Antiguidade Bíblica
Naum (Nachum) — Artigo Enciclopédico
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- Debate. Consigo dizer quem discorda de quem, e sobre o quê?
1. Lead e Ficha
O Livro de Naum (hebr. נַחוּם, Nachum, “consolação”; gr. LXX Ναούμ, Naoum; lat. Nahum) é o sétimo dos Doze Profetas na ordem da Bíblia Hebraica e tem três capítulos tanto no Tanakh quanto no Antigo Testamento cristão [V — Wikipédia, Book of Nahum]. O livro é um oráculo contra Nínive, capital do Império Assírio: anuncia a queda da cidade e a considera justa porque ela é a “cidade sanguinária” (3,1) e a “prostituta graciosa, mestra de feitiçarias, que vende nações com as suas prostituições” (3,4) [W] [V — 1,1 na mesma entrada].
A singularidade de Naum entre os Doze é estrutural: é o único dos doze livros inteiramente oráculo contra uma nação estrangeira, sem acusação contra Israel ou Judá [V — a caracterização consta da introdução ao livro em Wikipédia, Book of Nahum]. A Judá cabe apenas o reverso — “eis sobre os montes os pés do que anuncia boas-novas” (2,1), quase idêntico a Isaías 52,7 [W]. A sobrescrito chama o escrito מַשָּׂא, massa (“oráculo”) e séfer chazon, “livro da visão de Naum, o elcochita” (1,1) [W].
Poucos livros são tão datáveis por eventos externos e tão contestados na datação: o texto cita a queda de Tebas — No-Amom (3,8-10) —, destruída por Ashurbanipal em 663 a.C., e anuncia a queda de Nínive, tomada em 612 a.C. por medos e babilônios; o intervalo entre os dois é o quadro em que quase toda a discussão crítica se move [V — Wikipédia, Book of Nahum; V — Britannica, “Battle of Nineveh”].
| Campo | Dado | Marcador |
|---|---|---|
| Nome hebraico | Nachum (נַחוּם, “consolação”) | [V] taxonomia do site |
| Posição no cânon | 7.º dos Doze; ordem 41 no site | [V] |
| Capítulos / versículos | 3 capítulos; 47 versículos | [V] |
| Autor | atribuído a Naum, “o elcochita” (1,1) | [W] |
| Datação do texto | debatida; quadro geral entre 663 e 612 a.C. | [V] |
| Marcos externos | queda de Tebas/No-Amom, 663 a.C. (3,8-10), e queda de Nínive, 612 a.C. | [V] |
| Marco histórico externo | Crônica Babilônica ABC 3 (“Queda de Nínive”) | [V] |
2. Contexto e Autoria
Nínive e a máquina assíria. Nínive tornou-se capital imperial com Senaqueribe (705–681 a.C.), que ergueu em Kuyunjik o “Palácio Sem Rival”, permanecendo capital sob Esarhaddon (680–669) e Ashurbanipal (668–c. 630) [W]. É o império que destruiu o Reino do Norte em 722 a.C., sitiou Jerusalém em 701 a.C. e era, no tempo de Naum, a maior potência do Antigo Oriente [W]. A Crônica Babilônica ABC 3 (Fall of Nineveh Chronicle) relata a campanha final: depois de um ano de campanhas inconclusivas, medos e babilônios bloquearam Nínive em maio de 612, o cerco durou três meses e a cidade caiu em julho, com o rei Sin-shar-ishkun morto por conta própria; a pilhagem seguiu até 10 de agosto [V — ABC 3, conforme Livius, Fall of Nineveh Chronicle]. A crônica foi editada e traduzida por C. J. Gadd em 1923, no estudo que fixou a data na historiografia moderna [V — Gadd, The Fall of Nineveh: The newly discovered Babylonian Chronicle, No. 21,901 (Oxford, 1923)]. Os medos aparecem na crônica como Umman-manda, termo de sentido obscuro; a participação cita pertence sobretudo à tradição grega posterior — Heródoto — e é tratada com reserva por parte da crítica [W]. O dado importa porque dá ao livro um posto de observação: quem escreve antes de 612 fala de um império em pé; quem escreve depois fala de uma ruína [W].
O profeta e Elkosh. O nome Nachum vem da raiz hebraica de “consolar”; não há patronímico, e o profeta é apresentado apenas como habitante de Elkosh [V — Wikipédia, Nahum]. A tradição do sepulcro está em Al-Qosh, cerca de 45 km ao norte de Mosul, onde uma sinagoga de cerca de 800 anos abriga o que se apresenta como o túmulo do profeta; a comunidade judaica local dispersou-se a partir de 1948-1950 e a estrutura foi socorrida de colapso em 2018 [V — Bible Archaeology Report, 17-abr-2018]. Jerônimo localizou Elkosh na Galileia e ligou o nome de Cafarnaum (Kfar Nahum, “aldeia de Naum”) ao profeta; outras propostas são Elkesi junto a Ramá e Elcesei na Cisjordânia [V — Wikipédia, Nahum; V — Bible Archaeology Report, 2018]. Nenhuma é demonstrável: o dossiê a registra como tradição, não dado arqueológico.
A datação — a questão central. Há quatro famílias de posição, e vale nomeá-las sem transformar maioria em certeza.
(i) Entre 663 e 612 a.C. (maioria crítica). 3,8-10 fala de Tebas no passado, logo Naum escreveu depois de 663; e o livro anuncia a queda de Nínive, logo antes de 612, provavelmente sob Josias (c. 640–609) e no clima da derrocada assíria após a morte de Ashurbanipal [V — Wikipédia, Book of Nahum, que descreve essa como a opinião majoritária atual]. Uma variante precisa o horizonte em c. 615 a.C., “antes da derrocada da Assíria” [V — a posição é registrada e atribuída, em Book of Nahum, à história de Israel de E. W. Heaton, p. 35].
(ii) Depois de 612 a.C. (vaticinium ex eventu). Se 2–3 descrevem a cidade tomada com detalhe vívido — “as portas do rio se abrem” (2,7), “saqueiem a prata, saqueiem o ouro” (2,10) —, alguns autores põem a composição após a catástrofe, como literatura retrospectiva [W]. O dossiê não escolhe: registra que a hipótese depende de juízo teológico sobre a possibilidade da predição, não de um dado novo.
(iii) Antes de 663 a.C. Flávio José situa Naum no reinado de Jotão (c. 750–735 a.C.) e o dirige, então, a Tiglate-Pileser III [V — a atribuição está registrada em Wikipédia, Book of Nahum, com o comentário de Thomas Worthington na Douay-Rheims de que “Naum profetizou cerca de 50 anos depois de Jonas” e “135 anos antes da destruição de Nínive”]. O apoio interno é que Septuaginta e Vulgata traduzem a descrição de Tebas no presente [V — Wikipédia, Book of Nahum] — leitura que a crítica moderna tende a ver como estilo de tradução, não dado histórico [W].
(iv) Datação persa ou helenística tardia. Uma minoria situa a forma final no período macabeu (c. 175–165 a.C.) [V — o intervalo “do séc. VII ao período macabeu” consta de Wikipédia, Book of Nahum]: posição marginal, registrada sem peso maior.
Lugar na história literária. Nínive reaparece em Sofonias 2,13-15 e já havia aparecido em Jonas: os Doze tratam a mesma cidade três vezes [W]. Naum é o caso-limite do corpus — nenhum chamado, nenhuma biografia, nenhuma acusação a Israel [W].
3. Estrutura (3 capítulos)
A divisão tríplice não coincide com a numeração hebraica: o que o texto hebraico chama 1,15 aparece como 2,1 em muitas traduções [W].
- 1,1 — a sobrescrito. “Oráculo sobre Nínive; livro da visão de Naum, o elcochita” (massa + séfer chazon) [W].
- 1,2-8 — o hino teofânico. “Javé é um Deus zeloso e vingador” (1,2); o turbilhão e a tempestade, as montanhas que tremem (1,3-5); e, no coração, a reivindicação de bondade — “Javé é bom, fortaleza no dia da angústia” (1,7) [W]. É o trecho em que se discute o acróstico (§4.1).
- 1,9-2,2 — a reversão. O juízo sobre os inimigos de Judá (1,9) e o reverso para Judá: os pés do que anuncia a paz (2,1) [W].
- 2,3-14 — o assalto e o covil dos leões. Os carros pelas ruas (2,4-5), a queda e o saque (2,7-10) e o painel animal: “onde está o covil dos leões?” (2,12-13) [W].
- 3,1-7 — a cidade sanguinária. “Ai da cidade sanguinária!” (3,1), o monte de cadáveres (3,2-3), a prostituta e feiticeira (3,4) e a sentença de humilhação (3,5-7) [W].
- 3,8-15 — No-Amom. “És melhor do que No-Amom?” (3,8): a capital egípcia caiu e Nínive não escapará; a cidade-porta é comparada a figos e a mulheres (3,12-13) [W].
- 3,16-19 — o fim sem remédio. “A tua ferida é incurável, a tua chaga é grave” (3,19), lamento sobre um morto [W].
Os três capítulos formam um poema em movimento — da teologia do começo (1,2-8) ao combate (2) e à inversão final (3) — e não um arquivo de oráculos independentes [W].
4. Conteúdos-chave com Debate
4.1 O acróstico de 1,2-8: completo corrompido, incompleto de propósito, ou quimérico?
É o problema filológico mais discutido do livro: muitos leitores detectam nos primeiros versículos uma sequência compatível com o alfabeto hebraico, que se desorganiza ao longo do poema [V — Renz, “A Perfectly Broken Acrostic in Nahum 1?”, JHS 9 (2009), DOI 10.5508/jhs.2009.v9.a23]. A discussão tem três respostas.
A clássica: o texto transmitido conserva vestígios de um acróstico originalmente completo, mutilado por erro de cópia ou descuido do redator [W]. A negativa: Michael H. Floyd, em “O acróstico quimérico de Naum 1,2-10” (1994), sustenta que a regularidade aparente é artefato da análise, não desenho do poeta [V — Floyd, JBL 113/3 (1994) 421–437, DOI 10.2307/3266780]. E a intencionalista, hoje a mais influente: tendência acrostíca e irregularidades são um só desenho deliberado — o poema desorganiza a ordem alfabética de propósito, para dizer a desordem do mundo sob o juízo [V — Renz, 2009]. Uma quarta voz é metodológica: William A. Ross reinvestigou as emendas propostas a 1,2-8 e denunciou um raciocínio circular — emenda-se o texto para salvar a hipótese e depois se cita o texto emendado como prova dela [V — Ross, ZAW 127/3 (2015) 459–474, DOI 10.1515/zaw-2015-0025]. Formulação que este dossiê adota: há tendência acrostíca nos primeiros versículos, ela não é completa no texto massorético, e o sentido disso é debatido — a hipótese “completo corrompido” não é fato.
4.2 “Deus zeloso e vingador” (1,2) e a violência divina
O livro abre com a formulação mais dura do Antigo Testamento sobre Deus como agente de vingança: “Javé se vinga e está cheio de furor; vinga-se dos seus adversários” (1,2) [W]. A recepção cristã deu ao versículo uma história difícil: ele alimentou o retrato marcionita de um deus vingativo do Antigo Testamento [W]. O dossiê trata o problema sem defesa apologética: o texto atribui a Deus a destruição de uma cidade inteira, com o massacre de crianças descrito sem lamento (3,10) [W] — e essa é a dificuldade.
Duas observações textuais importam. (a) O par de 1,2-3 não é só furor: “Javé é tardio em irar-se e grande em poder” (1,3) — a fórmula de Êxodo 34,6-7 — e “Javé é bom, fortaleza no dia da angústia” (1,7) [W]. (b) A vingança é dirigida ao opressor documentado, a Assíria cuja deportação e terror estão registrados nas próprias inscrições reais [W]. Nenhuma das duas dissolve a objeção; as duas a tornam mais precisa.
4.3 A queda de Nínive: o anúncio e a história real
A catástrofe de 612 a.C. é documentada fora da Bíblia (cerco de maio, queda em julho, saque até 10 de agosto) e a arqueologia encontrou os restos de cerca de quarenta defensores [V — ABC 3, Livius]. O paradoxo do livro é este: a única profecia do Antigo Testamento inteiramente voltada para fora é também a que fala de um fim sem misericórdia [W].
4.4 “Ai da cidade sanguinária” (3,1): o saque e a retórica da violência
O capítulo 3 abre com: “Ai da cidade sanguinária! Toda cheia de mentira e rapina” (3,1) [W]. Segue-se o quadro do combate: o galope, a espada flamejante, “não há fim dos cadáveres” (3,3) [W]. A acusação não é cultual, é política e econômica — a cidade vive de “mentira e rapina” [W]. Gordon Johnston mostra que a linguagem do livro é tecida de alusões às inscrições reais neo-assírias — maldições de tratado e motivos do leão [V — Johnston, “Nahum’s Rhetorical Allusions to Neo-Assyrian Lion Motifs” (Bibliotheca Sacra, 2001) e ”…Treaty Curses”]. A retomada é irônica: o caçador vira caça [W].
4.5 A prostituta e a feiticeira (3,4-7): personificação e a hipótese Naqia
O trecho mais agressivo do livro personifica a cidade como mulher — “a prostituta… mestra de feitiçarias, que vende povos e nações” (3,4) — e a sentença é de exposição e humilhação pública: “levantarei as tuas saias sobre o teu rosto” (3,5) [W]. A discussão dá-se em dois níveis. No literário, estuda-se a “cidade corporificada”: Karoline Vermeulen analisa a imagem conceitual do corpo da cidade em Naum 2–3 e William Briggs a interação entre água e gênero [V — Vermeulen, “The Body of Nineveh”, JHS 17 (2017) 1–17; V — Briggs, JBL 137/4 (2018), DOI 10.15699/jbl.1374.2018.470050]. No ético, Gregory D. Cook pergunta o que o texto faz com a vítima de violência sexual e propõe que 3,4 corresponde à rainha Naqia (Zakutu), rainha-mãe assíria [V — Cook, “Nahum and the Question of Rape”, BBR 26/3 (2016) 341–352, DOI 10.2307/26371454; V — Cook, JBL 136/4 (2017) 895–904, DOI 10.15699/jbl.1364.2017.198627]. Wilhelm J. Wessels propõe uma leitura “culturalmente sensível” do cap. 3, que lê o trauma dos destinatários e a violência de gênero do próprio texto [V — Wessels, HTS 74/1 (2018), DOI 10.4102/hts.v74i1.4931]. O dossiê não atenua: um texto que descreve a vitória como violação exige uma ética de leitura [W].
4.6 No-Amom (3,8-10): Tebas como espelho de Nínive
O argumento mais forte do livro está no cap. 3: Naum pergunta a Nínive se ela é melhor do que No-Amom — Tebas, “assentada entre os rios, rodeada de águas” (3,8) — e responde com o inventário da queda alheia: “as suas crianças despedaçadas nas esquinas das ruas” (3,10) [W]. Tebas caiu em 663 a.C. sob Ashurbanipal, que registrou o feito nas suas inscrições [V — “Ashurbanipal’s Conquest of Thebes, 663 BCE” (COJS), com The Raging Torrent de Cogan (2008), pp. 150–165]. A descrição de Naum, porém, não paráfraseia os anais: o profeta desloca o detalhe para “entre os rios” e “as águas” — o Nilo —, e John R. Huddlestun argumenta que essa redescrição aquática é trabalho literário, não citação de fonte assíria [V — Huddlestun, “Nahum, Nineveh, and the Nile”, JNES 62/2 (2003) 97–110]. O que Naum acrescenta é a lei do exemplo [W].
4.7 O covil dos leões (2,12-13): o motivo assírio virado do avesso
O cap. 2 fecha com: “Onde está o covil dos leões… onde andavam o leão, a leoa e o leãozinho?” (2,12) [W]. O leão era o emblema da realeza assíria, e os relevos de Kuyunjik representam Ashurbanipal em caçadas de leão [V — a série é o objeto do estudo de Johnston, 2001]. O caçador vira presa: a cidade “que enchia as suas cavernas de presa” (2,13) é devorada [W].
4.8 Naum e Jonas: dois oráculos sobre Nínive no mesmo cânon
Os Doze contêm dois livros sobre a mesma capital, e a tensão entre eles é um dado teológico [W]. Jonas narra a conversão de Nínive e o recuo de Deus (Jn 3,10); Naum descreve a mesma cidade como sanguinária e incurável e termina com a sua queda sem remédio [W]. A história externa resolve parte do enigma: Nínive caiu em 612 a.C., cerca de um século depois do cenário de Jonas [V — ABC 3, Livius]. A crítica que lê os Doze como livro unitário sustenta que os dois foram lidos juntos de propósito: o perdão de Deus não é promessa de impunidade [W]. Os marcos dessa leitura são Paul R. House, The Unity of the Twelve (1990) [V-OL] e James Nogalski, Redactional Processes in the Book of the Twelve (1993) [V-OL]. O dossiê registra a tensão sem resolvê-la: Jonas e Naum não se corrigem; coexistem — e a coexistência é a tese.
4.9 O texto hebraico, Qumran e as versões
Em Qumran, Naum é atestado por 4Q82 (4QXII^g), manuscrito dos profetas menores da Caverna 4, e pela tradução grega do Rolo Grego de Nahal Hever (8HevXIIgr), em edição de Emanuel Tov [V — a coleção 4Q82 consta do arquivo digital dos Rolos do Mar Morto; V — a edição de Tov é de 1990]. O ponto mais alto da recepção antiga, porém, não é o texto: é o pesher (§6).

5. Temas
- A justiça de Deus medida pela violência dos impérios. O livro argumenta a partir dos fatos: rapina, mentira, deportação, sangue (3,1-4; 2,12-13) [W].
- O fim do poder absoluto. Nínive é “grande” e cai — lição sobre a contingência do poder [W].
- A vingança como problema, não como solução. A palavra naqam (“vingar”) atravessa 1,2 — o tema mais difícil do livro (§10) [W].
- A cidade personificada. Nínive é leão (2,12), prostituta (3,4), corpo exposto (3,5) [W].
- A boa notícia para Judá. “Celebra as tuas festas, ó Judá” (2,1) — teologia para os vencidos, e é aí que a ética do livro se torna ambígua [W].
- O tempo e a paciência divina. “Javé é tardio em irar-se” (1,3): a demora não é indiferença [W].
- O que não se diz. Em três capítulos não há um chamado ao arrependimento dirigido a Nínive: a possibilidade de conversão, aberta em Jonas, é fechada em Naum [W].
6. Recepção
Judaísmo — da sinagoga ao Targum. Rashi (1040–1105), Radak (1160–1236), Ibn Ezra (1089–1167), Abravanel (1437–1508) e Malbim (1809–1879) comentaram Naum; o Targum aos Doze foi estudado por Kevin J. Cathcart [V — comentários na Sefaria; W quanto a Cathcart]. A leitura rabínica clássica lê o livro como consolação de Israel: Naum (“consolador”) consola porque o opressor cai [W]. Quanto à liturgia: não encontrei fonte verificada de uso de Naum em Tisha b’Av — a haftará da manhã do 9 de Av é Jeremias 8,13–9,23, a da tarde é Isaías 55,6–56,8, e a leitura própria do dia é Lamentações [V — a ordem do dia consta das páginas de Chabad.org e do resumo de Aleph Beta sobre Tisha b’Av] [—]. O que se pode afirmar é que a queda de Nínive funciona como figura da ruína de Judá na leitura profética [W].
Qumran — o pesher de Naum (4QpNah / 4Q169). É a evidência de recepção mais valiosa do livro. Descoberto na Caverna 4 em agosto de 1952, com editio princeps em Discoveries in the Judaean Desert V, editado por John M. Allegro (1968, pp. 37–42), o texto é um pesher contínuo: versículos de Naum são lidos como reflexo de acontecimentos do séc. I a.C. [V — Wikipédia, Nahum Commentary; V — Allegro, DJD V, pp. 37–42]. Nos fragmentos 3–4, coluna 1, sobre Naum 2,11b, o comentário nomeia Demétrio, “rei da Grécia” — identificado por muitos com Demétrio III Eucaerus (95–88 a.C.), que marchou sobre Jerusalém a convite dos “buscadores de coisas suaves” (dorshei ha-halaqot), grupo que a pesquisa em geral lê como referência aos fariseus [V — Wikipédia, Nahum Commentary, com a identificação atribuída a Larry R. Helyer; V — a leitura do termo como referência aos fariseus consta de artigo da Revue de Qumran]. O “Leão da Fúria”, em cumprimento de Naum 2,13, teria cometido uma atrocidade sem precedentes: “pendurar homens vivos” [V — o texto do pesher e a interpretação constam do estudo de referência e de artigo sobre Aristóbulo e Alexandre Janeu nos Rolos do Mar Morto]. A conexão com Alexandre Janeu e com a crucificação de 800 fariseus relatada por Flávio José é a leitura mais difundida, mas não unânime: há quem proponha Antíoco Epifânio ou os romanos [V — a questão “Quem é o Leão da Fúria do Pesher de Naum?” é apresentada como problema interpretativo em volume em homenagem a Niels Peter Lemche (2005)]. As edições de referência são Shani L. Berrin (Tzoref), The Pesher Nahum Scroll from Qumran (STDJ 53; Brill, 2004) [V — ISBN 9789004124844] e Gregory Doudna, 4Q Pesher Nahum (Sheffield, 2002) [V — ISBN 9781841271569]. O fato de primeira ordem: o livro foi lido, no séc. I a.C., como chave da história viva [V].
Cristianismo antigo. Jerônimo comentou os Doze, com o conjunto escrito entre 406 e 420 [V — Commentaries on the Twelve Prophets, CUA Press; W quanto ao capítulo de Naum]. Cirilo de Alexandria escreveu comentário aos Doze, e Teodoreto de Ciro e Teodoro de Mopsuéstia pertencem à tradição síria-antioquena, que leu o livro literal e historicamente [V — Commentary on the Twelve Prophets, CUA Press, 2007; W quanto a Teodoreto e Teodoro]. O Novo Testamento não cita Naum diretamente; a proximidade entre Naum 2,1 e Isaías 52,7, retomada em Romanos 10,15, é o ponto de contato mais estudado [W]. Na Reforma, Lutero tratou os Doze nas suas preleções e Calvino comentou o livro na série sobre os Profetas Menores [W]; a tradição ortodoxa o lê por catena e pela liturgia, com Lopukhin, Толковая Библия (1904–1913), como referência russa, e a Orthodox Study Bible (2008) acrescentando notas patrísticas [W]. A falta de comentário ortodoxo contemporâneo dedicado a Naum em português se declara como lacuna [—].
Arte e sobrevivência cultural. A iconografia do profeta é modesta; um ícone russo do século XVIII do profeta Naum conserva-se em Kizhi, na Carélia [V — Wikipédia, Nahum]. Muito mais forte foi a queda de Nínive: o relato rendeu a tragédia Sardanapalus de Lord Byron (1821) e a tela A Morte de Sardanápalo de Delacroix (1827) [W]. Na crítica contemporânea, Julia M. O’Brien, no comentário da série Readings, faz a crítica mais frontal à teologia nacionalista do livro [V — O’Brien, Nahum (Readings; Sheffield Phoenix, 2009)], e a recepção histórica dos Doze é o objeto de Coggins e Han, Six Minor Prophets Through the Centuries (2011) [V-OL — ISBN 9781444342796].


7. Traduções PT e Comentários PT
Traduções brasileiras. Naum circula dentro das Bíblias completas — Almeida (ARC, ARA, ACF e a Nova Almeida Atualizada), NVI, NTLH, Ave-Maria, Bíblia Pastoral, Bíblia de Jerusalém, TEB e a Bíblia Livre [W]. Duas merecem destaque verificado pelo aparato de notas: a Bíblia de Jerusalém (edição brasileira da Bible de Jérusalem; Paulus; ISBN 9788534919777) [V — loja.paulus.com.br], e a TEB (Loyola; nova edição de 2010; ISBN 9788515030163) [V — loyola.com.br]. Onde as traduções divergem, divergem por razões textuais e estilísticas: a poesia de 2–3 e a sintaxe de 1,2-8 são os trechos em que comparar versões é mais produtivo [W].
Comentário PT dedicado. Luiz Alexandre Solano Rossi, Como ler o livro de Naum: a história pertence a Javé (Paulus, 1998), é o comentário popular-libertador brasileiro dedicado a Naum, com o juízo de Deus lido como juízo sobre a opressão imperial [V — registro de catálogo da Paulus e relação de obras do autor; V — ISBN 9788534913812 em ficha comercial]. Tiago Abdalla, Deus justo e soberano: a mensagem de Naum para a igreja de hoje (Vida Nova), é o título evangélico brasileiro contemporâneo dedicado ao livro [V — página da obra na CLC Portugal e na Amazon; NV para o ISBN-13 9786559672745, testado em Open Library e não encontrado].
Comentário PT de amplo escopo. O Novo Comentário Bíblico São Jerônimo — Antigo Testamento (Paulus / Academia Cristã, 2007) cobre os Doze, e portanto Naum [V]. A Bíblia de Jerusalém e a TEB fazem, com as notas, o trabalho de introdução crítica [W].
Artigo acadêmico em português. A revista Kerygma (UNASP) publicou Bruno Alves Barros, “Uma curta introdução ao livro de Naum”, Kerygma 15/1 (2020) 53–62, com história da interpretação, cenário histórico, estrutura literária e exegese de Naum 1,1-3 [V — DOI 10.19141/1809-2454.kerygma.v15.n1.p53-62].
Comentários-âncora sem tradução PT localizada. Spronk (HCOT, 1996) [V-OL — ISBN 9789024263554]; Baker (TOTC, 1989) [V-OL — ISBN 9780830814275]; O. Palmer Robertson (NICOT, 1990) [V-OL — ISBN 9780802825322]; Roberts (OTL, 1991) [W]; Christensen (Anchor Bible 24D, 2009) [W]; O’Brien (Readings, 2009) [V]; Timmer (Cambridge, 2024) [V]. Traduções brasileiras: não localizadas [—].
8. Audiovisual e Games
| Título | Realidade | Validação PT | Marcador |
|---|---|---|---|
| The Bible Project — Naum | animação gratuita de estudo, centrada no juízo de Nínive como padrão do juízo sobre os impérios violentos | narração e legendas em PT no canal oficial | [V] |
| Age of Empires — “The Conquest of Nineveh” | cenário do jogo de estratégia histórico sobre a campanha de 612 a.C. | interface PT oficial | [V] |
| Filmes de ficção dedicados a Naum | não localizei longa-metragem ou telefilme centrado no profeta | — | [—] |
O que existe é divulgação e jogo, não cinema: Naum é, entre os Doze, um dos profetas com menor presença audiovisual [V].
9. Mitologia e Literatura Comparada
O lamento de cidade no Antigo Oriente
O gênero a que Naum 3 pertence não é invenção israelita. As lamentações sumérias de cidade — a Lamentação sobre a Destruição de Ur e a Lamentação sobre Sumer e Ur, do fim do terceiro milênio a.C. — choram a ruína de cidades por armas inimigas com a mesma sequência que reaparece em Naum: a divindade retira a proteção, as muralhas não bastam, os mortos ficam nas ruas [V — a tradução clássica da Lamentation over the Destruction of Ur é a de Samuel Noah Kramer (Assyriological Studies 12; Chicago, 1940), em repositório do Instituto Oriental de Chicago; W quanto à Lamentação sobre Sumer e Ur]. A diferença importa: nos lamentos sumérios, a cidade lamentada é a própria; em Naum, o lamento descreve a ruína do inimigo — o lamento de cidade virado contra a cidade alheia [W].
O acróstico na literatura do Antigo Oriente
A técnica alfabética não é fenômeno hebraico apenas. Na Babilônia, o poema acróstico mais extenso que se conhece é a Teodiceia Babilônica, atribuída a Saggil-kīnam-ubbib, cujo acróstico — em 27 estrofes de onze versos — declara o nome e o ofício do autor [V — a estrutura consta da entrada Babylonian Theodicy e do estudo de Elaine Theresa James, “The Aesthetics of Biblical Acrostics”, JSOT (2022), DOI 10.1177/03090892211040541]. A coleção comparativa de referência é William Michael Soll, “Babylonian and Biblical Acrostics”, Biblica 69/3 (1988) 305–323 [V], e a partir dela se diz que quase todos os acrósticos acádios conservados são hinos ou orações [V — a afirmação é atribuída a Soll em artigo da SBL Press sobre o Balag-lamento e Jeremias 8]. A relevância para Naum é dupla: (i) o acróstico é forma de literatura religiosa de alto prestígio, não um jogo; (ii) se 1,2-8 é hino acrostíco, o texto foi construído para ser memorizado e usado — o que explica tanto a hipótese litúrgica quanto a sua quebra dramática [W].
A profecia neo-assíria e o oráculo contra o inimigo
A profecia também não é monopólio de Israel. Os arquivos de Nínive conservam o corpus de profecias neo-assírias editado por Simo Parpola em 1997, dirigido a Esarhaddon e Ashurbanipal: os oráculos anunciam ação divina contra os inimigos ou prometem proteção ao rei [V — a caracterização consta do estudo Royal Prophecy in the Old Testament and in the Ancient Near East, que descreve o corpus de Parpola como vinte e nove oráculos; V — Assyrian Prophecies (SAA 9), introdução de Parpola em Oracc]. O contraste é incômodo: em Nínive, o oráculo contra o inimigo é oficial e serve ao rei; em Naum, o oráculo contra Nínive é insurgente e serve aos vencidos [W].
A queda de Nínive na tradição grega e a lenda de Sardanápalo
A queda de Nínive entrou na literatura clássica pela via da historiografia grega: os autores antigos transformaram o último rei assírio no Sardanápalo que queima a cidade com tudo o que ama [W]. Aron Pinker examina a relação entre Naum e essa tradição [V — Pinker, “Nahum and the Greek Tradition on Nineveh’s Fall”, Journal of Hebrew Scriptures]. A observação a retirar: a memória ocidental da queda de Nínive é, em grande parte, não bíblica [W].

10. Filosofia — as perguntas que o texto levanta
Espinosa: o profeta, a imaginação e a “acomodação”
Espinosa, no Tratado Teológico-Político (1670), faz a sua teoria da profecia depender da imaginação: os profetas “não foram dotados de entendimento superior, mas de uma faculdade de imaginação mais viva”, e o estilo da Escritura varia com a formação de cada um [V — A Theologico-Political Treatise, cap. II, trad. Elwes, em acesso livre]. A consequência para Naum é direta: se a linguagem da vingança é acomodada à capacidade dos ouvintes, a pergunta “Deus é vingativo?” desloca-se para “o que os leitores podiam conceber?”, e a objeção teológica torna-se problema de hermenêutica [W].
Kant: a vingança e a moralidade da pena
Kant oferece o instrumento para pensar a vingança sem teologia: na Metafísica dos Costumes (1797), a pena legítima exige retribuição segundo a lei e recusa a pena como satisfação emocional [W]. Aplicado a Naum 1,2: a vingança divina seria admissível como justiça, não como furor [W]. A distinção não resolve o problema, porque Naum não apresenta um tribunal, mas uma execução [W].
Mackie, Rowe e Adams: o problema do mal aplicado a um livro de juízo
J. L. Mackie, em “Evil and Omnipotence” (Mind 64, 1955), formulou o problema lógico do mal: um Deus onipotente, onisciente e bom é incompatível com a existência do mal [W]. William L. Rowe, em “The Problem of Evil and Some Varieties of Atheism” (American Philosophical Quarterly 16, 1979), deslocou-o para a forma evidencial: o sofrimento aparentemente gratuito conta como evidência contra a bondade divina [W]. Naum apresenta o caso-limite — um texto que celebra a destruição de uma cidade e a considera bem. Marilyn McCord Adams propõe uma terceira via: a questão não é a quantidade do mal, mas a sua capacidade de destruir o sentido da vida de uma pessoa, para a qual só a bondade de Deus entendida como participação na vida divina oferece resposta [V-OL — Adams, Horrendous Evils and the Goodness of God (Cornell, 1999), ISBN 9780801436116]. Que essa resposta sirva ou não a Nínive é a questão [W].
Girard e a vingança: o desejo mimético e o sacrifício
René Girard sustenta, em La violence et le sacré (1972) e Le bouc émissaire (1982), que as comunidades resolvem as suas crises expulsando uma vítima expiatória e que os textos bíblicos revelam esse mecanismo, declarando a vítima inocente [W]. Aplicado a Naum, o esquema tem consequência incômoda: o livro não desmonta a violência, canaliza-a para um bode expiatório coletivo e nacional — Nínive —, e nesse sentido pertence ao problema, não à solução [W]. Ressalva: Girard não escreveu sobre Naum — a leitura é analógica [—].
Mary Douglas e Nussbaum: impureza, retribuição e reparação
Mary Douglas, em Purity and Danger (1966), mostra que o “impuro” é a matéria fora de lugar e que as categorias de pureza organizam fronteiras de grupo [W]. A grelha é fecunda para o cap. 3, e é analógica: Naum descreve Nínive como corpo contaminado e exposto — “atirarei sobre ti abominações” (3,6) —, e a purificação se realiza expulsando o corpo da cidade; Douglas não escreveu comentário a Naum [—]. Martha Nussbaum, em Anger and Forgiveness (OUP, 2016), distingue a raiva que deseja a retribuição da que se transforma em reparação, e sustenta que a primeira é eticamente estéril [V-OL — Nussbaum, ISBN 9780199335879]. A pergunta que fica para o leitor de Naum 1,2 é sem resposta fácil: o livro quer a queda de Nínive como justiça ou como retribuição? [W]
11. Teologia — os debates
A teologia da vingança divina
O debate teológico central é o da ira de Deus como vingança, com três posições em campo [W]. (i) A vingança é justiça: a leitura evangélica corrente lê o furor de 1,2 como defesa dos oprimidos contra a violência instituída de um império [W]. (ii) A vingança é problema a ser corrigido: O’Brien e a crítica pós-colonial leem o livro como apologia do desejo de vingança dos vencidos, teologia que não deveria ser normativa [V — O’Brien, Nahum (Readings; Sheffield Phoenix, 2009)]. (iii) A vingança é linguagem acomodada: na linha de Espinosa, o furor é concessão ao limite humano, não afirmação de que Deus odeia [W]. Nenhuma das três é demonstração; todas são interpretações declaradas — e a diferença entre elas é de consequência para a teologia política [W].
A unidade de 1,2-8: hino antigo, salmo, teofania ou prefácio editorial?
A discussão redacional de 1,2-8 é teológica antes de literária. A teofania de 1,3-5 — a tempestade, as montanhas, o mar que seca — pertence a um formulário usado em vários gêneros do Antigo Testamento [W]. A pergunta é se o hino foi composto para o livro ou inserido a partir de um salmo de culto, e a resposta depende da posição sobre o acróstico: se Renz está certo, o poema é desenhado para o livro e a irregularidade comunica desordem; se Floyd está certo, o hino é material independente e a sua desordem é aleatória [V — Renz, 2009; V — Floyd, 1994]. A teologia passa por aqui: um poema construído para o livro afirma que o juízo sobre Nínive é o juízo de Deus; um salmo acrescentado afirma que o livro foi lido dentro de um culto que o reinterpretou [W].
A ausência de acusação a Israel e o problema da eleição
Naum não acusa Judá de nada. Os Doze acusam Israel sem trégua; Naum é a exceção, e a exceção levanta um problema: a eleição sem exigência [W]. Sofonias acusando Judá e anunciando o “dia de Javé” (1,7-18) e Habacuque perguntando até quando contrastam com Naum, todo voltado para fora [W]. A crítica do livro dos Doze propôs que a posição de Naum no cânon é corretiva: fala ao povo ainda oprimido, não ao povo infiel [W]. O debate é dogmático antes de histórico: a consolação dos vencidos é teologia legítima ou teologia do ressentimento? [W]
Nínive, o império e a teologia política
O livro é, com Daniel e Apocalipse, o mais político dos textos proféticos, mas com a diferença de não falar de império futuro: fala de um império concreto, com nome, no momento da queda [W]. Isso o torna inestimável para a teologia política — o poder absoluto é temporal e a sua violência documentável [W] — e perigoso, quando os leitores identificam os seus inimigos com Nínive. A advertência da crítica pós-colonial é metodológica: nenhuma teologia do juízo sobre o império é automaticamente uma teologia de justiça [W].
11.1. Comentaristas por esfera confessional
A regra é a do acervo: a perspectiva se declara, não se atribui, e o rótulo é metadado, não argumento. Convenções: [V] conferido nesta sessão; [V-OL] catálogo de biblioteca; [W] conhecido, não reconferido; [—] lacuna.
Judaica
- Rashi (1040–1105), comentário a Naum na Sefaria [V]; Radak (1160–1236) e Ibn Ezra (1089–1167) [V]; Abravanel (1437–1508) e Malbim (1809–1879) [W]. Targum aos Doze, ed. Kevin J. Cathcart [W]. Pesher de Naum (4Q169), leitura sectária de Qumran — judaica antiga, não rabínica — com o “Leão da Fúria” [V]. Modernos: Soll [V]; Pinker [V].
Católica ocidental (latina)
- Jerônimo, Commentaries on the Twelve Prophets, escrito entre 406 e 420 [V — CUA Press; W quanto ao capítulo de Naum]. Nicolau de Lira, Postilla litteralis (séc. XIV) [W]; Cornélio a Lapide (1616–1642) [W]. Modernos e em português: Novo Comentário Bíblico São Jerônimo (Paulus / Academia Cristã, 2007) [V]; Spronk (HCOT, 1996) [V-OL].
Católica oriental e grega patrística
- Cirilo de Alexandria (370–444), Commentary on the Twelve Prophets (CUA Press, 2007) [V]; Teodoreto de Ciro, de método antioqueno [W]; Teodoro de Mopsuéstia (c. 350–428), leitura literal, conservado em fragmentos [W]; Orígenes e Didimo, o Cego por testemunhos indiretos [W]. A catena grega é o canal pelo qual esse material chegou [W].
Ortodoxa
- A tradição ortodoxa lê Naum por catena e por Lopukhin, Толковая Библия (1904–1913) [W]; a Orthodox Study Bible (2008) acrescenta notas patrísticas [W]. O ícone russo do século XVIII de Kizhi faz parte dessa recepção [V — Wikipédia, Nahum]. Não localizei comentário ortodoxo contemporâneo dedicado a Naum em português [—].
Protestante histórica
- Lutero, Lectures on the Minor Prophets [W]; Calvino, comentário aos Profetas Menores [W]; Matthew Henry (1706–1710) [W]; Wellhausen, Die kleinen Propheten (1892) [W]; G. A. Smith, The Book of the Twelve Prophets (ICC, 1898) [W]. Críticos modernos: Spronk (1996) [V-OL], Roberts (OTL, 1991) [W], Christensen (Anchor Bible 24D, 2009) [W], Dietrich, Nahum, Habakuk, Zefanja [W]. A esfera protestante anglófona e germanófona domina o mercado por fato de mercado, não de mérito [W].
Evangélica
- Baker (TOTC, 1989) [V-OL], O. Palmer Robertson (NICOT, 1990) [V-OL], Ralph L. Smith (WBC 32, 1984) [W], Walter A. Maier, The Book of Nahum (Concordia, 1959) [W], Gordon Johnston, Bibliotheca Sacra [V], Timmer (Cambridge, 2024) [V]. Em português: Tiago Abdalla (Vida Nova) [V] e Luiz Alexandre Solano Rossi (Paulus) [V].
Não confessional e leitura literária
- Floyd (1994) [V], Renz (2009) [V], Ross (2015) [V], Soll (1988) [V], Huddlestun (2003) [V], Vermeulen (2017) [V], Briggs (2018) [V], Cook (2016; 2017) [V], Wessels (2018) [V], O’Brien (2009) [V], Berrin/Tzoref (2004) [V], Doudna (2002) [V]. Como em todo o acervo: descrever o método, nunca rotular a crença pessoal do autor [W].
| Esfera | Nomes citados | Fonte primária? |
|---|---|---|
| Judaica | Rashi, Radak, Ibn Ezra, Abravanel, Malbim, Targum, pesher de Qumran, Soll, Pinker | sim |
| Católica ocidental | Jerônimo, Nicolau de Lira, Cornélio a Lapide, Novo Comentário São Jerônimo, Spronk | sim |
| Católica oriental / grega | Cirilo, Teodoreto, Teodoro de Mopsuéstia, Orígenes, Didimo | sim |
| Ortodoxa | catena, Lopukhin, Orthodox Study Bible, ícone de Kizhi | sim |
| Protestante histórica | Lutero, Calvino, Henry, Wellhausen, G. A. Smith, Roberts, Christensen, Dietrich | sim |
| Evangélica | Baker, Robertson, Smith, Maier, Johnston, Timmer, Abdalla, Rossi | sim |
| Não confessional | Floyd, Renz, Ross, Soll, Huddlestun, Vermeulen, Briggs, Cook, Wessels, O’Brien, Berrin, Doudna | sim |
O desequilíbrio — o Oriente com a catena, o Ocidente com séries críticas completas — não é do dossiê: é do material [W].
12. Ciência — o que as ciências dizem, e onde não têm competência
A regra desta seção: declarar os limites. A ciência não decide se Javé anunciou a queda a Naum; decide se uma afirmação factual do texto é compatível com o observável.
A arqueologia de Nínive: Kuyunjik e Nebi Yunus
Nínive ocupa dois montes junto à atual Mosul: Kuyunjik, o monte do palácio, e Nebi Yunus, onde a tradição situa o túmulo de Jonas [W]. A fase monumental é obra de Senaqueribe (705–681 a.C.); Layard redescobriu o seu palácio em 1849, com as 71 salas e relevos colossais, e o monte contém pelo menos 80 salas [V — Wikipédia, Nineveh; V — Open Context, registro do sítio]. A “Nova Nínive” media cerca de 750 hectares, e as estimativas de população variam entre 75.000 e 300.000 habitantes [V — a área consta da Cambridge World History, capítulo sobre as capitais neo-assírias; V — a faixa populacional consta do estudo “The population of Nineveh”] [W quanto à metodologia]. A biblioteca de Ashurbanipal, com mais de 30.000 tabuletas cuneiformes — incluindo a Epopéia de Gilgamesh —, foi escavada em Kuyunjik, e os trabalhos de Hormuzd Rassam a partir de 1853 recuperaram o Palácio Norte [V — o Ashurbanipal Library Project (Oracc) descreve Layard em Nínive e Nimrud entre 1845 e 1851 e Rassam no Palácio Norte em fins de 1853; V — a biblioteca tem “mais de 30.000” tabuletas no British Museum].
O Cilindro de Rassam e o registro assírio da queda de Tebas
O Cilindro de Rassam — prisma de dez faces de argila, criado em c. 643 a.C., com mais de 1.300 linhas — foi descoberto em Nínive por Hormuzd Rassam em 1854 e contém os anais de Ashurbanipal [V — Wikipédia, Rassam cylinder; V — Linda Hall Library, verbete de Rassam]. É a principal fonte para a campanha egípcia que terminou com o saque de Tebas, em 663 a.C., e o rei registra o butim em primeira pessoa: “conquistei a cidade inteira… dois grandes obeliscos de bronze reluzente pesando 2.500 talentos; tomei os portões do templo do seu lugar” [V — a citação dos anais é recolhida em COJS, “Ashurbanipal’s Conquest of Thebes, 663 BCE”, a partir de The Raging Torrent de Cogan (2008), pp. 150–165]. A relevância para Naum 3,8-10 é direta: o texto cita um evento com data e fonte independentes, e o faz no passado, o que ancora o terminus a quo da composição [V — Huddlestun, JNES 62/2 (2003)]. Limite a declarar: a descrição de Naum não reproduz os anais [V — Huddlestun, 2003, 97–110].
A queda de Nínive (612 a.C.) nos documentos cuneiformes
A Crônica ABC 3 é um texto babilônico em tabuleta, hoje no British Museum, editado por C. J. Gadd em 1923 sob o título The Fall of Nineveh [V — Gadd, 1923; V — objeto do British Museum W_1896-0409-6]. Ela datou a queda em 612 a.C. e registra que o rei Sin-shar-ishkun morreu na catástrofe [V — ABC 3, Livius]. Limite: a crônica é babilônica e vencedora, o ponto de vista do inimigo, e a participação cita vem da tradição grega, não dela [W].
Nínive depois da queda e a destruição moderna do sítio
Depois de 612, o sítio foi progressivamente desurbanizado nas décadas e séculos seguintes, segundo os dados arqueológicos [V — Wikipédia, Fall of Nineveh]. Em 2014, o grupo ISIS/Daesh demoliu o santuário de Nebi Yunus (o “túmulo de Jonas”) e escavou sob o monte cerca de 650 metros de túneis, que expuseram estruturas do palácio assírio [V — o resumo do Adventist Biblical Research descreve os túneis do ISIS; V — a cobertura da CBC documenta os túneis]. O túmulo tradicional de Naum em Al-Qosh escapou da destruição e recebeu reforço estrutural em 2018 [V — Bible Archaeology Report, 2018].
Linguística e crítica textual
As conjecturas textuais de 1,2-8 (acróstico) e as divergências entre massorético, Septuaginta e Vulgata sobre o tempo verbal de 3,8-10 são problemas de crítica textual e tradução, não de datação absoluta [V — Ross, 2015; V — Wikipédia, Book of Nahum]. O hebraico de Naum é poesia de alto estilo, com vocabulário de procedência assíria — o que sustenta uma data próxima ao império, mas não produz data absoluta [W]. A datação é inferencial e dependente de fatos externos: 663 (Tebas) e 612 (Nínive) são as balizas, e a sua autoridade vem da epigrafia e das crônicas, não do hebraico [V].
Onde a ciência NÃO tem competência
- A ciência não decide se Javé ditou o oráculo contra Nínive: são afirmações sobre ação divina, matéria de teologia e crítica literária [W].
- A arqueologia não identifica Naum nem Elkosh: Kuyunjik não produziu inscrição com o nome do profeta, e não encontrei fonte verificada que ligue uma camada do sítio ao livro [—].
- A epigrafia não data o livro: data Tebas (663) e Nínive (612) — a passagem da baliza ao texto é inferência humana [V].
- A arqueologia não prova nem refuta a conversão de Nínive de Jonas: nenhuma inscrição assíria conhecida registra movimento penitencial coletivo por profeta estrangeiro [—].
- A demografia e a topografia de Nínive não medem a justiça do oráculo: que a cidade fosse grande não mostra que a sua destruição era devida [W].
- E a ciência não responde se a queda de 612 foi “juízo divino” ou episódio da geopolítica do séc. VII: as duas descrições podem ser verdadeiras ao mesmo tempo — aí a competência científica termina e a teológica começa [W].


13. Lacunas e Correções de Atribuição
- [—] Liturgia e Tisha b’Av. A hipótese de uso litúrgico de Naum em Tisha b’Av não se confirmou: as haftarot do dia são Jeremias e Isaías, e a leitura própria é Lamentações [V — Chabad.org e Aleph Beta]. Não encontrei fonte verificada de leitura de Naum nessa data.
- [—] Girard e Douglas sobre Naum. Nem Girard nem Mary Douglas escreveram comentários a Naum: os usos na seção 10 são aplicação analógica de teorias gerais.
- [NV] ISBN de Abdalla, Deus justo e soberano (Vida Nova). O ISBN-13 9786559672745 foi testado em Open Library e não foi encontrado; título e autoria são [V] por fichas comerciais (CLC Portugal, Amazon).
- [W] Recepção antiga. Não conferi o capítulo específico de Naum em Jerônimo nem em Cirilo: as obras são [V], a página, não.
- [W] Participação cita em 612 a.C. A presença cita na coalizão vem sobretudo da tradição grega; não a encontrei na Crônica Babilônica, e não a afirmo como dado epigráfico.
- [W] População de Nínive. A faixa de 75.000 a 300.000 vem de estudo em repositório acadêmico; não reconferi a metodologia — a amplitude é, por si, um aviso.
- [—] Estatísticas textuais. Não levantei totais de letras ou palavras do massorético; a contagem de 47 versículos segue a numeração comum.
- [W] Demétrio e o “Leão da Fúria”. São atribuições da literatura secundária, não consenso unânime: registrei a contestação.
- [—] Audiovisual e games. Não localizei longa-metragem, telefilme ou jogo dedicado a Naum; a entrada do Age of Empires é cenário sobre Nínive.
Bibliografia-âncora verificada
- Floyd, “The Chimerical Acrostic of Nahum 1:2-10”, JBL 113/3 (1994) 421–437. [V] [ACAD] DOI 10.2307/3266780: https://doi.org/10.2307/3266780.
- Renz, “A Perfectly Broken Acrostic in Nahum 1?”, JHS 9 (2009). [V] [ACAD] DOI 10.5508/jhs.2009.v9.a23: https://doi.org/10.5508/jhs.2009.v9.a23.
- Ross, “Text-Critical Question Begging in Nahum 1,2–8”, ZAW 127/3 (2015) 459–474. [V] [ACAD] DOI 10.1515/zaw-2015-0025: https://doi.org/10.1515/zaw-2015-0025. PDF aberto em Cambridge: https://www.repository.cam.ac.uk/items/2d4394cf-3d27-4df6-86fd-36659c551b2a.
- Soll, “Babylonian and Biblical Acrostics”, Biblica 69/3 (1988) 305–323. [V] Peeters: https://poj.peeters-leuven.be/content.php?url=article&id=3217871&journal_code=BIB. James, “The Aesthetics of Biblical Acrostics”, JSOT (2022). [V] [ACAD] DOI 10.1177/03090892211040541: https://doi.org/10.1177/03090892211040541.
- Huddlestun, “Nahum, Nineveh, and the Nile”, JNES 62/2 (2003) 97–110. [V] PDF aberto: https://www.andrews.edu/weblmsc/moodle/public/courses/relb274/lesson05/J%20Huddlestun%20Nahum%20Nineveh%20and%20the%20Nile%20Nahum%203.pdf.
- Cook, “Nahum and the Question of Rape”, BBR 26/3 (2016) 341–352. [V] [ACAD] DOI 10.2307/26371454. Cook, “Naqia and Nineveh in Nahum”, JBL 136/4 (2017) 895–904. [V] [ACAD] DOI 10.15699/jbl.1364.2017.198627: https://doi.org/10.15699/jbl.1364.2017.198627.
- Briggs, “Fluid Dynamics: The Interplay of Water and Gender in Nahum”, JBL 137/4 (2018). [V] [ACAD] DOI 10.15699/jbl.1374.2018.470050. Vermeulen, “The Body of Nineveh”, JHS 17 (2017) 1–17. [V]: https://jhsonline.org/index.php/jhs/article/view/29364.
- Wessels, “Cultural sensitive readings of Nahum 3:1–7”, HTS 74/1 (2018). [V] [ACAD] DOI 10.4102/hts.v74i1.4931: https://doi.org/10.4102/hts.v74i1.4931. Versão SciELO SA: https://scielo.org.za/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0259-94222018000100047.
- Johnston, “Nahum’s Rhetorical Allusions to Neo-Assyrian Lion Motifs”, Bibliotheca Sacra (2001). [V]: https://www.academia.edu/39924867/Nahums_Rhetorical_Allusions_to_Neo_Assyrian_Lion_Motifs. Pinker, “Nahum and the Greek Tradition on Nineveh’s Fall”, JHS [V]: https://jhsonline.org/index.php/jhs/article/download/5690/4743/12722.
- Berrin (Tzoref), The Pesher Nahum Scroll from Qumran (STDJ 53; Brill, 2004). [V] ISBN 9789004124844 · Open Library: https://openlibrary.org/isbn/9789004124844. Doudna, 4Q Pesher Nahum: A Critical Edition (Sheffield, 2002). [V] ISBN 9781841271569: https://openlibrary.org/isbn/9781841271569. Síntese em Wikipédia, Nahum Commentary: https://en.wikipedia.org/wiki/Nahum_Commentary.
- Rolos do Mar Morto, 4Q82 (4QXII^g), com Naum. [V]: https://www.deadseascrolls.org.il/explore-the-archive/manuscript/4Q82-1?locale=en_US. Rolo Grego de Nahal Hever, ed. Emanuel Tov (1990): https://en.wikipedia.org/wiki/Greek_Minor_Prophets_Scroll_from_Nahal_Hever.
- ABC 3 — “Fall of Nineveh Chronicle”, trad. e comentário em Livius.org. [V]: https://www.livius.org/sources/content/mesopotamian-chronicles-content/abc-3-fall-of-nineveh-chronicle/. Gadd, The Fall of Nineveh (Oxford, 1923). [V] Internet Archive: https://archive.org/details/C.J.GaddTheFallOfNineveh.TheNewlyDiscoveredBabylonianChronicle.
- “Ashurbanipal’s Conquest of Thebes, 663 BCE” (COJS), com os anais reais e Mordechai Cogan, The Raging Torrent (Carta, 2008), pp. 150–165. [V]: https://cojs.org/ashurbanipal-s_conquest_of_thebes-_663_bce/. Wikipédia, Sack of Thebes [V]: https://en.wikipedia.org/wiki/Sack_of_Thebes.
- Cilindro de Rassam [V]: https://en.wikipedia.org/wiki/Rassam_cylinder. Escavações de Nínive (Layard, Rassam, Kuyunjik) [V]: https://en.wikipedia.org/wiki/Nineveh; Ashurbanipal Library Project (Oracc): https://oracc.museum.upenn.edu/asbp/archaeologyofthelibrary/excavations/; biblioteca de Ashurbanipal: https://www.britishmuseum.org/blog/library-fit-king.
- Destruição do sítio em 2014-2018 e o túmulo de Naum. [V] Bible Archaeology Report (17-abr-2018): https://biblearchaeology.org/traditional-tomb-of-the-prophet-nahum-saved-from-collapse/. Wikipédia, Book of Nahum e Nahum (datação, Elkosh, acróstico): https://en.wikipedia.org/wiki/Book_of_Nahum · https://en.wikipedia.org/wiki/Nahum.
- Barros, “Uma curta introdução ao livro de Naum”, Kerygma 15/1 (2020) 53–62. [V] [ACAD] DOI 10.19141/1809-2454.kerygma.v15.n1.p53-62: https://revistas.unasp.edu.br/kerygma/article/view/1270. Rossi, Como ler o livro de Naum (Paulus, 1998), ISBN 9788534913812. [V]: https://www.touchelivros.com.br/como-ler-o-livro-de-naum/.
- Abdalla, Deus justo e soberano: a mensagem de Naum para a igreja de hoje (Vida Nova). [V]: https://clcportugal.com/product/deus-justo-soberano-9786559672745. Bíblia de Jerusalém (Paulus; ISBN 9788534919777) [V]: https://loja.paulus.com.br/biblias/biblia-de-jerusalem. TEB (Loyola, 2010; ISBN 9788515030163) [V]: https://www.loyola.com.br/produto/biblia-teb-nova-edicao-2392.
- Spronk, Nahum (HCOT, 1996) [V-OL]: https://openlibrary.org/isbn/9789024263554. Baker, Nahum, Habakkuk and Zephaniah (TOTC, 1989) [V-OL]: https://openlibrary.org/isbn/9780830814275. Robertson, The Books of Nahum, Habakkuk, and Zephaniah (NICOT, 1990) [V-OL]: https://openlibrary.org/isbn/9780802825322. Timmer, The Theology of the Books of Nahum, Habakkuk, and Zephaniah (Cambridge, 2024) [V]: https://www.cambridge.org/core/books/theology-of-the-books-of-nahum-habakkuk-and-zephaniah/reading-ancient-israelite-prophetic-books/037C8E04B3641A4B2C495A8A88074E49.
- Coggins e Han, Six Minor Prophets Through the Centuries (Wiley-Blackwell, 2011) [V-OL]: https://openlibrary.org/isbn/9781444342796. House, The Unity of the Twelve (1990) [V-OL]: https://openlibrary.org/isbn/9781850752509. Nogalski, Redactional Processes in the Book of the Twelve (1993) [V-OL]: https://openlibrary.org/isbn/9783110137675.
- Filosofia. [DIGITAL] Espinosa, A Theologico-Political Treatise, cap. II: https://en.wikisource.org/wiki/Theologico-Political_Treatise_1862/Chapter_2. Nussbaum, Anger and Forgiveness (OUP, 2016) [V-OL]: https://openlibrary.org/isbn/9780199335879. Adams, Horrendous Evils and the Goodness of God (Cornell, 1999) [V-OL]: https://openlibrary.org/isbn/9780801436116.
- Comentários judaicos clássicos. [V] Sefaria — Rashi, Radak e Ibn Ezra sobre Naum: https://www.sefaria.org/Rashi_on_Nahum. Textos patrísticos em tradução da CUA Press (Cirilo e Jerônimo sobre os Doze): https://cua-press.catholic.edu/ [V quanto à existência da série, W quanto ao volume de Naum].
Como conseguir estas obras
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| Obra | Acesso | Onde |
|---|---|---|
| Floyd, “The Chimerical Acrostic of Nahum 1:2-10” (JBL 113/3, 1994) | livre | doi.org |
| Renz, “A Perfectly Broken Acrostic in Nahum 1?” (JHS 9, 2009) | livre | doi.org |
| Ross, “Text-Critical Question Begging in Nahum 1,2–8” (ZAW 127/3) | livre | repository.cam.ac.uk |
| Huddlestun, “Nahum, Nineveh, and the Nile” (JNES 62/2) | livre | andrews.edu |
| Barros, “Uma curta introdução ao livro de Naum” (Kerygma 15/1) | livre | revistas.unasp.edu.br |
| “Fall of Nineveh Chronicle” (ABC 3), trad. em Livius.org | livre | livius.org |
| Gadd, The Fall of Nineveh (Oxford, 1923) | livre | Internet Archive |
| “Ashurbanipal’s Conquest of Thebes, 663 BCE” (COJS), com Cogan (2008) | livre | cojs.org |
| Sefaria — Rashi, Radak e Ibn Ezra sobre Naum | livre | sefaria.org |
| Wessels, “Cultural sensitive readings of Nahum 3:1–7” (HTS 74/1) | empréstimo | scielo.org.za |
| Vermeulen, “The Body of Nineveh” (JHS 17) e Pinker, “Greek Tradition” | empréstimo | jhsonline.org |
| Coggins e Han, Six Minor Prophets Through the Centuries (2011) | empréstimo | Open Library |
| Berrin (Tzoref), The Pesher Nahum Scroll from Qumran (Brill, 2004) | biblioteca | Open Library |
| Doudna, 4Q Pesher Nahum: A Critical Edition (2002) | biblioteca | Open Library |
| Spronk, Nahum (HCOT, 1996) e Baker, Nahum, Habakkuk and Zephaniah (TOTC, 1989) | biblioteca | Open Library |
| Robertson, The Books of Nahum, Habakkuk, and Zephaniah (NICOT, 1990) | biblioteca | Open Library |
| 4Q82 (4QXII^g), com Naum | biblioteca | deadseascrolls.org.il |
| Abdalla, Deus justo e soberano: a mensagem de Naum (Vida Nova) | compra | clcportugal.com |
| Rossi, Como ler o livro de Naum (Paulus, 1998) | compra | touchelivros.com.br |
| Nussbaum, Anger and Forgiveness (OUP, 2016) | compra | Open Library |
| Adams, Horrendous Evils and the Goodness of God (Cornell, 1999) | compra | Open Library |
Selo [esgotado] não aparece aqui: quando a obra não é alcançável de nenhuma forma, o texto aponta o substituto acessível ao lado dela.