cidade em relação às campanhas assíria (701) e babilônica (586) (Regev et al., «Radiocarbon chronology of Iron Age Jerusalem», PNAS, 2024, DOI 10.1073/pnas.2321024121 [V]). Em Láquis, os níveis de destruição do Ferro II foram datados por radiocarbono (Lachish Fortifications and State Formation, Radiocarbon [W]); a destruição final por Nabucodonosor (c. 586) é corroborada por conflagração documentada (Armstrong Institute [W]). Qualquer datação absoluta exige o laboratório e a publicação [W].

A arqueologia de Edom e a datação do cobre do Arabá. Levy et al. (2008), na PNAS, dataram por radiocarbono de alta precisão a produção de cobre de Khirbat en-Nahas (Faynan, Jordânia) e empurraram a cronologia do Ferro de Edom cerca de dois séculos para trás (para c. 1200–500 a.C.), sugerindo entidade política edomita anterior ao previsto (Levy et al. 2008, PNAS 105, DOI 10.1073/pnas.0804950105 [V]). A hipótese “Early Edom” sofreu crítica direta (Finkelstein 2020, «The Arabah Copper Polity and the Rise of Iron Age Edom», Antiguo Oriente 18 [W]; «An Archaeological Critique of the ‘Early Edom’ Hypothesis» [W]). A controvérsia high vs. low chronology atravessa tudo: Finkelstein propõe cronologias baixas para o Ferro II, contra o quadro alto de Amihai Mazar e outros [W]. A metodologia de Levy et al. é sólida; a interpretação histórica é o que está em disputa [W]. A referência conjunta «Levy & Finkelstein, 2019» do briefing não foi localizada nesta sessão [—].

A inscrição de Siloé e o sistema hidráulico de Ezequias. A Inscrição de Siloé (descoberta em 1880 na saída do túnel), em paleo-hebraico, descreve a perfuração por duas equipes que se encontraram no meio, ligando a fonte de Giom ao tanque de Siloé (c. 700 a.C.; KAI 189) — testemunho epigráfico de engenharia, não de teologia (texto [W]; Siloam inscription [V]). A associação ao cerco de 701 é majoritária, mas não provada [—].

A evidência arqueológica da queda de Samaria (722/720 a.C.). A conquista assíria é atestada pelos anais de Sargão II, que reivindica a tomada em 720 a.C., contra os anais que apontam Salmanasar V, cujo cerco de três anos se conclui; a oscilação 722 vs. 720/721 depende de datar a tomada ou a deportação definitiva («Assyrian Deportation and Resettlement» [W]).

Onde a ciência NÃO tem competência. Marcar a fronteira, sem deixar o leitor presumir resolução:

  • A arqueologia não decide se Javé falava, se o anjo feriu o exército, se o fogo do Carmelo foi milagre. Ela decide se uma afirmação factual (Samaria destruída, túnel, Láquis queimada) é compatível com o observado [W].
  • A ciência não data a fé nem a verdade de uma interpretação; ela data materiais — carvão, madeira, cerâmica [W].
  • A ciência não resolve o problema da causalidade divina do mal nem a questão da invenção da tradição (§10): são questões textuais e filosóficas, não observacionais [W].

Ler Reis com ciência exige, a cada passo, marcar a fronteira: onde o dado documental termina e a interpretação — histórica ou teológica — começa [W].

A inscrição de Siloé
A inscrição de Siloé · 2Rs 20,20 (cf. 2Cr 32,30)A inscrição gravada no túnel aberto em Jerusalém sob Ezequias (2Rs 20,20) narra, em hebraico, o encontro dos dois grupos de escavadores no meio da rocha. O dossiê usa a imagem — fotografia de uma cópia da inscrição — na seção de ciência porque é o testemunho epigráfico de uma obra de engenharia que o livro menciona numa linha e que, no chão, tem centenas de metros de túnel.Wikikati · 2010-03-08 · pedra com inscrição (séc. VIII-VII a.C.) · Fotografia de uma cópia da inscrição (Wikimedia Commons)Fonte: Wikimedia Commons · Licença: Public domain
Prisma de Taylor (anais de Senaqueribe)
Prisma de Taylor (anais de Senaqueribe) · contexto epigráfico (cf. 2Rs 18-19)O prisma de Taylor, no British Museum, reúne os anais de Senaqueribe e o relato de sua campanha na região de Judá, com o cerco de Jerusalém e o tributo de Ezequias, sem que se mencione a tomada da cidade (cf. 2Rs 18-19). O dossiê o usa na seção de ciência: é o caso mais discutido de uma inscrição real que confirma um episódio do livro e, ao mesmo tempo, o conta de outro modo.This image was produced by me, David Castor ( user:dcastor ). The pictures I submit to the Wikipedia Project are released to the public domain. This gives you the right to use them in any way you like, without any kind of notification. This said, I would still appreciate to be mentioned as the originator whenever you think it complies well with your use of the picture. A message to me about how it has been used would also be welcome. You are obviously not required to respond to these wishes of mine, just in a friendly manner encouraged to. (All my photos are placed in Category:Images by David Castor or a subcategory thereof.) · argila inscrita (prisma, c. 691 a.C.) · British Museum, Londres (prisma de Taylor); fotografia de David CastorFonte: Wikimedia Commons · Licença: Public domain

13. Lacunas e Correções de Atribuição

  1. [—] Cronologia absoluta: as datas do período dividido dependem da reconstrução de Thiele (1951/1983) ou de modelos alternativos (Hughes 1990; Finkelstein). Não há consenso fechado — apresentar as posições, não uma só.
  2. [—] Data da queda de Samaria: 722 a.C. (consenso) versus 720/721 a.C. (deportação sob Sargão II); a divergência é sobre qual evento se data (tomada da cidade ou deportação final).
  3. [—] Data da queda de Jerusalém: 587 ou 586 a.C. conforme o esquema de ano de ascensão; a Crônica Babilônica baliza 597 e 586, sem resolver todas as ambiguidades internas.
  4. [—] Números de Qarqar: os 2.000 carros e 10.000 soldados de Acabe no Monólito de Kurkh são hiperbólicos; usar como indício de existência, não como cifra exata.
  5. [—] Atribuição inicial do volume Quetzal: o encargo o descrevia como “Livros Históricos (Josué–2 Reis)”; a conferência [V] corrige: tradução da Septuaginta, incluindo Rute, sob o título “Antigo Testamento — Os Livros Históricos” (2023).
  6. [—] Traduções PT dos autores-âncora: Noth, Cross, Thiele, Hughes, Gray, Montgomery-Gehman, Cogan-Tadmor e Sweeney não localizados em português; só os comentários PT-BR de Wiseman, Davis e H. D. Lopes [W].
  7. [—] ISBN de comentários PT: o ISBN 9788527503716 (Wiseman/Vida Nova) apareceu em listagem comercial, não em catálogo bibliográfico cross-verificado — mantido como [W].
  8. [—] Nenhuma citação com página: conforme o protocolo, não se citam páginas não inspecionadas.
  9. [—] Videogame PT-BR específico de Reis: não localizado.

Fontes documentais adicionais: Bible Odyssey (DtrH e redação dupla) [W]: https://www.bibleodyssey.org/articles/deuteronomistic-history/; “Assyrian Deportation and Resettlement: The Story of Samaria” [W]: https://www.thetorah.com/article/assyrian-deportation-and-resettlement-the-story-of-samaria.

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ObraAcessoOnde
Cross, F. M., “The Themes of the Book of Kings…”, em Canaanite Myth and Hebrew Epic (Harvard UP,…livreRosetta (PDF)
Finkelstein, I — cronologia baixa e a “United Monarchy”livrebiblearchaeology.org
Estela de Mesha (Louvre AO 5066; descoberta 1868, Dibon; c. 840 a.C.)livrebiblicalarchaeology.org
Kebra Nagast (ge’ez; trad. ingl. E. A. W. Budge)livreSacred Texts
Noth, M., Überlieferungsgeschichtliche Studien (Niemeyer, 1943)empréstimoInternet Archive
Thiele, E. R., The Mysterious Numbers of the Hebrew Kings (1951; 3.ª ed. Zondervan, 1983). Inter…empréstimoInternet Archive
K. L. Noll — Raising Up a Faithful ExegetebibliotecaOpen Library
Hughes, J., Secrets of the Times: Myth and History in Biblical Chronology (JSOTSup 111; Sheffiel…compraGoogle Books
Lourenço, F. (trad.), Bíblia — Volume V, Tomo I: Antigo Testamento — Os Livros Históricoscomprawook.pt
Wiseman, D. J., 1 e 2 Reis: Introdução e Comentário (Série Cultura Bíblica; Vida Nova)compravidanova.com.br

Selo [esgotado] não aparece aqui: quando a obra não é alcançável de nenhuma forma, o texto aponta o substituto acessível ao lado dela.