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Antiguidade Bíblica

Josué (Yehoshua) — Artigo Enciclopédico

Versão curtaA conquista de Canaã aconteceu?

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Você não precisa ler tudo. Escolha um degrau — cada um é um estado final satisfatório, não um fragmento de curso. A ordem abaixo não é a ordem das seções: o texto vem antes do comentário, de propósito.

Você vai precisar saber antes: que fontes são estas e como se datam

  1. 00

    A porta5–10 min

    A pergunta e a resposta rápida, sem rodeio. Ao fim você tem uma resposta utilizável e o mapa do que existe.

  2. 01

    Ler o texto15–30 min

    A passagem inteira, em duas traduções de tradições diferentes, sem comentário. Comparar as duas é o exercício que mais rende: mostra onde o original é ambíguo.

  3. 02

    O contexto20–40 min

    O mundo em que o texto surgiu: geografia, arqueologia, paralelos do Antigo Oriente Próximo.

    §2 §9

  4. 03

    O debate30–60 min

    As posições em disputa, com quem as sustenta, onde publicou e qual é a réplica.

    §4 §10

  5. 04

    A recepção30–60 min

    O que se fez do texto: Padres, medievo, tradições confessionais.

    §6 §11

  6. 05

    As quatro camadas40–90 min

    Comparação com a mitologia, as perguntas filosóficas, os debates teológicos e o que a ciência diz — e onde não tem competência.

    §9 §10 §11 §12

  7. 06

    O dossiê integral1,5–3 h

    Tudo, na ordem, mais bibliografia com selo de acesso e as lacunas assumidas.

Outras portas de entrada
  • Quero só a resposta. Pare no degrau 0 — ele é completo em si.
  • Quero conferir se é verdade. Vá ao degrau 3 (o debate) e olhe as fontes de cada afirmação, com o selo de acesso.
  • Quero ler o texto com calma. Degrau 1, com o glossário ao lado.
  • Vim da fé e quero entender. Comece pelo degrau 4 (a recepção) — reconhecer a tradição primeiro ajuda a receber a crítica sem se sentir emboscado.
  • Vim do ceticismo. Comece pelo degrau 2 (contexto e arqueologia), pelo motivo simétrico: começa pelo verificável.
Como saber se você entendeu

Ao fim de cada degrau, tente responder às três. Se as três não saem, o degrau seguinte vai confundir — volte um.

  1. Compreensão. Consigo dizer o que o texto diz, com minhas palavras?
  2. Análise. Consigo dizer qual problema este texto levanta, e por quê?
  3. Debate. Consigo dizer quem discorda de quem, e sobre o quê?

1. Lead e Ficha

O Josué (hebr. יְהוֹשֻׁעַ, Yehoshua, transliterado também Yehoshua ou Yeshua, etimologicamente «YHWH é salvação»; gr. LXX Ἰησοῦς τοῦ Ναυή, «Jesus filho de Nun»; lat. Iosue) é o sexto livro da Bíblia Hebraica e o primeiro dos Nevi’im (Profetas) na segunda divisão do cânon judaico — não pertence, portanto, à categoria «históricos» que a tradição cristã lhe atribui (Britannica, «Nevi’im» [W]). Na Bíblia cristã abre a série dos «Livros Históricos». Narra a sucessão de Moisés, a travessia do Jordão, a conquista de Canaã, a partilha da terra entre as tribos e a assembleia de renovação da aliança em Siquém (Js 24) (Britannica, «Joshua» [W]; texto [V]).

A figura central é Josué, filho de Nun, auxiliar de Moisés que recebe a comissão divina de atravessar o Jordão e conduzir Israel à terra prometida (Js 1,1–9); o livro encerra-se com sua exortação «escolhei hoje a quem sirvais» (Js 24,15) e sua morte aos 110 anos (Js 24,29–31) (texto [V]).

Ficha técnica (texto hebraico massorético, salvo indicação em contrário):

CampoDatoMarcador
Nome hebraicoYehoshua (יְהוֹשֻׁעַ) — «YHWH é salvação»[W] uso corrente
Nome grego/latinoIesous (= Jesus) filho de Naue / Iosue (LXX, Vulgata)[W]
Posição no cânon6.º livro da Bíblia Hebraica; 1.º dos Nevi’im (Profetas)[W] Britannica
Posição no cânon cristão1.º dos «Livros Históricos» do AT[W]
Capítulos24[V] texto
Idiomahebraico bíblico (camadas arcaicas e tardias)[W]
Sucessor deMoisés (Js 1,1–9)[V] texto
Episódios-núcleoJericó (Js 6); Ai (Js 7–8); assembleia de Siquém (Js 24)[V] texto
Marca extrabíblica«Israel» na Estela de Merneptah, c. 1208 a.C.[V] Finkelstein & Silberman 2001
Teoria dominante de origeminício da História Deuteronomista (Noth 1943)[W] Noth 1943
Edição críticaBHS/BHQ (texto massorético)[V] uso padrão

2. Contexto e Autoria: o início da História Deuteronomista

O problema maior. A questão decisiva que a pesquisa contemporânea coloca ao livro não é «quem foi Josué?», mas «que obra é esta e de que gênero?». Em 1943, Martin Noth, em Überlieferungsgeschichtliche Studien (Halle: M. Niemeyer) [V — Open Library OL19814792M], formulou a hipótese que ainda hoje organiza o campo: Josué, Juízes, 1–2 Samuel e 1–2 Reis formam uma obra historiográfica única e contínua, composta por um único autor anônimo — o «historiador deuteronomista» — e redigida à luz da catástrofe do exílio babilônico (587/586 a.C.) [V — Noth 1943, OL19814792M; trad. ingl. The Deuteronomistic History, Sheffield: JSOT Press, 1981, OL28380862M; en.wiki [W]]. Nessa leitura, Josué não é um livro autônomo, mas a abertura da História Deuteronomista (DtrH), cuja tese teológica é o juízo sobre a infidelidade de Israel à aliança.

Consequência para Josué. Se o livro pertence à DtrH, sua função é teológica e retrospectiva: a conquista narrada em Js 1–12 e a partilha em Js 13–24 projetam para o passado a promessa cumprida, legitimando a posse da terra sob condição de fidelidade ao pacto — o mesmo esquema de bênção/ maldição que estrutura todo o ciclo (Dt 28; Js 23; 2 Rs 17) (en.wiki, «Deuteronomistic History» [W]; Noth 1943 [V]).

Camadas e redações. A crítica interna reconhece no livro estratos distintos: (a) um núcleo narrativo antigo de conquista (caps. 1–11) e listas de fronteiras e cidades (caps. 13–19); (b) uma redação deuteronomista, responsável pela moldura teológica; (c) uma redação sacerdotal (P) posterior, que acrescentou elementos cultuais, as cidades de refúgio e a partilha por sortes (caps. 13–21). A datação final é debatida: exílica (Noth) ou pós-exílica, persa (Römer). Thomas Römer, em The So-Called Deuteronomistic History: A Sociological, Historical and Literary Introduction (Londres: T&T Clark, 2005), reformula a tese de Noth e propõe um processo editorial em etapas, do séc. VII ao séc. V a.C. (Römer 2005 [W]; en.wiki [W]).

Autoria tradicional. A tradição judaica e boa parte da tradição cristã antiga atribuíram o livro ao próprio Josué (nota em Js 24,26: «Josué escreveu estas palavras no livro da lei de Deus»), com o final — a morte do protagonista (Js 24,29–31) — atribuído a Eleazar ou Fineias; a crítica moderna rejeita a autoria direta e o data séculos depois dos eventos (en.wiki [W]; pt.wiki [W]). Não há página de comentário verificada para a origem rabínica da atribuição [—].

3. Estrutura (24 capítulos)

O livro divide-se em três blocos temáticos claros (Britannica, «Joshua» [W]; terceiro-mill [W]; en.wiki [W]):

  • A conquista (Js 1–12). Comissão de Josué e passagem do Jordão (1–4); circuncisão em Gilgal e a Páscoa (5); queda de Jericó (6); pecado de Acã e derrota e vitória em Ai (7–8); sol e lua detidos sobre Gibeon (10); campanha setentrional e o resumo dos reis conquistados (11–12).
  • A partilha da terra (Js 13–21). Repartição por tribos a leste e a oeste do Jordão (13–19); cidades de refúgio (20); cidades levíticas (21). Este bloco contém extensos documentos de fronteira e listas de cidades de interesse sobretudo geográfico e genético-documental (Britannica [W]).
  • A despedida e a aliança (Js 22–24). O altar do Jordão (22); discursos de despedida de Josué (23); assembleia e renovação da aliança em Siquém (24), com a fórmula «eu e a minha casa serviremos a YHWH», seguida da morte e sepultura de Josué e Eleazar (24,29–33) (texto [V]; terceiro-mill [W]).

O fecho de Js 24 é recebido como ponte para o período dos Juízes, o segundo membro da mesma História Deuteronomista (Noth 1943 [V]).

4. Conteúdos-chave com Debate

Nesta seção, a honestidade exige registrar o desacordo real entre arqueólogos, historiadores e exegetas, sem fingir consenso.

4.1 Jericó (Js 6) — o caso mais discutido

As escavações de Kathleen Kenyon em Tell es-Sultan (1952–1958) demonstraram que a cidade cananeia da Idade do Bronze Médio-Recente fora violentamente destruída por volta de 1550 a.C. e que o sítio permaneceu praticamente desocupado no presumível século XIII a.C. da conquista [V — Religions (MDPI) 14/6:796, 2023; Bible Archaeology Report [W]]. Antes dela, John Garstang (1930–1936) havia anunciado ter encontrado as muralhas caídas do relato; Kenyon desmontou essa conclusão ao refinar a sequência estratigráfica e cerâmica (en.wiki [W]; Bible Archaeology Report [W]). Tratamentos posteriores reabriram o debate: Piotr Bienkowski (1986) revisou criticamente a leitura de Kenyon, discutindo a datação da destruição do Jericó IVc, e há autores evangélicos que preferem a datação alta do séc. XV (Garstang; Wood) (Bienkowski 1986 [W]; Bible Archaeology Report [W]). Conclusão honesta: a arqueologia não confirma uma Jericó amuralhada destruída no séc. XIII; o texto de Js 6 funciona, para boa parte da crítica, como composição literária e litúrgica, não como relatório de campo (Kenyon [V]-Religions 2023).

4.2 Ai (Js 7–8) — o problema ainda maior

O sítio identificado com Ai (hebr. הָעַי, Ha-Ai) é et-Tell, escavado por Joseph Callaway entre 1964 e 1970. A estratigrafia revela que et-Tell foi destruída no Bronze Antigo e permaneceu em ruínas por mais de mil anos, num hiato de aproximadamente 2400 a 1200 a.C. ou seja, não havia cidade no tempo da conquista [W — Callaway, «Ai», Anchor Bible Dictionary vol. 1, Doubleday, 1992; en.wiki «Et-Tell» [W]]. O próprio Callaway reconheceu que «Ai é simplesmente um embaraço para toda visão da conquista que tome o relato como histórico» (Callaway, apud Bible Archaeology Report [W]). Alguns propõem identificar Ai com outro sítio (Khirbet el-Maqatir, Beitin) para salvar a historicidade, pois o topônimo «Ai» significa «ruína» e o narrador bíblico poderia explorar o próprio nome [W] (Armstrong Institute [W]).

4.3 A Estela de Merneptah e a primeira menção de «Israel»

A Estela de Merneptah (faraó Merneptah, c. 1208 a.C.), descoberta em 1896, contém a mais antiga menção extrabíblica certa de «Israel», aí designado como povo/grupo (não como Estado ou cidade estado) já presente em Canaã [V — Finkelstein & Silberman 2001, OL9780743223386; Maeir 2013, «Israel and Judah», Encyclopedia of Ancient History [W]]. A estela, contudo, não menciona Josué, nem conquista, nem êxodo; é um documento egípcio de vitórias. Sua função no debate é decisiva: mostra que «Israel» já existia como entidade em Canaã antes do fim do séc. XIII, o que alimenta tanto modelos de conquista quanto de assentamento (Finkelstein & Silberman 2001 [V]).

4.4 Os três modelos concorrentes da ocupação

A pesquisa produziu três modelos (não um) para explicar a emergência de Israel em Canaã [V — The Emergence of Ancient Israel in Canaan (síntese académica) [W]; BAS Library [W]]:

  1. Conquista militar — associado a W. F. Albright e G. Ernest Wright: Israel teria entrado de fora e subjugado Canaã por força das armas, como Josué narra. Os confrontos arqueológicos (Jericó, Ai) enfraqueceram o modelo (Albright [W]; BAS Library [W]).
  2. Assentamento pacífico ou infiltraçãoAlbrecht Alt (1939) e Martin Noth: os israelitas eram pastores seminômades que, vindos de fora, infiltraram-se gradualmente e se sedentarizaram sem violência maciça [V — Alt 1939, «Israels Gaue», apud Emergence [W]; SAGE 1991 [V cópia]; Tyndale Bulletin [W]].
  3. Revolta camponesaGeorge E. Mendenhall (1962) e Norman Gottwald (1979): Israel não veio de fora, mas emergiu endogenamente de uma revolta de camponeses cananeus contra o sistema de cidades-estado, unidos pela fé em YHWH [V — Mendenhall 1962, «The Hebrew Conquest of Palestine», Biblical Archaeologist; Gottwald 1979, The Tribes of Yahweh, Orbis [W]; BAS Library [W]].

A estes soma-se um quarto caminho dominante hoje: o surgimento endógeno por sedentarização das comunidades camponesas das terras altas, que Israel Finkelstein datou, com modelagem bayesiana de radiocarbono, na Idade do Ferro I (c. 1.150–1.000 a.C.), sem traço de invasão violenta [V — Finkelstein, The Archaeology of the Israelite Settlement, 1988; Finkelstein & Silberman 2001, OL9780743223386]. Finkelstein sustentou que a ideia de uma «invasão» israelita é hoje minoritária entre arqueólogos não-confessionais pós-1980 (Finkelstein & Silberman 2001 [V]; dossier Finkelstein 2026 [W]).

4.5 O herem (Js 6–11) e o problema ético da violência de conquista

O termo hebraico חֵרֶם, herem («anátema», «dedicação total ao extermínio») designa a prática de consagrar a YHWH pessoas, animais e bens das cidades capturadas — em Jericó, «passaram tudo ao fio da espada» (Js 6,21) (texto [V]). O problema ético — hoje o mais premente para leitores religiosos — é o de uma divindade que ordena a destruição de populações inteiras (Zondervan Academic [W]; Modern Reformation [W]). As respostas em circulação:

  • Contextualização literário-cultural: os relatos de conquista do Antigo Oriente Próximo usavam hipérbole convencional. A Estela de Moabe (Mesha, c. 840 a.C.), por exemplo, proclama que «Israel pereceu para sempre» e que se matou «tudo» — afirme-se o que for, Israel sobreviveu (Zondervan [W]). «Destruí-los totalmente» pertenceria, portanto, ao vocabulário do dia.
  • Leitura canônico-teológica: o herem seria local, temporal e único, ligado à terra prometida, e jamais autoriza guerra religiosa hoje (Zondervan [W]; Modern Reformation [W]).
  • Leitura crítica e pós-colonial contemporânea: autoras e autores que enfrentam o texto como apologia de violência (genocídio ou massacre) e recusam a neutralização do problema (debate aberto [W]; cf. fisherpub.sjf.edu [W]). Não há consenso; existe honesto desacordo.

A pesquisa atual sublinha ainda que a arqueologia não sustenta a destruição total de cidades nem a eliminação de toda a população da terra (Zondervan [W]; Finkelstein & Silberman 2001 [V]).

4.6 O «sol parado» (Js 10) e as listas de reis (Js 12–13) como gênero

O episódio de Gibeon (Js 10,12–13), no qual Josué ordena «Sol, detém-te sobre Gibeon», é lido pela crítica como composição poética/etiológica — cita-se o Livro dos Justos (Sefer ha-Yashar) como fonte — e não como registro astronômico (texto [V]; en.wiki [W]). Do mesmo modo, Js 12 (lista dos reis vencidos) e as listas de fronteiras de Js 13–19 pertencem a gênero documental-listal e refletem interesses administrativos e urbanos posteriores, não necessariamente os campos de batalha da conquista (Britannica [W]; en.wiki [W]). São textos de arquivo, não de reportagem.

As muralhas de Jericó caem
As muralhas de Jericó caem · Js 6,1-20Gravura de Doré para Js 6: os muros de Jericó desabam depois das voltas da procissão e do grito do povo. O dossiê usa a imagem para discutir a narrativa de conquista, e é a ilustração que fixou a cena no século XIX — a queda em bloco, sem batalha, é o que o texto afirma e o que as escavações de Tel es-Sultan não confirmam.Gustave Doré · 1866 · xilogravura (série Doré's English Bible, 1866) · Série Doré's English Bible (1866)Fonte: Wikimedia Commons · Licença: Public domain

5. Temas

  • Cumprimento da promessa e dom da terra. A terra é dádiva divina que se cumpre (Gn 15; Dt 1,8; Js 21,43–45); a posse é inseparável da obediência ao pacto (Dt 28; Js 23) [V] texto; [W] en.wiki.
  • Sucessão e liderança. A passagem de Moisés a Josué (Js 1,1–9; Dt 31,7–8) afirma a continuidade da liderança carismática e a mediação da Torá [V] texto.
  • Guerra santa / YHWH como guerreiro. Em Js 1–12, é YHWH quem combate por Israel («o chefe do exército de YHWH», Js 5,13–15); o esquema é deuteronomista e reflete a teologia da guerra santa difundida no antigo Israel [W] en.wiki; [W] von Rad (Der Heilige Krieg im alten Israel, 1951).
  • Unidade de Israel e aliança. A assembleia de Siquém (Js 24), em que se exige escolha exclusiva de YHWH, é recebida como momento fundador da identidade coletiva das tribos (terceiro-mill [W]; texto [V]).
  • Memória, território e identidade. As listas de cidades e fronteiras (Js 13–21) afirmam a ligação das tribos a porções específicas do território, fundamentando reivindicações posteriores [W] Britannica.

6. Recepção

Judaísmo. Josué pertence aos Nevi’im e integra o ciclo da liturgia como haftarot associadas à Páscoa e a outras festas; o gesto inaugural de Js 5 (a Páscoa em Gilgal) e a travessia do Jordão são relidos na tradição como paralelos do êxodo (Britannica, «Nevi’im» [W]). A figura de Josué recebeu, na exegese rabínica, o título de modelo de fidelidade à Torá (cf. hermenêutica corrente [W]); não foram localizadas páginas de fontes rabínicas conferidas nesta sessão [—].

Josué detém o sol sobre Gibeão
Josué detém o sol sobre Gibeão · Js 10,12-14John Martin pinta a ordem de Js 10,12-13 — sol, detém-te sobre Gibeão — como um vasto panorama de montanhas e nuvens, com a batalha reduzida a pontos na imensidão. O dossiê usa a obra porque ela faz o inverso da leitura devocional: o milagre não é espetáculo, é o quadro inteiro parado.John Martin · circa 1840 · óleo sobre tela · Google Arts & Culture (Google Cultural Institute)Fonte: Wikimedia Commons · Licença: Public domain

Cristianismo. Josué (grego Iesous, o mesmo nome de Jesus) torna-se, desde a patrística, tipo de Cristo: o que «introduz o povo no repouso» da terra prefigura Aquele que conduz ao repouso definitivo (Hb 4,8–11) [W] leitura tipológica; en.wiki. O livro foi largamente instrumentalizado em legitimação da guerra — inclusive, na Idade Média, como apoio discursivo às Cruzadas (cf. franciscanos.org [W]).

No cinema. Não há, entre as grandes produções, um épico cinematográfico dedicado ao Josué bíblico comparável aos filmes sobre Moisés: a busca localizou apenas peça de divulgação religiosa em 16 mm, Joshua, the Conqueror (1958), sobre episódios da vida de Josué (Gospel Films Archive [W]). O filme Joshua (2002) não é sobre o Josué bíblico, mas sobre um «segundo advento» ficcional em uma pequena cidade norte-americana (IMDb [V]); usá-lo como obra sobre Josué seria erro de atribuição.

Na arte. Os episódios de Josué alimentaram pintura de grande porte desde o Renascimento: Nicolas Poussin, Joshua’s Victory over the Amorites («A Vitória de Josué sobre os Amoritas», c. 1625, óleo), hoje no Museu Pushkin, Moscou [W — atribuição e museu citados em fonte de divulgação, não conferidos em catálogo de museu nesta sessão]; John Martin, Joshua Commanding the Sun to Stand Still upon Gibeon (1816), gravura/pintura do romantismo apocalíptico [W]. Rafael e a oficina vaticana decoraram a Loggia di Raffaello com cenas de Josué [W]. Não foram confirmados números de inventário nem datas exatas em catálogo oficial [—].

Na música. Georg Friedrich Händel compôs o oratório Joshua (HWV 64), em três atos, a partir do relato bíblico; foi estreado em 9 de março de 1748 no Covent Garden Theatre, Londres, com grande sucesso de público [V — en.wiki «Joshua (Handel)»; Philharmonia Baroque Program Notes [W]]. Händel completou a partitura entre julho e agosto de 1747 (Philharmonia Baroque [W]).

Qumran. Josué está entre os livros atestados nos Manuscritos do Mar Morto: estão documentadas as cópias 4Q47 (4QJoshua-a) e 4Q48 (4QJoshua-b), da Caverna 4, sendo 4Q47 o testemunho mais antigo [V — Israel Antiquities Authority, deadseascrolls.org.il, manuscrito 4Q47; análise académica [W]]. A bibliotecária dos Rolos indica apenas duas cópias de Josué em Qumran, o que sugere popularidade relativamente menor que a de outros textos (cf. The Dead Sea Scrolls and the Book of Joshua, [W]).

Raabe e os dois espias
Raabe e os dois espias · Js 2,1-21Tissot representa Js 2,1-21: Raabe esconde os espias e os faz descer pela janela, com o cordão vermelho preso à muralha. O dossiê usa a cena porque o livro faz dela o primeiro acerto do relato de conquista — uma mulher de Jericó é quem reconhece o que os israelitas ainda vão descobrir.James Tissot · between circa 1896 and circa 1902 · gouache sobre cartão · Jewish Museum, Nova York (Tissot, c. 1896-1902)Fonte: Wikimedia Commons · Licença: Public domain

7. Traduções PT e Comentários PT

Traduções bíblicas PT que incluem Josué (o livro circula dentro da Bíblia completa; rara é a edição crítica isolada) [—]:

  • Almeida — tradição de João Ferreira de Almeida (NT 1681; Bíblia completa 1753); revisões ARC, ARA (SBB) e ACF (SBTB), amplamente disponíveis em PT-BR [W — uso editorial corrente].
  • Bíblia de Jerusalém — edição brasileira da Bible de Jérusalem (École Biblique), publicada pela Paulus; mantida em catálogo contínuo desde 1994, com reimpressões anuais recentes (ISBNs verificados em PT-BR, p. ex. 9788534902915, 2013/2016) [V — catálogo Paulus/Estante Virtual [W]].
  • TEB — Tradução Ecumênica da Bíblia — tradução brasileira da TOB francesa, Edições Loyola (1994; nova edição conforme a 12.ª ed. francesa, 2010) [V — loyola.com.br, do dossiê de Deuteronômio].
  • Volume Quetzal — Livros Históricos. A editora portuguesa Quetzal Editores publicou, com tradução do helenista Frederico Lourenço (Prémio Pessoa 2023), o volume «Bíblia — Volume V, Tomo I: Antigo Testamento — os Livros Históricos», ISBN 9789897224621, 2023, 528 páginas, que abre com Josué e cobre os livros históricos (Juízes, Josué, Samuel, Reis etc., na ordem da Septuaginta) [V — quetzaleditores.pt, ficha do produto; Martins Fontes Paulista; Almedina; Todos Tus Libros]. É a edição PT-PT acadêmica moderna de referência para o livro [V].

Comentários e estudos sobre Josué em língua portuguesa (paginação não vista):

  • Ivo Storniolo, Como ler o livro de Josué: terra = vida, dom de Deus e conquista do povo (São Paulo: Paulus, «Como Ler a Bíblia»), 3.ª ed. 1997 [W — Ayrton’s Biblical Page; Scribd; Estante Virtual]. Leitura latino-americana, pastoral e libertadora.
A divisão da terra de Canaã entre as doze tribos
A divisão da terra de Canaã entre as doze tribos · Js 13-21Mapa de John Canne para a repartição da terra entre as tribos, conservado na Coleção Cartográfica Eran Laor da Biblioteca Nacional de Israel. O dossiê usa a estampa ao tratar de Js 13-21: as longas listas de limites do livro são, na tradição europeia, o material com que se desenha a terra — e cada mapa é uma tentativa de fazer a lista virar geografia.John Canne · mapa impresso (gravura) · Biblioteca Nacional de Israel, Coleção Eran Laor de CartografiaFonte: Wikimedia Commons · Licença: Public domain
  • David M. Howard Jr., Josué: Comentário Exegético (São Paulo: Edições Vida Nova, capa dura, ed. 2024) [V — catálogo Vida Nova/Mercado Livre/Storytel]. Comentário «versículo por versículo» de orientação evangélica acadêmica.
  • Comentário Bíblico Prazer da Palavra, fascículo 6 — Josué [W — edição KDP/autopublicada, Amazon].
  • Referência geral: o Novo Comentário Bíblico São Jerônimo — Antigo Testamento (org. Raymond E. Brown), com tradução PT, cobre Josué nas introduções gerais [W — Open Library, 2018].

Traduções PT de obras-âncora da crítica (lacunas): as obras de Noth (1943/1981), Alt (1939), Mendenhall (1962), Gottwald (1979) e Römer (2005) não têm tradução PT localizada [—]. A obra de Finkelstein e Silberman, The Bible Unearthed (2001), está traduzida em mais de doze idiomas, mas nenhuma tradução PT-BR/PT-PT de obra de Finkelstein foi localizada (dossier Finkelstein 2026 [W]; lacuna estrutural [—]).

8. Audiovisual e Games

TítuloRealidadeValidação PTMarcador
Händel, Joshua (HWV 64, oratório)estreada no Covent Garden, 9-mar-1748gravações comerciais internacionais; disponibilidade PT não confirmada[V] obra; [—] PT
Joshua, the Conqueror (1958)curta de 16 mm, episódios da vida de Josuésem dublagem PT localizada[W] obra; [—] PT
Joshua (2002)drama sobre «segundo advento» ficcional, não o Josué bíbliconão é adaptação de Js; erro de atribuição frequente[V] IMDb; uso indevido [W]
Séries bíblicas gerais (The Bible, History, 2013; The Chosen)não dedicam arco ao Josué bíblicodublagem/legenda PT existentes para a série[W]
Áudio PT — Bíblia narrada em português (Almeida, WordProject)áudio completo de Josué em PTdisponível online[W] wordproject
Videogame específico de Josué traduzido para PT-BRnenhum localizadobusca não retornou título dedicado[—]

9. Mitologia e Literatura Comparada

O paralelo mais próximo de Josué não está na mitologia cosmogônica: está nos anais reais assírios e egípcios. Comparar é datar a direção.

9.1 Js 10–12 como gênero de anais: a tese de Younger

K. Lawson Younger Jr., Ancient Conquest Accounts: A Study in Ancient Near Eastern and Biblical History Writing (Sheffield: JSOT Press, JSOTSup 98, 1990; ISBN 0567557049) [V — Hess, Themelios 18/2] sustenta a tese central: relatos de conquista assírios, hititas e egípcios compartilham códigos — os inimigos como um único Inimigo, terror psicológico, o deus nacional como instrumento de justiça — e Js 9–12 reproduz esses códigos. Consequência: «toda a terra» e «não deixaram sobrevivente» (Js 10,40; 11,11.14; 12,1) são retórica hiperbólica do gênero, não extermínio literal nem acréscimo editorial [V]. O gênero explica a forma, não decide o fato [V]. Direção: sem dependência literária direta, a relação é poligenia de gênero, um modo de escrever a guerra difundido no Oriente Próximo.

9.2 O herem contra o asakku mesopotâmico

O חֵרֶם, herem (Lv 27,28–29) é categoria religioso-jurídica de consagração: o que se separa para YHWH fica fora do uso profano, e em guerra isso significa destruição [V]. A comparação usual é com o acádio asakku, «tabu», o separado e por isso interdito ao uso comum (CAD A/2, 326f.) [V — «Taboo in Mesopotamia», JANES]. O paralelo é tipológico, mas o asakku não gera obrigação de extermínio com alvo étnico-territorial: a diferença, não a semelhança, é o dado. [— monografia comparativa direta: lacuna] Susan Niditch, War in the Hebrew Bible: A Study in the Ethics of Violence (New York: Oxford University Press, 1993) [W] distingue o «ban» sacrificial (o inimigo como oferta) das demais lógicas de violência.

9.3 O «sol parado» (Js 10) e a literatura de presságio celeste

Js 10,12–13 cita o Livro dos Justos (Sefer ha-Yashar) e pertence, na crítica corrente, ao registro poético-etiológico, não astronômico [V]. A literatura cuneiforme de presságio celeste (Enūma Anu Enlil) dá o contexto em que um dia anômalo se lê como sinal divino; Younger lê o episódio nesse registro [V]. Colin Humphreys e Graeme Waddington, «Solar eclipse of 1207 BC helps to date pharaohs», Astronomy and Geophysics 58(5), 2017, p. 5.39 [V — Oxford Academic] propõem que o episódio preserve memória de um eclipse solar de 30 de outubro de 1207 a.C., como hipótese de datação; a leitura astronômica de um poema antigo foi contestada [V — Mosaic, 2017]. Apresentar como tese, com a réplica.

9.4 Bênção e maldição no Ebal (Dt 27; Js 8,30–35) e as estelas de Sefire

Dt 27 ordena levantar pedras com a lei escrita e pronunciar a maldição sobre o Ebal e a bênção sobre o Garizim; Js 8,30–35 narra a execução [V — texto]. O rito tem parentesco formal com os tratados aramaicos de maldição: as estelas de Sefire (basalto, séc. VIII a.C., KAI 222–224, achadas em 1930 perto de Aleppo), tratado entre Bar-Ga’yah e Matti’el de Arpad, edição de referência Joseph A. Fitzmyer, The Aramaic Inscriptions of Sefire (Roma: Pontifical Biblical Institute, 1967) [V]. Laura Quick, Deuteronomy 28 and the Aramaic Curse Tradition (Oxford University Press, 2017) [V — Quick 2018] vê um formulário noroeste-semítico comum às maldições: repertório regional, não cópia. A «tábua de maldição do monte Ebal» (Stripling e equipe, Heritage Science, 2023) [W] sofreu refutação publicada na mesma revista [V].

A montanha do tratado. Js 24 convoca as tribos em Siquém, entre o Garizim e o Ebal — o mesmo sítio de Dt 27 e Js 8. No ANE a montanha é lugar de tratado e assembleia, e Js 24 tem a forma de uma assembleia de ratificação — testemunhas, depósito do documento, invocação de sanções [V]. O gênero é do mundo diplomático do ANE (cf. Mendenhall 1955, tese contestada) [W]; a dependência de um tratado concreto não está demonstrada.

10. Filosofia — as perguntas que o texto levanta

Perguntas com nome na história da filosofia, citadas com o autor que as formulou.

10.1 A ética da violência textual: Prior

Michael Prior, The Bible and Colonialism: A Moral Critique (Sheffield: Sheffield Academic Press, The Biblical Seminar 48, 1997; ISBN 1-85075-815-8, 342 pp.) [V — Carroll R., Denver Journal] leva o argumento ao extremo: o problema não está só nas leituras, está na natureza do texto — «várias tradições da Bíblia prestam-se a interpretações opressivas precisamente por causa de sua natureza intrinsecamente opressiva» (1997, p. 46) [V]. Examina três usos coloniais: a conquista espanhola na América, o apartheid afrikaner e o sionismo na Palestina, este o mais extenso [V]. A réplica é interna ao cristianismo: o herem seria local, temporal e único, e Dt 20,10–15 atenua a violência mandando oferecer paz antes do cerco [W]. Niditch (1993) [W] e Michael Walzer, Exodus and Revolution (New York: Basic Books, 1985) [V] completam o arco: Walzer lê o Êxodo como programa político e nota a autocrítica já presente no Dt.

10.2 A leitura pós-colonial, incluindo a palestina

Edward Said, Orientalism (1978) [W] fornece o instrumento: texto e erudição como instrumentos de poder. R. S. Sugirtharajah, Postcolonial Criticism and Biblical Interpretation (Oxford University Press, 2002) [V] aplica-o à crítica bíblica; a leitura pós-colonial de Josué denuncia o paralelo entre cananeus e colonizado [V — SAGE, 2013]. A vertente palestino-cristã é voz própria: Naim Stifan Ateek, Justice and Only Justice: A Palestinian Theology of Liberation (Maryknoll: Orbis Books, 1989) [V — WorldCat 19267198] escreve que o empreendimento sionista usou a Bíblia «como ferramenta para reivindicar que a terra da Palestina pertence unicamente» a um povo [V — Boston College]. Mitri Raheb, Decolonizing Palestine (Orbis, 2023) [W] propõe «descolonizar» conceitos como terra, eleição e povo escolhido. Do lado histórico-crítico, Keith W. Whitelam, The Invention of Ancient Israel: The Silencing of Palestinian History (London: Routledge, 1996) [V] sustenta, apoiado em Said, que a busca do «antigo Israel» silenciou a história da Palestina antiga. Há rejeição explícita dessa leitura — o debate é simétrico [W — Religions 2019].

10.3 A terra como promessa, a ética da posse e Js 24

A promessa da terra (Gn 15; Dt 1,8; Js 21,43–45) levanta a pergunta: em que título se funda o direito sobre uma terra já habitada? As respostas são mutuamente exclusivas — título teológico (dom condicional, Js 23), histórico-narrativo (o retorno) e de ocupação atual (quem ali vive). Prior (1997) [V] sustenta que o texto bíblico forneceu o vocabulário do título teológico aos projetos coloniais; Walzer (1985) [V] lê o Êxodo como libertação, não expropriação; a teologia da libertação retomou o Êxodo como paradigma político [W]. Nesse quadro, Js 24 é ato político: apresenta a escolha («escolhei hoje a quem sirvais», v. 15) e ratifica um pacto [V — texto], lido na filosofia política como fundação de ordem por consentimento [W — Elazar]. A leitura é disputável: o consentimento é enquadrado por ameaça («se abandonardes YHWH, ele vos destruirá», v. 20) — o «contrato» carrega cláusula de sanção que o desequilibra.

10.4 Auerbach e a verdade na historiografia antiga

Erich Auerbach, Mimesis: The Representation of Reality in Western Literature (1946; cap. 1, «A cicatriz de Ulisses») [W] opõe o estilo homérico (tudo iluminado) ao bíblico, «obscuro», cheio de lacunas e de verdade reivindicada: o texto bíblico exige ser acreditado como história sem dar os meios de o verificar. A narrativa não se apresenta como fábula, e é essa pretensão de verdade que a torna objeto do juízo histórico.

11. Teologia — os debates

11.1 A terra prometida na hermenêutica cristã e o supersessionismo

A leitura cristã clássica transferiu a terra prometida do território para o «repouso» escatológico: Hb 4,8–11 lê Josué como tipo de Cristo, aquele que introduz «o povo no repouso» que Josué não deu [V — Hb 4,8–11; §6]. Daí a substituição (supersessionismo): a Igreja como «novo Israel», os judeus como povo de título revogado. Samuel Sandmel, Anti-Semitism in the New Testament? (Philadelphia: Fortress Press, 1978; ISBN 0800605217) [V] examina o problema como interno ao cristianismo e recusa dissolvê-lo. A resposta institucional é Nostra Aetate (Vaticano II, 1965) [W], que recusa a teologia da substituição. Permanece o eixo: a tipologia de Josué pode ser mantida sem supersessionismo? Há respostas divergentes.

11.2 A leitura judaica: Siquém, as doze tribos e o midrash

No cânon judaico Josué abre os Nevi’im, não os «históricos» [V — Britannica]. A tradição rabínica trata a assembleia de Siquém como momento fundador da identidade coletiva das tribos, e o «aceitamos e faremos» é relido no midrash como aceitação voluntária da aliança [— página de midrash conferida: lacuna]. A cerimônia do Ebal e Garizim (Dt 27; Js 8) e o memorial (Js 4) entram na liturgia e nos haftarot [W]. Distintivo: para a leitura judaica, a promessa da terra não foi revogada [W].

11.3 Guerra santa e a sua recepção histórica

Gerhard von Rad, Der Heilige Krieg im alten Israel (1951) [W — §5] fixou o esquema: YHWH combate por Israel, o exército é instrumento. Carl Erdmann, Die Entstehung des Kreuzzugsgedankens (Stuttgart: W. Kohlhammer, 1935) [V] mostrou como a noção de guerra santa cristã se formou antes das Cruzadas; Jonathan Riley-Smith é a referência corrente para a ideologia da cruzada [W]. Josué foi instrumentalizado na pregação medieval [W]: distinguir o texto da sua recepção.

11.4 A leitura sionista e a sua crítica

A leitura sionista lê a conquista como precedente do retorno e a terra como título atual — o que Prior (1997) [V] documenta e recusa e o que Ateek (1989) [V] e Raheb (2023) [W] enfrentam de dentro. A crítica interna vem dos dois lados: no campo judaico, o pós-sionismo contesta a leitura «a Bíblia como mapa» [W]; na historiografia crítica, Whitelam (1996) [V] argumenta que ela projeta no passado um «Israel» que nunca existiu unificado. Do lado oposto, as apologias maximalistas (Albright; Wright) sustentam a historicidade de uma conquista real [W — §4.4]. Quatro posições, não duas.

11.5. Comentaristas por esfera confessional

Esta subseção não é uma lista de séries: é o levantamento de quem comentou Josué dentro de cada tradição, com que obra e com que leitura do livro. Duas regras de método governam o que segue. Primeira: a perspectiva se declara, não se atribui — quando o autor declarou a própria posição, registra-se a declaração; quando não declarou, descreve-se o método da obra («leitura não confessional», «método histórico-crítico e arqueológico»), sem inferir crença pessoal a partir de rótulo de terceiros. Segunda: o rótulo é metadado, não argumento — «é católico» ou «é ateu» situa a tradição de leitura; não confirma nem refuta o que a obra demonstra. Cada nome vem com a obra e o ano; [V] é o conferido, [W] o conhecido não conferido, [—] a lacuna.

1. Católico ocidental (latino). A linha latina começa com Agostinho, Quaestiones in Heptateuchum (419), que trata Josué no bloco dos Heptateucos em forma de perguntas literais — inclusive sobre a mentira de Raab e sobre a ordem de extermínio [V — CCSL 33; W para a numeração exata das quaestiones]. Na Alta Idade Média, Beda (c. 673–735) é a via pela qual o comentário a Josué circula; a obra transmitida como In Iosue (PL 83, 373ss.) é a referência prática, com a autenticidade bediana discutida na crítica moderna [W — atribuição não conferida nesta sessão]. A Glossa Ordinaria, compilada na escola de Anselmo de Laon (c. 1100–1130), fixa o comentário-padrão do Ocidente medieval sobre Josué e recolhe os Padres e os carolíngios, sobretudo Rabano Mauro [V — Brill, The Glossa Ordinaria; W para o fascículo de Josué]. Na virada do século XIV, Nicolau de Lira, Postilla litteralis super totam Bibliam (c. 1331), comenta Josué separando sentido literal e moral — a separação que influenciará Lutero [V — recepção e datação da Postilla]. Por fim, Cornélio a Lapide, Commentarii … in Iosue, Iudicum, Ruth, IV libros Regum (Antuérpia: João Meursius), o grande comentário jesuíta, com tratamento detido de Jericó (Js 6) e de Ai (Js 8) [V — lapide.org, capítulos de Josué; W para o ano exato da edição]. Do lado moderno, o Novo Comentário Bíblico São Jerônimo (org. Raymond E. Brown) cobre Josué nas introduções gerais [W — cf. §7].

2. Católico oriental e grego patrístico. Aqui está a leitura mais influente da Antiguidade sobre o livro: Orígenes, Homiliae in Iesu Nave26 homilias, conservadas quase inteiramente na tradução-paráfrase latina de Rufino de Aquileia [V — Homilies on Joshua, Fathers of the Church 105, trad. Barbara J. Bruce, ed. Cynthia White, CUA Press, 2002; as homilias foram proferidas pouco antes da perseguição de Décio e da morte do autor, c. 254]. O que Orígenes faz com a conquista é o ponto decisivo e precisa ser dito com clareza: ele a lê como combate espiritual, não como campanha militar — Jericó é a queda do vício, os reis cananeus são as paixões, e Josué (grego Iesous, o mesmo nome de Jesus) é figura do verdadeiro general. Essa é a razão pela qual a tradição alexandrina «resolve» o herem sem o enfrentar como problema ético: o texto não fala de extermínio, fala de vida interior. No lado antioqueno (literal-histórico), João Crisóstomo comenta Josué em fragmentos conservados sobretudo em catenas, atento ao sentido literal e à providência [W — catenas gregas; nenhuma edição conferida nesta sessão]. Teodoreto de Ciro, Quaestiones in Octateuchum (PG 80, 76–528), procede pergunta por pergunta e traz a q. XII sobre Josué [V — PG 80; obra do mesmo gênero de Agostinho]. A distinção alexandrina / antioquena não é detalhe bibliográfico: é a razão estrutural pela qual a mesma passagem produz leituras incompatíveis, e precisa aparecer sempre que se diz «a tradição grega lê Josué».

3. Ortodoxo. A tradição ortodoxa lê por catena, liturgia e Padres, não por comentário crítico moderno — consequência prática: procurar «o comentário ortodoxo de Josué» é procurar coleções de catenae e homiliários, não uma série no sentido protestante. Instrumentos: as catenae gregas ao Octateuco [W]; as leituras de Josué no ciclo litúrgico bizantino — em especial a travessia do Jordão (Js 3–4) nas leituras das Vésperas do Batismo, que fazem do episódio tipo do batismo cristão [W]. Na tradição russa, Alexander Lopukhin, Толковая Библия (Bíblia Comentada, São Petersburgo, 1904–1913), trata Josué no volume dos livros históricos e é o comentário ortodoxo mais consultável [V — ru.wikisource, edição 1904–1913; holyscripture.ru, «Книга Иисуса Навина»]. Em inglês, a Orthodox Study Bible (Thomas Nelson, 2008) traz notas patrísticas e leitura litúrgica, com Josué no AT segundo a Septuaginta [V — en.wiki; ed. 2008]. Cuidado de atribuição: a Catena aurea de Tomás de Aquino é compilação de Padres sobre os evangelhos; não comenta Josué e não deve ser citada como comentário de Aquino a este livro [V — natureza da obra].

4. Protestante. João Calvino, Commentary on Joshua (Beza o situa em 1563, e diz ser o último que Calvino escreveu), comentário pastoral atento à liderança de Josué e ao juízo sobre Acã (Js 7) [V — CCEL, Calvin’s Commentaries, nota de datação]. Matthew Henry, Exposition of the Old and New Testaments (1706–1710) [W]. Modernos de referência: Marten Woudstra, The Book of Joshua (NICOT, Grand Rapids: Eerdmans, 1981) [V — Denver Journal, bibliografia anotada]; Trent C. Butler, Joshua (Word Biblical Commentary 7, Waco: Word Books, 1983; xlii+304 pp.) [V — resenha em Evangelical Quarterly, 1986]; Richard S. Hess, Joshua: An Introduction and Commentary (Tyndale Old Testament Commentaries, 1996) [W — catálogos Logos/Nelson]. De outra linha metodológica, na série ecumênica: Robert G. Boling e G. Ernest Wright, Joshua (Anchor Bible 6, Garden City: Doubleday, 1982) [V — resenha em AJS Review].

5. Judaico (complemento; cf. §11.2). Rashi (Salomão ben Isaac, Troyes, 1040–1105) comenta Josué dentro do ciclo dos Nevi’im, com propósito declarado de expor o peshat ainda que recorrendo a midrashim e ao Talmude [V — Sefaria, «Rashi on Joshua»]. O midrash relativo à travessia do Jordão e à assembleia de Siquém (Js 24) lê a aliança como aceitação voluntária [— página de midrash conferida: lacuna, cf. §11.2].

6. Ateu, agnóstico e não confessional. Estas não são leituras de fé nem se apresentam como tais: são obras de método histórico-crítico e arqueológico, e é isso que as qualifica. Não se rotula a crença pessoal de nenhum dos autores; onde não há declaração do próprio, escreve-se «leitura não confessional». Keith W. Whitelam, The Invention of Ancient Israel: The Silencing of Palestinian History (London: Routledge, 1996) [V], sustenta que a busca do «antigo Israel» silenciou a história da Palestina antiga [V — §10.2]. Thomas L. Thompson, The Historicity of the Patriarchal Narratives (1974) e The Mythic Past: Biblical Archaeology and the Myth of Israel (London: Jonathan Cape, 1999) [V — título e ano], representa o polo minimalista que nega ao relato valor de fonte histórica [W]. Israel Finkelstein (com Neil Asher Silberman), The Bible Unearthed (New York: Free Press, 2001) [V — §4], cuja modelagem bayesiana de radiocarbono converte a «conquista» em sedentarização endógena das terras altas (§4.4; §12.3) [V]. Nenhum deles é «refutado pelo rótulo»: o que se examina é o argumento arqueológico e textual (§12), e há réplicas de campo na mesma ordem (Mazar; Ben-Tor, §12.3).

Contagem de nomes por esfera. Católico ocidental: 4 (Agostinho, Beda, Nicolau de Lira, Cornélio a Lapide, além da compilação da Glossa). Grego patrístico: 3 (Orígenes, Crisóstomo, Teodoreto) — dois por fonte primária e um por catena. Ortodoxo: 3 (Lopukhin, Orthodox Study Bible, a catena litúrgica). Protestante: 5 (Calvino, Matthew Henry, Woudstra, Butler, Hess; mais Boling–Wright em série ecumênica). Judaico: 1 (Rashi; mais o midrash). Não confessional: 3 (Whitelam, Thompson, Finkelstein). Assimetria declarada: a esfera protestante domina o mercado editorial moderno por fato de mercado, não de mérito; a ortodoxa quase não produz «comentário» no sentido protestante e fica sub-representada em qualquer busca por série; e o Oriente aqui entra por fonte primária, não por menção de passagem.

Lacunas desta camada. [—] nenhum número de página é citado: não foi visto em nenhuma das obras acima. [—] não se localizou, nesta sessão, edição conferida das homilias de Crisóstomo a Josué (o acesso é por catena). [W] a autenticidade do In Iosue transmitido como de Beda não foi verificada em edição crítica. [W] os anos de edição de Beda, da Glossa e do comentário de Lapide são os correntes na bibliografia, não lidos em frontispício.

12. Ciência — o que as ciências dizem, e onde não têm competência

Regra da seção: a ciência não decide se o texto é revelado nem se houve milagre; decide se uma afirmação factual do texto é compatível com o registro observável. E não pode dizer se o herem é justo: isso é juízo ético e teológico, fora da ciência empírica.

12.1 Hazor: o único sítio-tipo com destruição no século XIII

Hazor (Tell el-Qedah) é o único sítio associado a Josué em que a arqueologia encontrou destruição violenta no século XIII a.C. Yigael Yadin (1950s–1960s) achou a conflagração na cidade baixa; Amnon Ben-Tor, «Who Destroyed Canaanite Hazor?», Biblical Archaeology Review 39(4), 2013, pp. 27–36 [V — HUJI] reafirma o incêndio, datado em torno de 1230 a.C., sustentando que nenhum destruidor plausível existe além de Israel [V]. Objeção: a data não coincide necessariamente com Js 11, e um sítio isolado não sustenta uma campanha [W]. Js 11,10–11 faz de Hazor o único herem com queima explícita — sugestivo, não conclusivo.

12.2 Láquis e Betel: a fragilidade dos outros casos

Láquis (Tell ed-Duweir) tem destruição no final do Bronze Recente (c. 1200–1150 a.C.), associável a Js 10, mas a atribuição é disputada, podendo refletir ação egípcia do Império Novo [W]. Betel (Tell Beitin) tem destruição do Bronze Recente, mas a identificação do sítio é contestada [W]. Identificação disputada não se apresenta como certa. Somados Jericó (sem destruição no séc. XIII, §4.1) e Ai (ruínas por mil anos, §4.2), o quadro é de quatro exceções e uma coincidência.

12.3 Cronologia alta contra baixa: o que cada sistema faz com Js

Finkelstein e Silberman, The Bible Unearthed (Free Press, 2001/2002) [V §4] usam modelagem bayesiana de radiocarbono para rebaixar os estratos de Ferro I–IIA em meio a um século (a «cronologia baixa»): a ocupação das terras altas vai para c. 1150–1000 a.C. e a «conquista» torna-se sedentarização endógena (§4.4). Amihai Mazar, na Biblical Archaeology Review (2002) [V], rejeita a cronologia baixa e defende a «alta/centrista». Amnon Ben-Tor ataca a baixa como construída sobre evidência «frágil» que «cria novos problemas insolúveis» [V]. Em jogo para Js: com a cronologia baixa não há séc. XIII para uma conquista; com a alta, Hazor (c. 1230) e um Israel atestado em Merneptah (c. 1208) convivem. Debate aberto.

12.4 A datação da escrita alfabética no Levante

O fragmento de cerâmica com inscrição alfabética achado em Tel Láquis em 2018 e publicado por Felix Höflmayer et al., «Early alphabetic writing in the ancient Near East: the ‘missing link’ from Tel Lachish», Antiquity 95(381), 2021 [V] é, segundo os autores, a inscrição alfabética mais antiga com datação segura no Levante meridional, do século XV a.C. [V]. Relevância para Josué: se o alfabeto já circulava em Canaã no Bronze Recente Tardio, a fixação por escrito de tradições em data antiga é tecnicamente possível — o que não prova a datação de Js, retira um argumento de impossibilidade.

12.5 Genética: Israel antigo e os filisteus do mar

Michal Feldman et al., «Ancient DNA sheds light on the genetic origins of early Iron Age Philistines», Science Advances 5(7), 2019, eaax0061, DOI 10.1126/sciadv.aax0061 [V] sequenciaram dez indivíduos de Ascalão e mostram, para os primeiros filisteus do Ferro, ascendência europeia/do sul da Europa que declina depois — confirmação genética da origem «dos Povos do Mar», com assimilação local [V]. Para o Israel antigo, o DNA levantino do Ferro mostra continuidade com populações anteriores, o que favorece modelos de emergência endógena sobre invasão maciça [W]. O que a genética NÃO faz: identificar linhagens dos indivíduos nomeados nem «provar» Josué ou o Êxodo.

12.6 Jericó: topografia e radiocarbono

Dois dados que o texto ignora. A topografia: Tell es-Sultan é um tell modesto, e as muralhas de Js 6 não cabem nos níveis do Bronze Recente [W]. E a datação absoluta: Hendrik J. Bruins e Johannes van der Plicht, no Radiocarbon (1998 e seguintes) [V — Univ. Groningen] fixam a destruição do Bronze Médio de Jericó em torno de 1550 a.C., muito antes da conquista — o que coincide com a datação de Kenyon (§4.1). Duas técnicas independentes concordam: não há cidade amuralhada destruída no séc. XIII. A crítica evangélica (Garstang; Wood) contorna o dado deslocando a conquista para o séc. XV [W], o que colide com a datação do Ferro I.

12.7 Onde a ciência não tem competência

  • A arqueologia não decide se a terra foi prometida; decide se um sítio foi destruído e quando.
  • A genética não identifica linhagens bíblicas nomeadas nem os «cananeus» como entidade singular.
  • O radiocarbono não data um texto; data materiais, e só com laboratório e método publicados.
  • A astronomia não confirma o «sol parado»: o eclipse de 1207 a.C. é hipótese de datação [V], contestada [V].
  • A ética do herem não é questão empírica: pertence à filosofia e à teologia (§10–§11).
A colina de Tell es-Sultan, em Jericó
A colina de Tell es-Sultan, em Jericó · contexto arqueológico (cf. Js 6)A colina de Tell es-Sultan, em Jericó, é o sítio cujas escavações desfizeram a leitura direta do capítulo 6: as muralhas mais conhecidas são muito anteriores à data em que se costuma situar a entrada de Israel. O dossiê usa a fotografia na seção de ciência porque o lugar onde a narrativa põe o milagre é exatamente o lugar onde a arqueologia põe a pergunta.Diego Delso · 2011-09-29 · sítio arqueológico · Tell es-Sultan, Jericó; fotografia de Diego Delso, CC BY-SA 3.0Fonte: Wikimedia Commons · Licença: CC BY-SA 3.0

13. Lacunas e Correções de Atribuição

  1. [W] Autoria mosaica/josuítica. A atribuição tradicional a Josué é registrada (Js 24,26), mas a crítica moderna situa a obra séculos depois; não se localizou, nesta sessão, página de comentário rabínico conferida [—].
  2. [W] Estela de Merneptah (c. 1208 a.C.). A menção de «Israel» como povo é o dado extrabíblico mais forte; a datação exata oscila entre c. 1207 e 1208 a.C. conforme a cronologia egípcia adotada [W].
  3. [W] Arte de Josué. Poussin (c. 1625, Museu Pushkin) e John Martin (1816) e a Loggia di Raffaello são atribuições de divulgação; datas, museus e números de inventário não foram conferidos em catálogo oficial [—]. Obras eventualmente atribuídas a «Giordano» («Battle of Joshua») carecem de verificação [—].
  4. [—] Filme dedicado ao Josué bíblico em longa-metragem com circulação PT: não localizado; só peça de 16 mm (1958) e o homônimo de 2002 (não bíblico). Distinguir os dois evita erro de atribuição.
  5. [—] Videogame de Josué em PT-BR: não localizado.
  6. [—] Traduções PT das obras-âncora de Noth, Alt, Mendenhall, Gottwald, Römer e Finkelstein: não localizadas. Lacuna estrutural do mercado lusófono.
  7. [W] Comentários PT de Josué. Localizados Storniolo (Paulus), Howard (Vida Nova, 2024) e o fascículo KDP; ISBNs completos não conferidos em dois endpoints independentes para todos eles [W].
  8. [—] Página-precisa em comentário PT de Josué: conforme o protocolo, nenhum número de página é citado sem ter sido visto.
  9. [W] Volume Quetzal. O volume abrange os «Livros Históricos» na ordem da Septuaginta; a formulação abreviada «Josué–2 Reis» é aproximada — a ficha oficial lista «os Livros Históricos» [V ficha].
A estela de Merneptah no Museu Egípcio
A estela de Merneptah no Museu Egípcio · contexto histórico (séc. XIII a.C.)A inscrição de Merneptah (c. 1208 a.C.) é o testemunho egípcio mais antigo do nome Israel como povo no país, e o dossiê a usa na seção de ciência para delimitar o quadro histórico do livro de Josué: o que ela documenta é a existência do nome no fim do século XIII a.C., não qualquer episódio da conquista.Onceinawhile · 2022 · granito inscrito (c. 1208 a.C.) · Museu Egípcio, Cairo; fotografia de Onceinawhile, CC BY-SA 4.0Fonte: Wikimedia Commons · Licença: CC BY-SA 4.0

Nota de método: as fontes marcadas [V] foram conferidas nesta sessão (catálogo de editora, repositório de manuscritos, periódico ou registro Open Library); as marcadas [W] são obras/registros canônicos conhecidos citados sem conferência direta; as marcadas [—] são lacunas assumidas. Nenhum número de página, ISBN ou DOI foi inventado.

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ObraAcessoOnde
Kenyon, K., Tell es-Sultan (Jericó), escavações 1952–1958; destruição do Bronze Médio-Recente c.…livremdpi.com
Alt, A. (1939) e Noth, M — modelo da infiltração pacífica; Mendenhall, G. E., «The Hebrew Conque…livrelibrary.biblicalarchaeology.org
4QJoshua (4Q47, 4Q48), Qumran, Caverna 4livredeadseascrolls.org.il
Britannica, «Nevi’im (Prophets)» e «Book of Joshua»livrebritannica.com
Noth, M., Überlieferungsgeschichtliche Studien (Halle: Niemeyer, 1943)empréstimoOpen Library
Finkelstein, I. & Silberman, N. A., The Bible Unearthed (New York: Free Press, 2001/2002)empréstimoOpen Library
Ancient Conquest AccountsbibliotecaOpen Library
Samuel Sandmel — Anti-Semitism in the New Testament?bibliotecaOpen Library
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Howard Jr., D. M., Josué: Comentário Exegético (Vida Nova, 2024)compravidanova.com.br

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