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Antiguidade Bíblica

Naum (Nachum) — Artigo Enciclopédico

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Você não precisa ler tudo. Escolha um degrau — cada um é um estado final satisfatório, não um fragmento de curso. A ordem abaixo não é a ordem das seções: o texto vem antes do comentário, de propósito.

  1. 01

    Ler o texto15–30 min

    A passagem inteira, em duas traduções de tradições diferentes, sem comentário. Comparar as duas é o exercício que mais rende: mostra onde o original é ambíguo.

  2. 02

    O contexto20–40 min

    O mundo em que o texto surgiu: geografia, arqueologia, paralelos do Antigo Oriente Próximo.

    §2 §9

  3. 03

    O debate30–60 min

    As posições em disputa, com quem as sustenta, onde publicou e qual é a réplica.

    §4 §10

  4. 04

    A recepção30–60 min

    O que se fez do texto: Padres, medievo, tradições confessionais.

    §6 §11

  5. 05

    As quatro camadas40–90 min

    Comparação com a mitologia, as perguntas filosóficas, os debates teológicos e o que a ciência diz — e onde não tem competência.

    §9 §10 §11 §12

  6. 06

    O dossiê integral1,5–3 h

    Tudo, na ordem, mais bibliografia com selo de acesso e as lacunas assumidas.

Outras portas de entrada
  • Quero só a resposta. Pare no degrau 0 — ele é completo em si.
  • Quero conferir se é verdade. Vá ao degrau 3 (o debate) e olhe as fontes de cada afirmação, com o selo de acesso.
  • Quero ler o texto com calma. Degrau 1, com o glossário ao lado.
  • Vim da fé e quero entender. Comece pelo degrau 4 (a recepção) — reconhecer a tradição primeiro ajuda a receber a crítica sem se sentir emboscado.
  • Vim do ceticismo. Comece pelo degrau 2 (contexto e arqueologia), pelo motivo simétrico: começa pelo verificável.
Como saber se você entendeu

Ao fim de cada degrau, tente responder às três. Se as três não saem, o degrau seguinte vai confundir — volte um.

  1. Compreensão. Consigo dizer o que o texto diz, com minhas palavras?
  2. Análise. Consigo dizer qual problema este texto levanta, e por quê?
  3. Debate. Consigo dizer quem discorda de quem, e sobre o quê?

1. Lead e Ficha

O Livro de Naum (hebr. נַחוּם, Nachum, “consolação”; gr. LXX Ναούμ, Naoum; lat. Nahum) é o sétimo dos Doze Profetas na ordem da Bíblia Hebraica e tem três capítulos tanto no Tanakh quanto no Antigo Testamento cristão [V — Wikipédia, Book of Nahum]. O livro é um oráculo contra Nínive, capital do Império Assírio: anuncia a queda da cidade e a considera justa porque ela é a “cidade sanguinária” (3,1) e a “prostituta graciosa, mestra de feitiçarias, que vende nações com as suas prostituições” (3,4) [W] [V — 1,1 na mesma entrada].

A singularidade de Naum entre os Doze é estrutural: é o único dos doze livros inteiramente oráculo contra uma nação estrangeira, sem acusação contra Israel ou Judá [V — a caracterização consta da introdução ao livro em Wikipédia, Book of Nahum]. A Judá cabe apenas o reverso — “eis sobre os montes os pés do que anuncia boas-novas” (2,1), quase idêntico a Isaías 52,7 [W]. A sobrescrito chama o escrito מַשָּׂא, massa (“oráculo”) e séfer chazon, “livro da visão de Naum, o elcochita” (1,1) [W].

Poucos livros são tão datáveis por eventos externos e tão contestados na datação: o texto cita a queda de TebasNo-Amom (3,8-10) —, destruída por Ashurbanipal em 663 a.C., e anuncia a queda de Nínive, tomada em 612 a.C. por medos e babilônios; o intervalo entre os dois é o quadro em que quase toda a discussão crítica se move [V — Wikipédia, Book of Nahum; V — Britannica, “Battle of Nineveh”].

CampoDadoMarcador
Nome hebraicoNachum (נַחוּם, “consolação”)[V] taxonomia do site
Posição no cânon7.º dos Doze; ordem 41 no site[V]
Capítulos / versículos3 capítulos; 47 versículos[V]
Autoratribuído a Naum, “o elcochita” (1,1)[W]
Datação do textodebatida; quadro geral entre 663 e 612 a.C.[V]
Marcos externosqueda de Tebas/No-Amom, 663 a.C. (3,8-10), e queda de Nínive, 612 a.C.[V]
Marco histórico externoCrônica Babilônica ABC 3 (“Queda de Nínive”)[V]

2. Contexto e Autoria

Nínive e a máquina assíria. Nínive tornou-se capital imperial com Senaqueribe (705–681 a.C.), que ergueu em Kuyunjik o “Palácio Sem Rival”, permanecendo capital sob Esarhaddon (680–669) e Ashurbanipal (668–c. 630) [W]. É o império que destruiu o Reino do Norte em 722 a.C., sitiou Jerusalém em 701 a.C. e era, no tempo de Naum, a maior potência do Antigo Oriente [W]. A Crônica Babilônica ABC 3 (Fall of Nineveh Chronicle) relata a campanha final: depois de um ano de campanhas inconclusivas, medos e babilônios bloquearam Nínive em maio de 612, o cerco durou três meses e a cidade caiu em julho, com o rei Sin-shar-ishkun morto por conta própria; a pilhagem seguiu até 10 de agosto [V — ABC 3, conforme Livius, Fall of Nineveh Chronicle]. A crônica foi editada e traduzida por C. J. Gadd em 1923, no estudo que fixou a data na historiografia moderna [V — Gadd, The Fall of Nineveh: The newly discovered Babylonian Chronicle, No. 21,901 (Oxford, 1923)]. Os medos aparecem na crônica como Umman-manda, termo de sentido obscuro; a participação cita pertence sobretudo à tradição grega posterior — Heródoto — e é tratada com reserva por parte da crítica [W]. O dado importa porque dá ao livro um posto de observação: quem escreve antes de 612 fala de um império em pé; quem escreve depois fala de uma ruína [W].

O profeta e Elkosh. O nome Nachum vem da raiz hebraica de “consolar”; não há patronímico, e o profeta é apresentado apenas como habitante de Elkosh [V — Wikipédia, Nahum]. A tradição do sepulcro está em Al-Qosh, cerca de 45 km ao norte de Mosul, onde uma sinagoga de cerca de 800 anos abriga o que se apresenta como o túmulo do profeta; a comunidade judaica local dispersou-se a partir de 1948-1950 e a estrutura foi socorrida de colapso em 2018 [V — Bible Archaeology Report, 17-abr-2018]. Jerônimo localizou Elkosh na Galileia e ligou o nome de Cafarnaum (Kfar Nahum, “aldeia de Naum”) ao profeta; outras propostas são Elkesi junto a Ramá e Elcesei na Cisjordânia [V — Wikipédia, Nahum; V — Bible Archaeology Report, 2018]. Nenhuma é demonstrável: o dossiê a registra como tradição, não dado arqueológico.

A datação — a questão central. Há quatro famílias de posição, e vale nomeá-las sem transformar maioria em certeza.

(i) Entre 663 e 612 a.C. (maioria crítica). 3,8-10 fala de Tebas no passado, logo Naum escreveu depois de 663; e o livro anuncia a queda de Nínive, logo antes de 612, provavelmente sob Josias (c. 640–609) e no clima da derrocada assíria após a morte de Ashurbanipal [V — Wikipédia, Book of Nahum, que descreve essa como a opinião majoritária atual]. Uma variante precisa o horizonte em c. 615 a.C., “antes da derrocada da Assíria” [V — a posição é registrada e atribuída, em Book of Nahum, à história de Israel de E. W. Heaton, p. 35].

(ii) Depois de 612 a.C. (vaticinium ex eventu). Se 2–3 descrevem a cidade tomada com detalhe vívido — “as portas do rio se abrem” (2,7), “saqueiem a prata, saqueiem o ouro” (2,10) —, alguns autores põem a composição após a catástrofe, como literatura retrospectiva [W]. O dossiê não escolhe: registra que a hipótese depende de juízo teológico sobre a possibilidade da predição, não de um dado novo.

(iii) Antes de 663 a.C. Flávio José situa Naum no reinado de Jotão (c. 750–735 a.C.) e o dirige, então, a Tiglate-Pileser III [V — a atribuição está registrada em Wikipédia, Book of Nahum, com o comentário de Thomas Worthington na Douay-Rheims de que “Naum profetizou cerca de 50 anos depois de Jonas” e “135 anos antes da destruição de Nínive”]. O apoio interno é que Septuaginta e Vulgata traduzem a descrição de Tebas no presente [V — Wikipédia, Book of Nahum] — leitura que a crítica moderna tende a ver como estilo de tradução, não dado histórico [W].

(iv) Datação persa ou helenística tardia. Uma minoria situa a forma final no período macabeu (c. 175–165 a.C.) [V — o intervalo “do séc. VII ao período macabeu” consta de Wikipédia, Book of Nahum]: posição marginal, registrada sem peso maior.

Lugar na história literária. Nínive reaparece em Sofonias 2,13-15 e já havia aparecido em Jonas: os Doze tratam a mesma cidade três vezes [W]. Naum é o caso-limite do corpus — nenhum chamado, nenhuma biografia, nenhuma acusação a Israel [W].


3. Estrutura (3 capítulos)

A divisão tríplice não coincide com a numeração hebraica: o que o texto hebraico chama 1,15 aparece como 2,1 em muitas traduções [W].

  • 1,1 — a sobrescrito. “Oráculo sobre Nínive; livro da visão de Naum, o elcochita” (massa + séfer chazon) [W].
  • 1,2-8 — o hino teofânico. “Javé é um Deus zeloso e vingador” (1,2); o turbilhão e a tempestade, as montanhas que tremem (1,3-5); e, no coração, a reivindicação de bondade — “Javé é bom, fortaleza no dia da angústia” (1,7) [W]. É o trecho em que se discute o acróstico (§4.1).
  • 1,9-2,2 — a reversão. O juízo sobre os inimigos de Judá (1,9) e o reverso para Judá: os pés do que anuncia a paz (2,1) [W].
  • 2,3-14 — o assalto e o covil dos leões. Os carros pelas ruas (2,4-5), a queda e o saque (2,7-10) e o painel animal: “onde está o covil dos leões?” (2,12-13) [W].
  • 3,1-7 — a cidade sanguinária. “Ai da cidade sanguinária!” (3,1), o monte de cadáveres (3,2-3), a prostituta e feiticeira (3,4) e a sentença de humilhação (3,5-7) [W].
  • 3,8-15 — No-Amom. “És melhor do que No-Amom?” (3,8): a capital egípcia caiu e Nínive não escapará; a cidade-porta é comparada a figos e a mulheres (3,12-13) [W].
  • 3,16-19 — o fim sem remédio. “A tua ferida é incurável, a tua chaga é grave” (3,19), lamento sobre um morto [W].

Os três capítulos formam um poema em movimento — da teologia do começo (1,2-8) ao combate (2) e à inversão final (3) — e não um arquivo de oráculos independentes [W].


4. Conteúdos-chave com Debate

4.1 O acróstico de 1,2-8: completo corrompido, incompleto de propósito, ou quimérico?

É o problema filológico mais discutido do livro: muitos leitores detectam nos primeiros versículos uma sequência compatível com o alfabeto hebraico, que se desorganiza ao longo do poema [V — Renz, “A Perfectly Broken Acrostic in Nahum 1?”, JHS 9 (2009), DOI 10.5508/jhs.2009.v9.a23]. A discussão tem três respostas.

A clássica: o texto transmitido conserva vestígios de um acróstico originalmente completo, mutilado por erro de cópia ou descuido do redator [W]. A negativa: Michael H. Floyd, em “O acróstico quimérico de Naum 1,2-10” (1994), sustenta que a regularidade aparente é artefato da análise, não desenho do poeta [V — Floyd, JBL 113/3 (1994) 421–437, DOI 10.2307/3266780]. E a intencionalista, hoje a mais influente: tendência acrostíca e irregularidades são um só desenho deliberado — o poema desorganiza a ordem alfabética de propósito, para dizer a desordem do mundo sob o juízo [V — Renz, 2009]. Uma quarta voz é metodológica: William A. Ross reinvestigou as emendas propostas a 1,2-8 e denunciou um raciocínio circular — emenda-se o texto para salvar a hipótese e depois se cita o texto emendado como prova dela [V — Ross, ZAW 127/3 (2015) 459–474, DOI 10.1515/zaw-2015-0025]. Formulação que este dossiê adota: há tendência acrostíca nos primeiros versículos, ela não é completa no texto massorético, e o sentido disso é debatido — a hipótese “completo corrompido” não é fato.

4.2 “Deus zeloso e vingador” (1,2) e a violência divina

O livro abre com a formulação mais dura do Antigo Testamento sobre Deus como agente de vingança: “Javé se vinga e está cheio de furor; vinga-se dos seus adversários” (1,2) [W]. A recepção cristã deu ao versículo uma história difícil: ele alimentou o retrato marcionita de um deus vingativo do Antigo Testamento [W]. O dossiê trata o problema sem defesa apologética: o texto atribui a Deus a destruição de uma cidade inteira, com o massacre de crianças descrito sem lamento (3,10) [W] — e essa é a dificuldade.

Duas observações textuais importam. (a) O par de 1,2-3 não é só furor: “Javé é tardio em irar-se e grande em poder” (1,3) — a fórmula de Êxodo 34,6-7 — e “Javé é bom, fortaleza no dia da angústia” (1,7) [W]. (b) A vingança é dirigida ao opressor documentado, a Assíria cuja deportação e terror estão registrados nas próprias inscrições reais [W]. Nenhuma das duas dissolve a objeção; as duas a tornam mais precisa.

4.3 A queda de Nínive: o anúncio e a história real

A catástrofe de 612 a.C. é documentada fora da Bíblia (cerco de maio, queda em julho, saque até 10 de agosto) e a arqueologia encontrou os restos de cerca de quarenta defensores [V — ABC 3, Livius]. O paradoxo do livro é este: a única profecia do Antigo Testamento inteiramente voltada para fora é também a que fala de um fim sem misericórdia [W].

4.4 “Ai da cidade sanguinária” (3,1): o saque e a retórica da violência

O capítulo 3 abre com: “Ai da cidade sanguinária! Toda cheia de mentira e rapina” (3,1) [W]. Segue-se o quadro do combate: o galope, a espada flamejante, “não há fim dos cadáveres” (3,3) [W]. A acusação não é cultual, é política e econômica — a cidade vive de “mentira e rapina” [W]. Gordon Johnston mostra que a linguagem do livro é tecida de alusões às inscrições reais neo-assírias — maldições de tratado e motivos do leão [V — Johnston, “Nahum’s Rhetorical Allusions to Neo-Assyrian Lion Motifs” (Bibliotheca Sacra, 2001) e ”…Treaty Curses”]. A retomada é irônica: o caçador vira caça [W].

4.5 A prostituta e a feiticeira (3,4-7): personificação e a hipótese Naqia

O trecho mais agressivo do livro personifica a cidade como mulher — “a prostituta… mestra de feitiçarias, que vende povos e nações” (3,4) — e a sentença é de exposição e humilhação pública: “levantarei as tuas saias sobre o teu rosto” (3,5) [W]. A discussão dá-se em dois níveis. No literário, estuda-se a “cidade corporificada”: Karoline Vermeulen analisa a imagem conceitual do corpo da cidade em Naum 2–3 e William Briggs a interação entre água e gênero [V — Vermeulen, “The Body of Nineveh”, JHS 17 (2017) 1–17; V — Briggs, JBL 137/4 (2018), DOI 10.15699/jbl.1374.2018.470050]. No ético, Gregory D. Cook pergunta o que o texto faz com a vítima de violência sexual e propõe que 3,4 corresponde à rainha Naqia (Zakutu), rainha-mãe assíria [V — Cook, “Nahum and the Question of Rape”, BBR 26/3 (2016) 341–352, DOI 10.2307/26371454; V — Cook, JBL 136/4 (2017) 895–904, DOI 10.15699/jbl.1364.2017.198627]. Wilhelm J. Wessels propõe uma leitura “culturalmente sensível” do cap. 3, que lê o trauma dos destinatários e a violência de gênero do próprio texto [V — Wessels, HTS 74/1 (2018), DOI 10.4102/hts.v74i1.4931]. O dossiê não atenua: um texto que descreve a vitória como violação exige uma ética de leitura [W].

4.6 No-Amom (3,8-10): Tebas como espelho de Nínive

O argumento mais forte do livro está no cap. 3: Naum pergunta a Nínive se ela é melhor do que No-Amom — Tebas, “assentada entre os rios, rodeada de águas” (3,8) — e responde com o inventário da queda alheia: “as suas crianças despedaçadas nas esquinas das ruas” (3,10) [W]. Tebas caiu em 663 a.C. sob Ashurbanipal, que registrou o feito nas suas inscrições [V — “Ashurbanipal’s Conquest of Thebes, 663 BCE” (COJS), com The Raging Torrent de Cogan (2008), pp. 150–165]. A descrição de Naum, porém, não paráfraseia os anais: o profeta desloca o detalhe para “entre os rios” e “as águas” — o Nilo —, e John R. Huddlestun argumenta que essa redescrição aquática é trabalho literário, não citação de fonte assíria [V — Huddlestun, “Nahum, Nineveh, and the Nile”, JNES 62/2 (2003) 97–110]. O que Naum acrescenta é a lei do exemplo [W].

4.7 O covil dos leões (2,12-13): o motivo assírio virado do avesso

O cap. 2 fecha com: “Onde está o covil dos leões… onde andavam o leão, a leoa e o leãozinho?” (2,12) [W]. O leão era o emblema da realeza assíria, e os relevos de Kuyunjik representam Ashurbanipal em caçadas de leão [V — a série é o objeto do estudo de Johnston, 2001]. O caçador vira presa: a cidade “que enchia as suas cavernas de presa” (2,13) é devorada [W].

4.8 Naum e Jonas: dois oráculos sobre Nínive no mesmo cânon

Os Doze contêm dois livros sobre a mesma capital, e a tensão entre eles é um dado teológico [W]. Jonas narra a conversão de Nínive e o recuo de Deus (Jn 3,10); Naum descreve a mesma cidade como sanguinária e incurável e termina com a sua queda sem remédio [W]. A história externa resolve parte do enigma: Nínive caiu em 612 a.C., cerca de um século depois do cenário de Jonas [V — ABC 3, Livius]. A crítica que lê os Doze como livro unitário sustenta que os dois foram lidos juntos de propósito: o perdão de Deus não é promessa de impunidade [W]. Os marcos dessa leitura são Paul R. House, The Unity of the Twelve (1990) [V-OL] e James Nogalski, Redactional Processes in the Book of the Twelve (1993) [V-OL]. O dossiê registra a tensão sem resolvê-la: Jonas e Naum não se corrigem; coexistem — e a coexistência é a tese.

4.9 O texto hebraico, Qumran e as versões

Em Qumran, Naum é atestado por 4Q82 (4QXII^g), manuscrito dos profetas menores da Caverna 4, e pela tradução grega do Rolo Grego de Nahal Hever (8HevXIIgr), em edição de Emanuel Tov [V — a coleção 4Q82 consta do arquivo digital dos Rolos do Mar Morto; V — a edição de Tov é de 1990]. O ponto mais alto da recepção antiga, porém, não é o texto: é o pesher (§6).


O profeta Naum
O profeta Naum · Na 1,1-8Gravura de Theodor Galle feita a partir de desenho de Jan van der Straet (Stradanus), publicada em 1613 e hoje na National Gallery of Art, em Washington. A série dos profetas do Antigo Testamento fixou no século XVII a imagem de Naum como o arauto da queda de Nínive — o 'Deus vingador e irado' de Na 1,2 e a sentença de que não haverá mais descendência para o rei da Assíria (Na 1,14).Theodor Galle after Jan van der Straet · published 1613 · gravura (série de profetas, 1613) · National Gallery of Art, Washington (CC0)Fonte: Wikimedia Commons · Licença: CC0

5. Temas

  • A justiça de Deus medida pela violência dos impérios. O livro argumenta a partir dos fatos: rapina, mentira, deportação, sangue (3,1-4; 2,12-13) [W].
  • O fim do poder absoluto. Nínive é “grande” e cai — lição sobre a contingência do poder [W].
  • A vingança como problema, não como solução. A palavra naqam (“vingar”) atravessa 1,2 — o tema mais difícil do livro (§10) [W].
  • A cidade personificada. Nínive é leão (2,12), prostituta (3,4), corpo exposto (3,5) [W].
  • A boa notícia para Judá. “Celebra as tuas festas, ó Judá” (2,1) — teologia para os vencidos, e é aí que a ética do livro se torna ambígua [W].
  • O tempo e a paciência divina. “Javé é tardio em irar-se” (1,3): a demora não é indiferença [W].
  • O que não se diz. Em três capítulos não há um chamado ao arrependimento dirigido a Nínive: a possibilidade de conversão, aberta em Jonas, é fechada em Naum [W].

6. Recepção

Judaísmo — da sinagoga ao Targum. Rashi (1040–1105), Radak (1160–1236), Ibn Ezra (1089–1167), Abravanel (1437–1508) e Malbim (1809–1879) comentaram Naum; o Targum aos Doze foi estudado por Kevin J. Cathcart [V — comentários na Sefaria; W quanto a Cathcart]. A leitura rabínica clássica lê o livro como consolação de Israel: Naum (“consolador”) consola porque o opressor cai [W]. Quanto à liturgia: não encontrei fonte verificada de uso de Naum em Tisha b’Av — a haftará da manhã do 9 de Av é Jeremias 8,13–9,23, a da tarde é Isaías 55,6–56,8, e a leitura própria do dia é Lamentações [V — a ordem do dia consta das páginas de Chabad.org e do resumo de Aleph Beta sobre Tisha b’Av] [—]. O que se pode afirmar é que a queda de Nínive funciona como figura da ruína de Judá na leitura profética [W].

Qumran — o pesher de Naum (4QpNah / 4Q169). É a evidência de recepção mais valiosa do livro. Descoberto na Caverna 4 em agosto de 1952, com editio princeps em Discoveries in the Judaean Desert V, editado por John M. Allegro (1968, pp. 37–42), o texto é um pesher contínuo: versículos de Naum são lidos como reflexo de acontecimentos do séc. I a.C. [V — Wikipédia, Nahum Commentary; V — Allegro, DJD V, pp. 37–42]. Nos fragmentos 3–4, coluna 1, sobre Naum 2,11b, o comentário nomeia Demétrio, “rei da Grécia” — identificado por muitos com Demétrio III Eucaerus (95–88 a.C.), que marchou sobre Jerusalém a convite dos “buscadores de coisas suaves” (dorshei ha-halaqot), grupo que a pesquisa em geral lê como referência aos fariseus [V — Wikipédia, Nahum Commentary, com a identificação atribuída a Larry R. Helyer; V — a leitura do termo como referência aos fariseus consta de artigo da Revue de Qumran]. O “Leão da Fúria”, em cumprimento de Naum 2,13, teria cometido uma atrocidade sem precedentes: “pendurar homens vivos” [V — o texto do pesher e a interpretação constam do estudo de referência e de artigo sobre Aristóbulo e Alexandre Janeu nos Rolos do Mar Morto]. A conexão com Alexandre Janeu e com a crucificação de 800 fariseus relatada por Flávio José é a leitura mais difundida, mas não unânime: há quem proponha Antíoco Epifânio ou os romanos [V — a questão “Quem é o Leão da Fúria do Pesher de Naum?” é apresentada como problema interpretativo em volume em homenagem a Niels Peter Lemche (2005)]. As edições de referência são Shani L. Berrin (Tzoref), The Pesher Nahum Scroll from Qumran (STDJ 53; Brill, 2004) [V — ISBN 9789004124844] e Gregory Doudna, 4Q Pesher Nahum (Sheffield, 2002) [V — ISBN 9781841271569]. O fato de primeira ordem: o livro foi lido, no séc. I a.C., como chave da história viva [V].

Cristianismo antigo. Jerônimo comentou os Doze, com o conjunto escrito entre 406 e 420 [V — Commentaries on the Twelve Prophets, CUA Press; W quanto ao capítulo de Naum]. Cirilo de Alexandria escreveu comentário aos Doze, e Teodoreto de Ciro e Teodoro de Mopsuéstia pertencem à tradição síria-antioquena, que leu o livro literal e historicamente [V — Commentary on the Twelve Prophets, CUA Press, 2007; W quanto a Teodoreto e Teodoro]. O Novo Testamento não cita Naum diretamente; a proximidade entre Naum 2,1 e Isaías 52,7, retomada em Romanos 10,15, é o ponto de contato mais estudado [W]. Na Reforma, Lutero tratou os Doze nas suas preleções e Calvino comentou o livro na série sobre os Profetas Menores [W]; a tradição ortodoxa o lê por catena e pela liturgia, com Lopukhin, Толковая Библия (1904–1913), como referência russa, e a Orthodox Study Bible (2008) acrescentando notas patrísticas [W]. A falta de comentário ortodoxo contemporâneo dedicado a Naum em português se declara como lacuna [—].

Arte e sobrevivência cultural. A iconografia do profeta é modesta; um ícone russo do século XVIII do profeta Naum conserva-se em Kizhi, na Carélia [V — Wikipédia, Nahum]. Muito mais forte foi a queda de Nínive: o relato rendeu a tragédia Sardanapalus de Lord Byron (1821) e a tela A Morte de Sardanápalo de Delacroix (1827) [W]. Na crítica contemporânea, Julia M. O’Brien, no comentário da série Readings, faz a crítica mais frontal à teologia nacionalista do livro [V — O’Brien, Nahum (Readings; Sheffield Phoenix, 2009)], e a recepção histórica dos Doze é o objeto de Coggins e Han, Six Minor Prophets Through the Centuries (2011) [V-OL — ISBN 9781444342796].


A morte de Sardanápalo
A morte de Sardanápalo · Na 2,8-11; 3,1-7Pintura de Eugène Delacroix (1827) no Museu do Louvre (inv. RF 2346). O tema é a lenda do último rei assírio, que manda destruir os seus bens antes da queda da cidade — a imagem que o romantismo europeu escolheu para a ruína de Nínive. Naum descreve a mesma queda com imagens de saque, incêndio e despojo (Na 2,8-11; 3,1-7), e a pintura é hoje a mais conhecida leitura moderna do episódio.Eugène Delacroix · 1827 · óleo sobre tela · Musée du Louvre, Paris (inv. RF 2346); fotografia de ShonagonFonte: Wikimedia Commons · Licença: Public domain
Naum no Menológio de Basílio II
Naum no Menológio de Basílio II · Na 1,1Miniatura do Menológio de Basílio II, manuscrito de Constantinopla de 985 conservado na Biblioteca Vaticana (Vat. gr. 1613). O menológio comemora os profetas como santos ao longo do calendário litúrgico da Igreja bizantina, e Naum aparece entre eles como o profeta ligado a Cafarnaum. É uma das mais antigas testemunhas conservadas da recepção litúrgica do livro no Oriente cristão.Authors of Menologion of Basil II (circa 985 AC, Constantinople), Byzantine manuscript illuminators [1] : Pantoleon with Georgios, Michael the Younger, Michael of Blachernae, Symeon, Symeon of Blachernae, Menas, and Nestor ( Online on Vatican site ) · 0985 · iluminura (manuscrito bizantino) · Biblioteca Apostólica Vaticana (Vat. gr. 1613), RomaFonte: Wikimedia Commons · Licença: Public domain

7. Traduções PT e Comentários PT

Traduções brasileiras. Naum circula dentro das Bíblias completasAlmeida (ARC, ARA, ACF e a Nova Almeida Atualizada), NVI, NTLH, Ave-Maria, Bíblia Pastoral, Bíblia de Jerusalém, TEB e a Bíblia Livre [W]. Duas merecem destaque verificado pelo aparato de notas: a Bíblia de Jerusalém (edição brasileira da Bible de Jérusalem; Paulus; ISBN 9788534919777) [V — loja.paulus.com.br], e a TEB (Loyola; nova edição de 2010; ISBN 9788515030163) [V — loyola.com.br]. Onde as traduções divergem, divergem por razões textuais e estilísticas: a poesia de 2–3 e a sintaxe de 1,2-8 são os trechos em que comparar versões é mais produtivo [W].

Comentário PT dedicado. Luiz Alexandre Solano Rossi, Como ler o livro de Naum: a história pertence a Javé (Paulus, 1998), é o comentário popular-libertador brasileiro dedicado a Naum, com o juízo de Deus lido como juízo sobre a opressão imperial [V — registro de catálogo da Paulus e relação de obras do autor; V — ISBN 9788534913812 em ficha comercial]. Tiago Abdalla, Deus justo e soberano: a mensagem de Naum para a igreja de hoje (Vida Nova), é o título evangélico brasileiro contemporâneo dedicado ao livro [V — página da obra na CLC Portugal e na Amazon; NV para o ISBN-13 9786559672745, testado em Open Library e não encontrado].

Comentário PT de amplo escopo. O Novo Comentário Bíblico São Jerônimo — Antigo Testamento (Paulus / Academia Cristã, 2007) cobre os Doze, e portanto Naum [V]. A Bíblia de Jerusalém e a TEB fazem, com as notas, o trabalho de introdução crítica [W].

Artigo acadêmico em português. A revista Kerygma (UNASP) publicou Bruno Alves Barros, “Uma curta introdução ao livro de Naum”, Kerygma 15/1 (2020) 53–62, com história da interpretação, cenário histórico, estrutura literária e exegese de Naum 1,1-3 [V — DOI 10.19141/1809-2454.kerygma.v15.n1.p53-62].

Comentários-âncora sem tradução PT localizada. Spronk (HCOT, 1996) [V-OL — ISBN 9789024263554]; Baker (TOTC, 1989) [V-OL — ISBN 9780830814275]; O. Palmer Robertson (NICOT, 1990) [V-OL — ISBN 9780802825322]; Roberts (OTL, 1991) [W]; Christensen (Anchor Bible 24D, 2009) [W]; O’Brien (Readings, 2009) [V]; Timmer (Cambridge, 2024) [V]. Traduções brasileiras: não localizadas [—].


8. Audiovisual e Games

TítuloRealidadeValidação PTMarcador
The Bible Project — Naumanimação gratuita de estudo, centrada no juízo de Nínive como padrão do juízo sobre os impérios violentosnarração e legendas em PT no canal oficial[V]
Age of Empires — “The Conquest of Nineveh”cenário do jogo de estratégia histórico sobre a campanha de 612 a.C.interface PT oficial[V]
Filmes de ficção dedicados a Naumnão localizei longa-metragem ou telefilme centrado no profeta[—]

O que existe é divulgação e jogo, não cinema: Naum é, entre os Doze, um dos profetas com menor presença audiovisual [V].


9. Mitologia e Literatura Comparada

O lamento de cidade no Antigo Oriente

O gênero a que Naum 3 pertence não é invenção israelita. As lamentações sumérias de cidade — a Lamentação sobre a Destruição de Ur e a Lamentação sobre Sumer e Ur, do fim do terceiro milênio a.C. — choram a ruína de cidades por armas inimigas com a mesma sequência que reaparece em Naum: a divindade retira a proteção, as muralhas não bastam, os mortos ficam nas ruas [V — a tradução clássica da Lamentation over the Destruction of Ur é a de Samuel Noah Kramer (Assyriological Studies 12; Chicago, 1940), em repositório do Instituto Oriental de Chicago; W quanto à Lamentação sobre Sumer e Ur]. A diferença importa: nos lamentos sumérios, a cidade lamentada é a própria; em Naum, o lamento descreve a ruína do inimigoo lamento de cidade virado contra a cidade alheia [W].

O acróstico na literatura do Antigo Oriente

A técnica alfabética não é fenômeno hebraico apenas. Na Babilônia, o poema acróstico mais extenso que se conhece é a Teodiceia Babilônica, atribuída a Saggil-kīnam-ubbib, cujo acróstico — em 27 estrofes de onze versos — declara o nome e o ofício do autor [V — a estrutura consta da entrada Babylonian Theodicy e do estudo de Elaine Theresa James, “The Aesthetics of Biblical Acrostics”, JSOT (2022), DOI 10.1177/03090892211040541]. A coleção comparativa de referência é William Michael Soll, “Babylonian and Biblical Acrostics”, Biblica 69/3 (1988) 305–323 [V], e a partir dela se diz que quase todos os acrósticos acádios conservados são hinos ou orações [V — a afirmação é atribuída a Soll em artigo da SBL Press sobre o Balag-lamento e Jeremias 8]. A relevância para Naum é dupla: (i) o acróstico é forma de literatura religiosa de alto prestígio, não um jogo; (ii) se 1,2-8 é hino acrostíco, o texto foi construído para ser memorizado e usado — o que explica tanto a hipótese litúrgica quanto a sua quebra dramática [W].

A profecia neo-assíria e o oráculo contra o inimigo

A profecia também não é monopólio de Israel. Os arquivos de Nínive conservam o corpus de profecias neo-assírias editado por Simo Parpola em 1997, dirigido a Esarhaddon e Ashurbanipal: os oráculos anunciam ação divina contra os inimigos ou prometem proteção ao rei [V — a caracterização consta do estudo Royal Prophecy in the Old Testament and in the Ancient Near East, que descreve o corpus de Parpola como vinte e nove oráculos; V — Assyrian Prophecies (SAA 9), introdução de Parpola em Oracc]. O contraste é incômodo: em Nínive, o oráculo contra o inimigo é oficial e serve ao rei; em Naum, o oráculo contra Nínive é insurgente e serve aos vencidos [W].

A queda de Nínive na tradição grega e a lenda de Sardanápalo

A queda de Nínive entrou na literatura clássica pela via da historiografia grega: os autores antigos transformaram o último rei assírio no Sardanápalo que queima a cidade com tudo o que ama [W]. Aron Pinker examina a relação entre Naum e essa tradição [V — Pinker, “Nahum and the Greek Tradition on Nineveh’s Fall”, Journal of Hebrew Scriptures]. A observação a retirar: a memória ocidental da queda de Nínive é, em grande parte, não bíblica [W].


Relevo de Láquis, no Museu Britânico
Relevo de Láquis, no Museu Britânico · Na 2,4-6; 3,1-3Relevo assírio do palácio de Senaqueribe em Nínive, com a tomada da cidade de Láquis (701 a.C.), hoje no Museu Britânico. É a representação assíria da guerra — cerco, deportação, empalamento —, que corresponde ao vocabulário militar de Naum: os carros, os cavalos, os escudos vermelhos e as muralhas sitiadas (Na 2,4-6; 3,1-3). O objeto mostra o que o texto descreve, do ponto de vista do vencedor.Photograph by Mike Peel ( www.mikepeel.net ). · 2010-09-12 · relevo em pedra (palácio de Senaqueribe, Nínive) · The British Museum, Londres; fotografia de Mike Peel (www.mikepeel.net), CC BY-SA 4.0Fonte: Wikimedia Commons · Licença: CC BY-SA 4.0

10. Filosofia — as perguntas que o texto levanta

Espinosa: o profeta, a imaginação e a “acomodação”

Espinosa, no Tratado Teológico-Político (1670), faz a sua teoria da profecia depender da imaginação: os profetas “não foram dotados de entendimento superior, mas de uma faculdade de imaginação mais viva”, e o estilo da Escritura varia com a formação de cada um [V — A Theologico-Political Treatise, cap. II, trad. Elwes, em acesso livre]. A consequência para Naum é direta: se a linguagem da vingança é acomodada à capacidade dos ouvintes, a pergunta “Deus é vingativo?” desloca-se para “o que os leitores podiam conceber?”, e a objeção teológica torna-se problema de hermenêutica [W].

Kant: a vingança e a moralidade da pena

Kant oferece o instrumento para pensar a vingança sem teologia: na Metafísica dos Costumes (1797), a pena legítima exige retribuição segundo a lei e recusa a pena como satisfação emocional [W]. Aplicado a Naum 1,2: a vingança divina seria admissível como justiça, não como furor [W]. A distinção não resolve o problema, porque Naum não apresenta um tribunal, mas uma execução [W].

Mackie, Rowe e Adams: o problema do mal aplicado a um livro de juízo

J. L. Mackie, em “Evil and Omnipotence” (Mind 64, 1955), formulou o problema lógico do mal: um Deus onipotente, onisciente e bom é incompatível com a existência do mal [W]. William L. Rowe, em “The Problem of Evil and Some Varieties of Atheism” (American Philosophical Quarterly 16, 1979), deslocou-o para a forma evidencial: o sofrimento aparentemente gratuito conta como evidência contra a bondade divina [W]. Naum apresenta o caso-limite — um texto que celebra a destruição de uma cidade e a considera bem. Marilyn McCord Adams propõe uma terceira via: a questão não é a quantidade do mal, mas a sua capacidade de destruir o sentido da vida de uma pessoa, para a qual só a bondade de Deus entendida como participação na vida divina oferece resposta [V-OL — Adams, Horrendous Evils and the Goodness of God (Cornell, 1999), ISBN 9780801436116]. Que essa resposta sirva ou não a Nínive é a questão [W].

Girard e a vingança: o desejo mimético e o sacrifício

René Girard sustenta, em La violence et le sacré (1972) e Le bouc émissaire (1982), que as comunidades resolvem as suas crises expulsando uma vítima expiatória e que os textos bíblicos revelam esse mecanismo, declarando a vítima inocente [W]. Aplicado a Naum, o esquema tem consequência incômoda: o livro não desmonta a violência, canaliza-a para um bode expiatório coletivo e nacional — Nínive —, e nesse sentido pertence ao problema, não à solução [W]. Ressalva: Girard não escreveu sobre Naum — a leitura é analógica [—].

Mary Douglas e Nussbaum: impureza, retribuição e reparação

Mary Douglas, em Purity and Danger (1966), mostra que o “impuro” é a matéria fora de lugar e que as categorias de pureza organizam fronteiras de grupo [W]. A grelha é fecunda para o cap. 3, e é analógica: Naum descreve Nínive como corpo contaminado e exposto — “atirarei sobre ti abominações” (3,6) —, e a purificação se realiza expulsando o corpo da cidade; Douglas não escreveu comentário a Naum [—]. Martha Nussbaum, em Anger and Forgiveness (OUP, 2016), distingue a raiva que deseja a retribuição da que se transforma em reparação, e sustenta que a primeira é eticamente estéril [V-OL — Nussbaum, ISBN 9780199335879]. A pergunta que fica para o leitor de Naum 1,2 é sem resposta fácil: o livro quer a queda de Nínive como justiça ou como retribuição? [W]


11. Teologia — os debates

A teologia da vingança divina

O debate teológico central é o da ira de Deus como vingança, com três posições em campo [W]. (i) A vingança é justiça: a leitura evangélica corrente lê o furor de 1,2 como defesa dos oprimidos contra a violência instituída de um império [W]. (ii) A vingança é problema a ser corrigido: O’Brien e a crítica pós-colonial leem o livro como apologia do desejo de vingança dos vencidos, teologia que não deveria ser normativa [V — O’Brien, Nahum (Readings; Sheffield Phoenix, 2009)]. (iii) A vingança é linguagem acomodada: na linha de Espinosa, o furor é concessão ao limite humano, não afirmação de que Deus odeia [W]. Nenhuma das três é demonstração; todas são interpretações declaradas — e a diferença entre elas é de consequência para a teologia política [W].

A unidade de 1,2-8: hino antigo, salmo, teofania ou prefácio editorial?

A discussão redacional de 1,2-8 é teológica antes de literária. A teofania de 1,3-5 — a tempestade, as montanhas, o mar que seca — pertence a um formulário usado em vários gêneros do Antigo Testamento [W]. A pergunta é se o hino foi composto para o livro ou inserido a partir de um salmo de culto, e a resposta depende da posição sobre o acróstico: se Renz está certo, o poema é desenhado para o livro e a irregularidade comunica desordem; se Floyd está certo, o hino é material independente e a sua desordem é aleatória [V — Renz, 2009; V — Floyd, 1994]. A teologia passa por aqui: um poema construído para o livro afirma que o juízo sobre Nínive é o juízo de Deus; um salmo acrescentado afirma que o livro foi lido dentro de um culto que o reinterpretou [W].

A ausência de acusação a Israel e o problema da eleição

Naum não acusa Judá de nada. Os Doze acusam Israel sem trégua; Naum é a exceção, e a exceção levanta um problema: a eleição sem exigência [W]. Sofonias acusando Judá e anunciando o “dia de Javé” (1,7-18) e Habacuque perguntando até quando contrastam com Naum, todo voltado para fora [W]. A crítica do livro dos Doze propôs que a posição de Naum no cânon é corretiva: fala ao povo ainda oprimido, não ao povo infiel [W]. O debate é dogmático antes de histórico: a consolação dos vencidos é teologia legítima ou teologia do ressentimento? [W]

Nínive, o império e a teologia política

O livro é, com Daniel e Apocalipse, o mais político dos textos proféticos, mas com a diferença de não falar de império futuro: fala de um império concreto, com nome, no momento da queda [W]. Isso o torna inestimável para a teologia política — o poder absoluto é temporal e a sua violência documentável [W] — e perigoso, quando os leitores identificam os seus inimigos com Nínive. A advertência da crítica pós-colonial é metodológica: nenhuma teologia do juízo sobre o império é automaticamente uma teologia de justiça [W].

11.1. Comentaristas por esfera confessional

A regra é a do acervo: a perspectiva se declara, não se atribui, e o rótulo é metadado, não argumento. Convenções: [V] conferido nesta sessão; [V-OL] catálogo de biblioteca; [W] conhecido, não reconferido; [—] lacuna.

Judaica

  • Rashi (1040–1105), comentário a Naum na Sefaria [V]; Radak (1160–1236) e Ibn Ezra (1089–1167) [V]; Abravanel (1437–1508) e Malbim (1809–1879) [W]. Targum aos Doze, ed. Kevin J. Cathcart [W]. Pesher de Naum (4Q169), leitura sectária de Qumran — judaica antiga, não rabínica — com o “Leão da Fúria” [V]. Modernos: Soll [V]; Pinker [V].

Católica ocidental (latina)

  • Jerônimo, Commentaries on the Twelve Prophets, escrito entre 406 e 420 [V — CUA Press; W quanto ao capítulo de Naum]. Nicolau de Lira, Postilla litteralis (séc. XIV) [W]; Cornélio a Lapide (1616–1642) [W]. Modernos e em português: Novo Comentário Bíblico São Jerônimo (Paulus / Academia Cristã, 2007) [V]; Spronk (HCOT, 1996) [V-OL].

Católica oriental e grega patrística

  • Cirilo de Alexandria (370–444), Commentary on the Twelve Prophets (CUA Press, 2007) [V]; Teodoreto de Ciro, de método antioqueno [W]; Teodoro de Mopsuéstia (c. 350–428), leitura literal, conservado em fragmentos [W]; Orígenes e Didimo, o Cego por testemunhos indiretos [W]. A catena grega é o canal pelo qual esse material chegou [W].

Ortodoxa

  • A tradição ortodoxa lê Naum por catena e por Lopukhin, Толковая Библия (1904–1913) [W]; a Orthodox Study Bible (2008) acrescenta notas patrísticas [W]. O ícone russo do século XVIII de Kizhi faz parte dessa recepção [V — Wikipédia, Nahum]. Não localizei comentário ortodoxo contemporâneo dedicado a Naum em português [—].

Protestante histórica

  • Lutero, Lectures on the Minor Prophets [W]; Calvino, comentário aos Profetas Menores [W]; Matthew Henry (1706–1710) [W]; Wellhausen, Die kleinen Propheten (1892) [W]; G. A. Smith, The Book of the Twelve Prophets (ICC, 1898) [W]. Críticos modernos: Spronk (1996) [V-OL], Roberts (OTL, 1991) [W], Christensen (Anchor Bible 24D, 2009) [W], Dietrich, Nahum, Habakuk, Zefanja [W]. A esfera protestante anglófona e germanófona domina o mercado por fato de mercado, não de mérito [W].

Evangélica

  • Baker (TOTC, 1989) [V-OL], O. Palmer Robertson (NICOT, 1990) [V-OL], Ralph L. Smith (WBC 32, 1984) [W], Walter A. Maier, The Book of Nahum (Concordia, 1959) [W], Gordon Johnston, Bibliotheca Sacra [V], Timmer (Cambridge, 2024) [V]. Em português: Tiago Abdalla (Vida Nova) [V] e Luiz Alexandre Solano Rossi (Paulus) [V].

Não confessional e leitura literária

  • Floyd (1994) [V], Renz (2009) [V], Ross (2015) [V], Soll (1988) [V], Huddlestun (2003) [V], Vermeulen (2017) [V], Briggs (2018) [V], Cook (2016; 2017) [V], Wessels (2018) [V], O’Brien (2009) [V], Berrin/Tzoref (2004) [V], Doudna (2002) [V]. Como em todo o acervo: descrever o método, nunca rotular a crença pessoal do autor [W].
EsferaNomes citadosFonte primária?
JudaicaRashi, Radak, Ibn Ezra, Abravanel, Malbim, Targum, pesher de Qumran, Soll, Pinkersim
Católica ocidentalJerônimo, Nicolau de Lira, Cornélio a Lapide, Novo Comentário São Jerônimo, Spronksim
Católica oriental / gregaCirilo, Teodoreto, Teodoro de Mopsuéstia, Orígenes, Didimosim
Ortodoxacatena, Lopukhin, Orthodox Study Bible, ícone de Kizhisim
Protestante históricaLutero, Calvino, Henry, Wellhausen, G. A. Smith, Roberts, Christensen, Dietrichsim
EvangélicaBaker, Robertson, Smith, Maier, Johnston, Timmer, Abdalla, Rossisim
Não confessionalFloyd, Renz, Ross, Soll, Huddlestun, Vermeulen, Briggs, Cook, Wessels, O’Brien, Berrin, Doudnasim

O desequilíbrio — o Oriente com a catena, o Ocidente com séries críticas completas — não é do dossiê: é do material [W].


12. Ciência — o que as ciências dizem, e onde não têm competência

A regra desta seção: declarar os limites. A ciência não decide se Javé anunciou a queda a Naum; decide se uma afirmação factual do texto é compatível com o observável.

A arqueologia de Nínive: Kuyunjik e Nebi Yunus

Nínive ocupa dois montes junto à atual Mosul: Kuyunjik, o monte do palácio, e Nebi Yunus, onde a tradição situa o túmulo de Jonas [W]. A fase monumental é obra de Senaqueribe (705–681 a.C.); Layard redescobriu o seu palácio em 1849, com as 71 salas e relevos colossais, e o monte contém pelo menos 80 salas [V — Wikipédia, Nineveh; V — Open Context, registro do sítio]. A “Nova Nínive” media cerca de 750 hectares, e as estimativas de população variam entre 75.000 e 300.000 habitantes [V — a área consta da Cambridge World History, capítulo sobre as capitais neo-assírias; V — a faixa populacional consta do estudo “The population of Nineveh”] [W quanto à metodologia]. A biblioteca de Ashurbanipal, com mais de 30.000 tabuletas cuneiformes — incluindo a Epopéia de Gilgamesh —, foi escavada em Kuyunjik, e os trabalhos de Hormuzd Rassam a partir de 1853 recuperaram o Palácio Norte [V — o Ashurbanipal Library Project (Oracc) descreve Layard em Nínive e Nimrud entre 1845 e 1851 e Rassam no Palácio Norte em fins de 1853; V — a biblioteca tem “mais de 30.000” tabuletas no British Museum].

O Cilindro de Rassam e o registro assírio da queda de Tebas

O Cilindro de Rassam — prisma de dez faces de argila, criado em c. 643 a.C., com mais de 1.300 linhas — foi descoberto em Nínive por Hormuzd Rassam em 1854 e contém os anais de Ashurbanipal [V — Wikipédia, Rassam cylinder; V — Linda Hall Library, verbete de Rassam]. É a principal fonte para a campanha egípcia que terminou com o saque de Tebas, em 663 a.C., e o rei registra o butim em primeira pessoa: “conquistei a cidade inteira… dois grandes obeliscos de bronze reluzente pesando 2.500 talentos; tomei os portões do templo do seu lugar” [V — a citação dos anais é recolhida em COJS, “Ashurbanipal’s Conquest of Thebes, 663 BCE”, a partir de The Raging Torrent de Cogan (2008), pp. 150–165]. A relevância para Naum 3,8-10 é direta: o texto cita um evento com data e fonte independentes, e o faz no passado, o que ancora o terminus a quo da composição [V — Huddlestun, JNES 62/2 (2003)]. Limite a declarar: a descrição de Naum não reproduz os anais [V — Huddlestun, 2003, 97–110].

A queda de Nínive (612 a.C.) nos documentos cuneiformes

A Crônica ABC 3 é um texto babilônico em tabuleta, hoje no British Museum, editado por C. J. Gadd em 1923 sob o título The Fall of Nineveh [V — Gadd, 1923; V — objeto do British Museum W_1896-0409-6]. Ela datou a queda em 612 a.C. e registra que o rei Sin-shar-ishkun morreu na catástrofe [V — ABC 3, Livius]. Limite: a crônica é babilônica e vencedora, o ponto de vista do inimigo, e a participação cita vem da tradição grega, não dela [W].

Nínive depois da queda e a destruição moderna do sítio

Depois de 612, o sítio foi progressivamente desurbanizado nas décadas e séculos seguintes, segundo os dados arqueológicos [V — Wikipédia, Fall of Nineveh]. Em 2014, o grupo ISIS/Daesh demoliu o santuário de Nebi Yunus (o “túmulo de Jonas”) e escavou sob o monte cerca de 650 metros de túneis, que expuseram estruturas do palácio assírio [V — o resumo do Adventist Biblical Research descreve os túneis do ISIS; V — a cobertura da CBC documenta os túneis]. O túmulo tradicional de Naum em Al-Qosh escapou da destruição e recebeu reforço estrutural em 2018 [V — Bible Archaeology Report, 2018].

Linguística e crítica textual

As conjecturas textuais de 1,2-8 (acróstico) e as divergências entre massorético, Septuaginta e Vulgata sobre o tempo verbal de 3,8-10 são problemas de crítica textual e tradução, não de datação absoluta [V — Ross, 2015; V — Wikipédia, Book of Nahum]. O hebraico de Naum é poesia de alto estilo, com vocabulário de procedência assíria — o que sustenta uma data próxima ao império, mas não produz data absoluta [W]. A datação é inferencial e dependente de fatos externos: 663 (Tebas) e 612 (Nínive) são as balizas, e a sua autoridade vem da epigrafia e das crônicas, não do hebraico [V].

Onde a ciência NÃO tem competência

  • A ciência não decide se Javé ditou o oráculo contra Nínive: são afirmações sobre ação divina, matéria de teologia e crítica literária [W].
  • A arqueologia não identifica Naum nem Elkosh: Kuyunjik não produziu inscrição com o nome do profeta, e não encontrei fonte verificada que ligue uma camada do sítio ao livro [—].
  • A epigrafia não data o livro: data Tebas (663) e Nínive (612) — a passagem da baliza ao texto é inferência humana [V].
  • A arqueologia não prova nem refuta a conversão de Nínive de Jonas: nenhuma inscrição assíria conhecida registra movimento penitencial coletivo por profeta estrangeiro [—].
  • A demografia e a topografia de Nínive não medem a justiça do oráculo: que a cidade fosse grande não mostra que a sua destruição era devida [W].
  • E a ciência não responde se a queda de 612 foi “juízo divino” ou episódio da geopolítica do séc. VII: as duas descrições podem ser verdadeiras ao mesmo tempo — aí a competência científica termina e a teológica começa [W].

Relevo de Nínive com cena da campanha de Assurbanípal
Relevo de Nínive com cena da campanha de Assurbanípal · Na 2-3Relevo em alabastro de Nínive (cerca de 650 a.C.), hoje no Museu Pergamon, em Berlim, com uma cena da campanha de Assurbanípal — que a etiqueta da vitrine relaciona à cidade elamita de Hamã. São relevos como este, retirados do palácio de Nínive no século XIX, que reconstruíram na Europa a imagem do império cuja capital Naum anuncia destruída.Ealdgyth · 2010-06-30 · relevo em alabastro (cerca de 650 a.C.) · Vorderasiatisches Museum (Museu Pergamon), Berlim; fotografia de Ealdgyth, CC BY-SA 3.0Fonte: Wikimedia Commons · Licença: CC BY-SA 3.0
Prisma de Taylor (anais de Senaqueribe)
Prisma de Taylor (anais de Senaqueribe) · Na 1,11-14 (contexto assírio)Prisma de argila com os anais de Senaqueribe, do início do século VII a.C., com a narrativa da terceira campanha do rei e das suas conquistas em Judá. É o documento de barro que conta o cerco de Jerusalém em 701 a.C. do ponto de vista do invasor — o mesmo episódio que os livros de Reis e Isaías narram do ponto de vista de Judá. A comparação entre as duas versões é o exercício clássico de leitura comparada do Antigo Oriente Próximo, e ilumina o horizonte histórico dos oráculos de Naum.This image was produced by me, David Castor ( user:dcastor ). The pictures I submit to the Wikipedia Project are released to the public domain. This gives you the right to use them in any way you like, without any kind of notification. This said, I would still appreciate to be mentioned as the originator whenever you think it complies well with your use of the picture. A message to me about how it has been used would also be welcome. You are obviously not required to respond to these wishes of mine, just in a friendly manner encouraged to. (All my photos are placed in Category:Images by David Castor or a subcategory thereof.) · prisma de argila com inscrição cuneiforme · Prisma de Taylor; fotografia de David Castor (domínio público)Fonte: Wikimedia Commons · Licença: Public domain

13. Lacunas e Correções de Atribuição

  1. [—] Liturgia e Tisha b’Av. A hipótese de uso litúrgico de Naum em Tisha b’Av não se confirmou: as haftarot do dia são Jeremias e Isaías, e a leitura própria é Lamentações [V — Chabad.org e Aleph Beta]. Não encontrei fonte verificada de leitura de Naum nessa data.
  2. [—] Girard e Douglas sobre Naum. Nem Girard nem Mary Douglas escreveram comentários a Naum: os usos na seção 10 são aplicação analógica de teorias gerais.
  3. [NV] ISBN de Abdalla, Deus justo e soberano (Vida Nova). O ISBN-13 9786559672745 foi testado em Open Library e não foi encontrado; título e autoria são [V] por fichas comerciais (CLC Portugal, Amazon).
  4. [W] Recepção antiga. Não conferi o capítulo específico de Naum em Jerônimo nem em Cirilo: as obras são [V], a página, não.
  5. [W] Participação cita em 612 a.C. A presença cita na coalizão vem sobretudo da tradição grega; não a encontrei na Crônica Babilônica, e não a afirmo como dado epigráfico.
  6. [W] População de Nínive. A faixa de 75.000 a 300.000 vem de estudo em repositório acadêmico; não reconferi a metodologia — a amplitude é, por si, um aviso.
  7. [—] Estatísticas textuais. Não levantei totais de letras ou palavras do massorético; a contagem de 47 versículos segue a numeração comum.
  8. [W] Demétrio e o “Leão da Fúria”. São atribuições da literatura secundária, não consenso unânime: registrei a contestação.
  9. [—] Audiovisual e games. Não localizei longa-metragem, telefilme ou jogo dedicado a Naum; a entrada do Age of Empires é cenário sobre Nínive.

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Floyd, “The Chimerical Acrostic of Nahum 1:2-10” (JBL 113/3, 1994)livredoi.org
Renz, “A Perfectly Broken Acrostic in Nahum 1?” (JHS 9, 2009)livredoi.org
Ross, “Text-Critical Question Begging in Nahum 1,2–8” (ZAW 127/3)livrerepository.cam.ac.uk
Huddlestun, “Nahum, Nineveh, and the Nile” (JNES 62/2)livreandrews.edu
Barros, “Uma curta introdução ao livro de Naum” (Kerygma 15/1)livrerevistas.unasp.edu.br
“Fall of Nineveh Chronicle” (ABC 3), trad. em Livius.orglivrelivius.org
Gadd, The Fall of Nineveh (Oxford, 1923)livreInternet Archive
“Ashurbanipal’s Conquest of Thebes, 663 BCE” (COJS), com Cogan (2008)livrecojs.org
Sefaria — Rashi, Radak e Ibn Ezra sobre Naumlivresefaria.org
Wessels, “Cultural sensitive readings of Nahum 3:1–7” (HTS 74/1)empréstimoscielo.org.za
Vermeulen, “The Body of Nineveh” (JHS 17) e Pinker, “Greek Tradition”empréstimojhsonline.org
Coggins e Han, Six Minor Prophets Through the Centuries (2011)empréstimoOpen Library
Berrin (Tzoref), The Pesher Nahum Scroll from Qumran (Brill, 2004)bibliotecaOpen Library
Doudna, 4Q Pesher Nahum: A Critical Edition (2002)bibliotecaOpen Library
Spronk, Nahum (HCOT, 1996) e Baker, Nahum, Habakkuk and Zephaniah (TOTC, 1989)bibliotecaOpen Library
Robertson, The Books of Nahum, Habakkuk, and Zephaniah (NICOT, 1990)bibliotecaOpen Library
4Q82 (4QXII^g), com Naumbibliotecadeadseascrolls.org.il
Abdalla, Deus justo e soberano: a mensagem de Naum (Vida Nova)compraclcportugal.com
Rossi, Como ler o livro de Naum (Paulus, 1998)compratouchelivros.com.br
Nussbaum, Anger and Forgiveness (OUP, 2016)compraOpen Library
Adams, Horrendous Evils and the Goodness of God (Cornell, 1999)compraOpen Library

Selo [esgotado] não aparece aqui: quando a obra não é alcançável de nenhuma forma, o texto aponta o substituto acessível ao lado dela.